A Canonicidade de CS Lewis*

“Tomar Lewis como autoridade canônica se faz necessário para obter muitas revelações omitidas involuntariamente pela Palavra de Deus, livro que não podia conter TODA a Verdade”. Isto, no mínimo, é um bom exercício do direito ao livre-pensar.

Aslam e Jack sentado

O argumento do presente artigo é a canonicidade de livros sagrados, para alcançar a razão da canonicidade das obras de C.S. Lewis, mestre inspirador da criação desta Escola. Ser um autor canônico significa que seus escritos tiveram interferência direta de Deus, e por este motivo foram incluídos no Depositum Fidei dos cristãos, ou seja, o Cânon pelo qual se regem todas as doutrinas do Cristianismo. Apontar CS Lewis como um cânon tardio é, portanto, uma das afirmações mais estapafúrdias a ocorrer no meio cristão, porque o grosso da cristandade rejeitaria tal proposta, de olhos fechados. Porém é com os olhos fechados que cometemos nossos mais graves erros.

Por que os livros encontrados na coletânea de escritos chamada Bíblia foram considerados canônicos, já que todos eles foram redigidos por homens de carne e osso? Qual a alegativa que vingou como justificativa válida para tal asseveração? Ao que consta a esta Escola, foram três as principais razões encontradas, a saber: (1a) São escritos de pessoas que estiveram em contato com Deus ou estiveram em alguma teofania confiável; (2a) São escritos de profunda coerência interna, aprovada com lógica pelo bom senso; e (3a) São escritos cuja veracidade foi testemunhada pelas comunidades que as redigiram, com registros verificáveis.

Isto posto, deve-se seguir e perguntar, antecipadamente, se entre os cristãos poderia vingar alguma crença de que o Cânon não fosse um registro fechado (inalterável e eterno) e se o mesmo poderia abrigar alguma outra revelação que contivesse os mesmos três requisitos abonadores do Cânon aceito como oficial. Além disso tudo, deve-se perguntar também por que cargas d’água alguém “fecharia” o Cânon, ou por que este dito cujo deveria ser fechado? Porquanto se tal cousa for ao menos pensável, e se os pré-requisitos de fato incidirem sobre uma outra comunicação, então a cristandade deveria se manter antenada e com os ouvidos atentos aos sons do Planeta, porque um belo dia um sussurrinho de Deus poderia não permanecer inaudível por muito tempo.

É aqui que entra CS Lewis, porta-voz de um outro sussurro de Deus, ou melhor, canal por onde Deus revelou muitas outras coisas e por cuja interpretação a Palavra de Deus foi ampliada e iluminada. É este o ponto fundamental na crença desta Escola Teológica, e por isso ela se difere de todas as outras, sejam do meio protestante ou católico. Este artigo vem dar mais subsídios para se entender melhor esta “aparente loucura”.

Partamos do princípio defendido por Lewis de que a própria Escritura só vingou porque os cristãos deram a ela todo o peso da autoridade de seus autores, ou simplesmente creram que todas as alegativas para sua defesa eram verdadeiras, e aqueles homens, de fato, estiveram com Cristo ou em alguma teofania confiável. Não esquecer que “fechar” ou impedir novas revelações serviu (e ainda serve) para evitar os abusos da manipulação e da imaginação humanas, as quais tenderiam a falsear por copiagem ou multiplicar as histórias com “estórias” semelhantes, naquilo que ficou conhecido como “estratégia da serpente”.

Isto posto, é possível encontrar na história pós-Cânon algum registro verdadeiro que falasse de Deus? Haveria algum argumento teológico coerente para assumir que Deus permitisse uma teofania pós-Cânon? Ou melhor: teria Deus alguma razão para impedir que seus próprios anjos ou mensageiros contatassem alguém e lhe contassem algo novo ou iluminassem melhor as Escrituras? Estas perguntas servem para apontar para a justificação de aprovação de uma mensagem pós-Cânon ou extrabíblica, já que a própria Escritura tem como único critério válido a teofania e a inspiração divina como autoridade, e estas precisariam constar da nova revelação para garantir-lhe a credencial canônica. É isto que alegamos para validar a canonicidade da “Teologia Lewisiana(NR1) ou do que chamamos de “Lewisianismo(NR2).

