Os dons naturais e espirituais explicam o ateísmo

Comparando os dons inatos da área artística ou esportiva com os dons espirituais, chega-se de alguma forma a entender porque é tão difícil a crença para um ateu.

Todos nós conhecemos pessoas agraciadas com dons naturais indiscutíveis, e exemplos como Chico Anysio (no humor), Elis Regina (no canto), Salvador Dali (na pintura), Pelé (no futebol), John Lennon (na composição musical) e Laurence Olivier (no teatro), acabam sendo desnecessários numa discussão sobre a existência de talentos inatos. Afinal, os dons naturais são tão visíveis quanto a nossa pele e a impossibilidade de explicação de suas origens vem ratificar o quanto são extraordinários e dignos de investigação científica, na área das proezas da mente humana.

Os dons naturais, como os citados acima, além da comparação com a concretude da pele e do reino mineral, comportam outras características que a sua condição tridimensional vem reforçar, como por exemplo, o fato de que aquele que tem um dom (doravante “talentoso”) segue sua vida prática “de qualquer modo”, podendo até ser uma pessoa sem maiores “responsabilidades”; mas o dom permanece ali, inalterável, subsistindo como uma espécie de “recurso extra” para os embates da vida, tal como funciona uma mochila de escoteiro para o escotismo e um depósito de munição para um soldado em combate.

Isto a História pôde constatar bem, tanto em talentosos que descambaram para o mau caminho (como parece ter sido o caso de Adolf Hitler, talentoso na política e na oratória), quanto em talentosos que desgraçaram suas vidas com álcool e drogas, mas jamais perdendo aquela “reserva natural”, seu dom secreto, que em muitos casos os levou ao sucesso (apesar de seu calvário nas drogas – John Lennon, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Raul Seixas e outros), ou à desgraça total, quando usaram sua reserva para algum plano maligno.

Tudo isso nos leva à seguinte conclusão: algumas pessoas nascem com uma determinada área de sua mente (ou alma) com uma condição a mais para enfrentar o mundo, e esta condição é dada sob a condição de ser usada para o bem comum, e quando não, equivale a ter nascido com o estopim de uma tragédia que apenas aguarda ser acionada por um mau pensamento. Já quem nasce sem um dom especial, poderá jamais chegar ao sucesso, mas também jamais produzirá uma tragédia! Eis aí uma charada boa de perguntar: o que o leitor preferiria: ter nascido talentoso para ter chance de brilhar sem maiores esforços (pois a todo mundo foi dado brilhar por muito ou todo esforço), ou, ao contrário, ter vindo ao mundo com a única chance de brilhar pelo esforço, mas também incapaz de produzir um grande malefício à Humanidade?

E não se engane o leitor: ter o dom não significa apenas vida mais fácil. Significa uma vida com tremendas responsabilidades e tentações muito maiores; porquanto os espíritos maus abrigam altas doses de inveja contra os talentosos, e tudo farão para desencaminhá-lo (‘desencaminhar’ aqui pode significar até usar o dom para enriquecimento ilícito, promiscuidades, corrupções, hipocrisias e outros pecados difíceis de controlar, os quais aderem à alma como chiclete ao cabelo). Assim, quem deseja uma vida de paz, pode ficar certo de que a humildade de uma alma comum pode ser o grande segredo, e talvez tenha sido isso que Jesus quis dizer quando explicou que “os humildes herdarão o Reino de Deus” (Mt 5,3). Pois bem.

Mas até agora só falamos de dons naturais. E os dons espirituais? Será que eles são regidos pelas mesmas regras? Num certo sentido, sim. Eles são como que uma reserva de graça oferecida às almas (nem todas) e esta reserva pode funcionar tanto por meio de um dom natural quanto por meio de uma missão divina desempenhada na terra. Neste último caso, o dom é mais elevado e deve figurar entre aquelas chamadas “virtudes teológicas”, assim chamadas por tipificarem algo intrínseco da divindade, ou de um santo consagrado por Deus. Os três maiores dons teológicos são a fé, a esperança e a caridade, sendo esta última a maior e completamente divina.

Entretanto, o nosso objetivo aqui não é um tratado sobre dons. O que estamos tratando aqui é aquilo que impede uma alma de crer em Deus, ou seja, a ausência do dom da fé. A comparação com os dons naturais servirá para mostrar a diferença crucial entre os talentos inatos e as virtudes teológicas, e assim entender porque certas pessoas têm tanta dificuldade de acreditar, ou até porque suas mentes são virtualmente bloqueadas à fé.

O fenômeno se processa assim. Todos nós temos experiência com a nossa própria mente, e sabemos muito bem o quanto é difícil dominá-la, e é por isso que os orientais dizem que controlar os pensamentos não é apenas uma virtude, mas uma necessidade imperiosa. Eles já provaram que os grandes crimes da história chegaram a ser cometidos justamente por pessoas que se deixaram levar pelos seus próprios pensamentos, e estes, uma vez vitoriosos, passavam a dominar a consciência. Após este domínio então, estava dada a largada para o imponderável. O que tem isto a ver com o dom da fé e a ausência dele? Vejamos.

Como a fé é um dom (um dos três maiores, segundo o capítulo 13 da primeira carta de Paulo aos Coríntios), quando a alma não foi nascida ou agraciada com ele, a parte consciente da mente se vê inteiramente à solta (chafurdando-se na lama de pensamentos confusos) e sem rumo, ou trilhando caminhos sem mapa, e assim toma decisões a bel prazer, muito mais por “intuições e especulações” do que por convicção concreta. As vozes que se levantam na mente, que são comuns a toda a espécie humana, precisam de um mapa ou de um “balizamento” qualquer para chegar a um consenso e ajudar a consciência a tomar decisões, e quando existe o dom da fé as vozes têm o mapa, balizando as informações necessárias para a alma encontrar o bom caminho.

O que acontece com os ateus é que, por não possuírem o mapa (ou o dom da fé), eles se deixam levar pelas milhões de vozes interiores, que se levantam dizendo para ele que aquele dado não foi provado, que aquela informação não pode ser digna de crédito ou que aquilo não passa de mera invenção de algum desocupado. E pior, por não terem mapa algum, terminam por se juntar a outros “desmapados”, igualmente perdidos, mas que já conseguiram um canudo de papel para provar um doutorado de vento e assim atiçarem outros ateus a fortalecerem suas descrenças recíprocas. A corrente da descrença é a associação de ateus insignificantes a ateus intelectuais mais antigos, cuja história já permitiu concluírem doutorados e consagração pela mídia.

Todavia, as mesmas vozes que invadiram a cabeça do ateu insignificante, invadiram também a cabeça dos doutorados. Como nenhum deles tem o dom da fé, os pensamentos soltos tiveram livre trânsito para desconfiar de tudo, e assim sendo nem mesmo Deus, que é a Verdade absoluta, poderia deles receber crédito. Mas a grande contradição deles é que, quando não se crê nem em Deus (único que não pode mentir), ninguém mais merece crédito, e assim, nem mesmo os cientistas ateus estão livres de ter seus trabalhos desacreditados – a prova disso é que, quando um deles se converte, os ateus então detratam todo o trabalho do cientista, como se ele nunca tivesse sido cego como eles.

Cegos e guias de cegos, tudo indica que as almas dos céticos não receberam a “enzima da crença”, ou o motor-gerador da fé, tal como eu não recebi olhos azuis nem cabelos lisos. A rigor, trata-se de uma “mera” deficiência, ou uma “simples ausência”, uma lacuna num coração que poderia ter nascido bem munido, do mesmo modo como um albino poderia ter nascido com melanina ou com um sistema completo de pigmentação. Assim sendo, constatado tal realidade expressa na concretude dos dons inatos, é de se perguntar o que acontecerá com os ateus, no dia em que a ciência descobrir qual é a enzima que lhes faltou na fecundação de seu pai e na gestação de sua mãe. Se a enzima puder ser sintetizada em laboratório, capturada de outros organismos ou alcançada via células-tronco, então o mundo nunca mais terá ateus, ou só os terá se eles mesmos desejarem viver com a deficiência.

O que deve estar irritando eles agora é perceber que nem podem provar nem negar tal realidade íntima dos cromossomos, pois até hoje a ciência nunca se debruçou nesta pesquisa e certamente jamais o fará, uma vez que a maioria dos cientistas também não possuem a enzima e por isso nem sequer acreditariam nesta possibilidade. E pior, é que isto pode mesmo ser impossível, pois o dom da fé pode ser do tipo formado apenas por enzimas espirituais, e por isso cromossomo algum o manifestaria.

Sim. É verdade. Estamos nadando em círculos. Mas não importa. A realidade espiritual é tão colossalmente maior que a física que nem se dá ao trabalho de descer ao nosso nível e satisfazer as nossas falsas curiosidades (falsas porque uma vez provadas, serão igualmente descridas). Ela se satisfaz a si mesma e deixa satisfeitos aqueles que nasceram completos, com uma facilidade tremenda para crer de olhos fechados e portanto para VER de olhos fechados. São mentes especiais, que nem precisam de olhos, e quando sonham vêem ainda mais nítido do que quando olham por lunetas e microscópios. Irritados? Irritados deveríamos nós estar com eles, tal como é chato viver com quem não quer trabalhar. E assim como um bom emprego não vem bajular à sua porta, Deus também não.

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Cirurgia Bariátrica: Um compromisso com Deus

Como a modernidade pretende acabar com o drama dos obesos sem confessar a extrema infelicidade de quem terá uma vida muito mais difícil após a cirurgia.

Observem esta auto-entrevista concedida por Lewis a ele mesmo. É um monólogo por isso, mas é um diálogo na verdade, entre seu corpo e sua alma. Inspirem-se nele.

É verdade que a História sempre registrou a existência de obesos, e por isso a rigor nada há de “novo” na estatística da obesidade, exceto o fato de que nos dias de hoje isso virou pandemia, por culpa da vida desregrada que a pós-modernidade entendeu como sinônimo de liberdade e felicidade. Em nome desses valores (impostos ditatorialmente), tudo o mais foi jogado no lixo, e pouco importa o quão infelizes fiquem os indivíduos – os outros –, contanto que o ego humano esteja saciado com sua “felicidade” a qualquer custo. Esta foi, com efeito, a base fabril e febril do conceito de Edonismo que domina todas as áreas do cotidiano atual, através da qual todos os alimentos tiveram que se adaptar às novas exigências de sabor ou simplesmente sumir dos cardápios. Aqui está a raiz ou o estopim da obesidade epidêmica.

