“Meu eu vai muito além de mim”

Na eterna vigilância interior para aprimoramento e autoconhecimento, um cristão não deve omitir-se perante os sinais que Deus lhe enseja no âmago de nossos sonhos, com os quais grandes lições de vida e salvação nos são dadas.

Astral projectionVolto a conversar sobre “sonhos” devido a duas ocorrências insistentes e contraditórias, aparentemente enviadas à minha memória por quem quer uma solução interior para o problema, e eu só posso atribuir a autoria disso ao autor de minha fé, o Senhor Jesus Cristo.

As duas ocorrências são: (1ª) A insistência com que a ideia de um universo sem Deus, o vazio ilógico do ateísmo, chega e bate em minha consciência, como se eu já não tivesse vencido a descrença que a rigor nunca tive [ressalto que esta ocorrência não parece obra de quem quer me fazer ateu, mas de quem quer que eu veja o quanto o ateísmo é ilógico]; (2ª) A insistência com que meus sonhos noturnos se mostram a cada dia mais realísticos, ao ponto de minha consciência está firme no rumo de enxergar um corpo que não tenho, ou melhor, um corpo muito maior que o meu, mais poderoso, mais etéreo e capaz de executar ações impossíveis a um corpo humano comum [lembrando a subida da cascata antigravitacional no último livro das Crônicas de Nárnia]. Pois bem.

Quando a primeira ocorrência chega, como quando chegam cochichos que já conheço bem por não serem de Deus, ela sempre traz um certo mal estar, que sem dúvida deve vir de minha consciência dizendo que eu estou sendo ingrato por duvidar de Deus. Pelo menos é nisso que vou apostar! Não tenho dúvida de que a inexistência de Deus é o maior absurdo do universo, e a persistência desta falácia me espanta por ser uma tentação muito menor que outras, que atingem diretamente um vício que tenho (já quase perdido, graças a Deus!), e que portanto deveriam ser escolhidas com mais frequência pelo tentador e acusador das almas.

Imagem da alma-1É como se você quisesse fazer cair alguém que você sabe ser um alcoólatra e, ao invés de levar-lhe uma garrafa de cachaça, levasse para ele um rodízio de pizza. Enfim, é uma tentação – se é que é – que não entendo ocorrer em mim. Mas talvez eu não me conheça o suficiente… Então vou ficar calado. Pois bem.

Quando a segunda ocorrência chega, não ouço cochicho algum, e já caio direto na situação, geralmente uma cena onde há uma corrida por obstáculos naturais (ruas, muros e prédios) e onde eu não tenho nenhuma dificuldade de escalá-los e até “sobrevoá-los”. Tudo é nítido, aliás, muito mais nítido que os meus olhos abertos conseguem ser, e os muros e os prédios são muito mais concretos e detalhados do que os edifícios que vejo quando saio às ruas durante o dia.

Além de pular fácil por sobre os muros, nunca um poste elétrico foi obstáculo para uma viagem rápida ao topo dos prédios, e nenhum transeunte acha “errado” ou estranho o meu voar-aprendiz, como se eles também voassem e entendessem muito bem que ainda estou aprendendo. Isto me leva a supor, por óbvio, que a prática de voo é uma coisa comum ali naquele mundo, e as pessoas que vejo caminhando nada mais estão fazendo do que dirigir-se a atividades para as quais o voo seria inadequado, como jogar xadrez ou consertar computadores. Eis uma lição literalmente “de passagem”.

Parece que possuo asas

“Em meus sonhos, parece que possuo asas”…

Mas a coisa fica mais estranha é quando enfrento uma situação de conflito, e preciso me livrar de alguém ou de um cão raivoso na rua: minhas pernas, sobretudo a perna direita, move-se quase em círculo – e num segundo – tentando atingir o cão ou o intruso, indo muito além do limite dela e ultrapassando a cama onde durmo ou a rede onde adormeci. Numa certa noite, dormindo num quarto menor e mais apertado entre a rede e o guarda-roupas, estava vivenciando um conflito real, quase uma briga de rua, e tive que usar a perna para atingir um agressor, e não creio que o atingi pela rapidez com que ele se esquivou para trás, e só lembro até aqui (não sei se a briga continuou ou parou ali). Mas o que lembro bem foi que ao tentar atingi-lo com a perna direita, chutei pesadamente a porta do guarda-roupas e a rachei, pois o compensado fino não suportou a pancada.

Numa outra ocasião tive medo, pois, como o agressor tentava sequestrar minha mulher, temi chocar-me com ela em meus movimentos adormecidos; e se eu a puxasse com aquela rispidez, ela teria certa dificuldade de entender aquele gesto como um mero pesadelo, dada a lucidez da história que eu iria lhe contar. Temi também dar-lhe experiência tão negativa, conquanto esta poderia suscitar uma desconfiança capaz de deixá-la intranquila no simples ato de dormir ao meu lado. Enfim, eu poderia contar outros exemplos, quase todos com movimentações bem velozes e desobstruídas de todo o meu corpo, e seriam tantos exemplos que talvez perfizessem um livro de sonhos…

Mas então é aqui que me vem a lembrança da palavra de GK Chesterton, quando ele perguntava: “QUEM nunca sentiu que os sonhos se situam NO LIMITE do ser?”… – Ouvindo agora outra vez esta frase de Chesterton, me vem as perguntas: o que queria Chesterton ao perguntar aquilo? O que ele teria visto de si mesmo nos sonhos dele? O que ele descobriu acerca da ontologia humana que valesse a pena explicar para enriquecer o que o Evangelho contou apenas de passagem a nosso respeito? Enfim, uma chuva de perguntas podem nascer da pergunta feita por aquele escritor genial!

Mas é a questão do LIMITE DO SER que deve suscitar em nós toda a reflexão desta vida. Vou tentar iniciar um arrazoado agora, numa tentativa de resposta ao gênio e certamente na loucura de tentar exprimir o inexprimível.

Cabelos após a RessurreiçãoEm primeiro lugar, nos cabe a pergunta: “o ‘EM SER’ um ser humano envolve algum limite ontológico? Isto é, nosso ser é limitado ou ‘ilimitado’? (Não no sentido físico químico, mas no sentido transcendente). Nossa limitação, em tese, não seria apenas uma circunstância temporária de nosso forçado ajustamento aos limites tridimensionais de nosso universo material? Ou seja: quando a morte chegar, não irá ela nos catapultar para o ‘ilimitado ilimitante’?”… Creio que a resposta para todas essas questões é 51% SIM e 49% NÃO. Porquanto Deus nos limitou como seres viventes enquanto existência finita em dimensão, mas eterna no tempo e onipresente no futuro. Noutras palavras, enquanto seres criados na escala ontológica da Criação, temos o nosso “tamanho” (melhor dizer “nossa incidência ontológica”) circunstanciado às etapas da evolução multidimensional planejada por Deus, com a qual TODOS os seres criados caminham para a PERFEIÇÃO, e com a qual ocupam cada vez mais espaço ou ampliam paulatinamente a sua incidência.

Em segundo lugar, cada etapa desta longa caminhada [cada uma realizada numa realidade diferente, por assim dizer, em uma sequência: pensamento / éter / magnetismo / fogo / água / terra / corpo-matéria / corpo-fluídico ou fantásmico / solidificação / ressurreição / transublimação / trancendencialização e finalmente perfeição incompleta (se é incompleta, é porque continuará para sempre, pois completa mesmo só Deus pode ser)] constituirá o indivíduo em si, e ele jamais deixará de ser a mesma alma, embora com inúmeras incidências de sua pessoa nas diversas dimensões da Criação. Eis ai uma tradução da Eternidade ou da ontologia eterna do Amor de Deus.

É claro que a lista acima, exposta numa “metalinguagem” mistagógica, jamais irá facilitar o nosso entendimento de todo o processo, pois, além de ainda estarmos dentro dele (talvez bem no comecinho dele, como “crianças cósmicas”), nossa própria mente ainda carece de inúmeros atributos de poder que Adão um dia teve e que um dia recuperou, quando saiu triunfante de sua etapa purificadora, o período pedagógico no “Vale da Sombra da Morte”, ao qual a Igreja chamou de “purgação no Purgatório”.

A TransfiguracaoEntretanto nossa mente, mesmo abandonada à própria sorte de uma vida de pecados, ainda guarda seus atributos ‘pétreos’ estruturais (parece que até o corpo físico também guarda alguns atributos transcendentais, os quais vez por outra aparecem em necrotérios – veja AQUI), aqueles que são indestrutíveis na essência do ser, e os quais formaram, formam e formarão aquele único indivíduo, o eu-X, que irá emergir no Paraíso ao final de todas as etapas, junto com todos os outros eus (o Y, o Z, o Zé, etc.). E mais: o ser de cada indivíduo humano do planeta Terra, circunstanciado pelo pecado de Adão, e guardando sua ontologia eterna, jamais pôde esquivar-se de travar algum contato com os limites de seu ser, e é aqui que entram os sonhos ou o papel do sonhar lúcido, que deixa o sonhador VER – com melhores olhos – até onde alcança a sua ontologia ainda humana, à espera de sua “transubstanciação”, i.e., sua solidificação final ou sua ressurreição, no processo geral da trancendencialização desejada por Deus.

Por último, reconhecer que “algo dentro de nós vai muito além de nós mesmos”, e que nossa alma é muito mais complexa do que podemos supor por nosso corpo, sendo este também muito maior do que aponta a nossa estatura física, pode ser a condição “incidencial” de nossa próxima etapa, a qual se deixa entrever em nossos sonhos, reforçando a fé em Deus e a nossa autoconfiança. Na eterna vigilância interior para seu aprimoramento e autoconhecimento, o cristão deve alegrar-se (outra vez digo alegrar-se) sempre perante este sinal maravilhoso que Deus enseja em nossos sonhos, com os quais visitamos toda a Alegria de ser aquilo que somos.

 

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Sonhos: “Ensaio da construção do Céu”

Na esteira do entendimento de uma frase enigmática de Jesus (“Vou preparar-vos lugar”), está a Ciência dos Sonhos completamente explicitada, e ficou muito mais clara com a colaboração genial de G.K. Chesterton.

o-paraiso-oferecido-em-sonhosDesde criança venho observando os sonhos que vez por outra ou agora quase sempre me invadem as noites mais bem dormidas, e, como um Santo filho de Morfeu, descubro a cada dia mais o segredo da mensagem mais bela e mais confortadora das pregações de Jesus. Quase posso ouvir alguém reclamar que a grande mensagem de Jesus foi aquela que indicou claramente o caminho da salvação (pelo menos pela lógica, isso deveria ser assim; e reconhecer que há uma mensagem clara também pressupõe mensagens pouco claras ou até obscuras, no bom sentido, por constituírem uma instrução difícil de distinguir entre tantas afins e ao redor das várias memórias que as registraram nos livros canônicos!).

Porquanto onde estaria clareza no caminho da salvação? Ou onde se poderia identificar, nas Escrituras Sagradas, uma única instrução de salvação que jamais levante dúvida um só segundo numa única consciência humana? Se isto alguma vez hipoteticamente acontecesse, tratar-se-ia de mais um milagre incognoscível, chegado ofuscadamente à embaçada consciência humana, iluminada por um vislumbre pouco inteligível e pouco confiável. Eis que efetivamente não foi a doutrina da salvação a mais simples de digerir (embora seja a mais necessária), dadas as muitas variáveis a ela atreladas, como sugere uma soteriologia bem estudada.

sonhandoO imbróglio metafísico onde se meteu o coração humano após a Queda impossibilitou o próprio Deus de proceder com ações claras à nossa agora turva visão, porque o nosso coração também se tornou para Deus uma coisa turva, e somente com as lentes de um milagre portentoso o Senhor pôde imiscuir-se na História e sugerir atalhos aplainados, sem a correspondente clareza de resposta dos olhos humanos, cujo pecado embotou. Conquanto a Queda tenha erigido no Homem uma cegueira de tal complexidade, e na visão de Deus tenha erigido uma escuridão de tal densidade (uma densidade literalmente infernal), a Palavra de Deus – toda comunicação vinda da Providência – teria que incluir outras mensagens de auxílio, não exclusivamente para a salvação propriamente dita (o caminho da cruz), mas para a salvação da incapacidade mental de captar a própria necessidade da salvação e as tarefas interiores que a possibilitariam, capazes de levar a tarefas exteriores de cura social.

