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Como seria o discurso de Paulo no Areópago (TABELA COMPARATIVA)

POR QUE JESUS AJUDOU A TOMÉ?

Só há uma resposta: Tomé deveria ser um cara “gente fina”, um bom caráter e ótimo sujeito, do tipo que o coração não pensa em si por amor ao próximo…

Desde que o mundo é mundo, ou melhor, desde o início do Cristianismo, Deus nunca fez qualquer concessão a ateus e incrédulos, tratando-os muitas vezes com solene desprezo, ou com a mais fria indiferença. E com toda razão, os povos antigos diziam: “bem feito! Quem manda imputar a Deus uma desconfiança como se o Altíssimo mentisse?”. Ninguém deveria, portanto, se admirar de encontrar na Terra um silêncio sepulcral oriundo do cosmos inteiro, ficando cada vez mais patente a desesperadora solidão do Homem, perdido entre a angústia e a mudez de Deus.

Todavia houve um caso na História onde Deus tratou um ateu de modo diferente, dando a ele o privilégio da resposta, que a nenhum outro foi dado. Por isso então devemos primeiro perguntar “por que Tomé mereceu tratamento especial?”. Ora; todo teólogo e todo bom cristão sabe que a fé é menos importante que a caridade e que esta é a maior de todas as virtudes cristãs, sem a qual não há salvação para a alma humana. Entretanto a fé, como combustível do espírito, é aquilo que mantém a alma no rumo certo, incitando-a a agir bem e fazer a caridade previamente incumbida a cada filho de Deus. O próprio ato de crer é uma caridade do indivíduo para consigo mesmo e para com o planeta inteiro, “elevando” o nível da atmosfera salvífica da Terra e santificando as emanações espirituais da comunicação com Deus.

Como para Jesus um coração caridoso de um bom caráter é o passaporte instantâneo para o Reino de Deus, o apelo da fé nem seria necessário nestes casos, havendo de fato muita gente que chega ao Céu sem nunca ter expressado a sua crença, ou nem sequer imaginado que aquela estranha saudade n’alma era a sua fé fervilhando entre seu entusiasmo e a timidez de seus lábios. Ao contrário, no entanto, se nenhuma bondade havia na alma, dificilmente se vê ou se verá uma pessoa entrar no Céu, independente da “enorme” crença que expressou em toda a sua vida física.

Então agora fica bem claro o que aconteceu com Tomé. Ele era um homem boníssimo que certamente lutava desesperadamente para pescar um mínimo de fé da profundidade de sua alma, e algum pecado parasita associado à timidez (e ainda dizem que a timidez não é pecado) lhe barrava o caminho, exigindo de seus olhos físicos uma resposta que agradasse às suas mãos!

Achando isso uma tremenda bobagem (i.e, “para que um homem tão bom precisava enfiar o dedo nas feridas de Jesus para crer?”) Jesus levou em conta apenas e tão somente a bondade de seu discípulo e não fez cerimônia, afastando-se dos demais apóstolos e dirigindo-se decidido a Tomé, com aquele olhar solícito a dizer: “Tomé! Vem! Enfia aqui os teus dedos!”…

Nunca na história da Humanidade houve (e certamente jamais haverá) um incrédulo mais “sortudo” do que Tomé, que teve a divina oportunidade de morrer com seu coração em paz, unindo o útil ao agradável, ou seja, ele pôde continuar fazendo o bem e ainda psiquicamente restaurado pela lavagem interior que a fé promove nos corações.

E quanto aos demais incrédulos? Nada há a responder, nem por parte deste articulista nem de Deus. Aliás, se Deus não move uma palha para atender à fome de provas concretas que invade a cabeça volúvel dos ateus, por que cargas d’água eu iria mexer alguma? Que eles morram sem fé ou com sua fé na inexistência de Deus, com seu imenso susto ao acordar do esquife! – Porém ainda me dou ao trabalho de falar o seguinte, não para eles, mas para os crentes conhecerem melhor a atitude de Deus. Ora, algum crente poderia perguntar: “Se Deus tem todas as provas, por que insiste em negar todas elas aos ateus?”. Não é isso. Não é nada disso. Deus não lhes dá a palma das mãos como deu a Tomé por uma outra triste e eloqüente razão: “eles não iriam crer de modo nenhum, nem mesmo se vissem um defunto apodrecido ressuscitar!” (Lc 16,30-31). A prova disso está em que quando lhes testemunhamos algum caso de avistamento de disco voador, eles jamais confiam na testemunha e dizem: “por que não fez uma foto ou um filme do UFO?”. E depois, quando nós lhes mostramos as fotos e o filme, eles sempre dizem que são falsos ou fraudados. Eis porque Jesus lhes negou tudo, como vimos no trecho citado de São Lucas.