O problema, portanto, é muito anterior à obesidade, e nenhuma cura poderia ser sugerida sem a consciência de um problema muito antigo, que advém do âmago da alma humana, a saber, a busca da felicidade nas miragens enganosas do prazer.

Criada para ser feliz na condição de dependência da perfeição do Criador, a alma humana pôs tudo a perder quando imaginou – auxiliada por alguém ainda mais auto-iludido – que a felicidade infinita poderia existir longe do Amor infinito, ou que uma semi-felicidade tivesse sido concebida para satisfazer semi-pessoas. Com efeito, Deus nunca pensou em imperfeições felizes, e jamais planejou qualquer item de sua criação cuja satisfação estivesse nessas traquinices humanas. A mente perfeita só concebe a felicidade perfeita em seres perfeitos, o que a rigor é a única forma possível da felicidade propriamente dita, em qualquer sentido. Ser meio-feliz ou gozar prazeres imperfeitos nunca foi moeda de troca com a lógica divina, cujo coração jamais se contentaria com um “meio-amor”.

Assim sendo, foi este princípio lógico que norteou toda a obra da Criação, e a alma humana foi criada para gozar a perfeição, conquanto a liberdade concedida fosse utilizada para o Bem comum, condição sine qua da própria validade da existência. Iludida na caminhada, a Humanidade trocou a proposta original de felicidade infinita e por um semi-prazer ligeiro (“um guisado de lentilhas”, como lembrou CS Lewis), curtido sob a ilusão da liberdade total, que só existia em consonância com o Criador da própria capacidade de sentir prazer.

No meio do caminho, os “prazeres” foram se sucedendo aos borbotões nos corações desviados do plano original de Deus, numa série quase infinita de sugestões cada vez mais frustrantes (tanto mais sedutoras quanto menos duradouras) e a sua escalada – a começar do sexo – veio desembocar na gula, que modernamente foi reconceituada para expressões como “excessos da boca”, ‘maus hábitos alimentares’ ou simplesmente “má-alimentação” – i.e, comer muito ou comer aquilo que não alimenta bem, contribuindo mais para engordar do que para nutrir.

O problema é que quem foi por este caminho, o do prazer de comer, acabou seguindo apenas o faro do prazer, e não o da quantidade ideal de nutrientes para a saúde do corpo, que geralmente só volta à consciência quando alguma doença aparece. Isto explica porque a pós-modernidade vive a desesperada “febre do sabor”, ou seja, a moda – já dominante do subconsciente – de que o que se deve buscar à mesa é o prazer de comer. Daí que as festinhas, as amizades, as reuniões – inclusive de trabalho – os encontros (sobretudo noturnos ou de fim de semana) e até os namoros, devem incluir sempre o ‘comes e bebes’, pois sem a boca cheia tudo perde o seu valor. Neste sentido, o prazer de comer – a antiga gula, que era entendida como um descontrole dos apetites – ganhou disparado de todos os outros prazeres, dado o lugar constante de sua presença em qualquer ocasião, lugar este que não se pode dar sempre ao sexo, até porque não se pode fazer sexo o tempo todo e em todo lugar!

Logo, hoje em dia acorda-se e come-se, senta-se e come-se, trabalha-se e come-se, almoça-se e come-se, descansa-se e come-se, despede-se e come-se, retorna-se e come-se, janta-se e come-se e deita-se e come-se! (durante os dias úteis). No fim de semana, faz-se tudo isso e come-se, e ainda se convida para festinhas e encontros e come-se à vontade, pois tudo gira em torno do ato de comer. E se esta onda louca atinge a quem supostamente ainda não foi contagiado pela entronização da comilança, ela contaminou pesadamente as almas cuja fome de ser feliz foi conduzida – pela genética ou pelo espírito – para um número maior ou por um número maior de sensores nas papilas da língua ou da boca, o que acabou por se traduzir em vício de comer, vício que faz comer mesmo sem necessidade do corpo. E pior, quando o vício se instala (e geralmente o faz já na infância), ele também se distribui pelos campos da alma independente da quantidade de alimentos ingeridos, o que explica porque gente que come pouco pode se tornar obeso!

É aqui que começa a aparecer a terrível “solução” da cirurgia bariátrica. Terrível porque não garante cura definitiva ou mesmo eficaz, e a sua própria lógica não convence aquele subconsciente já viciado de que diminuindo “o depósito” de comida, entrará menos comida pela boca! Ora, o gordo sabe que não foi o montão de comida que lhe fez engordar, mas a quantidade de vezes que seu cérebro foi obrigado a ‘engolir’ a ordem de “coma isso, coma aquilo, coma mais, prove isto, prove aquilo, etc.” (naqueles que engordam por quantidade, o cérebro foi obrigado a engolir somente a frase: “ainda cabe mais, então engula!”).

Logo, se o gatilho da obesidade está na mente obrigada a entender-se num corpo entupido de coisas que ele não precisava, e depois disso a ver-se no espelho como gordo mesmo, não poderá ser uma cirurgia de redução de estômago que porá a roda para girar ao contrário! Pelo contrário, a mente poderá até rir da alma! E dirá: “Então você se viciou num excesso desnecessário e agora acha que vai emagrecer simplesmente por golpear uma área de seu corpo que não tem nenhuma culpa pelos seus excessos? Ou você pensa que com um estômago pequeno o seu vício de comer pouco ou de provar tudo vai convencer seu subconsciente de que você não é gordo? Ora: você ficará muito pior, pois terá um depósito menor para seu prazer e ainda voltará ao velho drama, i.e, engordar comendo pouco – sem contar que na velhice estará com todo o seu metabolismo fragilizado e mais propenso a pegar outras doenças que não teria com seu estômago original” (é duro ouvir tudo isso, mas que o leitor receba como um desabafo). Lewis um dia cunhou uma frase-bomba sobre este ponto: *.

Com efeito, para não ver apenas o lado negativo da cirurgia, é preciso dizer também que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8,28), e que portanto a redução do estômago implica num compromisso sério do cristão obeso com seu Deus, o qual é Senhor das alianças e das missões assumidas a dois, deixando um caminho de sucesso para quem quer que se comprometa com Ele numa obra de responsabilidade! Isto significa que se o cristão obeso fizer a cirurgia e cumprir “todas as determinações de segurança da equipe responsável pela intervenção”, e for fiel no cumprimento das regras e regimes impostos para o sucesso da operação, então ouso aventar a hipótese de que a cirurgia pode ser um grande bem, e levar alguém de fato a uma espécie de ressurreição ou milagre, voltando a ter saúde num nível bastante razoável.

Todavia, mesmo assim, nada impedirá a pergunta incômoda: “ora, mas se era para cumprir regras e regimes rigorosos após a cirurgia, por que não tentar tais regras ANTES da mesma? Ou seja: se uma alma é capaz de seguir a risca dietas exigentes após jogar fora parte sadia de seu corpo, por que não tentar cumprir regras com o corpo completo?”… Eis a questão: ser ou não ser…

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A vida eterna no corpo físico

Eis aí o estopim e a razão precípua dos filmes de drácula e vampiros, que expõem a única maneira de exprimir o inferno que seria conseguir a imortalidade dentro das deficiências e decadências da carne.

Como um ser humano poderia exprimir o inferno verdadeiro, sem jamais ter voltado de lá e sem poder “filmar” da terra o horrendo lugar? Como as circunstâncias de se adquirir uma vida imortal poderiam ser expostas ao grande público sem mostrar o lugar indefinível preparado para o diabo e seus anjos? Eis que então encontramos, para nossa confortadora surpresa, a razão para a chegada ao mundo de contos como Drácula de Bram Stoker e a eclosão de sucessos como a Saga Crepúsculo.

Está tudo claro na intenção do Criador, pois esta seria a única forma de a Humanidade surda ouvi-lo dizer: “Vocês não podem viver além dos limites de sua idade e de seu corpo físico! Vocês não foram feitos para uma vida imortal, mas para a vida eterna (zoe), que só se constitui assim a partir da união intrínseca com a vida de Jesus Cristo, tendo Ele próprio experimentado um corpo físico e a morte respectiva, ressuscitando para mostrar qual vida a carne pode aguardar no Além, única que transcende todas as limitações da Natureza, justamente por ser sobrenatural”.

Porém não é isto que preenche a cabeça daquelas pessoas que, levadas pelo ateísmo ou pela rebeldia de desafiar Deus, desejam ardentemente permanecer vivas na carne, conquanto nesta subsista toda a deficiência e decadência próprias da matéria frágil com que o corpo humano foi concebido (neste sentido, a história registra inúmeras tentativas humanas de tentar manter a vida no corpo físico, incluindo aí a Mumificação, a Criopreservação, a Vivissecção e a Encefalovivificação, magistralmente exposta por CS Lewis no último livro da Trilogia chamado “Aquela Força Medonha”). Urge então esclarecer, antes de qualquer coisa, porque Deus teria criado o corpo humano com matéria tão precária que a duras penas chega aos cem anos, quando outros corpos alcançam milhares, senão milhões de anos, e alguns nem chegam a passamento, nascendo e vivendo para sempre num mesmo corpo (até a Bíblia dá sinais desses corpos perenes, que são citados até entre seres humanos, num mistério pra lá de instigante – veja textos como Mc 9,1; João 21,22-23; Hb 11,4 e 13,2; etc.).

A Bíblia explica que o corpo humano foi mortalmente golpeado por um ato espiritual do primeiro homem, o qual não apenas fez abater todos os poderes que lhe davam vida longa e morte indolor (aqui merecendo o nome “passamento”), mas fez a sua adesão contaminar a todos os seus descendentes que, de modo também espiritual, foram contagiados pela mesma desgraça que levou Adão a agir mal – nesta hora, nem é bom ser otimista, pois o agir mal de Adão nos contagiou a todos justamente por ser tão atraente quanto foi para ele, a saber: gozar uma vida livre e sem qualquer responsabilidade, e sem ter que dar satisfações de seus atos a ninguém (aquele mesmo desejo de todos os adolescentes, com os quais nós adultos compartilhamos e compactuamos). Por isso, pensar que Adão foi um idiota é uma idiotice típica de quem concordará com ele, quando um dia ele explicar o que lhe tentou.

A partir da Queda do Homem, o único caminho seria uma volta acelerada à rota abandonada por Adão, ou seja, um arrependimento genuíno com a humildade de pedir perdão e corrigir-se na alma, se envolvendo no prazer de seguir os passos, as orientações e ordenanças do Criador. Mas mesmo que tal passo tivesse sido dado (algumas pessoas o fizeram), isso de modo algum faria recuperar o poder perdido de preservação corpórea, não apenas porque um pinto não consegue voltar para dentro do ovo quebrado, como porque o corpo de Adão – antes da Queda – também não era imortal, mas apenas longevo, e com trasladação (passamento indolor).

