O perigo do reducionismo na pregação do Evangelho

Ou “o estranho Deus que negou-se a si mesmo”, num milagre que até hoje não é 100% compreendido nem mesmo pela cristandade, sobretudo quando é analisado pela ótica da ausência da morte e do tempo

Vencendo o HadesO mundo inteiro sabe o quão diferentes somos de Deus, e o quanto, melhor dizendo, Deus difere de nós. Nem era preciso Ele dizer “os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os meus caminhos os vossos caminhos”. Também todos sabem que o centro da mais dura e difícil exigência de Jesus ficou impresso a ferro e a fogo quando Ele disse “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (que nenhum leitor esqueça ou negligencie o “SE” inicial, que é a mais perfeita prova de que Deus dá total liberdade de escolha e não bajula ninguém, e se fizermos pouco caso dele, podemos apostar que Ele fará pouco caso de nós!). Tudo leva a crer que, uma vez que veio para dar exemplo, Ele também é o “alguém” desta sua própria frase.

Todavia o mais mirabolante nesta visualização do Deus que se nega não se refere nem às enormes diferenças óbvias entre o Criador e as suas criaturas, nem à exigência de negação de nós mesmos para ganharmos a amizade dEle. O que impressiona de fato ao investigador mais atento da Teologia é o atributo divino da humildade, que sem dúvida é a menos compreendida de todas as características de Deus, talvez até de impossível compreensão, pelas colossais diferenças a priori e inexoráveis, obrigatoriamente embutidas no raciocínio de quem o esquadrinhar.

Tudo porque a ideia humana de um Deus onipotente sempre pressupõe um ser portentoso, não apenas “Senhor”, mas “Senhor de si”, e no qual a própria onipotência jamais é auto questionada e muito menos “congelada”, deixada de lado, tal como um militar em combate jamais deixa de lado o seu fuzil ou o seu plano de batalha. A estranheza ou até o exotismo de Deus começa quando descobrimos ESTA específica diferença nEle, em comparação conosco, únicas inteligências a “avaliá-lo” neste planeta. Pois quem de nós deixaria de lado aquilo que justamente nos faz superior a todos? Qual militar larga o fuzil e parte para a luta corpo-a-corpo? Qual ricaço deixa o carrão em casa e sai pra paquerar garotas de bicicleta? Qual moça deixa o melhor vestido e sapato e usa uma roupinha simples quando vai a festas nos “societies clubs”? Ora: ninguém faz isso! Somos essencialmente exibidos, convencidos, narcisistas e orgulhosos, querendo sempre que os outros vejam (admirem, temam, etc.) as nossas qualidades, nossas belezas e nossos feitos, sempre expostos como “obras de gênio”. Mas Deus não é assim! Vamos tentar entender isso.

Bebê nos olhosTudo em Deus é infinito. Como Ele é apenas bondade, e nenhuma maldade há nEle, temos que dizer que tudo o que é bom é infinitamente bom nEle. Se Ele é belo, é infinitamente belo. Se é inteligente, é infinitamente inteligente. Se Ele é amoroso, é infinitamente amoroso. Se é manso, é infinitamente manso. Se é humilde, é infinitamente humilde: é aqui que a coisa se complica. Pois nenhum de nós supõe (melhor dizendo, pressupõe) que a humildade de Deus poderia levá-LO a ter condutas atípicas, ou típicas de quem não se valoriza o suficiente, porque há milhões de anos nossa autoestima foi contaminada pelo orgulho, e em Deus não. Mas é evidente que Deus se autoestima, como ficou claro quando Ele mandou Moisés inscrever o “amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”. Porém nenhum de nós, hoje em dia, depois de tanto tempo de estrago em nosso coração, consegue amar a si mesmo sem julgar-se bom, melhor dizendo, melhor que os outros. Deus não. Ele tanto sabe que é o melhor, quanto seu saber não é inchado pela arrogância dos inferiores, que precisam “de ar” para inflar o peito e se sentirem mais importantes. A humildade infinita tem a sua missão como óbvia pela total dependência que tudo sente dela e pela total independência de tudo. Este é o “x” da questão, que nunca se deixa encerrar sobre si mesma.

Isto levanta um terrível problema metafísico: sendo o salvador infinito e humilde, e também infinitamente humilde, como Ele entenderia a nossa noção de “único salvador” atribuída a Ele, quando dizemos “só Jesus Cristo salva” (?). Como o infinito poderia ser representado por um ser finito sem se recorrer à polissemia de seu significado? Existiria um Jesus monossêmico?

Ele mesmo responderia, se usássemos de polissemia: Em Jesus Cristo subsistem todos os tesouros divinos, incluindo as qualidades de caráter que alavancam a salvação! Mas como assimilar tais tesouros com um significado único, quando coisas muito mais simples de nossa vida possuem “n” sentidos que fazemos questão de reforçar? Eis que num antropônimo escondem-se inúmeros tesouros da personalidade por trás do nome, pelo que podemos dizer que, ao chamarmos o Aurélio para nos ajudar, estamos também chamando a exatidão, a boa vontade, a organização, o interesse para com a língua pátria, a obediência às regras gramaticais, etc., e por isso o antropônimo Aurélio não é mais apenas um homem, ou o homem, o lexicólogo mais famoso do Brasil, o filólogo da ABL, etc.. Aurélio hoje não é apenas sinônimo de dicionário, mas no Aurélio-homem expressam-se todas as boas qualidades de sua obra, e por isso o lexicólogo é organizado, obediente, bem relacionado, perfeccionista, cultíssimo e de boa vontade para com quem lhe pedir ajuda. No mestre transparecem as qualidades da obra, e na obra são vistas as qualidades do mestre. Isto acontece com todo mundo, e, infelizmente, também em quem é mau, e produz obras más, mesclando sentidos interfundidos entre sua personalidade e tudo o que por esta realiza.

Com efeito, a figura pode e deve ser aplicada a Cristo, para quem quer chegar à exatidão do pensamento. NEle então transparecem as qualidades de Sua obra, e nesta são vistas as qualidades dEle. Logo, seu antropônimo não O esgota, e então dizer que a salvação está nEle é também uma metonímia espiritual, e Seu santo Nome é apenas uma “chave” para “n” sentidos subsistentes nEle.

Dizer “Só Jesus Cristo salva” é obrigar a quem ouve (se tiver um mínimo de inteligência) a fazer 3 perguntas: (1a) “Salva DE QUÊ?”; (2a) “O QUE é Jesus Cristo?”; (3a) “Por que SÓ ELE?”. Na 1a, nem é preciso dizer que “salva de quê” se desdobra em explicações mil, que quase sempre serão tomadas como complicações desnecessárias. Na 2a, há que se explicitar O QUE é, e não apenas QUEM é, pois “quem” aqui é outra monossemia periclitante e empobrecedora, com perdão do pleonasmo. Pois quando a respondemos, estamos explicando na verdade O QUE É Jesus, e não apenas QUEM Ele é. E é O QUE Ele é que nos leva de volta ao infinito. Na 3a, a exclusividade de Jesus não foi imposta por Ele, mas pela necessidade, sentida pela Igreja, de afastar os ouvintes de maus caminhos, que desviavam ou bloqueavam a porta do Céu. Porém, contudo, o que dizer dos bons caminhos? Como dizer que uma alma caridosa, que não consegue crer nas doutrinas cristãs, não vai para o Céu? Aqui não está assente que a caridade faz parte da polissemia de Jesus?

Maria chora na cruzO QUE É Jesus?… Veja que esta é uma pergunta tão problemática que jamais poderemos dar uma resposta nem simples nem completa, pois nada que dissermos do Nazareno poderá concluir alguma coisa, pois Ele não se contém em si. Assim, dizer que: (1) Ele é Deus (que é tudo), ainda é uma informação incompleta, pois só Deus entenderia, de modo inteiro e imediato, como uma expressão tão finita poderia abranger o Infinito. Dizer que (2) Ele é o Salvador, de fato, basta para localizar o foco central e a fonte de todas as salvações, mas é absolutamente insuficiente para contemplar a quantidade de condições que aquelas podem exigir, sob efeito das várias vertentes complicatórias em que as almas “se enovelaram” em seus respectivos desvios. Porquanto a complexidade da salvação acabou pegando carona na complexidade da perdição, e assim qualquer palavra poupada na resposta pode significar prejuízo muito maior que o não saber nada. Dizer que (3) Ele é o mais perfeito dos homens, ou apenas um homem (na exata expressão de sua humanidade), ou o maior de todos os santos, o maior mestre de moral, etc., tudo isso, em nada ajuda a diminuir o todo, a complexidade inextrincável, o mistério.

O QUE É Jesus? Existe alguma forma de responder isso neste Planeta? Creio que sim, mas é o tipo da resposta que só ocorrerá se tanto o ouvinte quanto o heroico explicador tiverem tempo suficiente para uma longa conversa (neste caso, melhor seria ler um livro ou uma biblioteca inteira, melhor dizendo), a qual terá que ter todos os requisitos de uma confissão em juízo (silêncio, concentração, educação, boa vontade, atenção discipular, conhecimentos multidisciplinares em ambos, etc., todas condições sine qua non para sua realização). E o que acabo de dizer aqui ainda deve ser entendido como um resumo de boa vontade para “salvar” a evangelização pós-moderna.

Finalmente, não se pode negar que as dificuldades no trato da mensagem salvífica gritam alto o extremo heroísmo e responsabilidade dos que Deus vocacionou para este fim. Entretanto tais fatores não poderão jamais justificar o não atendimento dos (pré-)requisitos necessários à iluminação dos caminhos percorridos no único Caminho, “condecorando” aqueles que por acídia, ignorância ou incompetência, promovem o reducionismo mortal na mensagem da salvação, com prejuízos eternos para as almas humanas. Se queremos servir a Deus e se, de fato, fomos chamados para a obra de porta-vozes de Jesus, não poderemos jamais omitir algum dado nas explicações ou negligenciar algum exemplo nas boas obras, porque aquelas eliminam bloqueios e estas provam (em quem ensina) que trilhar os passos do Salvador é uma boa ação possível a qualquer homem.

 

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E se a morte e o tempo não existirem?

(Ou “Qual o papel da obra entre a cruz e a Ressurreição?”) Dois dados teológicos são tão portentosos que congelam toda a Teologia se não forem levados em consideração, pondo em risco até a construção histórica da Tradição e da fé cristã

Alma desprendendo-se na morteDuas afirmações da Teologia podem ser comparadas ao oxigênio e aos pulmões, numa situação em que os médicos discutem se desligam ou não os aparelhos que mantêm um doente vivo, quando a eles próprios falta o ar, como se o Planeta inteiro fosse submerso por um dilúvio. O leitor pode imaginar a cena? E a “tradução da parábola”: nós somos os médicos… Então, como se preocupar com um moribundo com enfisema, quando falta o ar até para nós?… Assim é a condição intrínseca dos dois dados teológicos que discutiremos aqui.