E é aqui que uma mensagem “paralela” (por assim dizer) toda especial brilha nas trevas e retumba com eloquência cósmica, deixando a antevisão de uma tarefa pesada, não nossa, mas de Deus, que só pode ser captada por uma mente que tenha, no mínimo, iniciado seu complexo atalho de santidade em meio às seduções do mundo. Foi como se Deus suspirasse de cansaço e soluçasse, de exaustão, depois de dar todas as instruções e não obter retorno algum das almas confusas. Foi como se Ele, depois de operar centenas de milagres ao vivo, depois de escrever a Bíblia inteira de viva voz, depois de dizer que iria morrer na cruz, depois de ressuscitar ao terceiro dia, e depois de explicar até mesmo como seria o Juízo Final das ovelhas e dos bodes (Mt 25,31-46), ouvisse a Humanidade inteira dizer que não entendeu nada, e que Ele fosse embora como um palrador louco!

24-12-2014 Messa Notte di NataleEntão, depois desse “insucesso” retumbante (talvez haja aqui alguma luz para entender porque o Papa Francisco disse que Jesus “fracassou”… – porque nosso pecado foi tão hediondo que o próprio Deus, que nunca havia experienciado Ele mesmo a vida na carne humana, tivesse ficado “meio opacificado ou meio confuso” entre QUAIS decisões tomar, já que lidava com almas livres), Jesus “desesperou-se” – como aconteceu quando olhou Jerusalém do alto do monte (Mateus 23,37-39) – e disse, talvez sorrindo por fora e chorando por dentro: “vou preparar-vos lugar”… E ali escreveu outras cem bíblias que nunca chegarão às nossas mãos!

Mas dentro de nós, dentro das almas rebeldes que Ele veio tentar salvar, também havia e há alguns ínfimos resquícios da bondade que um dia tivemos em Adão e Eva, e Jesus contava e conta com esses resquícios, ou espera que eles de alguma forma ajudem a iluminar alguma coisa, “facilitando” o caminho para nossos pés trôpegos e andares cambaleantes. Um desses ínfimos resquícios ainda vivos após longos séculos de pecados, embora ainda assim inseguros, é a construção íntima dos sonhos, que nosso adormecer pode ensejar, dependendo do tipo de noite que tivermos após um dia de trabalho pago ou de cansaços não remunerados.

Quando o milagre do adormecer se configura, e se ele pôde ser acompanhado do milagre de algum mínimo relaxamento real, e este tiver podido ser capaz de fazer chegar a mente à fase REM, então o âmago do ser se deixa entrever, ou alguma luz anímica ultrapassa a densa nuvem do prazer de estar na carne, e assim o Homem pode curtir um átimo de si mesmo, ou pode se sentir navegando livre sem um corpo tridimensional, do qual ele nunca tem uma visão clara. Aliás, na maioria das vezes, não são vistos corpos, exceto de terceiros. Há uma estranha sensação de liberdade, capaz de correr ultrapassando com folga qualquer obstáculo, e muitas vezes as ultrapassagens parecem sair do chão, ou as distâncias são vencidas pelo alto, em exercícios de vôo livre sob a admiração de todos os transeuntes. Corre-se em quase todas as histórias, e em quase todas as corridas não há cercas, nem muros, nem postes, nem carros, nem árvores, capazes de impedir nossa ultrapassagem ou sobrevoo.

E quando a cena é mais interior ou mais próxima, na qual nossos braços ou pernas são vistos quase sempre de soslaio, há também a sensação de que braços e pernas podem alcançar uma distância muito maior, como se aquela estranha pele fosse elástica, ou como se seu alvo é que fosse elastecido para perto de nós e assim fosse facilmente tocado, apalpado, batido. E quando nossa mão precisa entrar fundo num longo cano estreito, é como se ela ficasse mais estreita que o cano e nos trouxesse a pérola que nossa infância deixou cair ali. Enfim, tudo prova que nossos limites não são estabelecidos pelo alcance de nossos corpos, mesmo que sonhemos possuindo corpos de gigantes!

frase-cartaz-sobre-chesterton2É aqui que me lembro de G.K. Chesterton, o gênio que ‘converteu’ C.S. Lewis. Num dos livros de “Cheston”, o que mais amei (“O Homem Eterno”), o gênio cristão faz uma pergunta estonteante, aparentemente endereçada a quem está dormindo consciente ou a quem está consciente de que seu sonhar é tão real quanto seu cotidiano… E nenhuma alma recebeu aquela pergunta sem ouvi-la reverberar nos sinos recônditos de suas entranhas, como se estivesse na Terra Santa há 2.000 anos ouvindo os sinos de Belém! “Cheston” perguntou: “Quem não sente que os sonhos se situam no limite do ser?”…

Ora; quem responde Cheston? É óbvio: só os mortos não respondem! Aliás, almas mortas! Almas que ainda não chegaram a ser! Porquanto salvar-se não é apenas deixar de estar perdido para estar salvo, mas é passar a ser um ser que ainda não tinha começado a existir! Salvar alguém não é apenas jogar-lhe a corda em meio à correnteza caudalosa! É antes fazer com que o afogado saiba que não é apenas uma coisa levada pelas águas, mas uma consciência que pode olhar e ver a velocidade da água e a queda d’água ali à frente! Salvar é dar sentido de existir ao afogado; é depois ampliar-lhe a consciência de tal modo que ela levite e saia da correnteza sozinha, observando quão perigosa é a vida sem ver as consequências.

cerebro-dormindoEis porque 99% das ideias de salvação pregadas no mundo são literalmente ilusórias… Porque propõem salvar a quem mal sabe que existe! Era a carpintaria de Fígaro: de nada adiantava fazer lindo o Pinóquio, enquanto este não ganhasse vida. E o boneco também só amaria Fígaro, depois que ganhasse coração de carne. Mas o Salvador também “foi salvo” pelo milagre de uma Queda que não quebrou o Homem inteiro! Lewis disse que na Terra o pecado atingiu apenas duas dimensões do Homem (Mateus 26,41), e que se a Queda tivesse ocorrido num outro mundo que ele conheceu, o primeiro casal de lá teria ficado irremediavelmente perdido, pois teria caído em três dimensões, e aí não haveria mais nada a salvar!

Eis porque aquela palavra de Jesus foi tão crucial e tão certeira: “Vou preparar-vos lugar”. Quem quer de nós que um dia tenha sonhado um sonho lúcido (ou mais próximo possível da lucidez) já percebeu claramente que as histórias vividas nos sonhos são construídas com fragmentos da realidade que ainda se misturam ao desconserto de nossa memória; e, da mesma forma como no cotidiano misturamos lembranças sonhadas com lembranças vividas, no meio do sono pesado a realidade sonhada tenta entrar na realidade dormida e nos mostrar que somos muito maiores do que nossos corpos, ou pelo menos que a realidade é muito maior do que aquilo que nossos olhos físicos enxergam quando estamos acordados! Eis a pedra de toque!

E Jesus um dia sacou isso muito bem, quando Ele mesmo cresceu em graça e em sabedoria diante de Deus e dos homens, e aprendeu pessoalmente COMO a alma humana vai sendo construída, de luz em luz, de ato em ato, de sonho em sonho. Até que um dia Ele, já adulto, deixou escapar um segredo que Ele nem precisava dizer, até porque ninguém iria entender mesmo. Instado a contar para onde estava indo que não podia levar ninguém, só lhe veio à mente adiantar-se muito e revelar uma obra inalcansável pela consciência humana, não apenas por estar no futuro incognoscível, mas por conter elementos de profunda Teologia e por pedir emprestadas “substâncias” de nossa própria alma para que fosse viável! Então Ele respondeu a Pedro: “Vou preparar-vos lugar”, e depois de todos esses séculos, só um Pedro idoso e lúcido, que chega sempre ao sono REM, conseguiria vislumbrar um sinal de realidade concreta na escatologia daquela resposta.

cg-jung-a-sabedoria-dos-sonhosOra; sendo nossos melhores sonhos construídos com “substâncias” próprias de cada alma, capturadas de memórias emaranhadas entre a realidade terrestre e a celeste que um dia tivemos em Adão e Eva, a resposta de Jesus é quase uma parábola junguiana, e termina por indicar que se o Salvador subiu aos céus para PREPARAR um lar especial para nós (“se preparar” aqui tem até cheiro de alvenaria), e se os sonhos lúcidos mostram outra realidade para os nossos corpos, fabricada a partir de lembranças capturadas do passado e do cotidiano, não é inexato afirmar que nossos sonhos são um ensaio da construção do Céu, e as almas que exultarem em cada sonho estão recebendo de Deus um “test drive” ou “uma prévia” do Paraíso, e com ela tendo muito mais chance de gostar do novo Lar que um dia receberão.

Está explicado porque CS Lewis usou de toda a sua eloquência para ensinar que de nada adianta crer em Jesus e não ter adquirido, ao longo da vida, a qualidade benigna de caráter que só consegue ser feliz em obediência irrestrita ao Senhor, cuja virtude só se dá pela prática contínua do bem, que termina por tornar seu praticante realmente bom. É outra forma de ver o bom contágio (“O Amor é contagioso”). É outra forma de ver que as boas obras “salvam”. É outra forma de ver o que os sonhos mostram: os limites de nosso ser neste estágio da Criação, os quais transcenderemos naquele Céu preparado por Jesus e construído com as nossas mais caras lembranças.

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(*) – Há um perigo subjacente à má interpretação deste artigo; porque ele não propõe, de nenhum modo, nenhuma fórmula artificial de se ter sonhos lúcidos, nem na forma como o Dr. Waldo Vieira ensina, nem na forma como a indústria farmacêutica está propondo agora. Ter sonhos lúcidos somente é citado na exata expressão de GK Chesterton, que enxergou em suas noites sóbrias as realidades alcançadas por seu corpão de mais de 2 metros de altura, antevendo suas viagens ao Paraíso construído por Jesus. Tentar qualquer outra via pode ser, inclusive, um mergulho no não-ser.

 

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“Empatia com Deus” pelo Sudário de Turim

Muito além das supostas antiprovas que os ditos cientistas elencam para desmoralizar e destruir a mais estranha relíquia cristã, enxergar o pano que cobriu Jesus desde antes da criação do mundo e como o próprio Deus o teria pensado, é a chave secreta para vislumbrar um mistério muito maior.

santo-sudario-007A idéia geral, espalhada, sobretudo, pelo Protestantismo, é a de que se o único critério para a salvação das almas é aquele indicado pela fé exclusiva na pessoa de Jesus Cristo (incluindo vida, obra, morte e Ressurreição do Senhor), e tendo esta fé que ser assim como “um salto no escuro” – pois a fé é o firme fundamento das coisas invisíveis –, qualquer relíquia ou prova real da passagem de Cristo pela Terra será sempre recebida com desconfiança ou desdém, sobretudo se evocar e valorizar a Igreja Católica, única igreja cristã a valorizar as relíquias como obras de Deus.

Inobstante e com efeito, qualquer protestante sabe que um dia, na vida física de Jesus entre nós, houve pelo menos uma ocasião onde o próprio Cristo parece ter contrariado esta regra, e ao contrariá-la, deixou na Terra uma prova real de sua passagem (ou antes uma prova real de que a regra não necessariamente será aplicada), e fez isso pelo menos em relação a algumas “privilegiadas” pessoas, para quem o drama de “crer no escuro” aparentemente não foi ‘exigido’ por Deus!