Portanto, qualquer tentativa de prolongar indefinidamente a vida física, pode(ria) e deve(ria) ser encarada como tentação, mesmo para quem não tivesse pecado algum, como era o caso de Adão antes da Queda. E se com ele a malignidade havia se mostrado patente na voz do inimigo, conosco então aquela voz será desastrosa, e aqui chegamos ao Conde Drácula.

O mito que Bram Stoker veio iluminar tem a natureza verdadeira de todos os mitos, a saber, origem num fato real perdido na noite dos tempos, e retransmitido a nós por conta e ordem de Deus, a qual Ele incutiu no subconsciente das massas e sobretudo na voz dos seus profetas e hermeneutas. Isto significa que, apesar de toda a estória de vampiros ter sido usada e explorada pela literatura, pela mídia e pelo cinema (às vezes com requintes de invencionice), a origem da vampirização não se invalida pelas mentiras a ela adicionadas, assim como o estranho acidente de Amelia Earhart não perde seu exotismo com as inúmeras boatarias a ele incorporadas (Amelia Earhart, desnecessário dizer, é apenas um dentre milhares de acidentes estranhos ao longo do tempo, aos quais a língua do povo acrescentou o que bem ou mal entendeu).

O que há na origem da estória de drácula que seja verdadeiro? Este artigo não tratará de explicar o conto de Stoker e todos os outros escritos após ele. Afinal, o que acontece após a entrega de uma alma ao inimigo não importa, i.e, seja lá como tiver ocorrido, o resultado será sempre um desastre tal que a pessoa resultante poderá ser chamada de “vampiro-vivo” (se fizer o mal aos outros) ou “morcego-morto”, se quedar-se inerte em sua desgraça, atolado nas trevas de uma sarjeta abjeta e deplorável (pobres morcegos apedrejados por trombadinhas às vezes de fato dão pena, e terminam despedaçados num lixão qualquer).

Todavia, é o desejo de imortalidade que prepondera em todas as almas que buscam contato com o baixo-além, e aquele sonho não poderá traduzir-se em nenhum benefício plausível, uma vez que não apenas afronta a natureza conspurcada (que agora não tem forças para vencer a entropia dos corpos), mas também a vontade de Deus, em cujo plano está contemplada a Ressurreição, ou melhor, a restauração ou reconstrução do invólucro da alma, sem os perigos e defeitos agregados à carne da raça adâmica.

Noutras palavras, é como se Deus, tendo visto o estrago introduzido nos corpos humanos, e sabendo que uma emenda será sempre pior que o soneto, anexou um corpo 100% novo ao fato escatológico da sobrevivência das almas, cuja “limpeza” só ficaria completa com um invólucro 100% “virgem” ou esterilizado, sem qualquer contaminação ou “tendência”. Qualquer tentativa de burlar isso ou de assumir sozinho essa limpeza, teria a conseqüência indescritível da autodegeneração, culminando com a ocorrência de uma teratogenia inimaginável.

E muitos filmes de vampiros mostram justamente isto. Um filme da década de 80, dirigido por Tom Holland e estrelado por Roddy MacDovall e Chris Sarandon, chamado “A Hora do Espanto”, conta a história de um belo vampiro morando ao lado de um jovem inteligente e muito desconfiado. O tal vampiro consegue passar-se por homem durante muito tempo, até que aquele jovem decide provar sua desconfiança, caindo nas vinganças do drácula charmoso. E pior, este cara consegue ludibriar até um famoso caçador de vampiros do lugar, “cativando” a namorada do jovem e ainda “invadindo” a alma de um outro jovem, amigo de turma do primeiro: foi aqui que o diretor conseguiu expor toda a teratogenia ocorrida ao pobre rapaz de riso frouxo. Ele se transforma numa criatura infernal, misto de vampiro e lobo, morrendo enfim com uma estaca no peito.

O inferno é precisamente isso: uma alma que, carente do amor de Deus, perdeu a noção do que de fato lhe faria feliz, e decide, entre o ódio e a loucura, procurar o poder da imortalidade para seu corpo (seus 5 sentidos), quando sua alma já é eterna e eternamente propensa a rejeitar Deus, desde a herança maldita de Adão. Ao expressar sua vontade negativa, chama o grande vampiro e pede para ser feliz SEM MORRER, ganhando deste apenas um morrer infeliz. Infeliz, imundo, horrendo, odioso, deprimido, orgulhoso, monstro.

Finalmente, a Bíblia diz que se os cristãos do mundo jamais explicassem essas coisas, ou então se se calassem, até as pedras clamariam às almas perdidas, tontas entre sua depressão e sua solidão, e lhes indicariam o caminho de volta à sensatez, o arrependimento, o perdão e a paz, que podem até chegar por enquanto num corpo frágil, mas com potencial suficiente para salvar sua alma e fazê-la emergir num corpo glorioso. Mas se ela de fato não quiser isso, ou se quiser uma vida ditada apenas por ela mesma, nada haverá que a impeça de se vampirizar ou de ser vampirizada.

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A peculiaridade indeterminável da intimidade com Deus

A natureza indefinível e imprevisível da relação de intimidade entre Deus e o homem põe em evidência a impossibilidade de determinação de uma liturgia geral para normatização doutrinal

Diga-se o que se quiser dizer, reflita-se o que vier à cabeça, proponha-se qualquer fórmula para a mecânica da conversão e nada adiantará no final das contas, ou nenhuma diretriz segura pode garantir que esta ou aquela fórmula é exata ou única para explicar o “religare” que criou todas as religiões. E ainda, a relevância deste tema transcende a tudo o mais em matéria de teologia e espiritualidade, e, pior, tem sido até certo ponto relegada ao limbo, ou a uma insignificância inadmissível no meio cristão.

Dada a dificuldade intrínseca da área lingüística onde este tema se encontra (a saber, as coisas do espírito, para as quais a linguagem humana jamais foi criada), a própria exposição do objeto aqui tratado é problemática, e não serão todos os leitores a entender sequer o que de fato estamos tratando. O objeto referido é o foco central de todas as religiões bem intencionadas, embora acreditemos que até as religiões malévolas tenham, um dia no seu nascedouro, vislumbrado a busca pela paz com Deus ou o reencontro com a felicidade perdida, mola-mestra de tudo o que existe no mundo em matéria de sobrenatural e transcendência.

Só que aqui neste arrazoado estaremos tratando apenas da parte íntima (ou mais interior) da busca humana pela divindade, adicionando a ela o fator cristão indispensável da busca que a divindade empreende pelo homem. E é aqui e só aqui então que a questão se agudece e se intrica, porquanto flutua e invade um terreno existente (por enquanto) apenas ao nível “aparentemente” abstrato dos pensamentos e sentimentos humanos, para o qual nenhuma linguagem de palavra possui qualquer préstimo; e assim, já que não há como falar telepaticamente com o leitor (até porque a telepatia humana também usa palavras), o mais provável é que ao final deste discurso ninguém saia entendendo muita coisa, sendo honesto admitir que esta leitura poderá ser vista como uma ingrata perda de tempo.

Mas mesmo assim, prossigamos. O leitor já foi avisado, e por muita gente boa…

Estive pensando muito no assunto nos últimos anos e estou particularmente enredado com ele nestas últimas semanas, devido à frustrante constatação de que não adianta procurar a mente mais brilhante, o gênio, mesmo no meio cristão, se a intenção for levar-lhe o tema da “revelação íntima” entre Deus e a alma humana. Ou seja, não há, humanamente falando, nada que se possa fazer para passar (transmitir) a experiência íntima que uma alma tem com Deus; e como só podemos falar de nossa própria intimidade, não há como falar de nós mesmos, exceto se não tentarmos expor aquilo que Deus está fazendo em nós, ou o que Ele tem comunicado a nós. [Creio que era isso que Shakespeare quis dizer quando falava da impossibilidade de transmissão da experiência individual, que o leitor poderá ver pessoalmente digitando no Google a frase “O Pentagrama Shakespeareano”].

Até porque, a rigor (para bom entendedor), não é uma coisa muito louvável ficar expondo as partes louváveis de nossa alma (quem expõe as podres? E para quê expor?), as quais devem eticamente permanecer ocultas até que Deus instaure um Juízo Final e Ele próprio veja a conveniência de tal informação. Pelo contrário, no Cristianismo mais elevado de CS Lewis, o que é mais certo é que Deus jamais faria tal coisa. As partes podres só poderiam sair por nossa boca se estivessem num contexto que, sendo (pré)visível uma conversão genuína, ajudassem um outro pecador a vencer seu pecado pelo exemplo dado. Enfim, aqui está o silêncio mais sábio exigido da alma humana.

Todavia quebrando a regra lógica imposta como exigência para formação do bom caráter, na relação íntima com Deus aparecem coisas – “coisas” aqui é temerariamente inadequado – que poderiam, sem dúvida, pôr em cheque muitas das tradições litúrgicas e devocionais das instituições religiosas (aqui estamos tratando apenas do Cristianismo), tanto em relação às formas de adoração quanto à normatização de doutrinas. Então, de imediato, nos adiantamos para perguntar até que ponto uma subjetividade incomprovável poderia, à luz de qualquer lógica, servir de instrumento para balizar esforços coletivos, ou se não será o óbvio supor que é o indivíduo, afinal, quem deve ajustar-se ao coletivo objetivo adotado como “oficial” (??).

Isto é: como poderia uma relação íntima servir de base para uma relação pública, quando uma unidade comporta a insegurança e a dúvida de acerto para as demais almas? Ou QUEM teria tanta espiritualidade e santificação que pudesse servir de “modelo” de relação com Deus para instruir todas as outras almas em contato com a divindade?

Voltamos então ao tema da descrença, e aqui, da lógica da descrença. Porquanto nenhuma descrença parece mais lógica do que aquela que oferece um mínimo de segurança à alma humana, num mundo onde ninguém, nem mesmo o mais santo dos santos, tem dado sinal de merecer qualquer lugar especial na galeria de exemplos de santidade. Entretanto, para o assunto alcançar o mínimo de utilidade nesta ocasião, vamos deixar de lado toda a questão da revelação íntima da santidade, da ética e da práxis devocional, atendo-nos tão somente à possibilidade de revelação “intelectual” de Deus para balizar e interpretar melhor as Escrituras Sagradas.