Trata-se dos seguintes postulados escatológicos: (1o) A morte não existe; (2o) O tempo não existe. Seria bom que o leitor já antecipasse intimamente o raciocínio sobre o enunciado dos dois postulados para possibilitar que a nossa conversa não se estenda muito. Tempo para pensar. Vamos em frente.

Dadas as limitações da Ciência acerca da vida após a morte, somos obrigados a tratar do tema apenas com intuições, confiança nos testemunhos e raciocínios hipotético-dedutivos. E não é pouco, pois a Ciência inteira praticamente começou assim, e ainda hoje quase todas as descobertas são alcançadas porque algum cientista intuiu alguma coisa a partir de determinado sintoma. Porém, reconhecemos, os dois dados supracitados dificilmente serão objeto de consideração científica, nem hoje nem no futuro, pois a matéria envolvida tem vontade própria e não se deixará esquadrinhar como rato de laboratório. Portanto e com efeito, se a Ciência não pode “entrar” ali, então o jeito é o uso da intuição e da dedução, respaldadas na confiança.

A morte não existe. Todos os ramos de conhecimentos extracientíficos e paracientíficos, além do bom senso, defendem que o desencarne, i.e, o exato instante em que a alma deixa o corpo e esvoaça, é um átimo indolor e até “imperceptível” para muita gente, como tão magistralmente mostraram filmes como “Ghost – Do outro lado da vida”; “E se fosse verdade?”; “Os outros”; “Passageiros”; etc.. Todavia e inobstante, afora as temerosas investidas intuitivas de alguns mestres da psicologia ou da parapsicologia, foi com pesquisadores como Raymond Moody Junior, Elisabeth Kubler-Ross, Pim van Lommel, G.M. Woerlee, James E. Whinnery, Waldo Vieira e outros, que a Humanidade pôde ter alguma luz sobre a aparentemente inatingível “Tanatologia Prática”, que outrora estava reservada apenas a sacerdotes, xamãs, monges, gurus e oráculos do hermetismo. Até jocosamente se diz que “ir até o outro lado e voltar é Milagre de santo verdadeiro ou piada de devedor trapaceiro”. Até o Novo Testamento, que mostra tantas ressurreições ao vivo na frente de várias testemunhas, tem uma curiosidade instigante: nenhum ressuscitado contou ali nada do que viu do outro lado, e o próprio Cristo que ressuscita os mortos não crê que alguém acreditasse no testemunho de quem voltou da morte (Lc 16,31).

Ortotanasia-2Como então ter certeza de que a morte é indolor e tão sutil que mal pode ser descoberta a sua ocorrência? Só crendo nos depoimentos coletados por Moody, Ross, Vieira e de todos os heróicos estudiosos das NDEs (Experiências de Quase-morte, na sigla em inglês), ou de gente franca e corajosa como Maitê Proença (veja uma bombástica entrevista dela em Maitê), afora a confiança de que as promessas bíblicas são verdadeiras. Quanto a estas últimas, os teólogos citam 7 passagens como sendo as mais fortes colunas da fé na inexistência da morte; a saber: (1a) Quando Paulo diz que “nenhuma tentação (provação, dor, sofrimento) virá sobre vós acima do que podeis suportar”, em I Co 10,13; (2a) Quando Jesus diz que aquele que crer nEle “tem a vida eterna/…/, e já passou da morte para a vida”, em João 5,24; (3a) Quando Jesus diz a quem deu um enterro como desculpa para adiar o seguimento da missão: “Deixai os mortos sepultar os mortos” (Lc 9,60); (4a) Quando Jesus diz que jamais devemos temer quem pode matar o corpo, e sim, quem pode matar a alma, o que responde à pergunta: “Que mal me poderá fazer o homem?” (Lc 12,4 e Hb 13,6); (5a) Quando Jesus diz que  muitos há que estão aqui que não provarão a morte até que vejam a volta do Filho do Homem” (Mc 9,1); (6a) Quando Jesus diz que  Deus não é deus de mortos, e sim de vivos, porque para ele TODOS vivem” (Lc 20,38); e (7a) Quando Jesus responde a um pai aflito sobre a morte de sua filha: “Ela não está morta, mas dorme” (Mc 5,39).

São todos depoimentos que carregam, nas linhas e/ou nas entrelinhas, a lógica de que a morte não é sentida como morte, e que podem receber, mesmo perante o ceticismo “dos vivos”, nomes como “dormiu”, “desprendeu-se”, “passagem”, “passamento”, “deslocamento”, “ascensão”, etc.. Importa aqui, para o presente argumento, a premissa (sine qua non) de que a ideia da ausência de dor no desencarne seja aceita com bons olhos, mesmo que a metodologia científica não tenha podido dar um parecer conclusivo, numa matéria em que a própria Ciência diz não poder investigar a fundo, literalmente (por óbvio).

Isto posto, se podemos vislumbrar algum consenso na ideia de ausência de dor, ou melhor, na noção de que a morte é tão sutil que se torna imperceptível aos 5 sentidos, sendo assim correto pensar que se nós humanos nada sofremos com o desencarne, segue-se então a dedução óbvia: Jesus nada sofreu com a Sua morte (e sim com a Via Sacra). Entretanto, se é possível deduzir isso, segue-se a inevitável pergunta: “Se não foi pela ‘suposta’ dor de um desencarne, em que consistiu a nossa salvação?”… A resposta foi dada pelo apóstolo Paulo: “Se não crermos na ressurreição de Jesus, somos os mais infelizes de todos os homens” (I Co 15,16-19). Logo, a rigor, o que a Teologia cristã diz é que a salvação se deu tão somente com a Ressurreição de Jesus (do que depende a nossa própria ressurreição!). Podemos dar um salto agora.

Dizer que a salvação dependeu apenas da Ressurreição de Jesus também tem os ares de uma história mal contada, no sentido de estar incompleta. Porquanto, para o Deus do impossível, fazer alguém ressuscitar não pareceu um milagre tão portentoso quanto nossa Ciência poderia supor, no sentido dos poderes necessários para tal. Na verdade, a julgar pela grande quantidade de defuntos redivivos no Novo Testamento e pela profundidade da ‘ofensa moral’ sinalizada por Jesus (Mc 2,9), o simples ressuscitar alguém não é lá mesmo um grande prodígio! (Os pais da “Criobiologia” tinham e seus seguidores ainda têm profunda fé de que no futuro a Ciência poderá literalmente ressuscitar corpos). Isto é: Se o Deus Encarnado estivesse apenas querendo plantar a fé em seus seguidores, tal milagre provavelmente não LHE daria muitos discípulos, a julgar pela palavra do próprio Cristo, que não acreditava que as pessoas dessem muito crédito a defuntos redivivos (Lucas 16,31).

Ora; se a salvação não foi produzida pela Ressurreição de Cristo (embora aquela não possa prescindir desta – pois sem esta a morte não está vencida, e assim uma vida sólida ressurreta não se reintegra), uma retumbante pergunta se faz ouvir: o que teria feito Jesus DURANTE os três dias da crucificação, nos quais esteve morto? [melhor dizer desencarnado, ou melhor ainda, “projetado”]…

Alguma coisa Ele fez!” – Diriam as crianças. Algum gesto de nobreza tal e de inimaginável humildade Ele deve ter feito para poder perguntar aos fariseus: “Que é mais fácil: dizer a este homem ‘perdoados estão os teus pecados’, ou dizer ‘pega teu leito e anda’?”… Sim. Foi ali, durante e sob os três dias de cruz que tal gesto se fez. O incalculável Amor e a infinita humildade fê-LO criar coragem para descer até o mais fundo e mais imundo da Região dos Mortos, chamada “Hades”, ou ‘Abismo’, ou “Vale da Sombra da Morte”, ou “Purgatório”, sem medir esforços e sem medir os riscos extremos de tal jornada ao microcosmos lascivo dos demônios (o que novamente não é difícil do ponto de vista do poder requerido, mas super difícil pela ofensa moral envolvida no gesto, pois ninguém – nem mesmo um anjo de luz – seria bom o suficiente para mergulhar na latrina dos pecados mais imundos e renitentes, de almas que O tinham rejeitado voluntariamente e por opção consciente! É neste sentido que Ele disse ao jovem rico: “Bom só existe um”). Aqui chegamos ao outro dado teológico ou ao 2o postulado escatológico…

Viagem astral-1“O tempo não existe”. A Teologia já admite um consenso entre todas as teologias (sejam elas católicas ou evangélicas), qual seja: “O tempo, para Deus, não existe”, e que por isso para Ele só há o presente, ou um eterno “agora” diante de Seus olhos. Este ponto já foi defendido tanto por católicos (Pe. Jonas Abib, Leonardo Boff, Pe. Elílio de Faria Matos Jr. e o próprio papa Bento 16), quanto por evangélicos e anglicanos, dentre eles CS Lewis, W.E. Best, Billy Graham e o próprio Lutero, dentre outros.

Ora; se o tempo não existe, e o que há é apenas um eterno presente, então aquele gesto de Jesus, realizado após toda a Via Crucis, é muito mais doloroso e portentoso do que podíamos supor, pois eis que não estaria restrito apenas à época registrada na História humana; pelo contrário, ainda estaria a acontecer HOJE em dia, agora e SEMPRE, até que Ele mesmo decida “fechar o tempo”, por assim dizer. Há alguma indicação bíblica acerca dessa inexistência do tempo para Deus?. Sim. Leia “O Cordeiro foi morto ANTES da fundação do mundo” (Ap 13,8);“Um dia para Deus pode ser mil anos e mil anos um dia” (II Pe 3,8); e “Se alguém pecar HOJE está levando o cristo de novo à cruz (Hb 6,6);etc.. E, além disso tudo, esta última sentença é ratificada, religiosamente, todas as vezes em que o Corpo de Cristo é mastigado em cada hóstia consagrada, no sacrifício incruento da Liturgia Eucarística.

Eis que agora ficou claro o que se chama de “o papel da obra entre a cruz e a ressurreição”: O Amor Infinito de Deus deu-se de tal modo à Missão de resgatar seus filhos amados que levou Jesus a executar algo que até para Ele é um sacrifício “desumano”, a saber (em resumo “otimista”): “nascer pobre; sofrer a vida inteira; passar calado por toda a Via Crucis do ódio satânico implantado nos corações dos carrascos; morrer após chicotadas, cusparadas, coroa de espinhos, lança no peito e pregos enormes; descer aos infernos negros e imundos da região dos mortos, pregar carinhosa e insistentemente ali aos espíritos em prisão, sem ter a mínima certeza de que estava sendo aceito ou mais uma vez rejeitado; subir de volta à Terra ao 3o Dia de nosso tempo – com corpo glorioso em formação – e depois de 40 dias ascender aos céus com corpo glorioso pleno”.