Refiro-me aos episódios da História bíblica onde pessoas absolutamente céticas e até ateístas, que mereceriam de Jesus todo desprezo por não confiarem um milímetro sequer no poder e no amor de Deus, receberam uma ajuda extra ou extraordinária em sua inexistente ou pífia fé, ajuda esta aparentemente fora do padrão ou até injusta, já que milhões de outros céticos não tiveram esta “sorte” e até morreram no escuro de seu coração empedernido.

ten-commandmentsExemplos desta verdade podem ser trazidos ao lembrarmo-nos de personagens como Moisés (para quem até os mares se abriram!); Gideão, para quem a chuva molhou só um lado do lenço e nada mais; as irmãs de Lázaro, que viram com seus próprios olhos uma “antecipação” da Ressurreição; e o “melhor” de todos, que teve a prova mais direta e concreta possível do próprio corpo sólido do Nazareno, o ceticíssimo Tomé, a quem o Senhor permitiu não apenas ver mas colocar seu dedo dentro do buraco das feridas, confirmando na cara que aquEle “fantasma” era de fato o seu Senhor e Deus!

Eis aí a bofetada: são provas cabais de que a oferta de evidências físicas não foi de todo excluída dos planos de Deus, e que nosso Senhor pode muito bem nos presentear com a Glória de uma prova concreta, e então basta sair procurando na História Oficial e descobrir mistérios desvendados com um sinal que sem seu desvendamento jamais ajudaria a fé! Logo, a pergunta decisiva que resta ao final é: “quando, como, onde e até que ponto Deus expôs uma prova concreta de sua Pessoa, desde a última vez que fez isso para acudir o cético Tomé?”… A resposta mais rápida que me chega é esta que passarei a descrever agora.

Vamos supor (ou usar nossa imaginação como fazia CS Lewis) que Deus-pai, muito antes da criação da Terra, tenha vislumbrado a situação atual do Homem e também a tremenda dificuldade que o Homem teria na convivência com a Natureza (tornada entrópica a partir da Queda), na qual prevalecesse inexoravelmente uma tal de “Lei de Murphy” que se voltasse sempre contra o Homem, esbofeteando-o e malogrando todos os seus planos, ao ponto de exigir dele cada vez mais trabalho, cansaço e até a substituição de irmãos por máquinas, máquinas cada vez mais autônomas e mesmo assim sujeitas a defeitos catastróficos.

sagrado-coracao-em-luzOra, um coração movido a misericórdia e uma vontade louca de salvar o maior número possível de “rebeldes renitentes”, fatalmente levariam Deus ao seguinte raciocínio, ao menos uma vez na História da Criação (uma vez para Deus pode significar SEMPRE): “Estou vendo que o mundo inteiro jaz no maligno, e que toda a Natureza conspira contra o Homem que eu amo, e que se Ele jamais contar com minha ajuda, certamente ninguém se salvará. E pior, há algumas almas humanas que são, por sua própria natureza corrompida, completamente incapazes de crença, e assim a fé não será capaz de adubar e resgatar aquele tipo de coração, no qual muitas vezes se encontram pessoas maravilhosas, cujo caráter caridoso lhe faz merecer uma atenção especial. Neste caso, e tão somente neste, ouso trabalhar em oposição à lei da fé, que exige adesão cega, e sou capaz de permitir, no meio das circunstâncias da vida dessas almas, um pequeno gotejar de sinais concretos, por cuja atenção terá certeza absoluta de que Eu existo e estou por trás daquilo que cintila e arrepia misteriosamente!”… – Assim teria pensado Deus, se temos permissão para ousar fazer uma espécie de empatia com o Criador.

Ainda lá longe, antes da abertura do universo onde nossa galáxia brotaria, e antes que o Espírito Santo pairasse sobre as águas dispersas no Sistema Solar, o Senhor Deus, que já tinha o plano de Cristo todo traçado e com respeito ao Livre-arbítrio geral, conseguiu antever que a entrada de Jesus na Natureza conspurcada iria ensejar uma série de efeitos por tabela, e alguns desses efeitos, inexoravelmente, iriam diminuir ou impedir a crença-confiança, e outros iriam permitir VER e SABER, e assim dispensando a fé cega.

O maior exemplo de um efeito por tabela que geraria uma fé sem prova ou com prova indireta é o testemunho histórico de todos os povos próximos de Jesus, cuja adesão às idéias dEle iriam facilitar as perguntas: “Como tanta gente da época de Jesus pôde inventar uma história dessas, onde um mero carpinteiro teria abalado tanto a ‘normalidade’ do cotidiano que levaria todas as gerações seguintes a confiar e defender que Ele de fato esteve entre nós, e plantou um Amor ao próximo muito além do que qualquer outro profeta de Deus tenha praticado?… Ou, como tal coisa poderia ter acontecido se de fato um Homem especial – ‘um deus’ – não tivesse de verdade existido e habitado ali?”

corpo-e-sangue-do-senhorMas sem dúvida o maior exemplo de um efeito por tabela que geraria uma prova que dispensaria a fé seria algo do dia-a-dia de Jesus, como sua taça de vinho (chamada “Santo Graal”) ou um pedaço de ‘Madeira da Cruz’. E mesmo estes dois, estariam sujeitos à entropia e também à enrolação humana. Deus teria que inventar um “Santo Graal” cuja estrutura atômica pudesse ser submetida a minuciosos testes e fosse experimentada ao máximo de sua constituição ontológica, por meio dos aparelhos mais sofisticados da tecnologia mais avançada do homem, de uma era já quase totalmente robotizada como o Século XXI! E nós, deste Século, estamos mesmo entendendo isto?

Ora; um episódio do Evangelho de João traz uma enigmática luz para o argumento da permissão divina para uma prova concreta de sua vinda e existência. Um sinal que somente uma civilização já muito avançada tecnologicamente poderia averiguar com minudência e exatidão, partindo da ideia de colher uma prova advinda de seus mais modernos aparelhos de medição.

Imagine o leitor que a realidade tridimensional, que obrigou o “Deus-feito-Homem” submeter-se às leis frias da matéria, obrigou também aquele mesmo Deus a deixar “sem querer” (ou por via das consequências inevitáveis daquela “sub-missão”) um sinal eloqüente e misterioso de um efeito resultante de Sua “manipulação” da matéria, o qual só iria ser descoberto e testado a partir dos aparelhos mais avançados, quando a Ciência moderna fosse investigar, com todo o seu ceticismo, a “peça de laboratório” onde o efeito foi produzido.

alma-transparece-na-ressurreicaoRefiro-me ao efeito ‘involuntário’ da “reconstrução a fogo” da estrutura física do Corpo ressurreto de Jesus, cuja operação parece ter se dado como uma explosão nuclear de efeito retardado, mantendo-se sobre a pele do “novo” Jesus por algumas horas após a Ressurreição, e do qual apenas uma única alma testemunhou ao vivo, a saber, Maria Madalena, aquela que primeiro correu para abraçá-LO após a descoberta jubilosa do Milagre! Foi quando Jesus disse aquela misteriosa frase: “Não me toques agora, porque ainda não subi para junto de meu Pai!” (João 20,17). Por que ela não podia tocá-LO? Ou por que chegou tão cedo? Evidentemente Jesus sabia que o processo – virtualmente inédito até para Ele – ainda estava sendo urdido sobre sua nova pele, ou que sua mente lhe dizia ainda não estar completo, e, se alguém lhe tocasse NAQUELE EXATO INSTANTE, o processo poderia “atrair” aquele outro corpo para uma ressurreição antecipada (seria isso?); ou então sustaria ou atrasaria o processo no novo corpo do próprio Jesus (será?), e com isso ensejando estas perguntas que só Deus poderá esclarecer, quando nem CS Lewis recebeu dele a resposta para tão intrincado mistério!

Pior: o processo começou HORAS antes! Isto é: desde que Ele voltou do Hades – veja explicação NESTE link – e reentrou na dimensão dos homens (ainda dentro do túmulo de José de Arimatéia), a reconstrução de seu Corpo – chamada Ressurreição – tivera início, talvez efervescendo como mercúrio aquecido em recipiente congelado, e estava em andamento como uma restauração de dentro pra fora em franjas encrespantes e coruscantes, até que toda a matéria – a nova matéria multidimensional – estivesse em perfeita harmonia com o clímax de reconstrução proposto por Deus-pai. Este processo efervescente, embora previsto no plano, nunca fora vivido em carne e osso, e talvez por esta razão Jesus jamais soube quanto tempo levaria aquele detalhe final do clímax, e por isso a aproximação de qualquer pessoa até à sua pele poderia introduzir um elemento imprevisto, podendo causar uma das duas derivadas aqui presumidas (“atrair” aquele outro corpo para uma ressurreição antecipada, ou até atrasar o processo de solidificação do próprio corpo glorioso de Jesus!).

E mais: o processo todo acabou gerando uma derivada – prevista ou imprevista (aposto em prevista porque garantiria o resultado aqui defendido) – transcendental e perfeita, somente comprovada séculos ou milênios depois! A saber: aquela “reconstrução efervescente do efeito radioativo”, que não permitiria a aproximação de nenhum corpo humano à pele de Jesus, também transmitiu-se à “mesa de pedra” onde o corpo morto de Jesus foi colocado (a pedra ficou manchada, mas a mancha foi esmaecida ou misturada com outras manchas ao longo dos séculos seguintes) e também transmitiu-se ao lençol de linho puríssimo que José de Arimatéia comprou para embalsamar o corpo de Jesus!

Ora. O que hoje chamamos de Santo Sudário, que a Ciência cética se viu por vias de negar em resposta ao chamado “Teste do Carbono 14”, estampa a figura de um corpo massacrado em inúmeras pancadas letais, ferimentos profundos, sangramentos por toda parte, olho esquerdo deslocado, afundamento do malar direito, cabelo ensopado em sangue, golpes dilacerantes nas costas, furo no peito direito, enfim, tudo o que a Palavra de Deus diz ou insinua ter o corpo de Jesus sofrido após o Julgamento de Pilatos e a Via Dolorosa! (Padre Abib explica tudo isso NESTE sensacional vídeo).

o-homem-do-sudario-foto-luis-guillermo-arroyabeMas isto tudo não constitui ainda o Milagre do Sudário propriamente dito: o que caracteriza o milagre divino previamente planejado (para dar uma prova concreta àquelas almas a quem a fé jamais chegaria por dom inato) é o fato de que a imagem ‘impressa’ no misterioso pano não chegou ao tecido por conta de nenhuma pintura externa, e sim por um tipo de emanação energética, ou como se uma implosão radioativa o tivesse ‘aquecido’ ao ponto de imprimir no linho as manchas produzidas pelo sangue que jorrou do corpo massacrado, de modo indelével ou até que chegasse aos nossos dias e a Ciência ficasse ‘confusa’ ou pasma com o mistério, sem saber dizer com segurança O QUE provocou aquilo tudo! – Lembrar que agora os sinais de radiação ionizante – ou outra – já foram detectados pelos mais modernos aparelhos de medição radioativa, a ponto de por em dúvida a exatidão do teste com o isótopo 14! (O último programa científico exibido sobre o Sudário na TV a cabo já trazia esta novidade da descoberta da radiação, o que faz calar os nossos mais renitentes ceticismos – há também outras fontes tocando no assunto, como ESTA aqui).

Enfim, voltando ao argumento da permissão de Deus para provas concretas de si mesmo a almas incrédulas por natureza, enxergamos no Santo Sudário a peça que faltava no grande quebra-cabeças da Revelação, a qual vai muito além do que desejariam os defensores da fé-cega, que levam mais em conta a beatice da fé que a misericórdia do coração de Deus, do Deus que sonda os corações e sabe, desde antes de toda a Eternidade, que algumas almas livres poderiam ser feitas de tal modo (ou prejudicadas por tal matéria) que seus corações jamais se abrissem à fé, como parece ser o caso de São Tomé e tantos céticos da Humanidade. Ora: como Deus poderia mostrar SUAS FERIDAS aos ‘Tomés’ que nascessem nos Séculos XX e XXI? Como os “Tomés-cientistas” poderiam se ajoelhar diante de Jesus e dizer “Meu Senhor e meu Deus”, a não ser quando seus aparelhinhos apontassem um Milagre verdadeiro comprovado numa impressão-em-pano do tempo do Nazareno? Eis aí a resposta: Só uma misericórdia que quer salvar a todos explica tal operação de Deus, muito muito muito além do que merecia receber a incredulidade humana!