Com efeito, perguntemos: “e se o Senhor por acaso contar alguma coisa especial aos ouvidos de uma alma, com a qual certas partes da doutrina fiquem mais bem visualizadas e possam conduzir a uma melhor visão global do Reino de Deus? Ou, e se uma palavra da telepatia íntima entre a alma e seu Senhor trouxerem uma explicação definitiva para um ponto da doutrina com o qual a Cristandade tem se dividido ao longo dos séculos?” (Neste caso há, pelo menos, uma causa nobre a validá-la, a saber, a paz entre cristãos)… – E então? Deve-se prosseguir e contar em voz alta?

A dúvida aqui é a mesma do ato em si, se a nós chegasse via terceiros. Teríamos, pelo menos, que ouvir bem e atentamente, esperando encontrar raciocínio lógico suficiente para quebrar os duros paradigmas da descrença, quando ela ocorre no coração de crentes. A pergunta seguinte é: o senhor encontrou alguém – no meio cristão – que tenha feito isso? Sim. Encontrei, porém lamento informar que o método utilizado por ele para passar ao público a sua revelação íntima foi de tal modo covarde (temeroso e até omisso) que acabou por gerar frustração, apesar da irrefutável lógica que o norteou.

Ou seja, o indivíduo que decidiu revelar as telepatias íntimas de Deus para ele, embora o tenha feito com lógica imbatível, jamais chegou a sugerir que aquela deveria ser a visão “correcional” da Revelação pública oficial; pelo contrário, chegou mesmo a esquivar-se e dizer que não estava trazendo nada que quisesse se colocar como “opção” aos credos existentes, aconselhando até mesmo ao leitor que se estivesse se sentindo bem com seu credo atual, “pulasse” aquele capítulo ou nem chegasse a lê-lo (para quem conhece, é óbvio que estou me referindo a CS Lewis).

Finalmente, aqui está portanto a prova que precisávamos: o maior cristão de todos os tempos, tendo recebido de Deus revelações íntimas decisivas para “ajustes correcionais” ao Credo cristão, simplesmente evadiu-se de incumbir a Igreja da relevância imprescindível de seu depositum fidei, deixando a Cristandade afundada nas dúvidas que sempre incomodaram e desesperaram as almas dos crentes. I.e, “pelo medo de fazer a criança chorar de fome, preferiu deixar a criança com o bico do que tirar o bico e dar o seio”. Pelo medo de gerar antipatias semelhantes às que Pedro temeu ao negar Jesus, Lewis decidiu dar apenas o leite espiritual, negando o alimento sólido.

Mas como se pode concluir isto (de um autor que foi tão longe na profundidade teológica)?: Só enxergando o líquido e o sólido!… Mas para ver tudo isso, só a experiência da revelação íntima aprofundada pode saber que alguma coisa foi negada para as massas e adicionada a indivíduos, independente de raça, sexo, classe social, idade, cor, religião e credo. E neste particular, ter suficiente conhecimento da vida e obra de CS Lewis para perceber onde ele foi muito além na Revelação e onde ele foi temeroso e omisso. E isto talvez não seja suficiente… pois há outras “qualidades” e dons espirituais envolvidos, os quais podem interferir para o êxito ou para o malogro desta missão íntima do Senhor. É isso.

E por que cargas d’água Deus aceitou este jogo de revelar-se mais a uns e menos a outros? Ou qual a utilidade de deixar multidões quase cegas e indivíduos isolados com um conhecimento de Deus exponencial? Seria a resposta a “simples” constatação de que as massas são mesmo medíocres ou alienadas e por isso só podem receber a verdade a conta-gotas? Não sei. Não posso saber nada sobre isso, mas me parece ter sido o próprio Lewis a esboçar uma resposta mais aproximada, quando falou das “diferenças de qualidade no material com que as almas foram feitas”, periclitando a idéia geral de que Deus não faz acepção de pessoas. Aliás, se não me engano, este conceito já vai para a cucuia pela simples verificação de que Deus se revela de modo diferenciado para cada alma em particular, e esta consciência é a única coisa que pode justificar um discurso como este. Porque no mais, a rigor, se as massas não percebem que Deus lhes fala (ou tenta falar) de modo especial no silêncio da noite ou na intimidade da alma, então é melhor mesmo que assumamos a “covardia” de Lewis e digamos com ele: Deus só fala mesmo às massas.

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A explosão demográfica volta a ser citada como a grande vilã

“A gaiola dos ratos” é um experimento realizado por cientistas dos EUA para provar que a superpopulação irá degradar o planeta até seu derradeiro fôlego, sem que absolutamente nada se possa fazer em contrário. Neste mister, a EAT já publicou poema sobre o assunto no livro “<A Grande Orquestração do Mal>”, e agora os noticiários vêm corroborar com a publicação de duas reportagens acerca do tema da EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA, a qual a própria Ciência já considera como sendo o grande “bicho-papão” da vida humana no planeta Terra. As notícias devem ser vistas pelo leitor nos seguintes links:

http://br.noticias.yahoo.com/vamos-precisar-cinco-planetas-terra-diz-sha-zukang-013933190.html

http://br.noticias.yahoo.com/popula%C3%A7%C3%A3o-aumenta-press%C3%A3o-planeta-mas-h%C3%A1-poucas-sa%C3%ADdas-190842476.html

O texto seguinte é o enredo dos dois vídeos publicados pelo StudioJVS a respeito desta matéria, cujos links estão elencados ao final. Nem é preciso comentar. O conjunto destas informações fala por si. [ABRE ASPAS]:

Proliferando com uma rapidez extraordinária, os ratos vão se acumulando por todos os cantos, ocupando todos os espaços e invadindo todos os grandes centros urbanos.

Neste impressionante documentário, um grupo de cientistas realiza uma chocante experiência, com o intuito de provar que a superpopulação num espaço restrito, pode aumentar a violência e a agressividade, não apenas no mundo animal, mas também entre os seres humanos.

No princípio, os ratos são poucos nesta comunidade e há espaço para a população viver em harmonia e manter um bom relacionamento. Há alimento suficiente para todos, mas os ratos começam a se acasalar. A rata grávida se preocupa em fazer um ninho confortável para os filhos que vão nascer. Apenas 3 semanas e a mãe dá a luz a uma numerosa ninhada de 10 filhotes. Todos recebem o mesmo carinho da mãe. Mas as outras ratas também começam a dar a luz, e o número de ratos vai aumentando, vai aumentando…

Em pouco tempo, há uma explosão da população da comunidade, e o espaço começa a ficar pequeno para tantos habitantes. Neste ponto, começam as mudanças de comportamento de toda a sociedade que antes vivia pacificamente. Os instintos se transformam e se pervertem. A violência e a agressividade passam a ser uma coisa comum no dia-a-dia.

No confinado espaço, os ratos começam a brigar por água. Os mais poderosos e fortes passam a controlar a comida, impedindo que os ratos mais fracos se alimentem. Toda a ordem social do grupo foi subvertida. O instinto pela sobrevivência individual é mais forte, e por isso, os ratos, com fúria assassina, começam a atacar uns aos outros em lutas mortais.

A degradação dos ratos chega ao máximo quando eles, além de matar, passam a comer os próprios companheiros num repugnante ritual de canibalismo. Mas os ratos ainda continuam nascendo… Só que agora, as mães já não tratam os recém-nascidos com carinho. As ratas perderam completamente o seu instinto maternal. Quando não abandonam os filhotes à própria sorte ela mesma os come. O que sobra geralmente é devorado pelos outros membros da comunidade. A ordem deixou de existir. O relacionamento entre os ratos é de total hostilidade! Não existe mais nenhuma garantia de sobrevivência. Tudo se degenerou na comunidade dos ratos.

Finalmente chegam as doenças para aniquilar de vez uma sociedade em plena decadência. Em breve, toda esta comunidade dos ratos será completamente exterminada, e tudo, por causa da superpopulação num espaço reduzido. [FECHA ASPAS].

Isto é incrível. Na verdade, é absolutamente plausível, e a sociedade de hoje esbanja sinais de violência e decadência num pequeno planeta isolado no cosmos, incapaz de conter a explosão demográfica.

Estaríamos então assistindo os chocantes sinais de que a civilização humana está no fim?

Veja agora os vídeos que tratam do assunto:

http://www.youtube.com/watch?v=R8FYcCKmCA0

http://www.youtube.com/watch?v=3G8D2mj9bU8

 

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Jesus mandou acreditar na boataria profética?

Certo dia, sem pestanejar, Jesus disse que “nada ficará encoberto que não seja revelado”. Todavia estamos no tempo dos falsos profetas, onde nenhuma notícia merece crédito. Então, como crer numa revelação verdadeira?

Foi um registro efetuado por São Mateus, que o relatou no capítulo 10 (versos 26 e 27) de seu Evangelho, com seus paralelos nos demais evangelhos, sobretudo nos sinóticos. O registro traz a palavra do próprio Cristo, garantindo a nós que “nada ficará encoberto” ou que “tudo será revelado”: tememos que isto seja uma declaração que vai de encontro aos alertas – também de Cristo – que nos pedem para não crer em “falsos profetas”, que apareceriam em profusão nos últimos dias (Mt 24,4-5 e 11). Pois bem. Este artigo irá se ater ao registro de Mateus 10 e não terá qualquer constrangimento de assumir que, assim como espalhar a boataria mentirosa é obra típica do inimigo, crer sem ver é ordenança típica de Jesus (João 20,27-29) e um dos artifícios mais importantes na construção da fé pessoal que deve nutrir e nortear todas as relações entre crentes.

Além do mais, há uma raiz de maldade na descrença entre crentes que é um prato cheio para satanás se aproveitar e desintegrar toda a segurança dos testemunhos individuais, prejudicando a infra-estrutura psicossocial das igrejas e pondo a perder todo o ingente esforço divino para unir os irmãos-na-fé no ideal da confiança mútua. Sem a crença de uns para com os outros, cria-se o pseudo-cristianismo onde ninguém confia em ninguém, e com isso toda a caridade se esvai como água por entre os dedos, descendo para o esgoto do ceticismo e do imobilismo.