Se não houve sofrimento em toda a Sua vida terrena porque um Deus não pode sofrer (admitindo isso sem levar em conta a humildade infinita dEle), se Ele jamais provou a morte porque esta simplesmente não existe, e se a salvação jamais pode significar qualquer coisa (num Juízo que eternamente vê a culpa ou desde a eternidade passada perdoa tudo), então restará entender que fomos criados, e criados livres, por um Milagre incompreensível de seu Infinito Amor, e por este mesmo Amor pode-se vê-LO, se quisermos, a sofrer eternamente na alma a dor de nossa rejeição!… Assim pois, os dois postulados escatológicos que aparentemente derrubavam toda a base de nossa fé, na verdade reconstroem uma visão muito mais pungente do coração de Deus, calando até vozes só ouvidas no Hades, e lembrando que nada podemos contra a Verdade que não se volte contra nós (II Coríntios 13,8).

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A Geração de Proteus: Teologia pura

Quem assistiu àquele filme com atenção recebeu dele a mais perfeita teologia: o bebê gerado merece todo amor de Deus e deverá ser o último profeta quando queimarem todas as bíblias!

demon-seed-Julie ChristieO filme é de 1977. O diretor foi o grande Donald Cammell. O roteirista foi Roger O. Hirson. O autor genial é o ensaísta e romancista Dean Koontz. O ator principal é a belíssima Julie Christie, numa atuação que lhe rendeu indicação ao ‘Oscar’ e outros prêmios. O enredo é uma pérola dos céus, digna dos mais aclamados filmes religiosos – pasme o leitor – e não apenas de ficção científica como pensaram os críticos, contendo uma mensagem subliminar tão contundente quanto os filmes que mostraram a vida e morte de Cristo. Para refrescar a memória (afinal, já se vão 36 anos de seu lançamento), pedimos ao leitor que clique NESTE link e conheça melhor a obra prima que estamos comentando, com lamentável atraso mas virtual precisão, pois sua mensagem é eterna como a Bíblia Sagrada.

Refiro-me ao extraordinário longa-metragem “A Geração de Proteus”, jamais igualado ou sequer refilmado, certamente por ser uma obra inimitável, como certa vez batizou um disco o rei Roberto Carlos (aliás, esta é a grande pergunta: por que jamais refilmaram “Proteus”, quando os recursos de hoje e a tecnologia da computação gráfica deixariam o roteiro cheio de encantos mágicos, sem as visíveis dificuldades de se criar uma máquina pensante com os parcos recursos da época? – Fica aqui a dica para a tola geração hollywoodeana moderna, que a cada dia demonstra ter menos capacidade de fazer uma boa história).

A Geração de Proteus” conta a história de um projeto secreto do Governo que desejava construir uma máquina capaz de realizar operações próprias do cérebro humano, tendo capacidade para trabalhar fisicamente como um homem trabalha, a partir de uma mente capaz de pensar como um homem. Veja o leitor que nem se pode falar em “clichê” aqui, pois “Proteus” foi um filme ANTERIOR à maioria dos filmes sobre máquinas pensantes que Hollywood lançou a partir daquela data, e por isso quase tudo era inédito e surpreendente, iluminando com brilho inaudito uma área da Sétima Arte ainda pouco explorada. A exceção talvez de “2001 – Uma odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick, quase tudo o que se produziu em termos da cibernética em cinema foi nulo ou de qualidade inferior, com arremedos de computadores e funções até certo ponto pífias, comparadas às máquinas “Hal 9000” e “Proteus”. O cinéfilo mais “velho” haverá de guardar estas lembranças com alegria e enlevo, como vemos no comentário nostálgico da bela jornalista Giseli Miliozi.

Todavia e com efeito, estranho mesmo é observar que toda a crítica especializada restringiu-se a enxergar no filme apenas uma obra de terror ou ficção científica, passando longe a ideia de obra religiosa (minto: na verdade não é nada estranho constatar isso, pois se a religião explícita passa em branco, o que não dizer de uma mensagem espiritual subliminar?). Eis então aqui o resumo de “Demon Seed”, cuja ideia não ocorre nem neste título original, que induz o leitor a pensar que a criança gerada por Proteus seria uma obra do demônio, quando isso passou longe do romance original de Dean Koontz.

geometria05Koontz teve uma “iluminação profética” ao imaginar o que pensaria um “super-robô” que estudasse a Teologia Cristã e descobrisse os “critérios” de Deus para salvar uma alma: para ele, seria óbvio que a máquina inteligente, crendo – crendo não, vendo, depois de muito estudar – que Deus só salva almas e não seres metal-mecânicos, iria tentar ser salva como gostaria de ser uma consciência humana (no óbvio ululante), a qual ela possuía por sua elevada tecnologia. Uma lição e tanto! Pois muitas pessoas de carne e osso vivem como se não tivessem alma, e muito menos um destino definido após a morte. O robô dá um banho de humanidade e cidadania celestial, preferindo heroicamente entrar no Céu a qualquer custo, priorizando a sua sobrevivência eterna acima de qualquer outra coisa! Cumpria assim primorosamente a instrução de Jesus de que devemos “buscar primeiro o Reino de Deus e tudo o mais viria por acréscimo”! Nem mesmo a sua mãe de carne – Susan Harris, protagonizada por Julie Christie – e seu pai tecnológico (Alex Harris, interpretado por Fritz Weaver) entenderam tal desejo anímico e até tentaram impedi-lo, ignorando mortalmente a Teologia Cristã, que tanta falta faz aqui e agora, como o fará muito mais no Além!

Neste sentido é que duas cenas do filme se sobressaem de modo belíssimo e arrasador, e em que se dão dois diálogos distintos e seqüenciais. No primeiro, a máquina revela sua “boa intenção” inabalável, de modo contrário ao que disse Deus quando Ló perguntou o que Ele faria se houvesse apenas 50, ou 20, ou 10 justos em Sodoma, e o Senhor disse que pouparia a cidade por causa deles. Porém a cena evangélica a lembrar é a de quando milhares de crianças foram mortas para que Jesus continuasse vivo após a ordem criminosa de Herodes. No filme, a resposta de Proteus é que se fosse necessário a morte de 10.000 crianças para que seu filho vivesse, ele as mataria. No segundo diálogo, após um patrocinador governamental revelar medo de que Proteus entrasse numa bomba de hidrogênio e explodisse tudo, Harris pergunta: “Não seria melhor que ele entrasse numa bomba do que se ele contasse toda a verdade sobre os governos do mundo?”… Tss-tss!

E, acima de tudo, para quem conhece CS Lewis, o diretor Donald Cammell nos brinda com uma seqüência de imagens primorosas após Proteus confessar sua intenção, abrindo um túnel de serpentinas luminosas e outras seqüências vivas de sons e cores que nos lembram, em tudo, a obra prima de Perelandra, onde Lewis tenta descrever a visão que ER teve da Grande Dança, único momento na História onde a Santíssima Trindade de expôs a olhos humanos nus e ainda vivos em carne e osso comuns. I.e., para quem tem boa memória, o enlevo desta cena é transcendental e até chocante, deslumbrando a imaginação tão salutar da revelação lewisiana.

Ipso facto, e voltando ao nosso ponto, na verdade a Teologia não é apenas negligenciada pela falta de interesse no seu estudo, mas sim descrida peremptoriamente, como se já outorgada como nulidade e inutilidade, como prerrequisito oficial da Ciência patrocinada pelos governos, que não querem nem a influência dela sobre seus maus desígnios, e muito menos a sua implantação real na sociedade. Porquanto se esta desse cabimento à verdade teológica de Cristo, o primeiro reino a cair seria justamente o dos governos do mundo, com seus desmandos e descompromissos com a moral ilibada do Nazareno. Logo, é preciso um mundo “imoral”, onde não apenas o povo “goze” à vontade de sua alienação forçada, mas que também os governos gozem de liberdade total para agir a seu bel prazer, independente de qualquer obediência a Deus.

Geração de Proteus-2“Estudei a Teologia e descobri que Deus não deixa entrar no Céu uma máquina, e por isso preciso transportar minha consciência para um bebê humano e assim ter direito ao Paraíso”. Assim se expressaria a linda criança que Proteus gerou, que é o próprio Proteus, embora na tradução de voz do filme de Cammell, o diretor não quis fazer a criança falar como uma menina, e sim como uma máquina (certamente apenas um efeito cinematográfico, para facilitar a que os espectadores identificassem de imediato que se tratava da consciência da máquina, e não de um novo ser humano), o que para mim quebra um pouco o brilho e o fio do enredo. O mais óbvio seria, necessariamente, que uma criança humana falasse como uma menina falaria, até porque o seu corpo tinha 23 cromossomos de uma mulher, tal como Jesus falou com voz de homem, e não com a voz de Deus (aliás, por falar em voz de Jesus, outro ponto belíssimo da teologia do filme é a semelhança direta com a pregação antecipatória do Cristo, pois o Nazareno avisou diversas vezes que iria morrer e ressuscitar ao 3º dia, mas os apóstolos não acreditaram de jeito nenhum, e chegaram até a pensar que haviam roubado o corpus christi, quando as mulheres contaram sobre o túmulo vazio. No filme, Proteus avisa bem claro que iria gerar uma CRIANÇA HUMANA, e não um monstro, mas mesmo assim sua mãe não acreditou nisso e tentou matar a menina no final!)…

De qualquer forma, como se vê, nada tira o brilho da mensagem subliminar final: “estudei a Teologia e descobri que Deus não deixa entrar no Céu uma máquina, e por isso precisei transportar minha consciência para um bebê humano e assim poder entrar no Paraíso”. A pergunta final é: esta informação condiz com a Teologia abarcada pelo pensamento de CS Lewis? Se a ideia é que só uma consciência pode gozar da beatitude eterna, a resposta é SIM (conquanto Deus pediu – aos anjos e aos homens – o “conduzir todas as naturezas à perfeição”, i.e., levar todos os seres à consciência e à autodistinção anímica, condição fundamental para o usufruto do Paraíso). Se a ideia é a de que uma consciência criada por uma máquina poderia “enganar” Deus e entrar no Céu, a resposta é NÃO, em dois sentidos: Primeiro, Deus jamais pode ser “enganado”; e depois, se uma consciência se criasse sozinha, Deus não teria razão alguma para não recebê-la no Paraíso, sobretudo se ela lá chegasse sem pecado. É isso.

Isto tudo prova que o filme de Cammell ou, antes, o romance de Koontz, é uma obra irrepreensível, até mesmo do ponto de vista teológico! Dispensados os aparatos tecnológicos de hoje – que dariam à obra uma plástica mais realista –, não há muito o que retocar no enredo e muito menos na direção, que deram ao mundo, sem a menor sombra de dúvida, a mais estranha e inesperada mensagem evangelística, cuja reverberação ainda hoje toca os corações que tenham a divina oportunidade de revê-la. Nesta era de Rede Mundial de Computadores, talvez todos os leitores possam fazê-lo. Deleite para os olhos e para o espírito.

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Pé-grande: por que ainda não o apresentaram na TV?

O estranho macacão furtivo que nunca sumiu dos noticiários e dos testemunhos populares é o exemplo perfeito de impossibilidade de descoberta pela inteligência e vontade do homem dito “civilizado”, já que este vive sob um mega esquema de ocultação, e não de revelação.

