Por que Jesus não perdia chance de apontar para a Grande Tribulação?

Em diversas passagens do Novo Testamento, Jesus mostrou que estava sempre pensando nos dias dolorosos do fim do mundo, fazendo seus ouvintes pasmos com o sofrimento do futuro

Observe Jesus no canto inferior esquerdo: Ele foi e continua sendo o nosso melhor amigo estrategista, e nos antecipa tudo de mal que sucederá antes de seu retorno à Terra.

Para não ficar cansativo fazer um texto muito detalhado, aqui exporemos apenas algumas, talvez 3 ou 4, passagens bíblicas onde Jesus aproveitava, “num de repente”, para fazer seus ouvintes lembrarem que os sofrimentos do fim do mundo iriam ser extremos e indescritíveis, mostrando que Seu Sagrado Coração e Missão se voltavam prioritariamente para as pessoas que estarão vivas naquela época, chamada por isso mesmo de “A Grande Tribulação” (o leitor aqui deve se lembrar que não haverá arrebatamento pré-tribulacional – confira este ponto neste link: https://www.youtube.com/watch?v=yQ3Wjg3ROkU ). Pois bem. Vejamos alguns desses trechos bíblicos onde nosso Mestre não perdia a chance de evocar nossos olhos para o caos do fim dos tempos. São elas:

1.      João 16,1-2: “Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis. Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus”.

2.      Mateus 13,36-43: “Então, despedindo as multidões, foi Jesus para casa. E, chegando-se a ele os seus discípulos, disseram: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele respondeu: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos. Pois, assim como o joio é colhido e lançado ao fogo, assim será na consumação do século. Mandará o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes. Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir ouça”.

3.      João 9,1-4: “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”.

4.      Mateus 24,1-2: “Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”.

5.      Lucas 23,27-31: “Seguia-o numerosa multidão de povo, e também mulheres que batiam no peito e o lamentavam. Porém Jesus, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos! Porque dias virão em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, que não geraram, nem amamentaram. Nesses dias, dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos! Porque, se em lenho verde fazem isto, que será no lenho seco?”.

De posse destes impressionantes textos, precisamos agora se dar ao trabalho gratificante de analisar, com atenção, o que estava na cabeça de Jesus para Ele se preocupar tanto em externar o caos do fim do mundo. A primeira coisa a notar é o porquê e/ou o para quê Jesus tinha esta ânsia de expor um sofrimento que viria milhares e milhares de anos após a sua morte, como se algum dos ouvintes da época dEle fosse estar presente na Sua Volta ao mundo, chamada “Parusia” (embora haja quem garanta que sim, com base no trecho Marcos 9,1: “Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus”). [Jesus também insinuou a mesma coisa com relação à “longevidade” de João Evangelista (João 21,22)].

Ora; o mínimo que podemos inferir de tal atitude de Jesus é que Ele antevia, com exatidão e angústia, o tremendo sofrimento das pessoas na Grande Tribulação, e de como Ele atuaria ali para ajudar na consecução de bons resultados na batalha final. Além disso, como Ele tinha presciência de tudo, Ele também estava querendo deixar, para nós que nascemos hoje (e para os que estiverem vivos na Grande Tribulação), um manual prático de sobrevivência em guerra universal, única ferramenta de auxílio dos últimos crentes deste planeta, sem ferir o Livre-arbítrio de ninguém, nem os “direitos” primitivos do governo de Tellus pelo inimigo de Deus (CS Lewis mostrou que Lúcifer ainda detém este direito – que Deus não revoga por não desrespeitar suas próprias leis – quando escreveu sobre os direitos que a Feiticeira Branca tinha sobre a alma de Edmundo, traidor de Nárnia, e salvo por Aslam).

Isto posto, a melhor e mais precisa hipótese para explicar porque Jesus se devotava tanto a externar sua preocupação com o sofrimento da Grande Tribulação, é a de que a batalha final, que nos envolverá a todos, não será uma coisa fácil de assistir e muito menos de participar, e a terrível guerra só poderá chegar a bom termo com a interferência dos anjos que descerão e ajuntarão, nos 4 cantos do mundo, aqueles que praticam escândalos, conforme explicou São Mateus em Mt 13,41-42. Aqui então está a única exceção na defesa dos escolhidos sobreviventes daquela época, os quais podem extrair do texto a noção de que os anjos de Deus, que estarão em combate contra Lúcifer, virão em nosso auxílio, mas sem evitar nossa dor merecida e construtiva de nosso caráter, conforme ensinou Lewis (Confira AQUI Lewis mostrando como a dor e o sofrimento são didáticos para a salvação de nossas almas).