É uma questão muito séria. O amor é o termômetro das relações entre cristãos, e sem ele não há sociedade cristã. Se um crente não confiar noutro crente, eles jamais formarão uma igreja, e derrubarão o verso onde Jesus ensina que a igreja está “onde houver dois ou três reunidos em meu nome”. Se nós crentes julgamos a fé às vezes até mais importante do que o amor (um absurdo, mas acontece!), então nós deveríamos saber que o amor só subsiste por meio da fé, que equivale à confiança necessária para a plena fruição do nobre sentimento. Se para amarmos a Deus, diz-se que é preciso crer nele (confiar de olhos fechados), o mesmo deve valer para as relações interpessoais entre crentes, e João sentiu isso com tanta força que chamou de mentiroso o cristão que diz amar a Deus e odiar sem irmão. Ou seja: não existe amor a Deus sem confiar nele, assim como não existe amor ao próximo sem confiança no próximo. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo equivale a dizer que a mesma fé que você tem em Deus e em si mesmo, é para estar operante nas suas relações com o próximo, sobretudo se ele for um irmão-na-fé (Gl 6,10).

Todavia há trechos nas Escrituras onde a confiança no próximo é posta em dúvida (Jr 17,5) e é isso que plasma o nosso debate: afinal, deve-se confiar no próximo ou não? Se o próximo não merece confiança, sobretudo nesta nossa geração perversa, como Jesus pede para “confiar” nas revelações proféticas, como Mateus 10,26 insinua?… É um dilema difícil e problemático para destrinchar, pois acarreta, por um lado, periclitar a segurança dos crentes (dentro de um mundo falso e tresloucado) ou, por outro lado, desmoralizar todo o galardão da confiança pedida pelo próprio Cristo, como bem expressou a Escritura em Hb 10,35.

É claro que alguém dirá que a confiança citada é dirigida a Deus, e não aos homens! Porém, se assim for, não seria também o amor citado em João 13,34-35 uma exortação apenas para o Ágape? Todavia, este trecho é claríssimo e se refere ao amor ao próximo! É o mesmo que se expressa ao dizer que “todas as vezes que fizerdes o bem a um destes pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40). Logo, se é Jesus quem estava DENTRO DO PRÓXIMO (“Ele está no meio de nós”) e por isso nossa caridade terá valor, então a confiança no próximo é “obrigatória”, se quisermos confiar em Deus! Lógica pura!

Aqui chegamos ao nosso argumento. Estamos numa era decisiva, onde a volta de Jesus pode estar às portas, a julgar pela velocidade e gravidade dos sinais meteorológicos e espaciais que temos recebido. As notícias estão quentes e preocupantes, e não estão chegando de poucas fontes, e na maioria das vezes nem são oriundas de crentes (“se vocês se calarem, até as pedras clamarão”), pelo contrário, algumas chegam de sites e pesquisadores céticos. Com efeito, também têm chegado contra-notícias ou contra-informações, na maioria das vezes preocupadas em desmentir as primeiras (o que é sintomático!) do que em informar corretamente nestas últimas, apagando ainda mais a luz sobre fenômenos longe do interesse das massas alienadas.

Portanto, tudo é um mistério, e ninguém parece interessado em diminuir a escuridão que reina em torno dos fatos, mormente de eventos relacionados ao clima, à Lua e ao Sol; sobretudo este, que é quem forma o instrumento precípuo de medição da temperatura profética. E pior: parece que os principais interessados em deixar o povão desinformado são justamente aqueles que deveriam servir a Deus, como as grandes organizações religiosas de um modo geral. Além da igreja, também se omitem os cientistas (talvez eles também tenham sido vítimas da sonegação de informações por parte dos “cientistas-militares”), as escolas, as faculdades, os atuais autores de livros, os próprios militares e os governos por eles influenciados. Enfim, ninguém, exceto os NERDs de óculos fundo-de-garrafa, em quem ninguém se atreve a confiar, está informando nada, e nessa onda se afoga todo mundo.

Mas, e se os NERDs tiverem razão? Se estiver havendo de fato sinais de esgotamento do sol? Ou sinais de uma “parada” na rotação da Terra? Sinais de uma anomalia na órbita lunar? Ou outra coisa grave que “a hierarquia” guarda para si? Enfim, como enfrentar tal realidade?… Se Jesus garantiu que um dia nada ficaria encoberto, se deixou claro quais seriam os sinais (sol, lua, sinais na terra e no céu) e se os dados que nos chegam são verdadeiros, então como “ficar de pé” (Lc 21,36) diante de coisas irreversíveis e inalteráveis como as profecias divinas? Não é chegada a hora de “fugirmos” para os campos e montes? (Mt 24,16-18)… Não devemos fazer como a família de Noé, que se preparou bem e pôde receber a chuva? (I Pe 3,20 e Mt 25,1-13).

Finalmente, caro leitor, a maré não está pra peixe, literalmente. E assim não podemos avançar. Nada poderemos fazer sem o esforço da busca pela verdade (Mt 7,7-8) que pode estar bem ali, acima de nossas cabeças ou ao nosso redor, gemendo como aquela que está para dar a luz. Num tempo de descrença generalizada e de homens que não merecem confiança, o máximo que podemos sugerir é uma esmerada pesquisa acerca do assunto, dentro e fora da Internet, além da manutenção do espírito de alerta que deve galvanizar o coração dos crentes, à espera de seu Senhor. Este autor crê que pode dizer que está feliz com as pesquisas, e por isso a estimula para os outros, porque qualquer um pode descobrir a verdade, segundo o versículo que acabamos de ler. Agora, se o leitor vai ficar feliz com a resposta, ou pelo menos, seguro, ah, isso eu não sei. Mas o pedido foi para que nos alegrássemos com as notícias (Lc 21,28).

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O Perdão de Deus no livro “A Última Batalha”

Deus perdoa ou jamais se sente ofendido? Esta é uma questão minuciosa e melindrosa, para a qual a linguagem humana não ajuda, e que já dividiu até grandes mestres cristãos.

Certa vez, perguntaram a um filósofo se Deus perdoa. Após refletir um tanto, ele respondeu com outro questionamento: “Para perdoar é necessário sentir-se ofendido?” – De pronto aquele interlocutor respondeu: “Sim. Se não há ofensa, como haveria perdão?” – Retornou ele novamente para o filósofo. Esse então, calmamente respondeu: “Logo, Deus não perdoa!”…

Embora a resposta nos pareça estranha, traz em si reflexões de grande monta. A primeira delas é a de que muito melhor que perdoar, é não se sentir ofendido. E para isso, é necessário que a indulgência esteja em nossa mente, que a benevolência esteja em nossas ações. Porém, quem já não se sentiu ofendido? Ainda trazemos muitas dificuldades na alma. O orgulho, a vaidade, a pretensão, todos reunidos na alma, nos fazem criaturas com grande dificuldade em não se ofender. [Trecho extraído de matéria de noticioso espírita].

Entretanto, o que queremos aqui é refletir sobre a questão: “Deus se ofende ou tem tanta humildade e o coração tão grande que JAMAIS se sente ofendido”?… No livro “A Última Batalha”, Lewis parece indicar que NADA no mundo impede o perdão de Deus, por maior que seja a ofensa. Que o Pai não condena ninguém, e que, salvo nos casos em que não há arrependimento, TODAS as almas entrarão no Céu e, se quiserem ficar lá, serão amadas para sempre. Até mesmo os demônios, se chegassem ao arrependimento, seriam perdoados e reagrupados à família de Deus. [Discuto mais longamente este assunto no livro “O Grande Divórcio do Egocentrismo” e também no “Você é um fantasma e não se enxerga”: ambos podem ser encontrados no Google].

Contudo e com efeito, se qualquer espécie de arrependimento é necessário, então é evidente que a questão da entrada de uma alma no Céu não tem nada a ver com uma ofensa ou mesmo o perdão (que está naturalmente no infinito coração) divino, dependendo muito mais de uma quebra da rebeldia interior de cada alma, único verdadeiro obstáculo para a felicidade da convivência com Deus. O negócio não está em se Deus irá perdoar, e aqui estamos pensando no pior crime de violência ou estupro contra uma criancinha, como muitos dos que são mostrados hoje em dia na TV. O nó cego está em que o indivíduo que assim age, e que já chegou a tal ponto de cegueira e ódio, começou sua desgraçada sina num único e minúsculo ato de rebeldia, lá atrás, há anos ou décadas atrás, provavelmente com desvios de caráter manifestados na primeira infância, e vivendo com pais que nunca fizeram nada para sustar tais desvios, ou até os estimularam com uma educação permissiva e sem controle.

Está, portanto, na ordem “(a)normal” das coisas que o indivíduo, criado num lar permissivo e onde todas as vontades da criança são feitas sem qualquer limite, termine por enveredar por um caminho de demonização de seu caráter, com o qual poderá, mais cedo ou mais tarde, chegar ao crime e ao estupro de menores. A questão agora é: Deus se ofende quando vê uma criança violentada?

A resposta é SIM. Porquanto o próprio Deus, em Cristo, contou que está presente no coração do próximo (seja quem for) e muito mais presente no coração das criancinhas, de quem disse pertencer o Reino de Deus (Lc 18,16 e Mt 25,40). Portanto o Deus-menino, que habita puerilmente o coração dos pequeninos, obviamente se sente profundamente ofendido com a violência sem razão (“violência sem razão” é um perigoso pleonasmo) praticada contra menores, e certamente espera um arrependimento tão grande quanto aquele crime no coração do criminoso, para então recebê-lo de volta como o fez o pai do filho pródigo.

O que importa notar neste assunto é que o Céu está sempre de portas abertas para todo mundo, independente dos pecados de cada um, e o seu ticket de ingresso é o coração arrependido daqueles que ofenderam o “Deus-presente” nos corações vitimados pelo pecado alheio. Logo, o perdão sempre deverá ser entendido como uma pré-disposição contínua de Deus de receber de volta as almas rebeldes, desde que passadas pelo filtro rigoroso do arrependimento, pelo qual Deus nos dará a vida inteira “e mais três dias”, que significam o tempo do Purgatório (que pode durar um dia ou mil anos, conforme ensinou Lewis no livro “Cartas a Malcolm”), até que as almas cheguem à lucidez do arrependimento e possam, por si mesmas, reconhecer o quão malignas foram.

Mas, para encerrar, vamos pontuar as coisas:

(1o) As pessoas podem ser tremendamente malignas, sobretudo se deixarem o pecado dominar suas consciências a vida toda, em vícios cada vez mais bloqueadores de sua visão, chegando enfim à cegueira absoluta de rebelar-se contra o próprio Amor, Deus.

(2o) Almas assim viciadas na maldade podem vir a praticar pecados que façam sofrer e matar até crianças inocentes, e assim ofenderem o Deus presente no coração daquelas crianças.