E quanto a nós que cremos? Todas as bênçãos dos céus estão ao nosso dispor, inclusive as “chaves dos céus”, que uma igreja julga terem sido dadas apenas aos seus pastores. Entretanto, porém, fica claro a excelência e a exigência compulsória da caridade para a nossa filiação a Cristo, sem a qual nenhum crente terá a alma transformada para um dia, no futuro, gostar de passar o resto da Eternidade na companhia de Jesus, naquele ambiente cem por cento santo. Se nós que cremos não tivermos aprendido, com o exemplo de Tomé, sobre as inefáveis bênçãos dadas às almas do bem e da caridade, melhor seria nunca termos nascido.

………………………………………………………………………………………….Prof. JV.

O MILAGRE DO ARGUMENTO DE DEUS

Como a mensagem salvífica do Novo Testamento conseguiu aflorar na terra e por que se mantém incólume após todos estes séculos e apesar de todos os seus inimigos…

Certo dia andei pensando sobre tudo o que ouvi de argumentos contra a veracidade da Palavra de Deus e só obtive resposta convincente numa fria madrugada de setembro, numa voz interna que me acordou expondo dois raciocínios que eu até então não havia tido, embora, a rigor, pareceram-me o tipo da coisa que eu poderia ter pensado; isto é, pareciam coisas que eu, mais cedo ou mais tarde, descobriria e talvez até pensasse ser coisa da minha cabeça, fértil como terra bem adubada.

Antes, porém, de irmos ao que “uma madrugada insone” me falou, é bom esclarecer por que acumulei tantos argumentos contrários à confiabilidade da Bíblia, que a maioria dos crentes julgaria coisa se satanás ou no mínimo um perigo irresponsável. Mas não foi nada disso. Veja. Como sou filho de pais estudiosos e ao mesmo tempo ateus, fui educado desde cedo a desconfiar de tudo, a começar das alegações dos religiosos, quando me vinham convencer de que a sua interpretação bíblica era a verdadeira, ou que refletia a verdade nua e crua dos fatos. Isto durou muitos anos ou decênios, até que, na década de 70, um livro de um desses “crentes” chegou às minhas mãos e começou a mudar minha visão, até o ajuste ou encontro final de amadurecimento lógico, ocorrido em 1975.

Meu autor predileto (muitos leitores já sabem qual é) me mostrou, afora inúmeros outros argumentos logicíssimos e SUFICIENTES, a coerência das alegativas de Jesus quanto a estar dizendo a Verdade, não deixando a porta aberta para pensarmos outra coisa. Na realidade, CS Lewis dizia que Deus nos deu sinais evidentes de que ou Jesus falou A Verdade nua e crua, ou que Ele teria que ser encarado como um demônio presunçoso, mas jamais poderíamos pensar dEle que se tratava de um louco ou mentiroso. Quem leu o livro “Mere Christianity” (‘A Essência do Cristianismo Autêntico’), saberá facilmente onde encontrar tal raciocínio em Lewis.