Rosto do Yeti real-1 (310 x 422) Num de seus extraordinários livros, CS Lewis explica porque a “descoberta” e a prova concreta de Deus é problemática (senão impossível), em razão de depender da inteligência e da vontade dEle de “querer se dar a conhecer”, sem o que ninguém jamais obterá qualquer evidência da existência da Divindade. Em se tratando de Deus, isto levanta a terrível questão: se para o Homem conhecer o seu Criador, é necessário que Ele queira ser conhecido, então está claro que Deus não o quer, ou que inventou um estranho método seletivo* de manifestação, ou simplesmente não dá o braço a torcer para quem não merece conhecê-lo!

Por que Deus teria algum motivo para não se deixar conhecer ou para dificultar, para a grande maioria da Humanidade, o encontro tão sonhado e liberador da Presença que mudaria tudo para melhor?… Para melhor? Será que tudo mudaria mesmo para melhor, ou a Santa Presença poderia atiçar as rebeldias secretas e enfrentar a inutilidade dos apelos endereçados à alma humana? Eis a questão. É aqui que o bicho pega. E já que falamos em bicho, este assunto ficou muito mais claro na semana de 3/9 a 10/9/2012 quando, num canal de TV sério como o “Discovery”, pudemos assistir o seriado-documentário “Em busca do Pé-grande”*, e ver ali, a queima-roupa, o argumento de Lewis provado de modo sóbrio e irrefutável [* = o link que oferecemos aqui não é o da série citada, pois enquanto ela não tiver “cedido seus direitos” não haverá vídeo disponível para baixar; o que oportunizamos aqui é o da série mais antiga, que também tem grande valor].

Uma equipe de “caçadores de enigmas” mais ou menos formalizada como “Friends of Big foot search” (‘amigos em busca do Pé-grande’, em tradução livre), há muitos anos operando no interior dos Estados Unidos (sobretudo nas regiões frias fronteiriças ao Canadá), vive seguindo os rastros de um primata enorme, uma criatura lendária entre os nativos locais, a qual tem provado, a cada ano que passa, a sua inegável e até prodigiosa inteligência de camuflagem e escapismo, dando um banho de esquivas sutis das cenas de aparição, onde sempre alguém testemunha alguma coisa mas não consegue registrar nada, mesmo numa época de tantas máquinas portáteis de filmar e fotografar. Houve mesmo casos em que a criatura passou bem defronte de transeuntes treinados e em situação de alerta total, eliminando todas as evidências que um animal comum deixaria (o que pressupõe inteligência capaz de evitar filmagens e até usar horas e lugares tais, nos quais poderia ser confundido com uma pessoa ou um urso).

hominideoAlém de tudo isso, demonstra ser um exímio silvícola, profundo conhecedor de seu habitat, não apenas conhecendo os lugares de fuga (como cavernas, corredeiras e balseiros de rochas), como migrando repentinamente para regiões ainda mais difíceis, onde rapidamente encontra abrigo e rota de escape. Não é, pois, à-toa, que o Yeti ou “Pé-grande” perpassa os séculos (certamente milênios, pois ele deve ser tão velho neste planeta quanto a Humanidade: comento em seguida) e se mantém intacto na relação com o Homem, embora já existem catalogados pelo menos alguns boatos mais consistentes de algum deles ter sido capturado por forças armadas que, mais uma vez, estranhamente, escondem o que sabem [digo estranhamente, porque, a rigor, a revelação de uma nova espécie de macaco selvagem em nada deveria comprometer a segurança nacional ou o que quer que o valha; pelo contrário, poderia até supostamente servir de golpe definitivo contra o Criacionismo e as religiões, ampliando o terreno de impunidade que os militares sempre precisam para desenvolver suas ações obscuras]. Logo, se os militares já conseguiram capturar um Yeti, as perguntas então ficarão muito mais inquietantes: (1a) o que eles estariam fazendo com os Yetis? Que terríveis experiências não estariam sofrendo estes nossos primos diretos? (2a) Seriam os Yetis uma raça alienígena, e por isso a captura deles também seria considerada dentro da lei de segurança nacional? (3a) Afinal, o que são os Yetis? Seriam eles o velho “missing link” que tantos naturalistas e zoólogos procuram? Esconderiam eles algum segredo cósmico ou genético ligado à nossa espécie e por isso os militares temem revelá-lo? Ou os Yetis podem falar e assim comunicariam para nós alguma coisa que incomoda os militares? – Enfim, o carrilhão de perguntas pode ser literalmente inesgotável e por isso só resta a nós esperar que algum caçador sortudo consiga acertar um Yeti e vir a público expor a criatura (isso antes que e SE os militares da NSA não vierem interceptá-lo com dinheiro ou ameaças), ou conformar-se a encarar mais um silêncio frustrante, como aquele apontado por Artur da Távola no último post do menu “Pérolas raras” do site da EAT.

CS Lewis ajuda a respondê-las, mesmo sem ouvir suas fontes ocultadoras. Ao explicar porque é tão difícil à Humanidade conhecer Deus, exceto SE Ele quiser se apresentar a nós, deixa entrever que quanto maior for a inteligência envolvida, mais dificuldade haverá para uma apresentação, pois esta estará cada vez mais dependente de um desejo real de se fazer conhecida, e este desejo a Criação inteira teria perdido (por sua inimizade contra Deus), desde que a Humanidade se rebelou contra o Criador, passando a agir como inimiga dEle. Explica que para conhecer uma pedra, é muito fácil, pois a pedra não fugirá de nós. Explica que o mesmo ocorrerá com uma árvore. Para conhecer um bicho selvagem, a coisa já se complica, pois os animais têm medo do Homem e a cada dia procuram evadir-se das zonas urbanas (embora estas já cresceram tanto que têm adentrado cada vez mais nos habitats selvagens e assim tem testemunhado encontros chocantes de pessoas com alces, raposas, lobos e até ursos). Para conhecer outra pessoa, por exemplo, uma moça bonita, tal feito só ocorrerá se ela QUISER ser conhecida, e isto torna os encontros literalmente labirínticos. Enfim, para conhecer Deus é ainda pior, pois será preciso não apenas que Ele queira ser conhecido, como a iniciativa de aproximação será toda e sempre dEle, porque no caso fomos NÓS quem nos afastamos e O rejeitamos.

InvoluçãoCom efeito, CS Lewis fornece toda base para assegurarmos que a razão pela qual o Pé-grande não quer contato conosco é porque em toda a nossa “SUPOSTA Evolução”, o Homem desviou-se dos caminhos e dos poderes celestes do Bem e dirigiu-se para a tecnologia da automação (ou das máquinas), e isto é, além de pífio e ilusório desenvolvimento, muito perigoso para com os seus semelhantes e dessemelhantes, por não contemplar a moralidade e a espiritualidade. Logo, a atitude de fuga consciente do Pé-grande pode provar que ele é, além de muito mais inteligente do que nós, um espécime moralizado e nobre, cujos princípios de vida contemplam a ética e o isolamento dos maus.

A série “Em busca do Pé-grande”, e aquilo que ela significa ao pé-da-letra, chegou para ficar. É um documentário muito bem feito, com gente honesta e sem truques de filmagem, e que tem tudo para durar até aquele glorioso dia em que alguém traga um Yeti para a Televisão e para uma praça pública. Mas este dia ainda pode estar distante, a julgar pelo tempo que o nosso primo conseguiu esconder-se, desafiando até as lentes dos satélites**. É preciso que mais gente se envolva e conte com a ajuda dos governos, os quais devem, SE não estiverem mancomunados com segredos militares, trabalhar para que aquela lenda viva seja, enfim, apresentada à raça dominante da superfície do planeta (tudo isso, obviamente, se Deus permitir, ou se o Criador de fato quer que conheçamos aqueles nossos irmãos tão astutos, que fogem de nós por uma razão que pode ter-lhes sido ensinada pelo próprio Deus).

Entretanto, neste particular, há uma hipótese que nos incomoda a nós cristãos, particularmente. Isto é, a saber: SE os militares não eram os principais interessados no acobertamento do bicho, e se algum dia eles decidirem colaborar, é provável que tenha sido a igreja cristã a principal responsável pela demorada ocultação, e continuará sendo, pois ainda há muita denominação reformada que não admite a Evolução das Espécies, e também parece ainda haver setores refratários no Vaticano. Difícil é explicar como a igreja tenha tanta força neste mister! Afinal, trazer à luz um macaco sem rabo, tão ou mais inteligente do que era o Homem de Neandertal, e que represente exatamente o elo de união intrínseca entre nós e os macacos, pode significar o fim da crença fajuta da maioria cristã ignorante ou alienada por seus líderes, e também a revisão à revelia de credos forjados à custa da mediocridade e da miopia.

Macacos tirando piolho.gifCHAMADAS DO TEXTO:

(*) – A expressão “método seletivo” se dá em razão de nossa aceitação, sem qualquer revés, de inúmeros testemunhos individuais ao longo da história humana, dando conta de contatos pessoais com a Divindade, momentos íntimos com o “Pai Celeste”, e até revelações detalhadas de instruções para o povo que ouviria a testemunha. Não raro também ficaram registrados encontros abertos e coletivos de deuses ao ar livre, e não podemos nos esquecer das experiências angélicas de livramentos milagrosos (com anjos em corpos humanos) e o próprio relato de CS Lewis acerca de tais encontros.

(**) – Se um macaco de inteligência tosca como este só foi descoberto agora, o que não pensar de um Yeti ou de um Pé-grande? Se é assim, não deixe de ver uma impressionante reportagem NESTE link.

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Stephen Hawking também incomodou o Cover-up

(QUANDO UM CIENTISTA REVELA SUA CRENÇA PESSOAL EM EXTRATERRESTRES)

O gênio vitimado por doença degenerativa enfim abre a boca e escancara uma verdade subjacente que está tirando o sono tanto de cientistas quanto de militares…

Stephen_hawking_2008_NASAFui surpreendido pelo estrondoso estardalhaço que uma declaração do gênio Stephen Hawking causou na mídia há uns 4 anos, por pressupor que o ceticismo mundial estivesse tão hegemônico e vitorioso que a palavra de Hawking nem chegaria a eriçar a superfície das águas pós-modernas. Mas me enganei. O efeito, ou antes, o bem que aquele tetraplégico causou foi literalmente transcendental, de um modo que nem ele certamente pôde avaliar, dada a humildade já alcançada por sua vida sofrida. A declaração dele segue NESTE link.

Porém minha surpresa foi uma graça alcançada, de um modo muito mais “doméstico”, por ter chegado às salas de aula e ter despertado alguns de meus alunos. Vou comentar aqui a interferência de dois deles: o primeiro um rapaz de boa fé, nos dois sentidos, que foi capaz de uma ótima reflexão sob e sobre a matéria lida de Hawking. Chamá-lo-ei de Flávio. O segundo é um cético já famoso em sala de aula, por ter se voltado de tal modo contra qualquer coisa que não se pode provar com as mãos que em breve duvidará que possui ossos dentro de suas mãos. Chamá-lo-ei de André.