E onde está a teofania por trás de Lewis? Declaremos antes que a canonização dos escritos bíblicos se deu por conta e ordem da crença na veracidade dos relatos que os originaram, i.e., que os cristãos depositaram toda a sua fé na Tradição que asseverava o contato pessoal com Jesus ou com seus anjos, como ocorreu em diversas passagens do livro de Atos. Todavia e a rigor, nenhum dos relatos teria validade sem esta crença, e o próprio Paulo disse que tudo perderia o sentido se os cristãos não cressem que Jesus de fato ressuscitou. Vê-se, com efeito, que é a “simples” crença que sustenta o Cristianismo, sem nenhum demérito para a nossa boa consciência. Porquanto a Igreja se acostumou a pensar logicamente e já provou que a fé é o firme fundamento de tudo e a prova das coisas invisíveis, servindo muito bem para alicerçar a ciência e outros ramos do conhecimento.

Joy e Jack sentados2

Então aqui se vê a canonicidade dos escritos de Lewis, porque eles também dependem de fé! Mas onde está a teofania credenciadora de Lewis? Ora, nas Escrituras a teofania se deu pelo contato com a Sarça Ardente, com Jesus ou com algum mensageiro celestial, no caso, anjos, que vieram testemunhar algum evento de Deus presente ou futuro. E todos voltam os olhos para a Bíblia e podem ver a Sarça e o anjo! Afinal, nenhum autor bíblico contou tratar-se de um conto de fadas e com isso tornando difícil a crença! Pelo contrário, todos afirmaram tratar-se da mais crua verdade, e eles próprios estiveram diante dos fatos…

Em CS Lewis não foi possível declarar isto! Se Lewis ousasse contar que os fatos por ele narrados eram a expressão da mais pura realidade (tal como na Bíblia), quem iria crer nele? Ao contrário da Bíblia, isso iria desencorajar a fé, pois uma teofania POSTERIOR ao período bíblico seria rejeitada até pelos cristãos! Isto sim era o grande problema. Assim sendo, e com a tremenda inteligência que Deus lhe deu, Lewis armou o seu testemunho das mais diversas ferramentas e camuflagens, permitindo que até mesmo ‘descrentes’ pudessem ter uma chance de “ver” com os olhos da fé, colhendo frutos nas entrelinhas e subliminares de suas obras, lá onde ateísmo nenhum chegou. E se céticos podiam ver, quanto mais cristãos, se fizessem as ilações corretas ou tivessem a orientação devida.

Em quais obras Lewis contou acerca das teofanias posteriores ao período canônico ou quais obras Lewis “camuflou”? Foi em seus livros chamados “ficcionais”, ou não-doutrinários, sobretudo naqueles que perfizeram uma certa “trilogia espacial”. Ali, sem papas na língua, Lewis contou que ele foi obrigado a se utilizar de um artifício editorial para alcançar alguns raros corações que conseguiriam acreditar na narrativa, fechando todas as portas para os demais. Tratava-se de uma revelação que Deus endereçou para ALGUNS RAROS corações e fechou para todos os outros! E isto também a diferencia das Escrituras, que foram escritas ‘sem’ camuflagem (até onde podemos ver) e foram endereçadas para a Humanidade inteira, inclusive para os céticos.

Haveria algum recurso externo salvador de tal descrença? Sim, pois Deus não fechou a porta das pesquisas bem feitas, direcionadas às fontes certas e motivadas pelo espírito de humildade. Assim, se uma alma humilde deu de cara com o primeiro livro da Trilogia, sentindo-se inquieta pela veracidade intrínseca da narrativa, e com isso decidiu sozinha pesquisar, em silêncio, fontes como a Astronomia Indiana, a Ufologia Política ou a Exobiologia Mística, sem dúvida voltaria de tais estudos mais pasmo ainda, pois não encontraria nada que desmentisse Lewis, e passaria a crer “incomodamente” numa nova Revelação de Deus.