Prosseguindo em minha jornada pela busca de provas do Sobrenatural, cuja fome nunca me deixou em paz, fui estudar Teologia em duas escolas distintas, e ali encontrei novos e preciosos argumentos em favor da veracidade bíblica. Todavia, foi também ali, no meio de pastores, teólogos e padres, que ouvi e aprendi coisas que só um ingente esforço de fé e boa vontade poderiam dar à Bíblia a credencial portentosa com a qual a Palavra de Deus goza hoje em mim. Em resumo, eu poderei dizer que o melhor professor que tive no segundo Seminário (que era teólogo e historiador), após ouvir uma pergunta a queima-roupa de um aluno crente, mas aflito com a terra que haviam lhe tirado de debaixo de seus pés, me fez vivenciar a seguinte cena. O aluno perguntou: “Professor, então é verdade que não há nada, absolutamente NADA na Bíblia, que possa ser tido como prova científica da passagem de Jesus pela Terra?”. Meu mestre respondeu: “Não, amigo; infelizmente não. A Bíblia é de fato um livro que Deus endereçou apenas e exclusivamente para quem tem fé; quanto aos outros, podem morrer na dúvida que Deus não os ajudará a crer. Todavia, se você quiser saber como eu mesmo me vi livre desta dura realidade, posso lhe dizer que uma investigação de todos os registros históricos e livros da época de Jesus e imediatamente posteriores a ela, apontam um fato irretorquível e absolutamente devastador como argumento a favor da passagem de Jesus pela Terra; a saber, O IMPACTO de um certo Homem pela sociedade da época, deixando sinais avassaladores de um verdadeiro “furacão humano” por onde quer que passou, alterando costumes, suscitando alegria em muitos e terror em muitos outros, gerando sinais de luta contra a opressão, voluntariado de missões de caridade gratuita, apelos e devoções de ordem moralizante em meio a homens de passado errante e finalmente um forte e crescente sentimento de Justiça Divina, que levava cada grupo de ‘crentes’ a engajar-se em células organizadas, e tudo para não deixar morrer a idéia original que aquEle estranho Judeu havia deixado na sociedade que com Ele conviveu! É isso, amigo. É este o único ponto da História onde você consegue encontrar provas, não de que Jesus ‘era’ Deus, mas de que um ‘insignificante’ Judeu bagunçou o mundo todo, transformando toda a superfície de nosso Planeta”.

Ouvi tudo isso (não com as mesmas palavras, obviamente) e guardei no coração, como se o próprio Deus soubesse que, algum dia, quando meus cabelos ficassem muito mais brancos, aquelas palavras iriam me servir de algum modo, quando a minha fé tremulasse, como tremula a fé de todo mundo, exatamente como CS Lewis descreveu no mesmo livro. Entretanto, pergunte-se: “como minha fé ultrapassou o último argumento contrário a ela mesma?” Ora; como as nossas emoções vão e vêem, e a fé também é uma emoção (uma virtude, segundo Lewis), e como nossa volubilidade é persistente e nossa memória traiçoeira, o argumento mais forte que recebi de Deus foi este que tornei o objeto central deste artigo. E eu o descrevo a seguir.

Paul Yancey um dia escreveu que Deus amou de tal forma a Humanidade que, com todos os seus poderes da Onipotência, jamais tentou apagar, do corpo de Jesus, as marcas dos cravos e da lança trespassada pelo seu peito!… Isto me foi chocante, mas só um ateu perguntaria: “E como Yancey sabe que as marcas estarão lá?”. A Bíblia assim o diz, não apenas quando Jesus as mostrou a Tomé (já com o corpo todo restaurado pelos poderes milagrosos dos processos da ressurreição), como quando João e os anjos apontaram para o Cordeiro, aquele que levava as marcas nos pés e nas mãos, para abrir o Livro que continha os nomes dos eleitos. A pergunta óbvia sempre seria: “Por que Deus não restaurou todo o corpo de Jesus, para Ele ressuscitar perfeito, sem marca nenhuma?”. Paixão! Paixão de Cristo, amor roxo e arriado nos 4 pneus, para usar linguagem popular. Se eu amei perdidamente uma mulher, e depois a perdi injustamente num acidente bárbaro, as marcas que ela deixou em mim eu jamais vou querer perder, pois a simples lembrança que elas me dão reavivam o meu amor e me enchem de fé, alegria e esperança. Eis a lição do Amor de Deus por nós, cravadas em sua Pele santa para sempre.