 

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CS Lewis: O único homem que pode reconhecer “A OSSADA”

Dentro do dever cristão de examinar tudo e reter o que é bom, assistimos ao filme “O túmulo secreto de Jesus”, e nos surpreendemos de perceber que até na hipótese dessa tese se comprovar verdadeira, Lewis tem a última e única resposta cabível à verdade crua dos fatos.

tumulo-de-jc-1Legenda da foto da capa do DVD do James Cameron: Acerca de Lewis ter ensinado a fórmula da ressurreição e esta poder encarar o suposto revés da descoberta de restos mortais do Nazareno, explicitada por James Cameron em seu documentário.

O maior de todos os mistérios bíblicos é a gloriosa Ressurreição de Jesus, da qual depende toda a estrutura da fé cristã, da Teologia cristã e até da Igreja cristã. Isto qualquer cristão sabe. Além do mais, a Ressurreição é dogma intocável, e todo o universo perderia o sentido sem ela, sem contar que constitui a mais pungente esperança para um mundo decaído, onde a depressão e o desespero estão batendo em todas as portas e em todas as nações, sem poupar ninguém. Não havendo qualquer aspecto negativo na fé e sendo a crença algo gratuito e que não machuca ninguém, acreditar que Deus veio à Terra e ao terceiro dia ressuscitou, seria inevitavelmente a mais óbvia sedução de crença, como único remédio eficaz para o absurdo de um suposto “universo sem Deus”.

Tudo isso levamos em consideração aqui, pois nosso comentário é escrito “no revés da crença”, i.e., como se nós não crêssemos na Ressurreição do Senhor. Assim sendo, se o Senhor não ressuscitou, então, longe de pensar que Jesus fosse um mentiroso (isto é impossível!), temos que tentar encontrar alguma interpretação coerente para com a Sua alegação de que ressuscitaria dos mortos, alegação esta feita em diversas ocasiões conforme os evangelhos. Se Ele não ressuscitou, então a única pergunta cabível é: “por que Jesus falou tanto em Ressurreição?”, ou melhor, e ainda mais apropriada pergunta: “o que significava para Jesus a Ressurreição? Ou o que é ressuscitar no dicionário de Deus?”…

CS Lewis é o único pregador* de Deus que dá a resposta conclusiva para estas questões, mesmo que a Ciência um dia provasse que está de posse dos restos mortais do Nazareno! Como? É isso mesmo o que ouvi? Sim. Se uma prova cabal demonstrasse por datação radioativa e por exame de DNA que determinados ossos pertencem a Jesus, quem leu, mas principalmente quem entendeu e creu em Lewis, estaria absolutamente “protegido” da descrença em massa ou da atitude de avestruz (aquela de crentes que tentariam tapar o sol com uma peneira) que eclodiriam a 3 por 4 em todo o globo! E por que os lewisianos – aqui diríamos, os lewisianos puristas – seriam os únicos protegidos contra esta “descoberta” científica? Vejamos…

ressurcruzPorque os lewisianos puristas entenderam e creram que, quando Lewis lhes explicou o que é a ressurreição, a resposta verdadeira não é exatamente igual a todas as explicações que o Cristianismo comum ofereceu aos seus fiéis, nem mesmo na época em que era comum o contato com anjos. Com efeito, antes de comentarmos o que mostrou o filme de Simcha Jacobovici e James Cameron (veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Dg_FG5Bzz8g), vamos tentar entender o que Jack explicou como fato subjacente a um “processo de ressurreição”.

E aqui está a primeira diferença. Para Lewis, ressurreição é um processo, e como tal, não tem necessariamente a fisiologia dos eventos comuns da Terceira Dimensão, e possui características que escapam à visão e aos instrumentos de detecção de qualquer ciência. Mais que isso, é um processo que vara o tempo numa velocidade lenta, que se prolonga ao longo da vida na terra e que pode ter iniciado antes mesmo de nosso nascimento.

Em outras palavras, como o ser humano é um composto de três dimensões (como Deus é uma trindade), há duas dimensões que subsistem como limítrofes às condições temporais da matéria, e uma que corre em paralelo, habitando um universo supradimensional. Ou seja, o corpo e a mente estão sujeitos ao tempo chamado “cronos”, e a alma está sujeita ao tempo chamado “kairós”. As três partes foram criadas em processo evolutivo, e apenas a evolução do corpo é testemunhada pela ciência com provas fósseis ou físicas, sendo a evolução mental muito mais própria aos estudiosos da mente. I.e, os psicólogos, psiquiatras e parapsicólogos admitem que houve evolução mental humana… Isto quando comparam o homem ao macaco e outros bichos. Porém, quando veem a barbárie da violência atual, passam a duvidar que a mente evoluiu, ou que a evolução não valeu a pena. Todavia, todos são unânimes em reconhecer que houve evolução, ou pelo menos movimento, e que a criação não é estática, ou que não ficou estagnada num estágio qualquer da História do Tempo.

tumulo-de-cs-lewis-4Como a ciência sempre foi ‘ateia’, não é de admirar que nem sequer tenha notado a existência da alma, e por isso a evolução desta tenha sempre ficado a cargo de espíritas e outros ramos de seitas, as quais já traziam outras heresias em suas origens. Porém temos que perguntar: como se deu a evolução trina do ser humano? Vejamos em três pontos:

1o) A evolução do corpo é a que conhecemos pela ciência. Um resumo forçado seria: desde a junção dos primeiros átomos das estrelas formadores deste planeta, até a sua união na sopa bioquímica que imperava nos oceanos originais, até a sua conjugação e fusão no primeiro ser unicelular, do qual advieram todos os outros seres multicelulares, a começar dos girinos marinhos, depois aos primeiros peixes, depois aos anfíbios, depois aos répteis, depois aos mamíferos, depois aos macacos menores, depois aos macacos superiores e até o macaco-homem, no ponto de receber o sopro de Deus e assumir um espírito ao nível do intelecto.

2o) A evolução da mente – que talvez tenha começado neste exato ponto do sopro do espírito-intelecto – foi e é muito mais sutil e problemática, porque depende de fatores morais comparativos, já que existe um padrão ético determinado por Deus, e ninguém “evolui” em contraposição àquilo que a lei moral de Deus determina. Logo, diz-se que o homem evoluiu mentalmente, apenas em comparação ao comportamento de seres que fizeram a vontade de Deus, e por isso podiam ser admitidos como modelos de evolução para o homem. Afora isso, a evolução mental teria se dado apenas na questão da intelectualidade fria dos cálculos, manufaturas e artefatos, o que não implica em ter havido evolução moral do indivíduo que calcula e constrói máquinas.

3o) A evolução da alma é que é o grande nó cego desta novela, pois ela não é visível para ninguém, nem para a ciência, e só pode ser atestada por quem a vê pelos olhos da fé. Pior, como a alma é o ser propriamente dito, o ser criado para galgar o patamar do próprio Deus, se o ser humano não enxerga a sua alma, quase deixa de existir, mesmo vendo a evolução do corpo e da mente. Pior, como a alma é o ser real, o corpo e a mente dependem dela; e a evolução destes se reflete nela e também é resultado da evolução invisível dela, com cada parte interagindo “subterraneamente”. Em  palavras jocosas seria: tanto a engorda do corpo engorda a alma, quanto a robustez da alma fortalece o corpo; e tanto a engorda quanto a robustez são produto de alterações mentais, por sua vez estimuladas pela evolução anímica e pelo comportamento e vícios da carne. É uma trindade em perfeita harmonia involuntária oriunda da criação trina do Homem, mas em desarmonia com Deus pelo pecado que traz a desordem.

evolucao-fisicaSendo o ser de fato a sua alma, foi ela quem foi criada no princípio e é ela quem evoluciona desde que Deus a concebeu ao longo dos milênios, ultrapassando as várias etapas de sua localização no espaço, a qual só transita fisicamente num planeta quando chega à terceira dimensão. E uma única vez a alma ganha corpo humano, após longo período em que ultrapassa diversas pré-consciências com Deus, vivendo separada deste em ambiente indeterminável, assumindo figuras de constituição incognoscível para a inteligibilidade humana. Ao mesmo tempo em que a alma criada, conquanto evolua desde sua criação, também vão evoluindo os estágios das pré-consciências e criptomatérias, com a mente evoluindo também em direção à clareza da autoconsciência.

Num determinado estágio, quando o primeiro casal de macacos evoluídos caiu em desgraça no Éden, todas as almas humanas também caíram por contágio espiritual (como explicou Lewis), e assim a evolução sofreu um curto circuito e foi intercalada e desviada, mas jamais cancelada. Com efeito, embora sob os ‘malagouros’ da Queda, a alma – o ser – continuou sua evolução em direção ao padrão ontológico de Jesus, o qual era e sempre foi a intenção precípua de Deus. A evolução, mesmo continuada após a Queda, manteve-se incólume em direção àquilo que Lewis chamou de solidificação, que é um “sinônimo pobre” para ressurreição. Solidifica-se o ser após todo o processo, e neste, a solidificação vai, a cada etapa, mais assemelhando o ser ao seu salvador. Como a evolução é feita nas três dimensões ontológicas do homem, a alma – que é o ser – vai como que amoldando o corpo que possui sua mente evoluindo cada vez mais para a ampliação da consciência, e o corpo vai também influenciando a alma em sua aparência final, e é por isso que os fantasmas sempre têm o mesmo rosto e corpo do homem que os possuiu em vida (nos fantasmas, o corpo ainda não solidificado, embora tenha a aparência do vivo, confunde-se com sua alma, cuja aparência já incorpora a fisionomia que o corpo tinha em vida). Na continuação deste negócio triplo, pode-se ver o processo por dois ângulos: a alma vai se encorpando paulatinamente com a aparência do homem que outrora tinha aquela aparência em vida, ou o novo corpo desencarnado vai ganhando opacidade e depois solidez, até que volte a ser 1 em 3, com a mente evoluindo no seu processo de ampliar e aclarar cada vez mais sua consciência.

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Enfim, após este resumo necessariamente complicado, o leitor já pôde ver que a evolução final, aquela que pressupõe tornar-se o Homem aquilo que Deus planejou para ele na criação original, independe dos corpos não-densos ou do único corpo denso que suas etapas lhe tenham ensejado, embora este último lhe tenha servido como maior modelador do formato final que a solidificação da alma assumiria após o último estágio. Assim sendo, estes corpos que eu e o leitor temos hoje, embora não venham a durar mais que os 70 ou 80 anos de nossa natureza física (“tu és pó e ao pó voltarás”: aqui, para quem quer ver como via Lewis, a Bíblia prova que os corpos não serão aproveitados na ressurreição final), tiveram a útil incumbência de servir de “molde fisionômico” para a solidificação gradativa da alma em direção ao corpo semelhante àquele ressurreto de Jesus, o qual teremos ao final de todo o processo como produto da vontade inicial criadora de Deus.

Ora, se a alma evolui independente do corpo humano e em paralelo à evolução da mente, e se o corpo físico visto na terra irá voltar ao pó como era antes de ter sido assumido pela alma, e se o ser-alma vai se solidificar sob as aparências do último corpo independente do que tenha ocorrido com a morte da carne, então um ser ressurreto de Deus (qualquer um de nós após tempo decorrido no processo completo de solidificação post mortem) terá um novo corpo idêntico ao que tinha, e também independente do que a natureza tenha feito ao velho corpo: se desintegrado ou conservado. Aqui está a solução espantosa de Lewis.

jesus-pos-ressurreicaoFantasiando: na hipótese de terem sido descobertos os restos mortais de Jesus (uma ossada datada da época e com DNA do Nazareno), isso em nada afetará a crença na Ressurreição do Senhor, pois esta não significava a reutilização do corpo que Jesus tinha antes de sua morte, e aquele corpo poderia muito bem ser encontrado na terra, como os corpos de todos os defuntos humanos. Então a ossada-santa não quebraria a doutrina da Ressurreição, porque esta teria ocorrido não com aquele corpo, mas com aquele que a alma de Cristo solidificou após o seu desencarne, e por isso sua aparição, logo após ter sido encontrado pelas mulheres, se deu sob o efeito solidificador, o que levou Jesus a pedir a Madalena que não se encostasse nele, ou não tocasse nele, pois ele não havia ainda voltado a ser “um ser por inteiro” (João 20:17, na interpretação de Lewis).