Finalmente, a última pergunta seria inevitável: existe na Bíblia algum trecho onde os autores canônicos apontariam uma época no futuro onde outras coisas seriam reveladas? SIM. Há vários. Pois ali encontramos passagens onde o próprio Jesus disse que “não nos havia contado tudo porque nós ainda não estávamos preparados para receber” (João 16,12), e que se Ele fosse contar tudo aquilo que conhecia do céu para nós, nós não iríamos crer porque não acreditávamos nem mesmo em coisas da terra! (João 3,12). Pior: profetizou que nada no mundo ficaria para sempre encoberto, e que um dia tudo seria revelado! (Mt 10,26). Até Paulo foi enfático, dizendo mesmo que evitou revelar coisas porque Deus o levou a ver que não seriam adequadas à consciência de sua época! (II Coríntios 12,1-4).

Enfim, isto deve estar sendo um choque e tanto! E eu não vou apertar o fio desencapado, pois agora já vejo que o tempo de uma nova Revelação de Deus chegou, e que todo o futuro do Cristianismo foi outrora prejudicado pela miopia dos canonizadores, que não se deram conta do quanto Deus ainda iria revelar à Humanidade, antes mesmo do Juízo Final! Benditos os nossos olhos porque viram, e os nossos ouvidos porque ouviram…

________________________________________________________________________

NOTAS DO TEXTO

(*) – O leitor não pode confundir as coisas aqui. Este artigo não diz que Lewis deve ser canonizado. Diz que o pensamento de Lewis (i.e., a sua teologia) mereceria o mesmo posto canônico do Novo Testamento por aqueles que o canonizaram, se seus livros tivessem sido escritos à época da canonização. É isso. Agora, se o leitor, lá no seu íntimo, e depois de conhecer Jack a fundo, pensar que ele é um santo porque já está na glória, ah, isso é outra história.

________________________________________________________________________

(NR1) – O exemplo mais chocante da autoridade canônica atribuída a Lewis é certamente a questão da pena de morte. Com efeito, talvez 99% de toda a cristandade reformada defende que um cristão não pode “matar” outro, baseada no mandamento mosaico do “não matarás”. Todavia Lewis consegue descobrir, nos originais, uma salutar distinção entre “matar e assassinar”, e diz que aos cristãos é proibido “assassinar”, e não ‘matar’. Explicando esta diferença sutil que encontrou nos autores sagrados, Lewis diz que um juiz cristão deve sentenciar um bandido à pena de morte, caso esta punição seja legal no seu país; e ainda diz que tal juiz deve fazer isso sem cara amarrada (ou sem remorso), sabendo que não está descumprindo absolutamente nada nem da lei dos homens nem da lei de Deus! Logo, é preciso ter Lewis como autoridade canônica para aceitar que um cristão possa “autorizar” a morte de outro.

(NR2) – O “Lewisianismo” não é uma interpretação protestante do pensamento de Lewis, nem propriamente uma interpretação católica-anglicana, por assim dizer. É simplesmente o pensamento de Lewis, livre e independente como a verdade, apontando coisas que nem católicos nem protestantes apontam, inclusive os erros que ambos cometem. Pensar que Lewis é protestante ou católico é apenas proselitismo, e isto é o que impede a visão límpida de sua canonicidade. Assim, creio que se poderia falar num “Lewisianismo-de-Lewis” (ou “Teologia Lewisiana”), cuja posse ninguém detém, e que segue livre e incólume a apontar para aspectos não visualizados pelas teologias comuns, ou por elas rejeitados, interpretando as Escrituras como o próprio Jesus o faria, se lesse as nossas traduções atuais.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

A (intro)missão direta de Deus para que tudo dê certo

A acusação da ausência de prova de um milagre indica uma miopia que leva os céticos a não enxergar interferências constantes e decisivas para a manutenção da vida.

“Aqui tratamos dos infinitos equilíbrios necessários à manutenção da vida, os quais se mantêm ocorrendo de graça, apesar dos milhões de anos de rebeldia humana à vontade de Deus.”

Estrela de Belém Muito além da promessa carinhosa feita aos seus filhos diletos, aquela de que “todas as coisas cooperariam para o bem daqueles que amam a Deus”, o Criador armou um modelo de estrutura para o universo que se conecta de modo extraordinário, conjugando-se em uma série interminável de ligações e equilíbrios perfeitos para executar a sublime missão: cumprir com perfeição a vontade do coração de Jesus Cristo.