Mas qual foi afinal o último argumento que ouvi de Deus? Veja. Ele se desdobra em duas partes inter-relacionadas. Assim:

Jesus CONFIOU tanto, tanto, mas tanto, no poder convencedor de seu argumento, que decidiu aceitar sem pestanejar a Missão de vir à Terra, mesmo sabendo que TODA a Sua Palavra poderia ser desvirtuada e adulterada, ficando a Sua proposição quase indetectável para aqueles que queria salvar”. É como se Deus, mesmo vendo TODA a confusão, adulteração e até manipulação que a Bíblia iria sofrer desde o seu nascimento até o seu fechamento no Cânon Oficial, tivesse pensado: “Não tem problema nenhum, pois mesmo que a Humanidade inteira confunda tudo, e todos os religiosos mexam e remexam, ponham e retirem, e até reescrevam a Minha Palavra por sua própria ótica reducionista, eu ainda assim aposto que alguma coisa do cerne de meu argumento chegará até eles, e, quando chegar, de alguma forma promoverá alterações de caráter, e estas, ainda que mínimas, levarão tais pessoas a entrar, mais cedo ou mais tarde, numa experiência profunda com a minha bondade!”. Ou seja, Deus já sabia das interpretações mal-intencionadas, sabia das distorções doutrinárias, sabia da enxurrada de religiões e seitas que fundariam os líderes interesseiros, sabia das evasivas para com a Moral cristã, enfim, sabia de tudo, mas apostou no mínimo sinalzinho de vida que a sua Palavra suscitaria nos corações, alterando drástica ou sutilmente cada um deles.

Tanto é assim que Jesus, em nenhum momento de sua vida como Homem (pelo menos isto não ficou registrado nem dentro nem fora do Novo Testamento, o que poderia ser encarado como outro sinal de adulteração ou omissão injustificável dos escribas), pediu para que registrassem suas palavras POR ESCRITO, e pior, em nenhuma ocasião Ele mesmo chegou a escrever qualquer coisa, como se confiasse cegamente em nossa pífia memória, ou como se pensasse: “isto é tão forte e contundente que um dia ressurgirá na mente de alguém e ele o transformará num terrível Livro!”… Tss-tss…

Aqui, exatamente neste ponto, pode-se sacar, para quem tem olhos de ver e ouvidos de ouvir, esta estonteante verdade: A Bíblia é assustadoramente verdadeira e bombástica, e mesmo quando toda a Ciência a desmoralizar ou refutar, seus ecos ainda repercutirão no subconsciente humano; porquanto a voz de um Deus não se esvai assim tão facilmente (enquanto houver ouvidos e ouvidos ouvirem), e se for, se por acaso algum dia aquela insinuante voz desaparecer, então não foi por obra de homem algum, nem ciência alguma, nem ateísmo algum. E será algo terrível, porque ela terá sido silenciada pelo próprio Deus, para quem também há hora de falar e hora de calar. Então naquele pavoroso “Dia do Silêncio Total”, que Ele tenha pena de nós.

……………………………………………………………………………………………Prof. J

A DUPLA HIPOCRISIA DE NOSSA ERA

Alegar fazer porque todos fazem e condenar aquilo que Jesus não condenaria se constitui numa “velha novidade” altamente prejudicial à vida cristã, e só aos cristãos deve ser levada.

É o tipo da conversa que não se deve levar a quem não se diz cristão, ou a quem não tem fé, ou a quem professa publicamente outra religião, bem como àquelas almas tranqüilas para quem a inconsciência da vontade de Deus traz muito mais benefício do que um envolvimento com a moralidade cristã. Infelizmente esta é a verdade, e eu não teria nada melhor para tratar sobre este tema se não incluísse esta introdução “divisionista”. Troquemos as palavras.

Se você se diz cristão, então pode continuar lendo.

Todas as pessoas pecam. Nem devemos dizer, como repetem os protestantes a exaustão, que “todos pecaram”, baseando-se num único trecho bíblico (Rm 3,23). Devemos sim dizer a frase no presente, pois a exortação paulina não se fixa no tempo, como de resto a Bíblia inteira jamais se refere a uma época em particular, mas a toda a História humana (Lc 21,33). Aliás, minto ao dizer que a Bíblia põe o tempo do verbo no passado, como o leitor pode conferir em I Jo 1,8 e num trechinho interessante de uma passagem do segundo livro de Crônicas (II Cr 6,36), inserida de fininho entre parênteses. Assim, corrigindo nosso pensamento, repito…