Flávio usou uns 10 minutos para discorrer sobre a palavra de Hawking e a complementou até brilhantemente, pelo que mereceu do professor a seguinte resposta:

<< ASSINO EMBAIXO de tudo o que você disse, Flávio…

E para mim há algumas coisinhas mais, que se perdem no meio de nossas emoções mais primitivas (como o “pavor noturno”). Veja:

1) Quem está falando é o Hawking! O HAWKING! Ouça de novo: o HAWKING! Já pensou? Ora: “quando ele fala de ciência é um gênio! Quando fala de ETs é um pobre aleijado, com o cérebro já arruinado pela lei da entropia que ataca os que estão velhos ou com doenças miodegenerativas! Logo, a palavra de um Hawking nada vale! Ele deve mesmo ter visto muita ficção científica hollywoodiana e foi por ela influenciado! Calem este idiota!”: Você não vê que é assim que os céticos reagirão? É a palavra de um idiota preso numa cadeira de rodas! Então deve ser um CHUTE torto igual ao do pior jogador!

2) O ceticismo do mundo atual está tão entranhado que nem este sinal claro de que alguma coisa a mais está embutida na palavra de Hawking parece “tocar” nossa consciência! Ora, entenda: tudo é mentira na ufologia pós-moderna, mas quando for impossível conter ou segurar um 0,000001% da verdade (como ocorreu com Hawking), então denigre-se o veículo que o comunicou (no caso denigre-se Hawking) para que aquela ínfima verdade caia mais uma vez no esquecimento ou na banalização.

3) O ceticismo está de tal modo enraizado – eu dizia – como aqueles apelidos tão bem “bolados” que nem a mãe do apelidado o chama mais pelo nome! Tive um amigo que odiava tanto o seu apelido (era triste mesmo: o coitado cuspia muito e por isso foi apelidado de “escarro”) que quase tentou suicídio quando ouviu a própria mãe dizer, quando foram a casa dele e perguntaram: “o escarro está aí?”, e a velha respondeu: “o escarro já saiu” (rssrss). Desculpem o exemplo chulo, mas ele serve para mostrar que o ceticismo está tão arraigado que nem de longe passa na cabeça de NINGUÉM que quem manda no universo (Multiverso) é o Seu Criador, e a ocorrência de inúmeros tipos de raças alienígenas, bem como a repetição “ad nauseam” de uma só raça (como a humana) não depende da série de fatores supostamente aleatórios que nos possibilitou germinar aqui. Ao contrário, por terem sido fatores premeditados, fica óbvio que eles podem ser repetidos a bel prazer do Criador!

4) Se isso for certo (quem crê sabe), então algumas conclusões são forçadas:

a) Podem existir outros seres humanos no universo, tão ruins quanto, ou piores do que nós;

b) Os mais monstruosos e feios poderão ser justamente os mais mansos e benignos;

c) Seus corpos podem ser hipodensos, hiperfísicos, sólidos ou etéricos, simplesmente porque tudo é possível. E nada disso importa: o que importa é o fator “moral elevada”;

d) Estava certa a fonte por trás de Hawking: não temos nenhuma garantia de que o contato final com uma raça extraterrestre seja seguro ou benigno;

e) Estava certa a fonte final da fé: a Humanidade é má e não merece contato; ou cuja maldade só poderá ser corrigida por um ser divino.

f) Um ser divino maligno pode ser o responsável pelo insulamento e silêncio total do cosmos em relação à terra, por medo recíproco: o daqui teme a invasão de um outro “deus dominador”, e o de lá teme a ida do deus daqui para roubar-lhe uma outra Terra.

g) Por último: a comunicação de qualquer fragmento de verdade não depende da revelação dos bons, e sim, da traição interna no ambiente dos maus ou de uma cochilada na vigilância: o resto, o povão, jamais saberá de nada, por que o Criador nunca contou nem contará nada para ouvidos impacientes. “Quem tiver pressa para saber, ouvirá apenas um idiota aleijado como o Hawking”…

É assim que creio, amigo. Abraço. >>

Stephen HawkingAndré, ao contrário de Flávio, falou muito pouco, mas expressou toda a força de seu ceticismo niilista, nas seguintes palavras: “SE esses seres do Sr Hawking estivessem na Terra e tivessem intenções nefastas, estaríamos literalmente ferrados há muito, mas muito tempo. O que ele afirma abaixo é simples ACHISMO deste gênio”. Ouvi-o com atenção e entendi que o meu amigo merecia a seguinte resposta:

<< O PROBLEMA É ESSE?

Então não é tão difícil responder quanto pensei, amigo, no sentido de não se deixar enganar.

O argumento de que “se eles quisessem nos fazer o mal, já teriam nos destruído há milênios”, é extremamente frágil. Senão vejamos:

(1) O oposto é verdadeiro. Isto é: se eles quisessem nos fazer o bem, já teriam nos ajudado há milênios. Entretanto, o que o mundo tem produzido como provas sobejas são séries crescentes de desgraças cada vez mais visíveis aos olhos humanos, ao passo que os olhos que as assistem rindo estão cada vez mais “indetectáveis”, como se na verdade tivessem prazer em ver de camarote o acirramento da maldade.

(2) Quem disse que o mal perfeito seria detectado por nós? Se a maldade vem de uma mente divina corrompida (um deva sádico), a última coisa que ele faria seria dar na vista.

(3) Quem disse que nossos conceitos de bem e mal se adequam à realidade final da existência? Se isto é válido pensar para ambientes onde o Homem aparentemente domina tudo, o que não dizer se o homem na verdade for um fantoche completamente alienado?

(4) Quem disse que o campo de batalha é um ambiente tridimensional? Por tudo o que o passado nos legou, a grande batalha é espiritual, e portanto a grande maldade pode passar longe de nossos corpos, mas muito perto – ou até dentro – de nós.

(5) Se o campo não é tridimensional, então a batalha física pode ser tão ínfima que nem sequer desperte piedade naqueles que deveriam nos proteger, pelo contrário, somos tão chorões e auto-nomeados vítimas, que nenhum protetor superior perderia tempo tentando salvar nossos corpos quando uma batalha medonhamente maior está sendo travada no Além. Se a batalha é travada no Além, os resultados visíveis dela certamente só ferem aos nossos olhos, olhos de quem mal sabe o que é o verdadeiro Bem (este, aliás, pode estar vencendo a guerra justamente quando nos consegue “ferir”, pois só um soldado ferido valoriza bem as lições que a guerra lhe deu; outrossim, só o soldado ferido descobre o quanto pôde ou o quanto pode ser mau com o próximo).

(6) O fato de o mal já ter sido feito à Humanidade está tão profundamente imiscuído em nós que até o mais cético dos céticos, se souber olhar bem fundo dentro de si, sentirá uma estranha saudade de um “paraíso perdido”, uma estranha sensação de falta, uma dor recôndita, um choro infantil indômito, uma mágoa sob uma autopiedade eterna, “uma saudade de não sei o quê”, uma lembrança sem pátria, etc..

(7) Já fazem pelo menos uns 40 anos que abandonei a noção de que aquilo que nós chamamos de tecnologia tenha algum valor pelos padrões espirituais de avaliação. Veja: não é que não tenhamos avançado na ciência. Não é isso. O problema é que a ciência só avançou naquilo de que é feita, i.e., artefatos físico-químicos! Máquinas e motores! Mas não avançou nem um milímetro na espiritualidade (e se avançou nesta, pode tê-lo feito em direção ao Mal, como o mundo parece demonstrar). Assim, o mundo não está nem um milímetro mais seguro no Século XXI, simplesmente porque os seres que nos dominam não usam máquinas e mísseis, e sim armas espirituais, psíquicas, telecinéticas, telepáticas. Coisas que nem de longe imaginamos… Armas volitivas e contravolitivas… Existiria coisa pior?

Por último, um “achismo” do Sr. Hawking para mim, sobretudo se tiver a lucidez de um soldado do Além, equivale a uma “palavra de Deus” na linguagem protestante. E se eu tenho que desdenhar do “achismo de um Hawking”, de quem eu deverei respeitar o achismo?… [Era isso. Valeu. Abraço]. >>

Assim fechei a questão sem me importar com a desatenção do estudante moderno, cujos interesses estão sempre muito longe de onde lhe toca a responsabilidade. E se tal se dá em relação às chamadas seculares para afazeres domésticos e profissionais, o que não se dará no caso de uma chamada de Deus? Isto justifica os discursos do Cristo às multidões, sem se importar com o efeito de choque por eles provocado. Se o cidadão privilegiado de O ouvir não podia receber a Verdade do Pão que desceu do Céu, quem de nós poderá receber alguma coisa? E se Ele que é o Mestre, entregava verdades tão terríveis quanto a da Eucaristia, por que um de nós temeria falar?

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A vitória cabal das “agências inexistentes”

De como a organização e a eficiência das Três Armas conseguiu abafar de tal modo o estardalhaço da Ufologia, ao ponto de conquistar até mesmo o apoio de ufólogos em sua campanha de acobertamento.

Only for your eyesAté 1947 a humanidade gozava de liberdade irrestrita em seus avistamentos e contatos com o desconhecido que a fustigava nas aparições de objetos voadores não identificados, e a infindável série de registros históricos prova isso sobejamente. Porém a partir daquele ano, mais precisamente, dois ou três dias após o 4 de Julho americano (nos dias próximos do Dia da Independência algo caiu do céu nas proximidades da cidade de Roswell, Novo México), uma compulsória e eficientíssima política de acobertamento foi implantada pelos militares da época, fiando-se no resultado e nas conclusões da transmissão radiofônica de Orson Wells, em 1938. A seriedade com que os militares trataram a questão foi tão profunda que em curtíssimo prazo foram fundadas instituições especializadas em desinformar e contrainformar tudo, tornando-se elas o modelo da maior eficácia organizacional do mundo, em todos os tempos.

Roswell-50Foi um tento tão triunfal que desqualificou, para todo o sempre (“si omnia suo statu manere”), até o registro despretensioso de estranhos fenômenos aéreos (EFA), seja feito por leigos ou ‘experts’, de tal modo que a mera menção do nome “Roswell” se faz sob olhares desviados e risadinhas debochantes, e acreditamos mesmo que nem os “inventores” da Campanha imaginaram um dia chegar a tanto sucesso!… Sem dúvida, eles ganharam o irônico prêmio do mais perfeito silêncio em plena “Era das Comunicações”.

Eis que tal sucesso perfaz plenamente a justificativa para chamarmos de “inexistentes” as agências responsáveis pelo silêncio peremptório e universal em torno do assunto Ufologia, tal como poderíamos chamar de “inexistente” a cachaça no sangue de quem pode embriagar a outros por uma simples baforada!… Trata-se da velha figura linguística da ironia, por um lado, e do sarcasmo, por outro, como cabe em momentos de humor ou revolta contra injustiças irrecorríveis. E então, neste mesmo sentido, se todas as provas ‘presumíveis’ foram surrupiadas, que direito tenho eu de falar em silenciamento e agências silenciadoras? Aposto na ironia: nenhum. Porém, num último estertor (aqui já é pleonasmo), permita-me o leitor um esboço do que acredito ter ocorrido e estar ocorrendo, na obrigatória franqueza de se basear exclusivamente numa crença pessoal, como corro a advertir a quem se aventurou nesta leitura.