Não adianta procurar por milagres espalhafatosos ou espetaculares, pois apesar da preciosíssima graça da vida, Deus não tem vaidade alguma e muito menos egocentrismo para florear com luzes de neon aquilo que possibilitaria a existência daqueles que foram criados para seu infinito amor. A vida é simplesmente a vida, e Ele nos a deu por um natural gesto de sua humildade infinita, sem jamais sequer pensar em algo visível no futuro como moeda de troca pelo “simples” existir. É como se em Sua própria natureza, o dar-se e o doar-se sejam mera consequência do ser ou de seu Ser, sem que seu amor imorredouro tenha sido planejado para direcionar-se aos seus objetos, conquanto flua sempre cabal e irrestritamente de Seu coração para qualquer coração criado, mesmo que rebelde e mesquinho.

Em razão disso, o que resta como obra planejada é o cuidado incansável para manter a fonte e a fruição do amor em todas as direções, nem que para tanto sejam necessárias séries incontáveis de milagres em cadeia, a maioria dos quais invisíveis para quem não confia nEle. Isto tudo lembra um pequeno trecho bíblico em que o autor diz “Ele tem cuidado de vós”: aqui, a expressão é tão vasta e polissêmica que nenhum ser humano teria alcance para vislumbrar o sentido completo. Mas talvez possamos dar alguns exemplos que permitam olhar pelo buraco da fechadura do coração de Deus, cuja porta se fecha apenas para a maldade pura e simples, sem ser pura nem simples.

Como primeiro exemplo, podemos escolher coisas gigantescas (como as estudadas pela Astronomia) para visualizar um universo no qual tudo indica que a região sideral onde o planeta terra se encontra seria justa e precisamente o lugar onde a vida humana floresceria e duraria, até que o Criador viesse e ali abrisse a cortina final do grande palco terrestre. Além disso, o próprio universo, ou todo o nosso cosmos, seria o único, dentre milhões de universos, onde o ser humano poderia habitar, pois qualquer outro teria uma diferença de milímetros em sua composição fisicoquímica e isto seria o nosso fim ou evitaria o nosso começo. Como segundo exemplo, as condições naturais da vida terrestre geraram o habitat perfeito para a eclosão e manutenção do corpo humano, com todas as medidas exatas a formar o único terreno onde a vida bios seria bem plantada, e assim poderiam ser vistas na terra as mais belas e exóticas criaturas vivas, tanto humanas quanto animais e vegetais, todas interligadas na cadeia alimentar para sua autopreservação. Neste sentido, a temperatura do planeta (entre -50 e +50 graus), junto com a do corpo (+/- 36 graus), auxiliada pela perfeita medida de volatilidade da água, formariam o campo apropriado para germinação de óvulos e espermatozoides, células básicas da vida humana, criada para ser curtida a dois.

Creio que nem será preciso dar mais exemplos… Mas talvez alguns detalhes “íntimos” possam satisfazer às patologias do ceticismo. Assim, a ciência diz que “há o equilíbrio entre os nervos da extremidade da glande e os micro nervos das paredes da uretra: é este equilíbrio que faz o cérebro entender que o alívio sentido com a micção é apenas um alívio necessário; porquanto, se não houvesse tal equilíbrio, provavelmente não sentiríamos o prazer do orgasmo ou gozaríamos toda vez que urinássemos”. Há também o equilíbrio do estado final das fezes, que precisa produzir uma medida “x” de empastamento entre o estado sólido e o líquido, bem como o equilíbrio de temperatura. Se tal equilíbrio não existisse, defecar seria um ato dificílimo: ou expeliríamos algo tão duro que literalmente fragmentaria o esfíncter, ou algo tão líquido e quente que queimaria as veias do reto. E assim sucessivamente… Creio que agora isto basta, pois são incontáveis os exemplos de interferências de Deus para que a vida humana pudesse existir na 3a Dimensão, apesar da nossa rebeldia à vontade do Pai [Eugene Mallowe escreveu um ótimo “ensaio” sobre este assunto, chamado Cientistas sugerem que o Universo foi planejado: clique neste link].