(3o) A ofensa praticada será “imprescritível” enquanto o criminoso não se arrepender profundamente e, com isso, reconhecer sua maldade e pedir perdão a Deus.

(4o) Deus deixa sempre a porta do Céu aberta, bem como seu coração (que é intrinsecamente indulgente), e uma pessoa só não entrará nele se seu pecado o tiver cegado o suficiente para não ver a porta aberta.

(5o) Deus, assim, não condena ninguém, mas se sente humanamente ofendido pelos crimes praticados contra sua presença no coração humano, e foi por isso que Jesus disse “Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem” (se Jesus pediu para Deus perdoar, então é porque Ele se ofende).

(6o) Noutro sentido, e a rigor, o Deus Espírito infinito não se sente ofendido por nenhum ato humano, assim como não sente falta alguma de nada, por ser 100% auto-suficiente. Entretanto, ao assumir a carne em Cristo e elevar a Natureza tridimensional à sua glória, passou a “sentir” o coração humano como ligado ao seu, sofrendo emoções como as que o coração humano sente. Ao mesmo tempo, com isso, permitiu que o coração humano possa sentir como o coração divino, naquilo que o Cristianismo chama de “santificação e glorificação”, que algumas raras almas já sentiram quando ainda habitavam a carne.

(7o) Esta matéria será sempre dificílima para a compreensão humana, uma vez que o nosso universo é “único” (como o próprio nome diz), e o universo de Deus é um “Multiverso”, onde a própria identidade individual pode habitar em mais de uma pessoa, como ocorre com a santíssima Trindade. Por tudo isso, seja por Ele deixar sempre a porta do Céu aberta, seja por jamais se ofender, seja por se sentir ofendido “dentro de nós” quando somos vítimas de uma violência, e enquanto o nosso agressor não se arrepender, o melhor mesmo é fazer as pazes com Deus, anulando todas as nossas rebeldias.

A regra é simples, do ponto de vista da nossa compreensão, mas complicada do ponto de vista do nosso coração: fomos criados porque Deus quis; Deus nos quis para o amor, a paz e a bondade; nosso coração muitas vezes quer aquilo que Deus não planejou para nós. Logo, sejamos dignos de quem nos tirou do nada à vida, e o fez para nossa felicidade; porque só nEle encontraremos aquilo que nossa alma, na cegueira de uma pseudo-liberdade, julga conter o Bem que abandonou…

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O Grande Golpe da TV sem censura

Permitir que a programação de todos os meios de comunicação de massas fosse livre para expor toda a imoralidade do mundo, foi a grande cortina de fumaça para afastar dos telespectadores aquilo que um governo mal-intencionado jamais permitiria chegar ao grande público.

Um golpe irônico e terrível foi executado contra a Humanidade, alguns anos após a 2a Guerra Mundial. Ou mais precisamente quando a Televisão alcançou tecnologia suficiente para chegar a todos os lares do mundo, com uma programação teledirigida, com endereço certo no subconsciente das massas que não podiam tomar conhecimento das coisas sujas que estavam sendo engendradas, e muito menos dos perigos que tais coisas traziam. Isto é uma síntese reduzidíssima do que envolve a questão, e este artigo tentará contar algo mais desta história.

A História pode ser recontada assim, de modo resumidíssimo:

Uma espécie de primata terrestre alcança evolução suficiente para dialogar com o cosmos, mas carrega em si o germe irreversível da altíssima fertilidade, que desde o início funciona como um gatilho para o holocausto final. Seja lá em que lugar fosse, seja lá que espécie fosse, com o fertilíssimo aparelho de reprodução dos machos terrestres nenhum planeta duraria muito tempo, e profetizar sobre o fim do mundo não comportaria mérito algum, se a profecia tivesse alguma coisa a ver com explosão demográfica.

Transando e procriando desregradamente, a Humanidade veio crescendo a passos rápidos, e assim, antes mesmo de completar 1 (um) milhão de anos, a raça racional de primatas esgotaria o planeta, sem uma única solução humana à vista. Para chegar tão longe, os macacos evoluídos perceberam que era necessário a organização social, e para isso um mínimo de hierarquia se fazia mister, e esta seria assumida por aqueles que detinham o poder das armas. Em torno deste poder, todas as riquezas se aglutinariam e junto delas toda a Ciência, que terminaria “falando” ao mundo por tabela, i.e, ensinando apenas aquilo que era conveniente aos interesses dos comandantes.

Aquela ciência rica mas amordaçada descobriu, um certo dia, que os macacos se reproduzem muito rápido, e que o planeta possuía recursos finitos. Desta equação óbvia e estampada aos olhos de todos, os macacos-líderes imediatamente deduziram que, a menos que se tomasse qualquer medida de contenção ou extermínio, o planeta iria inchar e abarrotar no mais tardar na virada do milênio, e então, se os recursos da guerra ou da pandemia já não eram mais viáveis na sociedade atual, o mais correto seria “deixar a morte reinar solta”, atingindo as multidões por si mesma, ou melhor, num genocídio natural (que é quando a própria Natureza, por meio de cataclismos geológicos, marítimos ou climáticos, elimina seus excessos populacionais de pessoas e animais).

Porém, pensaram os líderes: “não é preciso que morramos também. Podemos arranjar um meio de ultrapassar a hecatombe sem sermos atingidos por ela, pois já dispomos de tecnologia suficiente para uma proteção ‘prolongada e assistida’, na qual contamos com prédios resistentes no profundo subsolo (‘bunkers’), reservas de ar, água e comida para 2 anos inteiros para quase 100 mil pessoas e até uma ambiência polivalente de entretenimento e recursos psicológicos potentes, capazes de tornar felizes os privilegiados dessa ‘salvação seletiva’!”… – Eis aí a chave do enigma!: Os macacos-líderes já dispõem de recursos ‘inexauríveis’, por assim dizer, capazes de fazer inveja ao maior magnata da terra, embora seus “abrigos” pareçam ter sido uma idéia do “homem das cavernas”, conquanto o homo sapiens irá viver também em “subterrâneos”.

A regra do jogo então ficou patente, tendo como princípio a idéia de deixar o povão à vontade para curtir sua liberdade (por mais degenerada e perigosa que fosse), dando-lhe a sedutora ilusão de que a mídia não teria mais censura alguma, entendendo-se isto como permissão para divulgar tudo que tivesse relação com crimes, sexo e vida livre. Assim sendo, novelas, filmes pornôs e todo tipo de imoralidade estavam liberados, e todo mundo passou a crer que não havia mais censura. Observe, portanto, a cegueira psicológica da Humanidade e a facilidade que o Sistema encontra para enganar os Carneiros de Panúrgio do imenso rebanho terrestre, e por isso Jesus tinha a perfeita noção de que somos como “ovelhas sem pastor”.

Isto posto e com efeito, o que poderia estar sendo censurado hoje em dia, e cuja revelação resultaria numa informação muito mais grave do que a depravação do planeta inteiro? Resposta: é a gigantesca manipulação de poderes trevosos e seus agentes, que trabalham manipulando o futuro da Humanidade sem a mínima consideração para com a sobrevivência da espécie, e muito menos com as almas individuais de milhões de crianças e inocentes que morrerão sem qualquer comiseração.

Mal comparando e guardadas as devidas proporções, seria como se o alto escalão das forças ocultas estivesse preparando um veneno para eliminar, de seu próprio batalhão, soldados pouco produtivos, lesados ou cansados, e com esta informação em segredo, mantivesse toda a tropa sob seu comando, alegre e cheia de ilusão de que no fim do mês estariam com suas famílias descansando e curtindo suas vidas. Este é o retrato 3×4 da situação real, que envolve o mesmo tipo de relação, mas com outros agentes e outras armas.

O mito do fim da censura foi imposto então como ANESTESIA para apagar a memória de informações vitais, que o Alto Escalão julga necessário deixar em segredo, não apenas para manter o rebanho quieto e calado, mas para permitir um lento e silencioso processo de extermínio, que jamais será associado a qualquer genocídio artificial e premeditado. O verdadeiro holocausto, enfim, poderá se passar até por um evento “normal” ou esperável da Natureza, que teria mecanismos obviamente “naturais” de redução demográfica, visando a sua própria sobrevivência enquanto planeta-vivo e auto-regulável. Todo o teatro (literalmente) de operações já está pronto e bem fundamentado, restando apenas algum conchavo mirabolante que ninguém jamais suporia, no qual a inimaginável moeda de troca daria vergonha ao macaco mais primitivo da evolução.

A certeza da existência de algo assim (a certeza é o máximo que um de nós alcançaria, e mesmo assim com o frágil alicerce da fé modernóide) foi o motivo precípuo da bombástica declaração do apóstolo Paulo, quando afirmou que “quando andarem dizendo ‘paz e segurança’, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (I Ts 5,3) Porquanto não faz sentido dar ênfase ao caráter repentino da tragédia se ela não pegasse todo mundo de surpresa, e ainda tivesse deixado a população certa de que a época era de “paz e segurança”, tal como quer insinuar a ausência de censura e a vida livre, lúdica e lasciva.

Aliás, em todo o Sermão Profético de Jesus, o clima é sempre o de vidas em perigo, onde grandes catástrofes estão se processando sob a aparente paz do cotidiano, e onde um Deus amoroso está constantemente tentando proteger os seus e dando instruções de sobrevivência nos dias decisivos. Ninguém de sã consciência pode ler Mateus 24 ou Lucas 21 e não sentir, aflitos nas entrelinhas, orientações e avisos de emergência, como se fossem áudio-mapas para quem tem ouvidos de ouvir.

A pergunta que resta será: por que Jesus não revelou QUAL perigo estaríamos correndo?

Revelou sim. Só não o fez com a crueza de uma informação fria, que não se importasse com o sofrimento das vítimas que aquilo trará, e por isso teve uma dificuldade enorme de encontrar um modo de dizer que nem se omitisse nem fizesse estardalhaço com o pânico geral, pois Ele também sabia que o pânico em nada ajudaria a ninguém. Todavia, para quem se dedicou a examinar bem a questão, Jesus não apenas avisou do perigo, como deu nomes aos bois e ainda aproximou as profecias para que todos pudessem “pressentir” o clima mudando, e o verão chegando (Lc 12,54-56 e 21,25-32). Até o nome do grande inimigo Ele deu, e ainda explicou O QUÊ ele estaria fazendo para promover a desgraça dos últimos dias, dando poder aos comandantes deste mundo para a guerra final.