Como o leitor já sabe, pelo primeiro vídeo acima sugerido, que NÃO HAVERÁ Arrebatamento Pré-Tribulacional, pode-se perguntar o que seria a ajuda dos anjos de Deus na última batalha. É um assunto difícil, pela própria escassez de textos bíblicos sobre o tema, e quase só dispomos de Lewis e uns outros poucos dignos de confiança nesta hora, para chegar somente à dura verdade, sem poupar ninguém e sem exagerar na dose.

Tudo leva a crer que a ajuda dos anjos se dará num mundo às escuras, sem energia elétrica ou qualquer outra, sem comunicação e sem farmácias, sem Bíblia e sem hospitais, e onde os vivos estarão com toda razão a invejar os mortos no Purgatório, onde o sofrimento físico é zero e onde o sofrimento espiritual está lastreado pela fé de que a operação de lavagem operada por Deus é boa e necessária para fazer seu(s) filho(s) pródigo(s) gostar(em) do novo Lar que o Pai lhes preparou (Lewis explicou esta parte da Escatologia cristã em seu livro “Oração, Cartas a Malcolm” (confira neste link: https://www.youtube.com/watch?v=IZi1zNC9keg). Com efeito, na superfície de Tellus a luta será cruel e sangrenta, explosiva e barulhenta, com poucas almas suportando ver ao vivo demônios e monstros de toda espécie, tal como Lewis mostrou nas batalhas travadas em Nárnia contra os exércitos horrendos da Feiticeira.

Com este quadro em mente, e enxergando-o por dentro e por fora, e vendo quantas almas cairão de dor e pavor (este último pondo em risco a própria alma, conforme Hb 2,15), podemos dizer que Jesus mal dormia em seu bendito lar, ao lado de sua mãe santíssima. Talvez acordasse com pesadelos, gritos, queimações e sobressaltos (tudo tornado possível quando assumiu a natureza humana para ser 100% homem) e era muitas vezes consolado por Maria e seu pai José, os quais muitas vezes mal sabiam o que se passava na mente acordada de seu filho – que mal podia contar tudo –, imagine na mente de Jesus enquanto Ele dormia.

Saindo de casa após essas inúmeras noites difíceis, noites traiçoeiras, era igualmente difícil imaginar que Ele andasse entre os que mais amou – os apóstolos – e os mais íntimos, Pedro, João e Maria Madalena, e não se estremecesse por ato reflexo, externando aqui acolá fragmentos de sua santa emoção, aquela angústia “infernal” consolada por seu Pai Paráclito. Olhar seus rostos humildes e perplexos e lembrar das chicotadas em suas próprias costas, comparadas com as chicotadas nas costas dos cristãos habitantes do Século XXI (dentro de si, Ele sem dúvida perguntava muito: “Se fizeram isso em lenho verde, o que não farão ao lenho seco?”), era uma dor lancinante demais para sentir e trancafiar em seu imenso coração, que sentia as dores de irmão, de filho e de pai, tudo ao mesmo tempo, e lembrava com leve fardo o consolo do Espírito que enxugaria as lágrimas de todos após a Ressurreição final (Apoc. 21,4).

Logo, será que se pode perguntar: “haveria na mente do Senhor alguma solução viável para amenizar ou suprimir o terrível período do governo de 7 anos do antiCristo?”… Tendo Ele a única mente perfeita, funcionando a 100% de seu potencial, é possível que Ele soubesse de alguma coisa e a percebia como inviável para um povo já calejado, pecador e desorganizado? Não chegava à sua mente a terrível sentença: “Sai dela povo meu!”, pedindo um arrebatamento aliviador das dolorosas chicotadas, tal como Ele pediu “se possível passa de mim este cálice”? Enfim, se havia algo como uma solução, Ele não a externou. Pelo contrário, chegou mesmo a pedir que nós não chorássemos por Ele, mas por nossos filhos e filhas, pois vinha a hora em que todos diriam, “benditas as mulheres que não tiveram filhos, e as que não amamentaram”. Enfim, Ele era o lenho verde, e sofreu pra burro! Nós somos o lenho seco. O resto é o óbvio…

 

Sobre Prof. JV de Miranda

João Valente de Miranda Leão Neto é bacharel em Administração de Empresas, com pós-graduação em O&M. É bacharel em Teologia, com licenciatura plena em Ciências da Religião. É técnico em desenho de arquitetura e Photoshop, telefonia, mixagem musical e editoração de som. É pesquisador de paraciências e ufólogo, poeta e ex-articulista de jornais de circulação no Nordeste. É redator e revisor autônomo de textos e dissertações na Grande Rede.

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