Eis que aqui chegamos ao nosso argumento. Os céticos reclamam de não encontrar provas de que milagres existam. Mas será verdade, ou será cegueira? Seria esta alegação a mais ingrata realidade ou a mais preguiçosa das ignorâncias? [A leitura do livro “Milagres” e também do livro “O Milagre do livro ‘MILAGRES’” será a melhor atitude agora].

Com efeito, nenhuma instância de vida poderia subsistir, seja em que universo fosse, sem que alguma vida preexistente e imortal lhe emprestasse energia suficiente para vencer todos os obstáculos e revezes apresentados pela entropia das dimensões inferiores, dentre as quais está toda a matéria física que conhecemos. Noutras palavras, nada existiria de concreto (pelo nosso conceito de concreto) que durasse tempo suficiente para ser percebido como objeto físico, e assim não veríamos matéria alguma, pois ela escaparia ao nosso olhar antes de chegarmos à consciência de sua concretude (lembre que a consciência levou milhões de anos para se firmar e perceber qualquer firmeza, inclusive a sua própria). Lembre também que a entropia continua reinante neste universo, o que prova duas coisas.

1a ) Ou o universo não foi feito para durar muito (embora dure muito mais do que podemos imaginar e/ou suportar);

2a ) Ou alguma coisa aconteceu neste universo que lhe precipitou na roda-viva sem fim da auto-aniquilação. Eu aposto nas duas, mas boto mais ouro nesta última.

Assim sendo, a melhor opção para os céticos ‘captarem’ o sentido e entenderem estes dois itens, seria a leitura do livro “Mere Christianity”, aquele cujo título foi mal traduzido para nossa língua e passou a se chamar “Cristianismo puro e simples” (O Cristianismo não tem nada de simples).

Moises no Monte SinaiEnfim, é preciso que se diga que a profusão de micromilagres constantes no cotidiano pega desprevenidos (e literalmente despreparados) até os mais renomados cristãos, pois quando qualquer quantidade é incontável, quase sempre o é porque pouca gente enxerga todos os números dela. Não há contradição alguma em dizer que nem mesmo os bons cristãos enxergam todos os milagres de Deus, não apenas porque Ele não faz a mínima questão de aparecer (ou de parecer um mágico de circo, que adora aplausos da plateia iludida), quanto porque não há olho algum no universo tridimensional que possa contar estrelas ou átomos, e assim grande parte das coisas são ocultas. Os toques e retoques sutis do Criador se encontram na mesma categoria de coisas, e nossa cegueira é a mesma.

A “intro-missão” direta de Deus para que tudo dê certo é uma realidade assombrosa, mas ao mesmo tempo maravilhosa, que cada cristão levará carinhosamente “do lado esquerdo do peito”, como cantou o Milton Nascimento. Trata-se da mais ousada forma de demonstrar carinho e cuidado de um Pai aparentemente ausente para com seus filhos presentes no Seu sagrado Coração. A acusação da ausência de prova dos milagres pode se constituir na mais desastrosa miopia da Humanidade, doença herdada diretamente da rebeldia adâmica e certamente incurável nesta vida. É por isso que devemos orar sem cessar pelos céticos, pois eles estão tão perto e tão longe de ver, tanto quanto estão longe e perto os infinitos manuseios de quem lhes fez marionetes da descrença.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

As estranhas operações de Deus

Momentos de dor e pavor quase nunca são encarados como obra do Senhor em nossas vidas, mas as feridas nas costas de Aravis provaram que o salário do pecado é o sofrimento.

O vale de ossos secosNum dos mais belos e contundentes livros das “Crônicas de Nárnia”, único onde os quatro personagens principais aparecem como adultos vivendo um longo tempo de paz em Nárnia, diversas lições de vida são dadas aos leitores mais atentos, ávidos por aprender com exemplos vivos aquilo que a Palavra de Deus teve pouco espaço ou muita dificuldade em abordar, até para não “encher o mundo de livros” (Jo 21,25). Porém a maior lição foi certamente a conversão de Aravis, linda jovem calormana em fuga daquilo que para ela seria detestável, um destino para lá de aterrador: casar obrigada com um conselheiro idoso da Corte da Calormânia.