À pergunta: e como foi que o túmulo ficou vazio? Bem, na fantasia aqui delineada, com base numa suposta descoberta científica da ossada de Jesus, o ex-corpo do Nazareno foi “subtraído” pelos parentes ou familiares de Jesus, indo parar na câmara funerária da família sob o pleno entendimento e permissão dos apóstolos, não apenas para incorpar a crença na ressurreição necessária para a salvação (i.e., o processo real seria tão complicado que sumir com o corpo seria a melhor maneira de explicar as coisas para aqueles incipientes cristãos que deveriam crer na ressurreição), mas também para evitar a perturbação mental e a confusão dos dois corpos presentes, já que Jesus estava vivo entre eles. Imagine o leitor o que seria ver o próprio Jesus entrar no cenáculo como um fantasma, e ao mesmo tempo ver o corpo morto do Nazareno a esperar novo sepultamento!? Quem resistiria a uma cena dessas? E como Jesus iria justificar a solidez de seu novo corpo, quando o velho corpo ainda estava entre eles? Como evitar que eles pensassem que aquele “Jesus-fantasma” não era um demônio disfarçado para enganá-los? Por tudo isso Jesus comeu um peixe com eles e botou o dedo de Tomé em suas feridas, e por isso os apóstolos julgaram melhor esconder o corpo, com as “artes” de José de Arimatéia consciente de todo o processo!

semana-lewis-2016-na-eat-2Ufa! Vou reler o parágrafo anterior! Aliás, não há como negar que eu mesmo demorei décadas para encontrar outra forma de entender a Ressurreição, mas somente em Lewis alguma luz raiou no fim do túnel. E como acontece sempre com a previdente Providência Divina (Deus sempre chega antes de nós, como ER chegou antes de Weston!), Lewis nos deu esta luz antes de uma suposta descoberta das ossadas de Jesus, e por isso o filme de James Cameron não nos escandalizou! Mas eu ainda não sei que espécie de loucura me vitimaria se eu estivesse no cenáculo orando sobre o cadáver escondido do Nazareno e logo após visse Jesus atravessar a parede e me permitir tocar-lhe as feridas! Não sei mesmo. Minha única saída seria seguir minha mania de perguntar e falar pra Jesus: “Senhor, quem é aquele corpo que velamos?”… Agora, se Ele ia me responder eu não sei. O mais provável é que dissesse apenas: “Quanto a ti, a minha graça te basta!”…

Finalmente, irmãos, quando a Ciência do mundo gritar que encontrou os restos mortais de Jesus, não desanime e não desfaleça! Os restos podem existir mesmo. E então você será o único cristão a continuar crendo na Ressurreição, porque já sabe que esta aconteceu de verdade, só que “na calada da noite escatológica”, quando Jesus desceu ao Hades e voltou de lá depois de salvar muitas almas. Ao voltar, Ele pediu à mulher que não tocasse nele, porque sua solidificação ainda não estava completa. Todos os demais cristãos, coitados, aferrados à ideia paupérrima de que o próprio Deus dependeria de um velho corpo para reconstruir sua fisionomia, cairão na apostasia ou na heresia, e perseguirão os loucos que ainda creem na “Ressurreição-pós-ossada” (João 16,1-2). Ué? Afinal, não garantiam eles que a fé cristã era imbatível? Não diziam eles que a Palavra de Deus sobreviverá a tudo? (Mt 24,35). E agora?

 

LEGENDA: Chamada do texto por um asterisco:

(*) – A este respeito, temos muitos outros bons estudiosos da Teologia e da Arqueologia que defendem diversos pontos em paralelo (como o Dr. Rodrigo Silva), mas jamais ninguém, na Cristandade e reconhecido por ela, chegou a sacar desta verdade e afirmar o que Lewis ensejou, a saber, que a ressurreição final INDEPENDE da reconstituição do corpo físico que nossa alma habitou. Porém mesmo Lewis, levado por Deus em 1963, jamais chegou a ter em mãos um documento como este trazido a público pelo filme de James Cameron, nem tampouco os modernos estudos teológicos feitos com base na revisão histórico-crítica de todos os evangelhos apócrifos e gnósticos, que deixam em evidência a crença dos céticos de que o corpo de Jesus foi retirado do túmulo a posteriori, para a realização da cerimônia oficial de seu sepultamento, até então incompleto ou feito às pressas pelos amigos de Jesus, dentre eles José de Arimatéia (o Canal “History” tem apresentado excelentes documentários sobre este último ponto, e nenhum cristão deveria se espantar de saber algo acerca de uma suposta ossada de Jesus, pois a Ressurreição não teria se dado na carne, mas sim na solidificação da alma, modelada em alto relevo pela impressão dos contornos tridimensionais do corpo de carne). As conclusões deste artigo são, portanto, de responsabilidade exclusiva deste articulista, com a honra de terem se baseado inteiramente na genialidade de CS Lewis.

Link para a sensacional entrevista do Dr. Rodrigo Silva no programa do Jô Soares: https://www.youtube.com/watch?v=TtkmHXmBeMU

 

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Semana Lewis 2016: “Como a mente de Cristo em CS Lewis criou o Lewisianismo”

Como base para todas as teologias válidas aceitas por esta Escola, a visão bíblica de CS Lewis constitui o fundamento e o farol de nossa pregação em todas as mídias, como forma de introduzir e manter o pensamento lewisiano vivo e ativo no mundo.

genio-lewis-7Uma história impressionante se descortina perante nossos olhos inquietos, após mais de 40 anos de investigação das obras – e por que não dizer? – da mente de CS Lewis, “mago” autor genial nascido na Irlanda, dois anos antes do Século XX. O próprio trabalho incansável de investigar e divulgar, aqui subentendido, termina por deixar aquela história impressionante no meio de um tema considerado reprisado à exaustão, o que poderá influir na boa vontade de releitura das realidades investigadas por Lewis e objeto de nossa fascinação há décadas. Assim sendo, enxergamos nossos “recursos literários” como talvez insuficientes para gerar o entusiasmo necessário com o paulatino e temerário descortinamento da Verdade, pelo que não nos surpreenderemos se poucos lewisianos se aventurarem a entrar empolgados, mais uma vez conosco, nos transcendentes caminhos da genialidade de CS Lewis.

A História começa na investigação de um trecho da Primeira Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, naquela famosa passagem onde ele fala da “mente de Cristo” (I Co 2,15-16). E então, já de saída, um sinal inquietante transparece aos nossos olhos, e ele pode ser descrito assim: “A comunidade cristã, ou toda a cristandade, queda-se pasma e insegura diante da verdade ali exposta por Paulo, e com razão, sobretudo após ouvi-lo perguntar: ‘tornei-me vosso inimigo por vos dizer a verdade?’ (Gl 4,16), e com razão, repito, por causa do aprofundamento teológico ensejado pela teologia lewisiana acerca do orgulho como o maior de todos os pecados”.

Ora, segundo Lewis, se um cristão admite ser o orgulho o maior de todos os pecados, muita coisa na Teologia Cristã terá que ser revista, e essa revisão poderá precipitar, goela a dentro, muita coisa que o orgulho injetou em nós, numa injeção aplicada pelos demônios mais orgulhosos do inferno (não assista agora para não se distrair, mas ESTE vídeo dará uma ideia resumida de algumas coisas que esta verdade poderá mudar). Porquanto a verdade daquela revelação de Lewis acerca do orgulho tem que ser universalizada, pois Jack jamais a escreveu para um grupo de pessoas em particular, embora ele tenha dito, no início do livro (‘Cristianismo Autêntico’ ou “Mere Christianity”), que não estava escrevendo para quem não acreditasse que o Filho da Virgem é Deus. Isto nos obriga a pontuar que também estamos escrevendo AGORA para o mesmo público enfocado por Lewis, pois de nada adiantaria expor tais coisas a descrentes, e às vezes nem para “crentes”.

livro1-capa-semana-lewis2016Uma vez universalizada a noção de que o orgulho é o maior de todos os pecados e a humildade a maior de todas as virtudes, CS Lewis deixou toda a cristandade “em suspense”, por assim dizer, porque, a rigor, ninguém consegue olhar para a própria alma e não ver orgulho ali, e pior, se não ver, é porque possui muito mais orgulho do que os outros! Enfim, Lewis “igualizou” todo mundo no pecado (Gl 3,22a), e esta é apenas UMA das verdades resultantes de sua teologia, que para nós é a Teologia Cristã, a qual Lewis confessou com as seguintes palavras: “Digo-vos O QUE É o Cristianismo! Não o inventei”.

O problema é que colocar as coisas assim – como Lewis o fez – e analisá-las assim, como estamos fazendo agora crendo na autoridade de Lewis, não é para qualquer espírito humano, mesmo dentre os melhores cristãos da atualidade. Porquanto qualquer pensamento que encare de frente a sua própria falência não se porá de pé perante ninguém, e com razão tenderá ao esquecimento e ao desprezo, e por isso a aceitação incondicional do pensamento de Lewis constitui em si um verdadeiro milagre, uma vez que esta ilação em particular se volta contra ele mesmo, exceto se alguma outra revelação brilhante se interpuser, e é aqui que entra o trabalho minucioso e esmerado de seus inúmeros investigadores independentes. Quer dizer, aceitar o pensamento de Lewis como Verdade divina nos coloca, em primeiro lugar, como alvo detonado pela verdade por ele deduzida, e neste instante nos chega a lembrança de que a alma humana não é chegada à verdade, justamente naquele ponto em que ela lhe aponta o dedo indicador, de uma mão com furo no centro e sangue jorrando!

A Verdade que nos chega então (aqui somos obrigados a dizer “a Verdade lewisiana”, temendo que ela não seja vista como verdade bíblica) nos obriga a voltarmos os olhos para nós mesmos e enxergarmos nossa própria falência (Lewis diz que estes são os nossos melhores momentos!), e só depois disso, e muito mais, depois de todas as lavagens interiores pela água e pelo Espírito (I Pe 3,21; I Co 6,11; Ef 5,26b), é que poderíamos ser, de algum modo muito tímido, ou pouco consistente, uma tênue luz a brilhar nas trevas da realidade pecaminosa do mundo em geral, ao ponto de enxergarmos outro milagre nas palavras de Jesus, quando Ele disse, “consentindo em paterna concessão de risco”, que os cristãos seriam assim como uma “luz no mundo” (Mt 5,14), após muitas bem-aventuranças também milagrosas declaradas pelo seu amor “cego”, agora até maternal, para com uma raça que não O enganava de jeito nenhum (Jo 2,24-25).

Assim sendo, uma pergunta obrigatória nos chega aos bofetões: “Como pregar a verdade perante o orgulho de todos, quando o nosso próprio orgulho é visível e inimigo de todos?”… Será que o próprio Lewis a teria respondido? E quem é minimamente humilde para recebê-la e tirar a trave do próprio olho, enxergando o cisco no olho alheio à luz de Mt 7,3-5? E quem ousaria pensar que só tem um cisco? Quem AGORA não correria para gritar “eu tenho uma trave pesadíssima!”? Quem AGORA seria louco para dizer “tenho apenas um cisco”?…

cerebro-lendo-bibliaEnfim, na certeza de que CS Lewis se auto acusaria de prontidão diante disso tudo, nossa reflexão sobre a Mente de Cristo dentro da mente humana se reveste de uma estrambótica e rocambolesca complicação, porquanto NINGUÉM haverá de aceitar que a Mente de Cristo funcionaria num coração presunçoso, mesmo sendo o cristão do porte de um CS Lewis! Poder-se-ia até perguntar “que diabos pensou Paulo quando disse ‘nós temos a mente de Cristo’, quando ele mesmo olhava para si e via que cometia pecados que contrariavam a sua própria vontade santificadora?” (Rm 7,19-20)… Então, se em Paulo esta confiança estaria periclitada por sua própria confissão de falência, como confiar que Lewis teria a mente de Cristo para trazer-nos “revelações divinamente inspiradas” para ampliar os fundamentos teológicos cristãos? Eis que aqui o leitor pode ver o tamanho da dificuldade que se apresenta para este comentarista, infinitamente inferior a Lewis e a Paulo (numa confissão que qualquer orgulhoso tomará como orgulho meu).