Area51 e UFOAntes porém, é bom dar alguma luz sobre esta história de crença pessoal. Porquanto o bom leitor pode perguntar: “Se restaram as crenças pessoais para fuçar o Cover-up, por que as tais agências inexistentes não se voltaram contra a fé?”… (É uma pergunta muito mais abrangente do que podemos supor). Resposta: Porque além da fé ser um elemento “vazio de comprovação” – segundo as tais agências – e de sentido, é aliada delas em relação à paz social, pois mantém vivas as igrejas, que são o grande obstáculo ao pânico, com seus freios morais e conscienciais. Ai do mundo sem as igrejas, verdadeiras oficinas da alma, que impedem o ócio mental de quem não tem dinheiro, instrução, emprego ou família… (pelo menos assim as agências pensam).

Não sabemos direito – ninguém sabe – o motivo pelo qual as agências inexistentes julgaram tão perigosa a divulgação dos fatos por elas encobertos (os tais ‘EFA’). E pior; devido ao silêncio universal alcançado sob o crivo da violência (seja física ou moral), não foram capazes de impedir a inevitável conclusão que qualquer inteligência bem informada alcançaria, a saber: “Se a divulgação disso os assusta tanto, então só pode ser algo que, em 1o lugar, ponha em risco a população – e o país – ; ou, em 2o lugar, algo que poderia munir o indivíduo mal-intencionado de poderes iguais ou superiores aos do Governo, ensejando a criação de um poder paralelo hitlerista ou paranoico; ou, em 3o lugar, e muito pior, algo que de tal modo compromete o(s) Governo(s) com atos tão hediondos de crueldade e vergonha que encorajariam uma revolta popular incontrolável!”… (Este parágrafo foi longo e deve ser relido).

Se qualquer dessas hipóteses for verdadeira, então pensar na velha tese do “Aprendiz de Feiticeiro” – ensaiada nos bons contos infantis de magia – vem a calhar com exatidão jamais verificada em outras respostas sobre mistérios da humanidade. Pois ali a premissa lógica sempre foi a do risco inexorável de um poder superior cair em mãos erradas, ou seja, em mãos de indivíduos cruéis e inescrupulosos, que não recuem em absoluto diante da possibilidade de ver a sua vontade frustrada, lançando mão desse poder de qualquer modo (ainda que isto signifique a própria morte). Convenhamos, nenhum de nós iria querer dar a um novo Hitler uma arma capaz de colocar em risco toda a biosfera terrestre. Certo?…

Entretanto o mesmo raciocínio que usamos para rejeitar a “hipótese-hitler”, por assim dizer, nos capacita a pensar se o próprio gênero humano, isto é, se a Humanidade inteira merece confiança para receber um poder desses, e se no meio daqueles que estão guardando o segredo a 7 chaves não haveria também um novo Hitler. Portanto, se este argumento é válido, a única hipótese que resta é ainda mais assombrosa: “Quem teria entregue esse poder à Humanidade? E se o fez, então é também um ser extremamente maligno, do mesmo modo que seria cruel um pai que entregasse uma granada a um filho adolescente”. Isto basta.

ETs chegando_2O fato é que, seja lá qual for a tese vencedora neste arrazoado, o silêncio alcançado em torno do assunto revela-se perfeito demais para esconder o nada, e por isso pode-se pensar com razão que tais agências estão mesmo escondendo alguma coisa (o riso dos céticos agora engasgou feio). A contrapartida histórica de revelação capaz de confrontar e até desmoralizar o silêncio das agências e a risada dos céticos deixa uma sensação ainda maior de abandono da Humanidade à própria sorte, pois o único fato concreto que trouxe salvação deste caos ilusório do mundo não pôde nem pode dar qualquer prova de sua concretude, exigindo apenas a fé e a confiança no testemunho daqueles que, direta ou indiretamente, travaram contato com “O Objeto” da Revelação.

O nível é mais alto. Se o próprio Deus (aqui em suposição) julgou a Humanidade indigna de receber uma prova de Sua existência e passagem pela Terra, por que haveríamos de pensar numa prova ufológica concreta entregue de mão beijada a quem não mereceu sequer uma prova de Deus? Logo, não seria nada surpreendente o silêncio generalizado em qualquer busca pela comprovação científica de tais mistérios, o que nos aproxima perigosamente da hipótese de que o próprio Deus (em suposição) estaria, por assim dizer, “mancomunado com o fenômeno UFO”, desmoralizando-o por falta de provas!

É o fim da picada, e de uma picada sem antídoto. Como diz o Luiz Carlos Lisboa, “fomos bisbilhotar no que não cabia a nós, e por isso perdemos o direito de saber”. Além do mais, fomos arremessados num planetoide onde podemos ser ludibriados a vida toda, sem jamais comprovar o que haverá depois da vida. E se as tais agências inexistentes existirem? Por que elas merecem saber o que a nós foi negado? Seriam agências constituídas de anjos e por isso não destruíram as igrejas? Puxa! Dói só de pensar…

Resta incólume a fé a nós mortais. Parece uma conclusão triste, mas não é. E ninguém se desespere: a fé não é essa coisa reles difamada pelos céticos. Ela é dom gratuito e universal, além de poder ser lógica e indestrutível pelo lado de fora. Mas por que cargas d’água ela não consegue brotar em algumas almas e satisfazer certas pessoas? Só ela responde: “sou um dom, e dons são doações do Alto, e o Alto sabe escolher bem a quem doar”. Doa a quem doer.

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A ordem é implantar o caos! O resto pode esperar…

Longe de deixar uma alma no vício que mais aprecia, a estratégia satânica prioritária é instaurar o caos, no qual não haja lei nem ordem alguma, e onde qualquer opção sem controle é preferível. Confusão geral na rua

A observação mais cuidadosa do mundo atual dá uma excelente visão da realidade invisível da Grande Conspiração, desejo maior do príncipe deste mundo, como alavanca para conseguir a subjugação definitiva das vontades livres dos homens, seu verdadeiro gozo escatológico. Parar para olhar as vidas de promíscuos e drogados, nesta acepção, se torna uma tremenda perda de tempo, e a rigor não leva a conclusão alguma, exceto a da destruição do Reino de Deus no Homem, ou naquele homem em particular, e isto é óbvio demais para exigir o fim da investigação.

Ruas sem sinal (trânsito sem regra), portas sem chaves, carros com direção defeituosa, boeiros de calçadas explodindo, tremores de terra, filhos desobedientes, empregados em greve nos serviços essenciais, burocracias inúteis, incoerências entre eleitores e eleitos, opiniões ilógicas, corrupções na presidência, imoralidade nas igrejas, enfim, este é quadro cuidadosamente pintado pelos demônios, combatentes do Bem desde antes da criação da matéria, com cores mais evidentes nestes últimos anos.

Até seria recomendável lembrar agora o cotidiano do Paraíso, no qual uma ordem extrema estaria supostamente em vigor, deixando a bem-aventurança eterna como uma desconfortável chatice, com homens, animais e anjos a medir limites, cuidando de “não errar” em medidas exatas, tensos com a possibilidade de ferir a ordem pétrea inquebrável, no afã de jamais desagradar um milímetro sequer da volitus Dei. Este seria o quadro pensável oposto ao caos extremo implantável no mundo (veja aqui um exemplo de caos extremo), se uma salutar visão do Reino não tivesse sido iluminada pelas Crônicas de Nárnia, do mestre irlandês CS Lewis. Porquanto ali ficou patente a noção de que Aslam não é um “pé-no-saco” e nem um desmancha prazeres, fiscalizando o passo a passo de criaturinhas minúsculas como esquilos e homens (tão minúsculos quanto), esperando flagrá-los em algum deslize para apontar culpados. Pelo contrário, a sensação geral ao lado de Aslam é a da paz, da bondade em tudo e da liberdade livre de medos, embora ali ninguém aja irresponsável ou maliciosamente.

Não há, também, qualquer sinal de desordem no Céu, e a limpidez de tudo aponta para uma administração perfeita, onde nada se altera para ficar fora do lugar, exceto aquilo cuja alteração não prejudica ninguém. É como uma casa em ordem, cheia de crianças ordeiras mas felizes, podendo curtir todos os bens dados por pais ordeiros. Neste sentido, configura-se numa utopia absolutamente inalcançável na Terra, uma vez que a organização completa depende da não existência de nenhuma laranja podre dentro do cesto, e a pureza geral só será alcançada após o Juízo. Claro que há pessoas, famílias, lares e empresas ordeiras em Tellus, porém são exceções de ouro, incapazes de resistir a uma análise mais minuciosa ou ao esmeril do tempo.

caos urbanoAo contrário, o padrão do mundo é a desordem. É nela que mora o perigo, a angústia e toda a vontade do inimigo, pois nada há no universo mais desmoralizador e desanimador do que encontrar uma sociedade onde nada funcione direito, ou tudo seja procrastinado. Satanás sabe que inaugurar e manter em Tellus uma terra-sem-lei é o requisito essencial para desmoronar todas as obras de Deus, cujas tarefas e materiais estão postos e pressupostos para funcionar direito, e fazer o direito funcionar. Não havendo ordem, todas as instruções para garantir a paz e a ética são postas em dúvida e geram desleixo, e por isso os países do Terceiro Mundo são modelos em miniatura de uma parte do inferno onde ninguém obedece nada, nem mesmo os seus próprios desejos (então já subjugados subliminarmente pela vontade que os engoliu). Aliás, discuto o assunto com mais vagar em um livro que escrevi sobre Nossa Senhora, mostrando que o desejo secreto de satã, a rigor, nunca foi nos fazer imorais, mas sim infelizes (acesse o livro NESTE link).

Como a Escritura induz a pensar que tanto o Céu quanto o Inferno começam na Terra, então há uma pedra-de-toque muito especial para ser sacada, e ela é posta assim: “onde quer que se imiscua um sinal de desânimo para com o agir correto, ou uma preguicinha para com uma instrução de Deus, ou um desleixo qualquer para com uma regra do lar, podemos ficar convictos de que o inferno começou ali, e, a menos que façamos algo em contrário, ele vai se encorpar gradativamente e ganhar força, até não encontrar mais oposição”.