O modelo de atuação de Deus na vida de Aravis é o mesmo explicitado por Paulo no capítulo 12 da sua segunda epístola aos Coríntios, onde o apóstolo revelou receber de Deus um espinho na carne, mensageiro de satanás, para esbofeteá-lo e torná-lo humilde diante do Senhor. É um episódio que prova, então, que a vida cristã pode ser muito dolorida, e as dores podem alcançar até a alma, como o próprio Jesus experimentou no Getsêmani (difícil é entender porque o próprio Deus, 100% santo, precisaria sofrer na carne até angústias de morte, quanto tal sofrimento em nada aumentaria a santificação do Nazareno).

Loira-chorandoDifícil também é fazer com que as igrejas reformadas entendam que a dor adicionada à santificação é uma parte imprescindível do plano de salvação, pois este pressupõe o ingresso no Céu somente de almas 100% santas (o protestantismo acredita que nada mais é preciso para a salvação, exceto a fé pura e simples em Cristo, como se esquecessem do versículo que diz “sem santificação ninguém verá o Senhor” – Hebreus 12,14 – ou como se pensassem que é possível ficar no Céu e não ver Jesus!). Com efeito, porém, se há necessidade de dor para a cura, então a hora da morte não é necessariamente uma entrada no Paraíso, e muito menos no inferno, ficando claro então a existência de um terceiro destino post-mortem (este assunto perfaz uma discussão completa nos livros “Você é um fantasma e não se enxerga” e “O Grande Divórcio do Egocentrismo”, que o leitor pode adquirir pelo portal das editoras Agbook e Clube de Autores).

Assim sendo, chegou a hora – e já vem tarde – onde a cristandade poderia, pelo menos em termos de Escatologia, ter um pensamento mais unanimizado, já que esta matéria é regida tão única e exclusivamente pela Revelação, ou que somente esta pôde fundamentar o Catecismo e outras fontes aceitas como canônicas. Por mais que padres e teólogos afirmem ter a inspiração do Santo Padre ou do Magistério da Igreja, todos estes chegaram às conclusões do Catecismo com base no que revela a Bíblia, e por isso um consenso é possível. Como a Palavra de Deus também foi escrita com base nas tradições orais do povo crente, é óbvio que a Tradição também pode e deve ser ouvida por todas as igrejas. Eis aí a união sonegada. Eis aí a tristeza de Deus.

Pior; as histórias de fantasmas vagando na terra, que provam que a dor da alma pode se manter após a morte, também são negadas por muitas igrejas, ferindo frontalmente os evangelhos, os quais deixam várias ocorrências de prova da tranquila fé dos apóstolos nos desencarnados (fé esta jamais negada ou combatida por Jesus, segundo CS Lewis).

Isto posto, a verdade é que desde a Queda de Adão, todo o plano de Deus se concentra num difícil e doloroso resgate da alma humana, cujas mistagógicas operações perpassam todos os meandros da vida humana em todos os tempos, seja ela habitando a carne, seja ela desencarnada (uma dessas estranhíssimas operações mostrou o Livro de Jó, quando um espírito mau – talvez um anjo mau – foi aceito por Deus como o responsável por infligir sofrimento a Jó, o que ainda hoje soa, até entre teólogos cristãos, como hipérbole alegórica, simples mito ou parábola encorajadora). Contudo, o enfrentamento desta questão crucial de cara, com coragem e confiança, é o único jogo que nós não devemos deixar de jogar, e nada mais deveria intervir ou atrapalhar nossa caminhada nesta direção, sobretudo coisas mesquinhas como interpretações proselitistas.

A rigor, a milagrosa consciência de estar perdido, de precisar de Deus, de ter tido a colaboração dEle e de que a Ressurreição não obra milagre, exceto aquele que nós permitirmos operar em nós, é a bola da vez e deveria ocupar 100% de nosso tempo escatológico, onde buscamos o encontro com o Pai. O resto, as “querelas doutrinárias” de cada igreja, jamais poderiam chocar-se neste quesito em particular, e as almas deveriam estar sendo tratadas como almas, isto é, como fantasmas que somos, fugindo de nossos próprios fantasmas pelos desertos, como fez Aravis.