Que mais queremos? Que mais precisávamos saber? O único procedimento coerente é nos aliarmos à causa do único Inocente da História, e seguir as Suas instruções de sobrevivência. Quanto ao mais, ah, deixa o povão se esbaldar… Afinal, o que os porcos gostam mesmo é de lama…

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Casas mal-assombradas não são necessariamente casas antigas

Analisando a hipótese de as aparições de fantasmas terem algo a ver com a estrutura ou arquitetura dos imóveis, à luz de um texto de CS Lewis e de uma recente notícia de assombração.

Certa ocasião CS Lewis tentou explicar a aparição de fantasmas relacionada à arquitetura antiga e a cenas pesadas passadas em residências e empresas, como produtos de “magnetização” de energias ligadas às tais construções e circunstâncias, propondo que uma implosão, reconstrução ou reforma no prédio deveria por fim às aparições. Esta explicação de Lewis foi única em toda a sua obra, e não por acaso se encontra no 3o Livro da Trilogia Espacial, “Aquela Forca Medonha” (AFM), pág. 393, parágrafo 1, Livro 1. Na verdade, no 3o Livro da Trilogia, não é bem Lewis quem explica o assunto por este viés, e sim uma personagem da história, que queria se ver livre de tais “incômodos do além”, sem necessariamente recorrer a um padre ou a um “ghost-hunter” qualquer.

Na realidade, esta idéia da solução para as assombrações vir da implosão ou reforma do prédio é uma tremenda simplificação, incompreensível para uma mente como a de Lewis (acostumada e crente no complicômetro cósmico), o que imediatamente nos leva à crença de que o trecho de AFM não corresponde a uma palavra de Lewis, e sim a algo que ele ouviu de outrem. No livro todo, aliás, Lewis não passa de um ouvinte do personagem central, o sr. Mark Studdock, cujas memórias serviram de base para o enredo daquele que seria o livro mais “desaconselhável” de Jack (segundo ele mesmo), dada a crueza da exposição do Mal, nunca antes tão escancarado em toda a sua obra. Para nós lewisianos da EAT, a obra é aconselhável, e muito, para compreensão mais completa do Evento ER, fato divisor de águas na História da Salvação.

De qualquer modo, por que Mark teria entendido – de outrem – que a solução para acabar com casas mal-assombradas seria a demolição ou reforma do prédio onde se manifestam, já que sua amizade com Lewis lhe mostraria outra história? Tudo leva a crer que Mark ouviu a “solução” de algum dos pérfidos com que lidou no tempo de sua agonia no NICE (Instituto onde se tramava a dominação do mundo), pois eles se julgavam tão poderosos que nem mesmo as almas desencarnadas lhes traziam qualquer apreensão, e poderiam ser interpretadas – como tudo mais – como mera energia a atuar na “química atmosférica” de casas e prédios, que teriam a capacidade de reter (numa estranha memória – Aqui lembramos Rupert Sheldrake) e “regurgitar” todas as ocorrências dramáticas ou traumáticas em seu interior, acumuladas ao longo de sua história – ou emprestadas de fatos ainda mais antigos.

Porém Lewis sabia que havia muito mais coisas envolvidas! Sabia e até um dia viu (em “The Great Divorce”) que as almas dos desencarnados PODEM SIM reaparecer no mundo dos vivos, sobretudo em ambientes onde ocorreram fatos dramáticos ou traumáticos, ou em lugares onde, de alguma forma, suas memórias ficaram presas a “paixões ou vícios pegajosos”, como no caso de fantasmas-literatos cuja paixão por sua fama literária não os permite abandonar as livrarias ou bibliotecas onde seus livros estão expostos (este exemplo é do próprio Jack).

Isto então abre uma perspectiva muito mais ampliada para o entendimento das casas mal-assombradas, uma vez que qualquer que seja o lugar onde as tais “paixões ou vícios pegajosos” tenham se fixado na memória e na história pregressa do indivíduo, será ali mesmo onde ocorrerão manifestações fantasmagóricas, independente da arquitetura ou idade do imóvel. Tanto é verdade que recentemente, aqui mesmo no nosso país (uma terra novíssima em termos de fantasmagorias), têm aparecido exemplos vivos de assombrações manifestadas em prédios recém-inaugurados ou bem novos (veja NESTE link), o que vem provar que as epifanias fantasmagóricas são muito mais complexas do que pode supor a melhor das mentes vivas, e é esta complexidade que tratamos aqui.

Ao longo da obra de Lewis, sobretudo em livros como “Cartas a Malcolm” e “O Grande Abismo” (The Great Divorce), a sobrevida da pessoa humana é tão concreta quanto o teclado em que digitamos este artigo, ou mais concreta do que muitas coisas que guardamos em nossos armários. Na verdade, a morte não existe, e aquilo que chamamos ‘morte’ não passa de um “descascamento” da cobertura de carne que envolve nossa alma, que já existia antes de nascer na carne, num passado que não será nossa matéria aqui.

Quando a higidez de nosso corpo chega ao fim ou quando este não é mais capaz de suportar a presença de nossa alma lúcida (ela esteve lúcida apenas enquanto nosso corpo pôde dar suporte à nossa recém-formada consciência-ego), a alma humana – que muitos chamam de ‘energia’ mas, se for energia, é uma totalmente desconhecida da Ciência – se desprende e passa a habitar o ambiente próprio das consciências desencarnadas, que a Bíblia chamou de “região dos mortos”. O processo se dá assim (o leitor poderá ler muito mais de nossa Escola sobre o assunto por ESTE link 1 e depois por ESTE link 2) como no seguinte resumo:

Uma vez livre do corpo, a alma passa, a princípio, por um período de escuridão pré-consciente, do mesmo modo como ocorre com bebês recém-nascidos, durante o tempo em que ainda não abriram os olhinhos. A consciência propriamente dita, tanto no bebê quanto na alma, só chegará após um tempo (nos bebês após os 7 anos, mais ou menos) e virá ainda mergulhada em “inocências” ou com as ingenuidades típicas de quem chega a primeira vez numa cidade como forasteiro. Só depois de alguns meses ou anos o visitante se sente assim como um “cidadão” do lugar.

Após este tempo, as questões relativas ao passado começam a aparecer mais fortemente, e é aí que o indivíduo passa a ter as primeiras “pontadas” da consciência moral, que já perfazem as primeiras chamadas de Deus à responsabilidade de galgar um lugar mais elevado, para o qual a alma foi criada. É neste ponto que a alma sente a surpresa de ainda possuir liberdade total, ao ponto de poder recusar as chamadas e decidir o seu destino naquele exato instante, ou seja, manter-se ali, longe do Reino de Deus, subir ao Paraíso ou baixar pela Terra, onde de nada usufruirá, mas poderá “assustar” os vivos. E enquanto se mantiver ali, as chamadas jamais cessarão, pois Deus baterá naquele coração para sempre, ou até onde chegou a informação colhida por Lewis.

Assim, quem quer que tenha morrido, ouvirá a voz de Deus no seu interior, e esta voz o acompanhará até que alcance a “superconsciência dos sólidos”, ou seja, daqueles que já “ressuscitaram por completo*” e já ascenderam ao Paraíso (chamados popularmente de “santos”). [Falo “ressuscitar por completo*” porque todos ressuscitam, ou se solidificam, mas uns para o Bem – o Paraíso – outros para o Mal, a solidão infernal].

Os outros, ou seja, todos os que ouvem a voz mas teimam em tentar manter sua vida com características de “encarnado”, são precisamente aqueles que se manifestam nas casas mal-assombradas, tentando observar o que os vivos estão fazendo (quando não são de todo malignos) ou interferir na vida dos vivos (quando já assumiram o Mal que os engolfou). Isto é que encerra a discussão sobre a idéia de que prédios velhos é que fariam aparecer “almas penadas” ou outras fantasmagorias, pois é a liberdade de decisão das almas que as leva a procurar os lugares onde se manifestarão.

Mas é claro que casas e prédios velhos, com o maior tempo em que receberam as energias psíquicas das pessoas que neles habitaram ou trabalharam, têm maior chance de “deixar transparecer” consciências desencarnadas que lá penetram, pois o acúmulo das energias ao longo do tempo como que multiplica ou amplifica os chamados “campos mórficos” e o ambiente então passa a contar com este “subproduto” da Criação, que é aquilo que Sheldrake chamou de “memória da Natureza” (subproduto aqui não é depreciativo, pelo contrário, mostra o infinito amor de Deus cintilando em todas as coisas criadas).

Isto posto e finalmente, fica claro que QUALQUER lugar pode manifestar aparições e fantasmagorias, dependendo das almas que um dia o habitaram ou até das que o habitam agora, se estas tiverem manias psíquicas fortes ou viverem ali dramas pessoais indeléveis, os quais também atraem almas desencarnadas vazias ou que estejam à procura de si mesmas (tecnicamente falando). E mais: não adianta levar este assunto para quem for cético, pois a característica mais forte das almas incrédulas não é ter passado pela morte e descrer que continuam vivas, mas é já terem morrido e ainda acreditar que estão entre os vivos.

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A incrível precisão das descrições antigas

Com o duplo sentido proposital para “precisão”, a Antiguidade deixou um legado extraordinário para as pesquisas do homem moderno acerca de sua própria falibilidade e das realidades espirituais.

Temos observado com freqüência uma gama de descrições antigas da vida humana que parecem irreais aos olhos da pós-modernidade, sobretudo quando tais relatos exibem uma sociedade menos violenta, mais cordata, mais sincera, e onde a justiça se faz com mais pureza de propósitos, demonstrando estar calcada sobre firmes alicerces morais, herdados e aceitos por toda a população. E isso não é de admirar, pois o respeito à Moralidade vigorou até meados do Século passado, quando a Televisão chegou e desintegrou todo o concreto que sustentava o edifício social – e isto de modo irreversível, já que a inocência, uma vez perdida, torna-se irrecuperável como a confiança, que exige integridade total durante todo o tempo.

As glórias e vantagens da Antiguidade (como da Idade Média) abrangem um largo espectro de facetas da vida humana, que poderiam ser resumidas em pontos como o romantismo, o cavalheirismo, o respeito à Mulher e aos mais velhos, a valorização do Magistério, a confiança na Medicina, a honradez de juizes e magistrados, a obediência prazerosa dos filhos aos pais (legítimos ou adotivos) e dos cidadãos às autoridades (eleitas ou herdadas), a confiabilidade das relações patronais, a boa vontade de chefes e trabalhadores, etc. Isto tudo sem falar das artes e da cultura em geral, que eram verdadeiras pérolas de beleza e pureza, retratando cenas pastoris de situações corriqueiras no meio rural, as quais chegavam até às vilas aconchegantes de pequenos aglomerados humanos, que nunca eram sufocantes e impessoais. Enfim, pode-se dizer com segurança que a Antiguidade (aqui conceituada como sendo do Século XIX para trás) guarda seus insuperáveis trunfos de felicidade social, com sobejas vantagens sobre a vida moderna, a exceção dos avanços tecnológicos. Este é o ponto de partida deste arrazoado.