Todas as pessoas pecam. Neste exato instante, tanto o autor quanto o leitor estão pecando, para sermos exatos. Isto é a forma prática e doméstica de fixar em nosso consciente aquilo que se diz no início de todas as missas: “para podermos celebrar DIGNAMENTE os santos mistérios, confessemos os nossos pecados”. Esta é a premissa básica do Cristianismo, e ela é sine qua non, ou seja, sem a qual não há Cristianismo. De fato, o Cristianismo desaparece, aliás, é extinto por nós, melhor ainda, FOGE de nós – literalmente, pela vontade de Deus – se ousarmos tratá-lo com o pressuposto de que por acaso não estejamos o tempo todo em pecado, e até naquele exato instante em que pensamos isso, incluindo o momento de culto e de missa. Isto é tão sério que Santo Agostinho, um dos “pais” da Teologia, certa vez ousou pensar algo que colocarei com minhas palavras: “Seria melhor todos morrermos após o batismo, para garantirmos o ingresso no Céu, pois alguns segundos após o ato, voltamos ao pecado como a porca lavada volta ao lamaçal” (é obvio que Agostinho, por efeito da época, sem dúvida estava pensando naqueles que eram batizados em idade adulta, pois um bebezinho de colo obviamente não sairá para pecar alguns segundos após a cerimônia na pia batismal). Pois bem; é esta a verdade, e é ela que vamos encarar aqui.

O problema se agiganta porque além de pecarmos todo tempo, cometemos dois outros pecados “caroneiros” (ou oportunistas – a maioria dos pecados são assim), a saber: usamos os pecados dos outros para JUSTIFICAR os nossos; e acusamos “pecados” nos outros que a rigor nem são pecados, segundo as explicações do próprio Jesus. Devo ‘socorrer’ o argumento agora, dizendo que pecado de fato, i.e, aquilo que separa uma alma de Deus, é o dolo, a má intenção, o mau-caratismo. Isto poderá levar alguém a pensar que, se o pecado é a INTENÇÃO, então se alguém cometer um ato mau sem o saber, não estará pecando. Sim. Foi assim que Jesus explicou. O pecado é um ato posto em Lei. Sem lei não há pecado. E por isso os pecadores precisam conhecer a Lei e conscientemente transgredi-la para ofender a Deus. O resto é instinto, tão puro quanto as “imoralidades” dos animais sadios.

Longe de diminuir a lista de pecados por reduzi-los a atos conscientes e mal-intencionados, a identificação deles na profundeza do coração (Mt 5,28) faz com que todos os pecados se tornem muito mais graves e abrangentes, e foi por isso que Judas disse “detestai até a roupa contaminada pela carne” (Jd 23), que Paulo disse “abstende-vos até da aparência do mal” (I Ts 5,22) e que Jesus disse “Do coração procedem todos os pecados visíveis no exterior dos homens”, em tradução livre para Mt 15,19. Portanto, bem traduzido, o exemplo de Mt 5,28 seria o de que NEM É PRECISO transar com a bela da tarde; mas o simples fato de desejá-la foi suficiente para nos imputar o pecado da fornicação, e isto prova que nenhum “santinho” que apenas deseja pode julgar aquele que já transou! É ‘simples’ assim: Jesus nos proíbe de julgar o próximo, não porque sejamos idiotas e não enxerguemos pecados, mas porque sempre enxergamos os pecados dos outros e esquecemos dos nossos, os quais são, a rigor e literalmente, idênticos em gênero, número e grau, na contabilidade divina. Mas devem ficar muito mais graves em nós porque a eles adicionamos a desobediência de julgar! (Rm 2,1-3).

Alguém aqui poderá alegar, como os leigos sempre o fazem, que nunca roubou, nunca matou, etc., e por isso “seu” pecado É DIFERENTE do pecado mortal dos bandidos. Será? Veja o que a Bíblia diz do roubo em Malaquias 3,8. Veja o que a Bíblia diz do assassinato em Hb 6,4-6. O que estes dois trechos dizem? Vou traduzi-los em “português teológico”. Veja: Por um lado, se você nunca roubou ninguém, e acha um horror o pecado de roubar, o que você não diria de alguém roubasse de Deus? Você nunca roubou de Deus? Isto é o que diz o primeiro trecho. Por outro lado, se você nunca matou um ser humano, o que diria de alguém que matou Deus? Isto fala o segundo trecho.