A-loira-chorando-fotos-bebêEntão as chicotadas nos lombos de Jesus, o espinho na carne do apóstolo e as unhadas dilacerantes nas costas da menina fugitiva, deveriam estar no nosso cardápio diário de consultas santificadoras, onde todos entendêssemos tais operações como cirurgias reparadoras realizadas pelo Médico dos médicos, sem as quais morreríamos como vermes imundos. A consciência dessa realidade é tão crucial que obstaculiza qualquer pregação cristã que a sonegar (atrapalhando todos os ministérios e missões), e o combate ao medo da verdade deveria ser a tarefa número um de todas as igrejas.

Finalmente, a experiência de sofrer por Jesus é uma bênção inefável e difícil de explicar, e só pode surtir o efeito compensador na Terra se a consciência do crente estiver bem firmada na confiança e na caridade. Sem essas contrapartidas providenciais, a dor é somente dor (num sentido que nem quero lembrar), embora a maioria dos teólogos creia que nenhuma dor é em vão no plano de Deus. Se estamos no primeiro caso, oremos para compreender a situação e adquirir algum consolo divino. Se estamos no segundo caso, oremos apenas pela gratidão de sabermos que o Senhor está operando, e operando a única cirurgia cem por cento útil.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

Quando Deus larga ou deixa de proteger uma alma

No trecho que diz “Deus os estregou a toda sorte de paixões” está um grave erro de interpretação, que pode insinuar que Deus os traiu ou os empurrou para a desgraça, abandonando-os maldosamente.

Devido à atual onda de erotização coletiva (porém “seletiva” – porque privilegia segmentos da sexualidade, como o homossexualismo e a bissexualidade, e banaliza outros), a sociedade extinguiu a crítica comportamental de diversos setores da vida, negando até mesmo o simples exame das realidades subjacentes aos conceitos até então válidos, forjados em séculos de experiência entre mestres e estudiosos, que não chegaram a tais entendimentos por mero capricho. Todavia permanecem em vigor as velhas defesas ou respostas dadas à nova “onda”, sobretudo quando empreendidas por argumentadores pouco preparados, causando o prejuízo da desmoralização do argumento.

Vê-se tal fenômeno de modo mais acintoso quando o assunto é, por exemplo, a Moral cristã, e um padre ou pastor não se comportam de modo digno da moral que defendem, causando um prejuízo incalculável à pregação da validade da religião, muito além do prejuízo à imagem pública deles (a qual sempre é muito menos relevante do que a mensagem que pregam).

Portanto, deve-se perguntar por qual crítica específica a sociedade extinguiu uma discussão já consagrada em outros tempos, e qual a resposta imediatamente dada a ela pela maioria dos seus “acusados” e acusadores despreparados, ou com qual argumento a defendem.

Olhar de crianca-4A questão é a da “permissão” de Deus para práticas homossexuais, por ser Ele um Deus de amor e acolher a todos. Esta é a onda da vez e a vez da onda. E a resposta de seus críticos é a de que “Deus os estregou a toda sorte de paixões”, como se o Senhor fosse um deus-sádico e os tivesse traído, “empurrando-os” para a desgraça e abandonando-os à própria sorte. Neste abandono, estaria uma ideia subjacente a uma aceitação da liberdade irresponsável, tal como acontece com a mulher que abandona o marido por ter sido traída por ele, mas não encara a traição como um pecado, e sim como uma fraqueza irresistível da carne que ela própria irá experimentar amanhã (neste espírito creio que foi composta a letra da música “Deixo”, que Ivete Sangalo interpretou magistralmente, apontando uma mulher que chega ao seu limite e não “segura” mais o seu homem, por constatar que ele não consegue abandonar a sua vida de traição). Lembro-me também de um velho poema onde Deus conta esta mesma história de desespero – prolongado por centenas de traições – ante a rebeldia de uma alma que O trai e Ele chega ao seu limite, abandonando-a.