Enfim, tomamos a liberdade de prosseguir nesta ousadia, contra tudo e contra todos, na plena consciência de que foi contra tudo e contra todos que a própria Escritura foi escrita, pelo menos por aqueles autores canônicos que estavam bem conscientes da realidade do orgulho como dominante e predominante EM TODOS os corações humanos (Jr 17,9 e Sl 19,12-13). Ou seja, que se fôssemos seguir à risca as impossibilidades interpostas pelo orgulho no coração humano, nem mesmo existiria a Bíblia entre nós, pois todo homem é soberbo e mentiroso (Rm 3,4a), um verdadeiro Pinóquio, e não merece qualquer confiança.

bom-mentiroso-1Isto me obriga a pedir que este argumento seja, mesmo após todas essas considerações 100% verdadeiras, recebido por todos os meus leitores, mesmo tendo que engolir as origens duvidosas de minhas elucubrações, e à luz da falência múltipla da Humanidade inteira, na qual o leitor se inclui. É o mesmo que raciocinar assim: “se um pregador não sabe se sua pregação é divina, e eu também não sei se meus ouvidos o ouvirão bem pela mente de Cristo que eu também suponho possuir, então que nós nos demos essa liberdade recíproca de arriscar trazer alguma luz às trevas do mundo, e não serei eu quem irá assoprar para apagar mais uma velinha que um outro cristão está tentando acender”.

Logo, nesta hipótese, e somente nesta hipótese, prosseguirei até alcançar o título deste Artigo.

Nossa ideia pessoal é a de que a teologia lewisiana – aquilo que chamo de Lewisianismo – não nasceu em Lewis. Para nós, Lewis foi apenas um instrumento para a verdade chegar ao mundo, e esta, por suposta “coincidência” (por assim dizer), possui fisionomias e fisiologias encontradas na visão teológica de Lewis, que nem sequer as viu como lewisianas. Para Lewis, o que ele pregava era apenas o Cristianismo, e nada mais. Porém, após séculos de evolução do pensamento cristão e do paulatino descortinamento da verdade por parte de Deus (Mt 10,26b), do qual o próprio Lewis se beneficiou, o Cristianismo mostrou possuir uma “fisionomia e uma fisiologia lewisiana”, por assim dizer, e assim o que Lewis pregava, com sua precisão filosófica e filológica, era exatamente o que Deus explicaria ao mundo, se aqui estivesse presente em carne e osso e a falar como um de nós!

Por isso tudo é que podemos olhar agora esta mesma verdade pela ótica divina (usando a mesma empatia com Deus que Paulo usou para falar da mente de Cristo), e fazer o raciocínio em sinédoque, ou seja, do maior para o menor, ou do todo pela parte, já que Lewis não é ninguém na mecânica da Criação e muito menos na economia da salvação.

ambiente-de-narnia-1Isto posto, talvez agora as coisas percam sua involuntária camuflagem e a nuvem da ignorância humana se dissipe, se conseguirmos raciocinar assim: antes de Lewis existir (não nascer), a Verdade já tinha as características encontradas na teologia lewisiana, não porque Lewis já estivesse vivo ou tivesse “ensinado” Deus a fazer as coisas nos moldes dele, mas porque toda a Criação tinha os traços e as engrenagens do estilo divino que a mente de Cristo em Lewis captou depois de milênios da Criação, o que daria para o observador uma impressão de que Lewis “criou” um Cristianismo diferente, quando na verdade apenas tirou a nuvem de ignorância com que o “cristianismo-água-com-açúcar” lhe encobriu! É o mesmo que dizer que, aquilo que chamamos de Lewisianismo, era a fisionomia e a fisiologia do Reino Eterno de Deus, não porque Lewis o inventou, mas porque Deus deu a Lewis a mente de Cristo capaz de fazer transparecer entre nós o Reino de Deus com todas as cores e matizes de sua realidade escatológica. Então Lewisianismo seria apenas um “apelido tosco e precário” da fisiologia do Reino Eterno, porque nenhum outro pregador “sentiu e traduziu” aquele Reino com os sentimentos e lógicas de Lewis. Nárnia não seria lewisiana, e sim, divina, e ela só chegou a Lewis (por “coincidência”, por assim dizer) porque Deus lha revelou, e, ao descrevê-la em linguagem humana, o estilo lewisiano de escrever assumiu uma autoria que jamais foi invenção de Lewis!

Por outro lado, somente um cristão em pleno uso das faculdades mentais requeridas para tal “descrição/tradução” (a saber, a mente de Cristo em plena operação em Lewis, por obra e graça da vontade de Deus) poderia receber Nárnia dentro da mente e traduzi-la para a linguagem humana sem prejuízo das verdades ali contidas, e por isso Lewis precisou ser lapidado e dilapidado muito antes de escrever as Crônicas e todos os seus livros, e ouso dizer que ele foi preparado antes de nascer, sem qualquer conotação reencarnacionista (ele explicou a si mesmo quando, falando de outro personagem, disse que a missão dele já havia sido preparada muitos séculos atrás, quando a própria família de tal personagem foi batizada de “resgate”). Que o leitor não pense que este raciocínio está particularizando a inspiração divina de Lewis apenas para as “Crônicas de Nárnia”. Usei Nárnia apenas como um exemplo, porque é o momento literário de Lewis onde o próprio Reino Eterno transparece com as cores mais realísticas da escatologia cristã.

Ipso facto, como poderíamos entender a ideia de que a mente de Cristo em CS Lewis criou o Lewisianismo? Na verdade, não criou nada, pois Cristo apenas “contou” (revelou) a Lewis o que havia e como funcionava o Reino Eterno, e Lewis, como magistral escritor, passou a escrever sobre aquilo, tal como os profetas do Velho Testamento diziam “Veio a mim a Palavra do Senhor dizendo…”. Isto nos leva a descobrir que o título “Lewisianismo” atribuído a todo o pensamento de Lewis não é perfeito para indicar QUAL ou QUAIS revelações Cristo fez a Lewis, e penso que usamos Lewisianismo apenas para não dizer “Cristianismo”, por razões óbvias: quem de nós iria dar algum valor transcendente à mente de Lewis se nós disséssemos que ele apenas pregou o Cristianismo? Ou quem de nós não acharia que a pregação de Lewis não passa de mais uma pregação cristã, igual a qualquer outra no meio da cristandade? Aqui está o “X” da questão.

lewis-estudando-2Muito mais difícil é explicar como o Criador teve a mente lewisiana para conceber Lewis. Aqui o conceito é que toda a atmosfera e todos os ventos do Reino Eterno “bafejaram” na direção da sagacidade de Lewis (ou da mente que Deus deu a Lewis), e por isso ele deve ter sido um menino que viveu e vivenciou aquilo que entendemos como “mistérios cotidianos”, mas vivendo-os com os olhos de um “narniano” que nem ele sabia que tinha! Então, ao dizer que Deus teve a mente lewisiana, e por isso concebeu Lewis, não estamos de modo algum pensando que Lewis “antecedeu” ou influenciou Deus de alguma forma, e por isso o futuro nascimento de Lewis apenas coroaria a vontade de Deus de que alguém no mundo um dia pudesse falar do Reino Eterno, com cores mais vivas, e sem as amarras reducionistas da mente humana comum, mesmo quando convertida ao Cristianismo. Assim, quando Deus criou Lewis (para mim isso ocorreu muito antes do nascimento físico para todos nós, e sem nenhuma conotação reencarnacionista), qualquer que fosse o bebê a nascer naquela circunstância em que Deus quis coroar a Sua vontade de revelar o Reino Eterno aos homens, tal criança nasceria como “lewisiana”, ou pensaria como Lewis, já que era o pensamento do Criador que ela iria ter e revelar, o qual batizamos de lewisiano por ter sido apresentado por Lewis, e não porque o pensamento de Deus foi concebido por Lewis, ou porque Lewis tivesse inventado o Céu, ou tivesse pintado o próprio Reino Eterno com as cores vivas de sua posterior “invenção” chamada Nárnia.

Enfim, agora eu suponho que alguma luz foi acesa neste ponto, e penso que não há mais como explicar algo que vá além dessas linhas, tanto por culpa das limitações da linguagem humana para tratar do transcendente, quanto pelas limitações deste comentarista. Apenas subi no bonde por bondade de seu Condutor, que aceitou dar carona a um narniano maltrapilho, que julgou por bem ter chegado a hora de explicitar ou explicar aquilo que Lewis certamente reconduziria a uma nova revisão, sentindo o dever – outrora proibido (Jo 16,12) – de abrir as portas do Céu para uma Humanidade tão aflita com os terríveis rumores de nossos dias. Se fiz bem, no sentido técnico, não sei. Não tenho nem 1% das habilidades literárias de meu mestre. Mas dormirei tranquilo por crer que fiz bem no sentido espiritual, uma vez que eu também adoraria me encontrar com Lewis e ouvi-lo contar aquilo que seus livros não puderam revelar aos leitores de sua época. Pelo menos acreditei estar hoje mais perto do dia das revelações, seguindo a parte final do versículo Hb 10:25, ou do Livro das Revelações de João. Me perdoem se esta ousadia feriu ou apavorou alguém, como um dia me fez estremecer.

 

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Papa Francisco e Donald Trump: ambos pegos pelo desconfiômetro

Para não deixar esta Escola sem um parecer bem prático sobre a conjuntura atual, decidimos publicar este artigo sobre as duas figuras mais presentes na mídia moderna, e sem qualquer preocupação em poupar ouvidos “A” ou “B”, sejam eles meus correligionários ou não.

papa-francisco-e-donald-trumpSentimo-nos bem à vontade para escrever esta matéria com o título merecido, não apenas porque ela está baseada em declarações de terceiros (os dois protagonistas e seus comentadores), como porque ela foi, paulatina e misteriosamente, introjetada em nossa consciência atual, e, cremos, por obra do nosso próprio Deus, aquele que a Escritura garante jamais “desamparar o justo” (Salmo 37,25). E mais: corro para dizer que tais declarações me chocaram, ambas profundamente, mesmo que uma seja para minha total alegria e a outra para meu pavor inquietante.

Refiro-me ao resultado devastador de minha última pesquisa na Internet, daquelas que a gente faz como se estivesse folheando um jornal a procurar as mais recentes notícias da seção “Mundo”, e cujo conhecimento estava e ainda está LONGE do que eu sequer suspeitava – acerca de um dos dois personagens – e também longe de ter traduzido um erro de juízo nosso, quando há alguns meses atrás havíamos divulgado um vídeo com uma desconfiança nossa acerca do outro protagonista.

Pior: isto irá exigir do leitor que vá, por si mesmo, até a fonte de onde extraí estas convicções, e este articulista deixará, bem claro, os links que o amigo deverá clicar e acompanhar, com toda a sua atenção, para também pasmar-se diante daquilo que até agora me alegra/horroriza.