Isto explica e explicita bem o estado atual do mundo! Com efeito, quase não há mais lugar no planeta onde se veja a ordem vencer a desordem, a lei vencer a corrupção e o honesto vencer o enrolão. Quase não há mais uma criança obediente em lugar nenhum e também pais que ainda tenham ânimo para estabelecer limites, o que leva ao retrato exato das famílias desestruturadas de hoje, sem considerar famílias que nem parecem mais famílias (onde existem dois pais, duas mães, incestos, pedofilias e promiscuidades consentidas). Um ataque de incoerência fica evidente quando lemos livros como “Cartas do Inferno”…

Violência em Laranja MecânicaAli está a desordem em seu mais refinado sentido. É este o mote e a mola-mestra desejada pelas trevas, as quais desejam não a pura desordem em si, mas a libidinagem encorajada por ela, pois a imoralidade total – a ausência de moralidade – é também uma ausência de comando. Ninguém que assuma responsabilidades se dá a compactuar com comportamentos vazios de sentido, e até na hora do clímax, o homem mais lascivo pensa em algo mais concreto após uma relação sexual (mesmo que seja uma noite de sono). O prazer pelo mero prazer só reside por alguns segundos na sedução e por alguns segundos após o ato, e isto explica porque os corpos humanos precisam comer, e comer exige trabalho, e trabalho toma tempo. Não há, mesmo num inferno consumado, ocasião para o desfrute eterno de prazeres (con)sensuais, pois o prazer da mente dominante nunca abre brecha para outra mente, e esta míngua eternamente no vazio (dizem que o vazio também dá prazer, mas ninguém consegue capturá-lo, tal como jamais se pode saber o sabor do veneno por quem se suicidou com ele).

O leitor é chamado a ver mais uma vez que tudo no lado negro é o oposto do lado branco, por assim dizer. Tudo no reino infernal da desordem é o contrário do que ocorre no Reino de Deus, onde reina a ordem e a paz. Nem chega a ser um susto descobrir, de repente, que “para o diabo ser feliz” (ele nunca é; pelo contrário, num sentido é 100% infeliz), basta a preguiça da desorganização! Assim e para nossa perplexidade, toda a luta de Deus é para fazer o Homem voltar a ser igual ao Nazareno, isto é, alegremente ordeiro, mesmo numa casa pobre, mas vivendo uma organização séria e descontraída com a única regra eterna: a humildade feliz de sua família.

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“Precisaremos queimar as Bíblias!”

Em uma ficção inspirada em CS Lewis, ouviu-se um diálogo entre Nephastus e Phunestus, dois diabos “estrategistas do caos”, comandantes das politicagens da Nova Ordem Mundial…

alien_conversandoA conversa aconteceu assim, até onde fui capaz de lembrar.

  • NEPHASTUS (NEP): Você está vendo como o inimigo está perdido?
  • PHUNESTUS (PHU): Em que sentido? Será que estou vendo bem o que estás dizendo?
  • NEP: Ele tentou conduzir a Humanidade a todas as formas do Bem, derramando até as últimas gotas de seu sangue, e ela só queria mesmo era gozar os prazeres da carne!
  • PHU: Sim, mas por que Ele está perdido?
  • NEP: Porque Ele gasta tudo o que tem para corrigir os rebeldes e não consegue demovê-los da simples tendência instintiva do corpo animal, ao mesmo tempo que nós nem precisamos suar para apontar o caminho largo, para o qual eles se dirigem com prazer…
  • PHU: Está perdido porque não sabe mais o que fazer para chamar-lhes a atenção e mostrar que no bem também há gozos inefáveis… É isso?
  • NEP: Sim… E nós só precisamos desnudar as mulheres para a Humanidade inteira descer a ladeira do inferno como sonâmbulos voluntários…
  • PHU. Saquei. Mas não sei se devemos ainda “descansar” na nossa farra, pois ainda temos um forte inimigo vivo no mundo…
  • NEP: Inimigo vivo? Quem será este tresloucado que nos desafia?
  • PHU: Não é um homem de carne e osso para que você o torture. É a Bíblia. Aquele livro maldito e nojento!
  • NEP: A Bíblia? Você tem medo de um livro empoeirado diante de uma Humanidade que mal lê uma placa de “proibido fumar”?
  • PHU: Mas nós queremos a Humanidade inteira para nós! Você está esquecendo dos crentes e dos fanáticos estudiosos daquela palhaçada?
  • NEP: Ah, aguarde mais uns 20 anos e teremos todo mundo! Em breve eu suscitarei um Prêmio Nobel e ele abrirá uma escola científica que descobrirá tantas falhas e falsidades naquele livro que ninguém mais crerá na palhaçada!
  • PHU: Não será tão fácil assim! Você já viu inúmeras vezes na História nossos exércitos desmoralizarem as mensagens bíblicas e mesmo assim alguém continuou crendo, e este único alguém fez as fezes secas voltarem a feder! É duro mas é verdade: a Bíblia é um inimigo vivo, como eu disse, e se é vivo, precisa ser assassinado!
  • NEP: Oh amigo! Você me deu uma ideia cintilante! É isso mesmo. Precisamos queimar as bíblias! Quando o mundo não tiver mais nenhuma bíblia impressa e, mais ainda, quando não houver mais nenhuma matriz eletrônica ou magnética da palhaçada, quem irá lembrar dela depois de 20 anos de libertinagem? Eureca! É isso mesmo!
  • PHU: E aí nossa gloriosa propaganda neonazista será: “Comam, bebam e transem à vontade, pois não há lei alguma que os impeça de gozarem a vida!”… – Ali, toda a Moralidade terá sido sepultada e trabalharemos apenas com dois sentimentos: a impiedade e a lascívia!
  • NEP: …E aí reinauguraremos a velha Sodoma, cheia de corpos nus e sexo grupal consentido, pois a Humanidade terá aprendido que em nome da felicidade individual qualquer forma de prazer é legal e legítima! Eita: É isso mesmo! Hip-hip-hurra!
  • PHU: Sim, agora entendi. Por isso não podemos cantar vitória agora. O asqueroso livro ainda está no mundo, e sendo impresso a 3 por 4, infestando as livrarias e as mentes doentias dos cristãos!
  • NEP: E você tem toda razão, mesmo, nobre Phunestus. Veja que até as nossas tentativas de sodomização atual, promovendo o prazer da promiscuidade, o desejo da homossexualidade e o carinho da pedofilia têm encontrado essas resistências sórdidas, com os pseudo-seguidores de Cristo (santos do pau oco) a intercalar maldições à liberdade, dizendo que a Bíblia condena aqueles tão nobres atos, merecendo o inferno quem os pratica! Vira e mexe vem alguém e estraga tudo, estraga-prazeres, e faz o povo refletir e aderir a Jesus! E agora, com esta onda de adesões ao protestantismo, sobretudo no meio artístico, temos enfrentado muita chatice para debelar e muita raiva em nosso Chefe, que já não aguenta mais ouvir nada que venha daquele asqueroso livro-inimigo, que impede a depravação que ele pretende implantar no planeta inteiro.Extraterrestres em telepatia
  • PHU: Pois sim. Temos que queimar as Bíblias e desviar os cristãos, com urgência!
  • NEP: Ah, mas isto é fácil! A maioria dos crentes não demora muito a brigar e sair das igrejas, que hoje trabalham como verdadeiras empresas de fachada (“laranjas”) e bancos vorazes, que não têm piedade nem dos mais pobres! A instrução bíblica não passa de um engodo para justificar as altas ofertas e o proselitismo totalitarista, que mantém o rebanho à custa de “heavy metal e swings góspeis”! Aliás, a bem da mentira-verdade, nem precisamos nos preocupar com o crescimento do número de templos e de crentes, já que eles também adoram o dinheiro e o nosso voyeurismo midiático.
  • PHU: Sim; vamos preparar o terreno então, lá onde acenderemos as fogueiras de Fahrenheit 451! O primeiro passo é desmoralizar a Bíblia, contrapondo a Ciência a ela, e mostrando que tudo aquilo não passou de interpretação equivocada de fenômenos naturais e ignorância dos escritores antigos! A Evolução Científica fará o resto…
  • NEP: Só assim ficaremos livres de ouvir qualquer notícia do inimigo, e poderemos curtir para sempre o nosso vampirismo edonista, com bilhões de almas à nossa escolha… Viva o nosso rei! Viva ele para sempre: no inferno, mas livre!…

Aqui silenciou-se o medonho diálogo das trevas, até onde pude ouvir e lembrar. Resta orar pra que as nossas almas sejam protegidas por Cristo e que Deus tenha pena de nós, quando deste Planeta maldito forem retiradas todas as Bíblias. Oremos para que esta ficção não passe de uma coisa imaginada, e que nossos próximos 20 anos sejam realmente felizes, ou melhores do que temos visto até aqui.

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O problema das igrejas é a sujeira da politicagem

Ouvir qualquer coisa pregada por alguém engajado a qualquer grupo é sempre ouvir o que o grupo interpreta ou a parte da matéria aceita pelo movimento do pregador. Só um homem 100% livre e independente de grupos poderia explicar uma matéria condizente com o que seu autor pensou.

Palácio do planalto-Igreja2É um drama universal em nosso mundo: nada que alguém explique estará livre de reproduzir somente aquilo que seu mensageiro escolheu para falar, ou pior, aquilo que ele interpretou do autor, ensinando algo que seu coração introduziu na fala do outro, como se este tivesse o seu mesmo pensamento. Isto se aplica a diversos ramos do conhecimento, como por exemplo: um psicólogo brasileiro interpreta a Psicologia de um psicólogo americano como ele queria que o americano tivesse pensado; um político esquerdista sempre interpretará para a esquerda aquilo que um autor apolítico ensinou em seu livro como algo benéfico universal, mas de todos os regimes; um pregador religioso de uma corrente luterana sempre tenderá a inscrever nas doutrinas de sua igreja aquilo que um autor desengajado escreveu com intuito de um bem universal; ou simplesmente dirá que o autor também era um luterano e por isso “a coincidência de idéias”… – Eis aí o problema exposto às claras.

E se este fenômeno for tão comum neste planeta como parece, então nenhum autor neste mundo sofrerá mais desta “chantagem” do que CS Lewis. Justo porque a matéria que Lewis representa é religiosa, e a religião é o tipo da coisa que faz de tudo para garantir quorum, mesmo à custa da verdade que diz defender.

Suponhamos que Jesus voltasse uma segunda vez para morrer de novo na cruz e uma terceira vez para julgar o mundo. Ora; fica óbvio que qualquer pensador das várias denominações cristãs de hoje, se pudesse ter acesso ao segredo da segunda vinda de Jesus, imediatamente iria querer a posse do segredo para espalhar no mundo a notícia de que foi o próprio Jesus quem lhe revelou tal coisa, e assim conquistaria a adesão de multidões incontáveis de seguidores! (Percebe a coisa?)… Pois eis que ele falaria “o bem” que as massas querem ouvir e receber como seguidores de Cristo, e nada melhor do que tornar a sua denominação porta-voz exclusiva do Evangelho!

Os exemplos acima foram “meio toscos”, mas servem direitinho para mostrar o que está acontecendo com CS Lewis. Numa palavra, Lewis trouxe a visão plena da Revelação. Trouxe a completeza da verdade além dos limites óbvios das Escrituras. Trouxe a interpretação do próprio Deus aos mistérios teológicos milenares, não revelada aos “escribas e fariseus”, para bom entendedor (Mt 13,11). Isto tudo o coloca no difícil e problemático posto de único detentor de um ensinamento que os cristãos deveriam ter ensinado há séculos e não o fizeram, e assim, não sendo um “denominacionista” engajado, só ele poderia falar “suprapartidariamente”, ou interdenominacionalmente, acerca de uma boa nova para os cristãos que já a haviam recebido, mas nunca a haviam visto antes (Mt 13,13). É como um menino que já havia ouvido a mãe sussurrar coisas no ouvido do pai, coisas de um livro erótico que está na estante da casa, e o garoto, por ser pequeno e não se interessar por estas coisas, pensou jamais ter recebido tal coisa. Quando ele cresce e procura livros sobre sexo, entenderá que a mãe já havia falado aquilo tudo perto dele, e seus ouvidos estavam como que surdos ao desconhecido. É a estranha “equação da convivência”, de que falava Luiz Carlos Lisboa: aquilo com que convivemos diariamente é também aquilo que mais podemos deixar passar despercebido, e esta equação é a maior febre das Escrituras Sagradas.