Com efeito, o que nos chama a atenção para escrever sobre o assunto, é quando os povos antigos vêm descrever o que eles vivenciaram, extraindo dali todo o legado de aconselhamento e orientação de conduta, oferecendo a nós uma filosofia de vida sólida e segura, que pode garantir a manutenção da sociedade até seus derradeiros dias, ou até que uma hecatombe cósmica (como a queda de um grande asteróide) extinga a vida na biosfera. É uma proposição segura porque, controlando bem a geração do mal e a impunidade subsequente, mantém a normalidade intocável em suas ruas, casas e trabalho, e os marginais – quando realmente marginais – presos em situação de espera do cumprimento de sua sentença ou da pena máxima, tudo dentro da Lei.

Neste mister, toda a vida cotidiana é passada em revista pelos conceitos firmados pela longa experiência social dos povos antigos, e um bom exemplo desta realidade diz respeito à forma como a Antiguidade via a sexualidade humana; ponto onde as diferenças com nosso tempo se tornam gritantes e, porque não dizer, vergonhosas. Por exemplo, podemos ver a forma como a Antiguidade encarava as duas classes de mulheres (ali resumidas a apenas duas), as decentes e as promíscuas, batizadas com os nomes de “damas” e “meretrizes”, cada uma ocupando seu papel social bem definido e bem aceito, desde quando uma não invadia o campo da outra e vice-versa (aliás, quando uma meretriz vinha para o “meio social decente”, debaixo de muito sofrimento e rejeição preconceituosa, demorava muito até conseguir respeito, e isso apenas quando comprovava uma mudança drástica de vida, quase sempre testemunhada por padres e autoridades em geral – a autoridade religiosa era a maior –, ganhando enfim certo status de “forasteira”, só superado quando se casava bem ou quando seu marido era um figurão rico e respeitado por todos).

Os povos antigos então, por força da Moral forte e honesta, tinham suas categorias de classes sociais bem demarcadas em seu meio, cujos limites configuravam-se drásticos nos lugares públicos, sem que ninguém sentisse náusea por qualquer “exclusão”, preconceito, rotulagem injusta, ou coisa que o valha. Ali era consenso, por exemplo, que as meretrizes – ou “mulheres profanas” – gozavam de certa liberdade para fazer shows seminuas ou desnudas, desde que escondidas em quatro paredes de bordéis (muitos deles “chiques” – os pobres eram tão ‘recolhidos’ à sua insignificância social que não faziam diferença na sociedade) e só visitadas por figurões ricos e/ou políticos, os quais nem se contaminavam moralmente com elas nem eram acusados de traição; porquanto ir a um ‘cabaré’, na época, era uma prática oficial e até legal, aceita inclusive pelas esposas, que muitas vezes eram levadas também a assistir aos shows. Ali as “damas” viam belos espetáculos dramatizados, onde as personagens podiam ser “esquecidas como meretrizes”, ganhando temporariamente o status de “profissionais da arte”.

Dessa prática comum foi que surgiu e se consolidou a noção de que SOMENTE mulheres profanas (ou “livres”) ousavam se tornar “artistas”, principalmente quando se tratava de artes cênicas ou teatrais, tornando o termo “artista” um sinônimo de “profano”, ‘mundano’ ou “imundo”. Daí que associar a profissão das “meretrizes” (a palavra meretriz é uma forma sincopada da expressão “mera atriz”) à arte das atrizes foi um curto passo, e ninguém existia que rejeitasse essa idéia, encontrando até atrizes que registraram em livros a alcunha com a qual se viam. Isto fecha a questão em relação à ótica do Bem na Antiguidade. Agora vamos à ótica do Mal.

Mesmo que o Homem moderno queira entender que a concepção antiga do Bem carece de elementos realistas em comparação com a compreensão que a humanidade alcançou com a chegada da Era Tecnológica; ou que as descrições antigas do que seja o Bem sejam consideradas uma aberração pelo “grau de liberdade” que a sociedade alcançou, o mesmo não se pode dizer das descrições do Mal; pelo contrário, que a Pós-modernidade vai ao passado buscar os detalhamentos mais ilustrativos da ciência da maldade, pela experiência mais incisiva sobre a manipulação do Mal praticado antes que a consciência tivesse sido despertada pelas injustiças sociais.

Noutras palavras, a liberdade até então oculta da sociedade permitiu aos manipuladores do Mal descer aos porões onde a maldade era gerada, fazendo pacto com sua geratriz em troca de poderes que só beneficiavam os maus, conquanto fizesse lucrar a quem os concedia aos “seus agentes”. Neste sentido, nunca jamais a Humanidade foi tão má quanto na Antiguidade, embora tal parâmetro só se possa afirmar em comparação com maldades localizadas, e em relação aos malefícios produzidos pelas Artes da Maldade, que só os “pactuados-das-trevas” operavam [os pactuados-das-trevas atuais ainda não nasceram ou estão tão ocultos pelo seu pouco espaço popular que aguardam o dia em que Logres & Avalon retornem para nunca mais sumir!]. De fato, a maior maldade de hoje se deve ao seu caráter globalizado, manifestado em explosões de violência em praça pública, “guerras-fratricidas-não-declaradas”, atos terroristas, desastres nucleares e outros perigos, que surgem como pandemias nos 4 cantos do globo, e sem que nenhuma justiça finalmente se cumpra ali.

Todavia há um detalhe das descrições antigas da maldade que não apenas registra com precisão o teor do Mal, como empresta a ele uma atmosfera jamais repetida pelo homem moderno, exceto no quesito das perversões sexuais, as quais tudo indica que sejam o estopim das maldades trevosas que estão para surgir no decorrer do 3o Milênio. Refiro-me aos sinais da geratriz do Mal que transparecem nas fisionomias dos homens maus, cujos sintomas geralmente só são percebidos por quem está 100% fora das intenções deles, ou por quem já conhece a Maldade Antiga, aquela dos pactuados-das-trevas.

Vou tentar agora descrever o sintoma mais perceptível dessa “Maldade-Pactuada”, o qual faz transparecer esta realidade com uma expressão imperiosa, que transparece sem dó nem disfarce nos olhos e fisionomias daqueles que aceitaram o pacto, em nome de um prazer “celestial” (infernal) ou de poderes globais que possibilitem os mesmos prazeres por outras vias. [Um parêntese: se ao final toda a intenção é angariar o prazer, então é evidente que o verdadeiro Mal se encontra noutra esfera de atuação, numa dimensão onde o prazer é precisamente vampirizar essas almas humanas que busquem desesperadamente o gozo suposto como celestial, as quais usam para isso quaisquer pretextos, ou seja, que os fins justificam os meios].

Assim, quando observamos com atenção, nos quadros e pinturas antigas, as fisionomias dos homens e mulheres em estado de maldade, perversão ou degeneração, fica evidente que aquelas pessoas se entregaram de corpo e alma à geratriz do Mal, e esta pactuação lhes emprestou um rosto sádico, sórdido, lúgubre e libidinoso, com o qual caminham até a culminância de sua maldade, sem que nada lhes impeça de chegar a um homicídio ou suicídio. E é aqui que a descrição antiga mostra seu perfeccionismo inconteste, porquanto o que a pós-modernidade tem exibido, às vezes em horário nobre (ou diante de nós, nas ruas, guetos e praças), são fisionomias dilaceradas pela sordidez, pela lascívia ou pela crueldade, com sinais de “orgulho” pela postura assumida! – Este, enfim, é o grande diferencial da modernidade: os antigos homens maus se entregavam aos pactos na tristeza de um suicídio desesperado, e muitos sofriam por se aplicar tais destinos! Hoje em dia não: a maioria se entrega pelo exibicionismo, e muitos nem se dão conta do que lhes espera na sétima noite ou na sétima década, quando a velhice lhes provar ter sido toda a sua vida um sacrifício inútil em prol do vazio.

Exemplos? Basta dar uma passada no Google e procurar pesquisar frases como: “sites e blogs góticos”, “sites e blogs de mulheres das trevas”, “roqueiros das trevas”, “metaleiros tresloucados”, “blogs de vampiros e vampiras”, “bruxas modernas”, “sites de bruxarias e feitiços”, “tatuadores góticos”, “talhadores da carne”, “tatuados da noite”, “marcados pelas trevas”, “góticos à moda antiga”, etc. E há muito mais coisas, sem muito esforço. Veja, por exemplo, as fotos das capas de CDs de “roqueiros envenenados”, “metaleiros engajados” e outros grupos, como mostram fisionomias de pessoas que já nem parecem humanas, e apenas refletem almas afiveladas em rostos pétreos e sem vida, exibindo dentes enferrujados, piercings, mini-punhais encravados na pele, ganchos e pinos nas orelhas, e tudo como se estivessem se vingando de seus corpos ou oferecendo hospedagem à dor, como companheira inevitável de uma vida sem sentido! [Dadas as dificuldades de se descrever as emoções transmitidas na fisionomia daquelas almas, acredito que minhas palavras não perfazem qualquer exatidão no registro de tais criaturas, ou que pelo menos elas perdem feio para as descrições dos antigos].

É claro que a pesquisa esbarra numa aparência de maldade, e não na essência, uma vez que esta ainda não foi de todo adentrada! A Humanidade, afinal, ainda dá muito valor ao prazer físico para tentar a busca de um gozo superior na maldade pura e simples! E graças a Deus ainda temos algum tempo, enquanto podemos respirar “sem a fumaça das 7 luas”…

Todavia isso não vai demorar muito. Toda a mídia mundial trabalha para permitir a emersão da Geratriz do Mal em carne e osso, e quando ela chegar será mais aplaudida do que uma Cicciolina em sua época de ouro do cinema pornô. E não será necessariamente “uma mulher”, já que terá que servir a dois senhores ou mais, incluindo homens que gostam de homens e mulheres e vice-versa. E também não será libidinosa, somente, pois carrega o desejo oculto de dominar o mundo todo… E isso não leva ao sexo, e sim, à vampirização, prazer que ela jamais mostrará a ninguém para não perder IBOPE.

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