Evidentemente deve estar já bem insinuado a que personagens este artigo se refere (o título traz o nome dos dois) e minha tarefa agora é conduzir o leitor a conseguir, com seus próprios olhos, enxergar o que eu vi das peças imagéticas que consultei… Não porque eu acredite que o leitor seja cego ou tendencioso, mas porque a Ciência já provou que NINGUÉM vê as coisas exatamente como os outros veem, e que a evolução humana só se deu justamente porque a visão de uns foi ajudando a visão de outros, e assim, com a soma e o acúmulo das visões alcançadas, chegamos ao conhecimento e à tecnologia modernos. Logo, é bem provável que minhas “visões” não sejam ‘minhas’, e que muita gente tenha visto o que eu vi (isto é 100% garantido!) e que por isso meu trabalho se resume a tão somente divulgar algo que outros – presumivelmente – não divulgaram (ainda). Pois bem.

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Mal de Alzheimer não é uma “doença”

Extraindo lições e deduções de minha própria experiência com um paciente de Alzheimer, faço voltar a este site mais algumas palavras sobre este assunto, na esperança de dar alguma luz a um tema tão pouco iluminado, mesmo nos meios científicos.

medico-venial-1Já expressei minha estranheza ao escrever sobre o Mal de Alzheimer AQUI nesta Escola e não fazia ideia de que o assunto iria render, não apenas por sua inegável “antipatia” perante a sociedade hipócrita de nossos dias, bem como e principalmente pela reação dos experts, que julgaram minha opinião como mero desabafo em torno de um familiar vitimado por aquela enfermidade cerebral. E não posso negar isso: de fato, a dor generalizada deflagrada pela maldição é tão agressiva e pungente que ninguém deveria negar um espaço para um desabafo, ou para uma “compreensão amiga” de cristãos piedosos ao ver o sofrimento de outro irmão. Tudo acertado até aqui.

Porém o que faz o desabafo ampliar-se até este ponto é a vida diária com o paciente, e o virtual isolamento da família pelos meios de socorro necessários “disponibilizados” por nosso município, os quais deveriam funcionar com prontidão imediata e caráter urgente, como acontece no Primeiro Mundo. A nossa sina diária é ao mesmo tempo ver e conviver com uma pessoa aparentemente sadia (sem qualquer doença visível ou detectável por exames), mas que não se comporta como um ser humano, ao mesmo tempo em que tem que ser tratada como tal. O isolamento duplo – do paciente e da família, só que a família consciente do isolamento e o paciente não – carrega a injustiça do não-atendimento por planos de saúde, ou do atendimento precário, deixando as noites como longas jornadas de suspense e às vezes terror, e nenhum telefone disponível para um socorro “in loco”.

Li várias fontes que avalizam minha ideia de que o Alzheimer pode ser entendido como uma “maldição”, mas a superficialidade do conhecimento teológico ou a fragilidade do conhecimento atual da Medicina sobre esse Mal – que chamam de doença – faz com que quase nenhuma boa contribuição chegue aos ouvidos de quem tem um “doente” na família e precisa “cuidar” dele, mas sobretudo conviver (COM-VIVER) com ele, mantendo na mente as poucas instruções bíblicas sobre o problema.

E aqui é que a porca torce o rabo! Quando é o caso de a moléstia surgir no meio de uma família cristã bem estruturada, ou mesmo entre cristãos comuns, talvez a união espiritual com a mente de Cristo forneça alguma luz numa boa direção, e talvez possa haver algum consenso no tratamento, que sempre é mais convivência do que terapia, mais relacional que medicinal. E é aqui que o bicho pega, pois o principal efeito da presença do Alzheimer no seio familiar é (in)justamente o quanto aquele Mal desagrega a família, desintegra laços, esfria sentimentos, apaga ânimos.

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Os absurdos da igreja Universal provocam a ira de Deus!

Um festival de abominações tem se apresentado diariamente aos nossos olhos e aos olhos do Senhor, e tudo por culpa de uma interpretação 100% herética da Bíblia que diz que “se por fé você der tudo para Deus nesta vida, receberá 100 vezes mais de Deus ainda nesta vida”. Porém lá longe, a culpa vem de Lutero, que saiu da Igreja Católica e levou com ele “a terça parte das estrelas de Deus”…

sodoma-e-a-saida-da-familia-de-loQuem quer de nós que tenha lido, mesmo sem muita atenção, os evangelhos autênticos de Jesus ou mesmo algumas de suas passagens, irá inevitavelmente descobrir que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) macula gravemente a reputação do Cristianismo, com sérios prejuízos a toda a obra salvífica do Espírito Santo. Em nome de uma tal Teologia da Prosperidade (TP), que engana o Zé Povão naquilo que ele teria de mais autêntico (a sua fé pueril), os líderes de tal igreja distorcem fragorosamente as Escrituras para encaixar, via cirurgia hermenêutica, uma falácia comercial das mais cruéis, cuja estrutura perfaz direitinho aquilo que em Criminalística se chama de corrupção e assalto à mão armada (aqui armada pela Bíblia mal interpretada).

Com efeito, a ideia básica da TP é que, mesmo para este mundo insano e pecaminoso, Deus ainda o olharia com os mesmos olhos que iluminaram os apóstolos de Jesus, e que não estaria decepcionado e furioso com a brutal escalada da maldade humana, a qual atinge, hoje em dia, inclusive criancinhas inocentes atravessando o Mar mediterrâneo. Para eles, é como se Deus não estivesse enxergando a maldade crescente e insidiosa invadindo até mesmo o interior das igrejas, e deixando a Humanidade inteira sem qualquer “representante legal” do apelo à santidade que o Novo Testamento faz (I Pedro 1,15).

Ora, o próprio Jesus desabafou e disse, diante de quem lhe pedia um sinal: “Uma geração má e adúltera me pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, exceto o de Jonas”. E quando Jesus apontava para a nossa época, dizia sempre que a maldade se multiplicará, que o amor esfriará e que o ódio estaria entre nós! Logo, como pode uma liderança – supostamente bíblica – pregar a falácia do atendimento de Deus a todos os pedidos DESTA geração corrupta, sobretudo pedidos absolutamente espúrios e injustos, como esses de pobres ignorantes que dão literalmente tudo em troca do sonho de “enricar” aqui neste planeta imundo?

pr-rogerio-formigoniPior, a injustiça é ainda maior quando vemos que todo o dinheiro arrecadado não está ajudando a diminuir a fome no mundo, mas sim enricando os seus pastores, que até com helicópteros apanham a dinheirama com toda cara de pau, de santos do pau oco. E mais: imaginem os leitores que agora, neste exato momento, um tal bispo Rogério Formigoni, inventou uma maneira de “Deus possuir carros!” (afinal, Jesus andava tanto a pé que deve ter criado varizes e agora precisa de um automóvel de luxo para pregar por aí!), pedindo aos fiéis que doem seus carros, motos e caminhões para Deus – não para a igreja – para que assim Deus possa ver o tão grande “desprendimento material” de seus filhos que se sinta tentado a retribuí-los com carrões de luxo, iates e até aviões! Confira AQUI: Estão ouvindo este absurdo? Estão vendo até onde o pecado chegou? Ora, tá na cara que a IURD irá vender os carros e ganhar muito dinheiro, e os seus doadores ficarão “a ver navios”, literalmente, quando precisarem se deslocar e usar “ônibus e S-Pé-2”!.

Mas isto ainda não é tudo! Porquanto o outro absurdo está no fato de que esta prática da Teologia da Prosperidade (TP) fere frontalmente a “economia da salvação”, cujo mecanismo foi explicado por Jesus de modo diametralmente oposto ao que a TP prega na IURD, como o leitor poderá conferir agora.

Observe que as recomendações de Jesus, quando Ele tinha oportunidade de explicar ou responder sobre o caminho da salvação, iam sempre na direção da conversão das almas, e a conversão pensada e desejada por Ele pouco ou quase nada tinha a ver com alguma vultosa doação que o crente oferecesse à igreja (até mesmo quando o Novo Testamento fala da igreja nascente, informa que ali todos tinham tudo em comum, e portanto não havia pastores morando em mansões suntuosas, em contraste com um monte de crente morando em favelas! Em Atos 2,44-47 está dito que TODOS vendiam tudo para dividir COM TODOS!).

jesus-ensinando-1Os exemplos mais contundentes desta verdade estavam nas respostas de Jesus aos que queriam conhecer o caminho ou a maneira de se salvarem, e Ele sempre respondia coisas assim: “Vai e pratica os mandamentos”; ou então: “Tome a sua cruz e siga-me”; ou então: “A si mesmo se negue e venha após mim”; ou então: “Acolhei os órfãos e as viúvas”; ou então: “usai de misericórdia como usou o bom samaritano”; ou então: “orai pelos vossos inimigos” e coisas tais como estas, que o Sermão da Montanha resume com aquela frase bombástica: “Sede perfeitos como perfeito é o Pai celeste” (Mt 5,48).

Pior: a recomendação de “praticar os mandamentos” foi resumida com um único mandamento, “amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”, e este amor (Ágape) pressupõe um espírito absolutamente desprendido dos bens materiais, tanto em quem está buscando a salvação quanto em quem já a alcançou! João chega a dizer que quem diz amar a Deus que não vê, mas não ama ao próximo que vê, é mentiroso, e o amor do Pai não está nele. O amor ao próximo é, portanto, o termômetro da fé autêntica, e não as doações milionárias que possamos fazer (sobretudo quando elas são dadas à igreja… – Leia-se: dadas ao bolso dos pastores).

igreja-em-destruicao-01Portanto na TP há dois sentimentos malignos incutidos em todos os membros da IURD e outras igrejas da TP, a saber: o sentimento de ficar rico servindo a Deus (sentimento este presente nos líderes) e o sentimento de um dia ficar rico como os seus líderes (sentimento este presente nos liderados). Ou seja: toda a Teologia Cristã foi mortalmente desmantelada pelo sentimento de ficar rico, isto é, tudo virou um grande comércio da fé, quando as igrejas se tornaram covil de salteadores e Nosso Senhor saiu a chicotear os vendilhões do Templo. Então cabe dizer: Adeus à caridade! Adeus à santificação! Adeus à humildade! Adeus ao altruísmo!

Logo, adeus ao Cristianismo Autêntico de CS Lewis, que chamou essas teologias modernas de “Cristianismo-água-com-açúcar”, mesmo sem nunca ter visto pessoalmente a IURD em operação! É o que sempre dizemos: se Jack tivesse vivido mais e tivesse chegado até nossos dias e tivesse conhecido a fisiologia da IURD, da Mundial e de outras “aberrações eclesiais”, jamais teria dado qualquer sinal de satisfação com o Protestantismo (não pela sua origem gloriosa, mas pelo futuro prejuízo causado a todo o Reino de Deus!): ele associaria imediatamente a situação de hoje ao dia em que o Senhor entrou no Templo e chicoteou os vendilhões!… Enfim, que Deus tenha pena desta geração perversa, e que nós estejamos longe disso tudo! (“Sai dela povo meu”)… Maranata!

 

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Só agora entendemos o que o Cover-up quis esconder ocultando outras coisas

Este Site tem batido, insistentemente, na tecla de que está em andamento no mundo um sigilo colossal de uma realidade assustadora, a qual também traria uma reação odiosa das massas, caso viessem a conhecer a sujeira oculta pela desculpa do pânico.

paisagem-do-apocalipseÉ uma colcha de retalhos das brabas! É uma verdadeira ‘novela’ com “o” no fim (novelo) a esperar uma revelação, a qual Deus prometeu por diversas vezes no Novo Testamento. É um tenebroso labirinto de dados macabros a correr por debaixo de nossos pés, como um rio caudaloso sob a neve fina, a esperar o incauto desavisado e valentão. Enfim, este seria o resumo mais ou menos preciso da realidade atual, o qual comporta um conhecimento que até alguns anos atrás considerávamos suficiente (como pensou Ernesto Bono – foto abaixo) e “satisfatório” como resposta de Deus, mas que agora vem, a cada dia, apresentar outro dado aterrador, para dizer o mínimo.