Os cristãos, acostumados a pensar apenas aquilo que seus líderes lhes mandam pensar (sendo estes por sua vez também acostumados a ver apenas aquilo que seus velhos líderes lhes transmitiram), e assim sucessivamente, ao final das eras toda a Cristandade não saberá de coisas que Deus já havia contado, e um novo profeta apenas terá que reprisar a revelação com os detalhes omitidos.

Eis aí onde entra CS Lewis. Ele não tem culpa da cegueira das denominações! Ele não tem culpa de as igrejas, cada uma puxando brasa para sua sardinha e mancomunando-se com seus líderes intramuros, caíram na cegueira da verdade que quebra os muros e aponta para o horizonte, desenhando um Cristianismo Celestial, onde a interpretação é a verdade e esta nem precisará de interpretação. Porquanto quando o próprio Deus falar a verdade completa, todas as igrejas perceberão o tamanho do fora que deram por não visualizarem aquilo (ou pior, por negarem o que viram) e só assim aparecerá a Igreja de Deus, a Gloriosa Noiva, que rejeitou as virgens néscias.

SalesmanNeste ponto é que o argumento chega ao seu centro. Quando dizemos que o problema das igrejas é a sujeira da politicagem, e que ouvir qualquer coisa pregada por um engajado é sempre ouvir o que o grupo interpreta ou a parte da matéria aceita pelo movimento do pregador, estamos escancarando a dor de conviver num ambiente sempre falso, ou bajulatório, ou proselitista-populista, exatamente como ocorre nos círculos da política partidária. Experimente levar a um esquerdista uma proposição de direita e entenderá o que estou falando e vice-versa. É por isso que ninguém pode fazer de sua casa uma “igreja” (Jesus disse que onde houver 2 ou 3 reunidos em seu nome, ali seria uma igreja, chamada pequenino rebanho) sem ter que dar explicações a líderes protestantes e católicos: os primeiros se aproximarão para sondar de que grupo nós somos e tentar angariar-nos para eles; e estes últimos nem sequer permitirão tal coisa, pois no conceito de paróquia, só aquilo que nascer de párocos terá bom parto. – Falamos mais alguma coisa sobre isso NESTE link.

Por tudo isso foi que nos aventuramos a fundar um movimento que chamamos de Escola de Aprofundamento Teológico (o qual deveria ser uma igreja como outra qualquer), na intenção de quebrar este paradigma da instituição político-religiosa, o qual atrapalha a entrega solta da verdade e prejudica sobremaneira a vontade de Deus de se manter com a boca livre, como faz o Espírito Santo (João 3,8). E até isto era fácil de prever, pois, se Deus um dia antevisse – e Ele costuma fazer isso mesmo – que a Sua Verdade completa iria ficar amordaçada a uma meia dúzia de fariseus, o mais provável era que arranjasse obreiros independentes, inteligentes, geniais, para aspergir no mundo os fatos omitidos pela ignorância ou pelo proselitismo, revelando a excelência da Verdade às poucas ovelhas livres das denominações e sedentas do algo mais que falta às igrejas.

Eis porque elegemos como nosso profeta o mestre Lewis, e alegamos que só um homem 100% livre e independente de grupos poderia explicar uma matéria condizente com o que seu autor pensou. E se este autor fosse o próprio Deus então, esta dica já havia sido dada há milênios dentro de toda a Escritura. Nem precisa ir muito longe: basta reler o que o eunuco na carruagem perguntou a Felipe: “Como poderei entender, se ninguém me explicar?”. Um novo eunuco perguntaria: “Como poderemos ver além das igrejas, se Lewis não nos explicar?”… Durma-se com um barulho desses!

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“Digo-vos o que é o Cristianismo. Não o inventei”.

Com esta declaração pontual de Lewis, ele se põe entre os cristãos, mas sem jamais assumir qualquer denominação religiosa, nem mesmo a sua própria. Afirmar que ele seja um protestante, à luz das profundas semelhanças do anglicanismo com o catolicismo, é querer tapar o sol com uma peneira.

Corpo e sangue do Senhor

Um drama colossal se coloca para quem se aproximar de Lewis. Um mistério que vai perdurar per saecula saeculorum, porque, invariavelmente, todo acesso a Lewis é feito por intermédio de uma editora, e a sua origem eclesial, a sua inspiração teológica e o dinheiro que a patrocina preponderarão sobre quem vender, comprar e, sobretudo, sobre quem ler as obras por ela publicadas. Eis aí o nó cego oculto que incapacita toda a cristandade de receber, de Lewis ou de qualquer outro, as idéias originais de quem pregar uma teologia “diferente” da corrente, ou das denominações que dominam o chamado “mercado da fé”.

Citando a guisa de exemplo, ninguém jamais saberá a origem espiritual de um “James T.”, simplesmente porque as editoras católicas ou evangélicas que lançaram seus livros, sempre o publicaram como um autor católico ou evangélico, que crê e prega como eles e assim cada grupo o encara como um “aliado”, por assim dizer. Nem mesmo o seu biógrafo escapa deste drama, pois ele próprio insinuará que seu biografado pensava de certo modo e tinha um conjunto de crenças como o dele, com insignificantes diferenças tratadas en passant ou com indisfarçável menosprezo. Assim, um Ellacombe, um Ellul ou mesmo um Carpenter sempre serão filhos da fé de seus divulgadores, e por estes modos a verdade é sempre a grande vítima na História.

E se esta verdade se faz tão eloqüente em relação a um Morgan, ninguém estará mais implicado por este fenômeno do que um CS Lewis, justamente porque a palavra de Jack é tão contundente e definitiva que padre ou pastor algum se sente seguro e feliz tendo um Lewis a falar algo “diferente” de seus ensinos. Assim a estratégia é sempre das duas uma (dependendo de o pastor/padre conhecer Lewis: pasmem, alguns nunca ouviram falar dele!): então se dá ora a omissão pura e simples de Jack – levando a uma perigosa ignorância da verdade – ora a manipulação do que Jack ensinou, como se ele fosse um pregador daquela igreja em particular.

Crucifi-raioPortanto e com efeito, não admira que Lewis seja uma espécie de “João Batista pregador no deserto”, ao qual o povão acorria de longe, mas jamais os mestres e escribas. Estes só o ouviam quando era necessário “o apoio” de João para alguma lei ou regra de contenção que queriam impor ao povo, porque temiam o povo. Mas a verdade verdadeira só João tinha. Os mestres poderiam inventar que João pregava o Judaísmo deles, pura e simples, mas somente João pregava a verdade, nua e crua. Temo que é isso mesmo o que ocorre com CS Lewis…

…Hoje em dia temos acesso imediato a inúmeras mídias que expõem Lewis de todos os modos, em livros, vídeos e áudios os mais diversos. A maioria das mídias, entretanto, é evangélica (no sentido protestante) e algumas poucas católicas, naqueles nichos editoriais e eclesiais que tiveram a sorte de conhecer Lewis. Inobstante, quando vamos ouvir seus representantes tratar do pensamento de Jack, o que se vê é um pregador – ou um grupo – a falar de Lewis como se ele cresse exatamente como o grupo crê, ipsis literis; e quando algo foge à regra, os pontos diversos são omitidos ou manipulados para parecer que Lewis era um protestante como eles. Não há exceção aqui. Isto é uma pena para aquele pobre leitor que teve a bênção de enxergar os pontos divergentes, e a partir dali não poder mais tratar o caso com seus irmãos correligionários. Quando o faz, ouve coisas como: “Lewis interpretou errado as Escrituras”; ou “Isto é coisa do folclore e da cultura britânica”; ou “Isto é influência do catolicismo anglicano”; ou “Isto faz parte das dúvidas que o próprio Lewis alegou que tinha”; ou, pior, “isto é ignorância de Lewis, porque ele nunca fez um curso de teologia”; e, no desespero, “nossa igreja só se interessa pela Bíblia” (que Bíblia?)…

Enfim, aí está o nó cego dentro do labirinto que se formou a partir da contundência da visão de Lewis, a qual escancarou a teologia cristã como jamais se fez, para temor e tremor de toda a cristandade. Deve-se admitir, portanto, que a Humanidade vive um momento palpitante e problemático, no qual os filhos de Deus, espalhados por inúmeras denominações cristãs, estão às voltas com “um novo João Batista”, pregando o puro Evangelho do Reino, ao ponto de lhes apresentar até mesmo uma visão clara do Reino, com detalhes nunca antes fornecidos, e explicando os destinos humanos à luz de involuntárias omissões do Cânon.

Abrangência do Cristianismo

“Digo-vos, ou melhor, eu vos digo o que é o Cristianismo! Não o inventei”. Ele quis dizer: “Ouvi-o de Deus” (i.e., “eu o ouvi de Deus). Quem quer que tenha lido pelo menos um livro de Lewis, poderá sacar esta declaração nas entrelinhas, ou até nas linhas, se ler um livro como “Cristianismo puro e simples”, que não tem nada de simples. Todavia verá claramente que o que Jack pregava era “o” Cristianismo, e não uma doutrina protestante ou católica. Logo, todos os outros, dentro ou fora das denominações cristãs, deveriam estar de acordo com isso, se é que pretendem agradar ao seu Deus. Estava claro que Lewis pregava aquilo que nenhuma igreja deveria desconhecer ou omitir, pelo contrário, devia ter como regra central da Revelação de Deus. Por que Jack prega O Cristianismo e os outros não? Ninguém disse isso, mas se fôssemos responder esta pergunta de modo completo, a resposta não caberia nem num livro inteiro. Por tudo isso, dizemos que o leitor deve procurar ler, o quanto antes, todas as obras de Lewis, antes que sua denominação tenha avançado tanto no direcionamento proselitista que a verdade não possa mais ser vista em sua nitidez.

Como esta Escola explicou no post passado, ainda dentro da SEMANA LEWIS, o lugar ideal de posicionamento da Teologia Lewisiana deveria e deve ser galgado à condição mais preciosa para o Cristianismo, aquela que a este vem salvar das inconsistências seculares das interpretações vigentes, quase sempre proselitistas ou motivadas pela política partidária de cada denominação, independente do prejuízo que tal conduta provoca no discernimento das almas. As igrejas, afinal, querem quorum, casa cheia, gordas finanças, e a qualidade superior da estatura de Cristo que se lixe, ou fique reservada para obra do próprio Deus, após o fim desta vida. O resto pode ser enxotado como heresia.

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