E a nossa desgraça não pára aí. Ainda fuçamos a imoralidade de tal modo que ficamos com o focinho imundo, como o focinho dos porcos procurando alimento no lixo. Nossa fedentina vai ao ponto de além de pecarmos (em atos, palavras, pensamentos e omissões) e acusarmos os outros, ainda ousamos julgar o próximo por coisas que a rigor nem são pecados, como o comer sem lavar as mãos (Mt 15,20), o uso de roupas démodé em ambientes chiques, o uso de danças de louvor nas igrejas e de bebibas alcoólicas em momentos de alegria (sobre este último caso, tudo leva a crer que Jesus bebia em ocasiões assim – e não era pouco, aparentemente –, ao ponto de ao se comparar com João Batista – que não bebia nada –, o Senhor revelou que O chamavam de “glutão e beberrão”: Lc 7,34). Aparentemente, nem o comer demais é pecado!: Eu peco por discordar… Mas certamente são as comidas de nossa era que estão nos fazendo mal, porque estão todas contaminadas, dos mais variados tipos de contaminação! Na época de Jesus não era assim, pode crer.

Mas voltemos ao “X” da questão. Falar a verdade todo o tempo é impossível, e a vida moderna é pródiga em nos provar isso. Há verdades que podem ser ditas e outras não. Há verdades que devemos omitir e outras não. Se vivêssemos a falar apenas a verdade o tempo inteiro, não conseguiríamos nem mesmo alimento para a nossa fome e nem sequer emprego de catador de papelão! Isto são coisas mais do que provadas em nossa convivência social.

Assim sendo, podemos raciocinar assim: se nós seres humanos, que somos diminutos de sapiência e imundos de consciência, conseguimos descobrir que é impossível “conviver” falando 100% da verdade em 100% do tempo, então é válido perguntar: se Jesus estivesse aqui conosco, em nossa era, convivendo nesta geração perversa e corrupta, poderia Ele dizer a verdade o tempo todo? Eu afirmo que NÃO. Ele era o máximo da fineza e da consciência, sem um segundo sequer de não-vigilância para com as suas estratégias de evengelização. Ele então veria fácil-fácil que SE falasse a verdade o tempo inteiro, não sobraria tempo para “evangelizar”; porquanto evangelizar é “ganhar” (conquistar) almas, e a verdade constante afasta as pessoas, e não lhes é simpática. “A verdade não faz amigos”, já dizia o Morcego em “Ferngully”.

Todavia, um cristão mais ortodoxo poderia perguntar: “o sr. acha que a Bíblia deixou algum sinal de que Jesus não falaria a verdade O TEMPO INTEIRO?”… Sim. Deixou. Veja o que diz Lucas 16,1-11, mas pare os olhos no versículo 8. A tradução mais popular diz que ali está escrito que Jesus elogiou os “enrolões”, dando um sinal para os cristãos “sacarem” uma tática de convivência social e profissional. Jesus teria dito para nós cristãos assim: “os filhos das trevas são mais hábeis que os filhos da luz”. Para bom entendedor, meia palavra basta… – SE entendermos bem esta declaração, Jesus estava dizendo: “Se vocês quiserem se dar bem nesta vida, precisarão ter jogo de cintura e falar a verdade APENAS no momento certo e para as pessoas certas”.

Finalmente, a dupla hipocrisia da atualidade, regada ao vinho podre da mídia imoral, é alegar fazer QUALQUER COISA somente porque todos estão fazendo, condenando aqueles que não fazem porque tentam, no silêncio de sua fé, cumprir a vontade de Deus. Seriam estes aqueles que fazem coisas aparentemente “erradas” no exterior (como comer sem lavar as mãos), mas se mantêm puros por recusar a imoralidade moderna. São condenados naquilo que nem Jesus condenaria, porque Ele próprio provavelmente comeu com as mãos por lavar (Mt 15,1-20 e 23,26). Aqui está a “velha novidade” altamente prejudicial à vida cristã, mas que só aos cristãos deve ser levada.

………………………………………………………………………………..Prof. JV.

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