Não admira o leitor que, após décadas de estudo e pesquisas minuciosas, levadas a cabo não apenas pelos “peritos” que estudamos, mas por nós mesmos, toda a trama diabólica subsistente no grande sigilo mundial não passaria de um “capricho melindroso” dos verdadeiros governantes deste planeta, os quais devem ter “combinado”, até de modo automático e subentendido, que OUTROS fatos também deveriam ser incluídos no Cover-up [N.B.: apesar de tão odioso, o fato político da sujeira de VENDER a Terra para extraterrestres jamais chegaria a nós, e não seria tão aterrador, é óbvio], embora nem de longe provocassem o pânico e o motim mundial tão temido pelos militares, exceto se pudessem ser anunciados isoladamente, caso fossem a única verdade ocultada da Humanidade.

ernesto-bonoMas não era e não é. Agora sabemos bem, e bem de perto. Com efeito, quando Shakespeare pronunciou a sua magistral sentença de que “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor a nossa filosofia”, parecia já estar também falando como profeta, pois o grande gênio inglês jamais deixa escapulir um mistério sem pontuá-lo, tal como CS Lewis também não deixava! E sendo uma frase “indefinida” em gênero, número e grau, “há mais coisas” comportaria o sinistro lugar do pior pesadelo humano, faltando apenas dizer QUANDO tal pesadelo começaria! Mas Shakespeare, como gênio lúcido do teatro clássico, jamais ousaria adentrar no terreno pantanoso das predições com data marcada, até porque, conhecendo o Deus glorioso revelado por Cristo, respeitava o sigilo benfazejo que o próprio Jesus respeitou, quando disse que “somente seu pai conhece a data do final dos tempos”.

Porém um estranho e camaleônico segredo estava embutido no silêncio proposital de Jesus, e o segredo era o seguinte: “Eu não vos direi a data de meu retorno a este Planeta, mas deixarei convosco um sinal tão claro desta data quanto a luz de dois sóis!”… Ouviram? Então pimba! Eureca! Vamos ouvir de novo? “Eu não vos direi a data de meu retorno a este Planeta, mas deixarei convosco um sinal tão claro desta data quanto a luz de dois sóis!”: Mais claro do que isso somente a luz de dois sóis!

praia-da-claridadeOra prezado leitor. Sob qualquer raciocínio de qualquer ponto de vista, um segundo sol é uma realidade por demais CLARA e acintosa! É como uma bofetada no rosto ou um sinal de batom na cueca! Nada tem significado mais claro e óbvio! É um sinal tão “sutil” quanto um bando de elefantes dentro de uma loja de louças e cristais! E afinal, QUEM não saberia isso? Ou quem duvidaria disso? Enfim, é um acontecimento tão portentoso que simplesmente NADA poderia ser feito para escondê-lo, e aqui podemos lembrar de um raciocínio – sem dúvida um baita sinal – deixado pelo próprio Jesus para seus seguidores, a saber, quando ele explicou a impossibilidade de se ocultar a CLARIDADE com as seguintes palavras, bem ‘planejadas’ por Jesus, e que nós vamos repensar: “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa” (Mt 5,13-15).

Repensando as palavras de Jesus, não está claro que Ele quis dizer também: “Vós sois O SOL do mundo. Não se pode esconder o sol; nem se acende um segundo sol para deixá-lo debaixo de uma montanha, mas no seu zênite, e assim alumia a todos os que se encontram na terra!”… Percebem a coisa? Ora. Aí está o sinal. Mas veja: como Jesus não podia explicitar claramente o sinal, Ele também não poderia esquivar-se dele, e assim teria que “codificá-lo” ou torná-lo visível em linguagem cifrada, para que somente o seu “pequenino rebanho” (Lc 12,32) – e somente quando este precisasse FUGIR para as montanhas – viesse a decifrá-lo e a saber, de antemão, a sequência de fatos que desenrolaria as profecias até o último dia! Eureca! Eis aí a morte da charada! Logo, vamos trazer o assunto para a nossa linguagem comum. Vejam.

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Farsa do 11 de setembro prova que o mundo inteiro jaz no maligno

Ocorrida no coração do mais frequente país falseador da realidade, o chamado “atentado ao WTC” mantém-se de pé e imponente como um verdadeiro “monumento à Conspiração”, cumprimentando quem crê em conspirações e deixando em pânico quem descobre a verdade ali escondida.

aviao-cinzento-no-wtc-1Neste dia 11 de setembro de 2016, quando o mundo lembra com pesar ou horror aquele fatídico dia, esta Escola volta a este tema (veja AQUI) com uma pulga ainda maior atrás da orelha, e por isso não pode deixar de dar razão a pesquisadores como Ernesto Bono, Daniel Giese, Salvador Freixedo e outros “heróis da coragem de falar”, que jamais se deixaram iludir pelas falácias da trama, ou, pelo contrário, já tinham por certo que uma coisa assim tinha tudo para acontecer, conquanto pudesse mandar milhares de corpos mais cedo para o túmulo ou restos minúsculos de corpos, alguns de almas realmente inocentes e dignas de um melhor destino.

O fato era, até certo ponto, previsível e iminente, já que o terrorismo estava querendo mostrar a sua mais nova face, a saber, a da mortandade generalizada e inesperada sem qualquer reivindicação, a não ser a de uma suposta ira contra os inimigos de Alá, que agora mostrava possuir seguidores tão impiedosos que não poupariam nem mesmo as crianças, inclusive as de sangue muçulmano. E então uma figura como a de Osama Bin Laden veio bem a calhar ou caiu como uma luva nos planos macabros dos agentes das trevas, pois estes poderiam usar mais um excelente bode expiatório para uma nova desgraça, tal como usaram Lee Harvey Oswald como único assassino de John Kennedy, e assim enganar uma nação inteira até hoje.

2-lee-oswalds-e-2-osamasInobstante e contudo, o Caso das Torres Gêmeas possuía elementos muito maiores e mais bombásticos do que o assassinato de um presidente em plena luz do dia, e os seus engendradores então devem ter trabalhado horas e horas, ou melhor, anos e anos, no planejamento e orquestração de todas as hipóteses e vertentes de tal crime, a começar do fato de que matar milhares de bons trabalhadores do próprio país (aparentemente “a troco de nada”) comportaria um “custo” em baixas dificilmente recompensável para a máquina do Governo, e por isso nem mesmo o edifício-cofre do Tio Patinhas (“orçado em 10 octilhões”, segundo o Pato Donald) seria suficiente para pagar as perdas humanas de cada uma das empresas prejudicadas pela tragédia.

Assim sendo, e se todo dinheiro do mundo não pagaria o sumiço daqueles profissionais e cidadãos pagadores de impostos, QUEM teria premeditado um crime de tal monta e com que intenção, muito além de planos políticos para tomar petróleo árabe ou passar à História como o presidente-herói que salvou a nação do novo terrorismo? Quem sugeriria a quem falsear a realidade para encobrir o assassinato puro e simples de milhares de civis inocentes?

Não há como responder a estas perguntas sem recorrer à Teoria da Conspiração, ou no mínimo à Teologia cristã. E quando esta última entra em cena, é puramente óbvio deduzir que a primeira está previamente autorizada a entrar no argumento, já que a Bíblia sustenta e emoldura, com barras de ouro, a noção inevitável de que o mundo inteiro jaz no maligno. Portanto, o que a Humanidade (não ela, mas os céticos e os criadores de céticos) chama de “Teoria da Conspiração”, nada mais é que a conspiração na prática, ocorrendo num planeta onde o príncipe deste mundo é o pai da mentira!

Com efeito, crer na Grande Conspiração Terrestre não é o absurdo que querem nos fazer crer os zombadores da fé cristã, e pelo contrário, é exatamente aquilo que uma mente sadia deveria crer, se também teve saúde mental para crer no Evangelho de Jesus Cristo. Pode-se dizer que as duas coisas são exatamente as mesmas, a saber, a Grande Conspiração e a Revelação do Senhor.

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O avião que atingiu a segunda Torre era por demais estranho. Parecia todo cinzento e armado com míssil de bojo.

Neste sentido, então, as coisas começam a fazer sentido. Um mundo que jaz inteiro no maligno, e cujo (des)governo está nas mãos do pai da mentira, seria exatamente o mundo em que tais “atentados” ocorreriam, e a queda das torres gêmeas não passariam de meros pingos coloridos de cenas que o mundo deveria receber em preto e branco. Mais ou menos assim: carnificinas e genocídios seriam o filé mignon das estratégias do inimigo, e eles estariam ocorrendo todo tempo às escondidas, sejam com torturas ou anestésicos modernos. Quando uma sociedade viesse a saber de tais crimes, só teria a informação de muitas mortes, geralmente associadas a catástrofes humanas ou naturais, e ocorridas lá longe, sem que o banho de sangue ficasse explícito aos olhos de quem teria lucidez para imaginar algo além da mera tragédia. Estas seriam, assim, as cenas em preto e branco, tão comuns quanto cenas de sexo nas novelas da Globo.

As cenas coloridas, ou aquelas que mostrassem o banho de sangue, ficariam sempre e somente a cargo de almas também lúcidas, mas que fossem inquietas o suficiente para conseguir DEDUZIR, das entrelinhas do ocorrido, a manipulação de elementos espirituais da maldade, ou coisas que os céticos interpretassem como fanatismo ou loucura de catastrofistas. Porquanto uma maldade que extrapolasse a mera crueldade humana, a crueldade bisonha da vingança ou a malícia aprazível da alteridade da dor, ficaria literalmente imperceptível aos cérebros de carne, porque jamais alcançariam uma maldade que sentisse prazer orgástico com a mera visão do sofrimento sem socorro.

As rãs não foram deixadas mortas, como aqui na Terra, mas vivas e agonizantes…

Neste sentido, nem mesmo os seres de carne e osso que acataram a sugestão de jogar aviões nas Torres Gêmeas chegaram a alcançar a visão da profundidade do Mal, tal como um certo personagem de CS Lewis não pôde entender o prazer que o diabo sentiu ao furar as costas de rãs e deixá-las à míngua, sem dar a elas o alívio da morte.

Assim sendo, a profundidade do Mal subjacente ao 11 de Setembro talvez jamais seja de todo entendida, nem mesmo por nós que trabalhamos, 24 horas por dia, a pensar nas possibilidades de tramas sem fim nas ideias urdidas no inferno. Certamente o 11 de Setembro será uma daquelas datas que só a Eternidade iluminará com a Verdade, quando o próprio Deus revelar que a morte de 3.000 pessoas foi um preço até “pequeno” para aplacar a fome de sangue do inimigo, cuja influência conseguiu levar um presidente americano a matar milhares de irmãos patrícios, em nome de uma guerra sem vencedores humanos.

Phillip Marshall e filhos

Os que leram até aqui nem precisam esperar para ver. Uma rápida pesquisa no Google ou no Youtube (com um título mais ou menos assim: “A farsa do Atentado às Torres Gêmeas”) irá precipitá-lo no abismo sinistro do genocídio sem razão, e logo terá que responder a perguntas como: “Por que nenhum governante americano foi preso por aquele crime? Por que Phillip Marshall foi “suicidado”? Por que Larry Silverstein, o dono do World Trade Center, ficou multibilionário após o 11/09? Por que agentes do MOSSAD (serviço secreto israelense) foram capturados no 11/09 carregando explosivos? Por que restos de explosivos altamente tecnológicos foram encontrados entre os escombros das duas torres? Enfim, são essas coisas que dão razão para os teóricos da conspiração alimentarem suas pulgas atrás das orelhas, e tolos são os que não alimentam pulgas.

Saber que todos os idealizadores do Atentado estão vivos, felizes e gozando a vida adoidado (certamente até mandando no país), talvez até escravizando consciências com ideologias guindadas do inferno, é uma bofetada por demais dolorosa para um rosto cristão merecer! Saber que este mundo está atolado na mais abjeta maldade e contando com o apoio de humanos vendidos ao inimigo, é a pior dor de quem tem fome e sede de Justiça, ou de quem vive a longa dor de esperar a Justiça que só verá após a morte. Enfim, a América que lembrava e cantava seu tão alegre setembro, agora sabe que canta um tão triste e olvidável setembro, até que o Senhor da Glória ressurja e enxugue as lágrimas da América na eterna pátria dos justos.

 

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