Todavia há um equívoco de interpretação na defesa dos críticos, que imaginam uma sumária condenação de quem caiu naqueles vícios, como se Deus não enxergasse todas as circunstâncias que levaram uma alma a tal tropeço. Não é assim que Deus trata os pecadores, desde que estes partam do princípio de que são pecadores e se arrependam; i.e., que eles podem fazer más escolhas e cair no vício a elas agregado, desde que voltem atrás e não mais o pratiquem; do contrário, correm o risco de encarar o mal como normal e depois como um bem (Is 5,20): foi isto provavelmente o que aconteceu com o homossexualismo, o bissexualismo e outros ismos, o que explica a sua aparente aceitação plena na sociedade atual.

Deus os entregou (ou “abandonou”) ao seu próprio vício, como Paulo explicou em Romanos (Romanos 1,22-32) e então é preciso analisar o estado ou “como ficaram” essas almas APÓS o ‘abandono’. O texto citado é completo e contundente, e somente será desprezado por quem já está dominado pelos vícios ali descritos, ou por quem não crê na existência de Deus. Vejamos o que qualquer um pode deduzir facilmente da palavra de Paulo. Leiamos o trecho de carreirinha, com grifos, negritos e colchetes nossos:

<< “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos22. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis23. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si24; pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais à criatura do que ao Criador, que é bendito para sempre. Amém25. Por isso Deus os abandonou às [nas suas] paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o seu uso natural, por um contrário à natureza26. E semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade [superexcitação] uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a devida recompensa por seu erro27. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus [e assim proceder], Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm28; estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade29; sendo murmuradores, detratores, irritadores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães30; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia31; os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem com [e estimulam] os que as fazem32”. >>… [Colchetes e grifos nossos]. É preciso “traduzir” isso? Não está mais do que claro?

Depois de ler cada um destes versos e deixar-se plasmar e pasmar pela tradução óbvia, é bom lembrar que o abandono de Deus não é apenas uma “enviesada permissão” para se cair na gandaia e fazer o que der na telha. Nada disso. Antes de tudo, é o Criador “ficar afastado” daquela alma (“manter Deus afastado de tua vida”), a qual passará a não contar mais com a proteção anímica do Salvador, ficando a mercê de todas as forças subliminares da maldade eterna, as quais trazem à alma os seus mais terríveis inimigos, levando-a a exaustão de suas forças e a uma queda definitiva nas malhas da perdição.

Falando deste modo talvez o leitor não capte bem o que está sendo dito aqui, mas tudo isto significa um final absolutamente trágico para a criatura, pior até do que o fim dos viciados em crack e outras drogas pesadas; porque estes se tornam almas arrastadas à força às clínicas de recuperação (quando têm essa sorte!) ou à sarjeta e, ao final, ao cemitério, em pouquíssimo tempo. Mas podem não chegar a isso. Há uma chance, embora remota. No caso da perdição espiritual, não há retorno. É o fim completo. E fim completo para Deus é a segunda morte, que não significa o fim, mas a transformação eterna da criatura na entidade que a domina (sem dúvida um fim pior que a simples morte). Parece mero pessimismo, porém, infelizmente, é puro realismo.

O problema é que qualquer um pode ver os efeitos danosos do crack em seus usuários, mas os efeitos do homossexualismo não! A própria ciência, influenciada por médicos e cientistas homossexuais (ou mesmo “cidadãos” que gostam de sexo anal com suas esposas, e por isso, “não querem ver mal algum na prática”), tende a negar qualquer dano ao aparelho excretor, e minimizar seus efeitos corrosivos, por conta de tratamentos ditos avançados, sem que nenhuma má notícia seja veiculada na mídia acerca de queimaduras, rupturas, fissuras ou coisa que o valha, e os velhos homossexuais sofrem calados e infelizes. Esta é a verdade. A verdade negada até a morte.

Fantasma atrás de homemAté podemos admitir, a título de imaginação, que nada de mal ocorra, e que o ato em si não resulte em nenhuma incompatibilidade epitelial entre a derme do pênis e a do ânus (este feito para transitar apenas massa, e massa mole, e num único sentido, para fora), e que a prática é saudável e sua sugestão teria sido “esquecida” pela Bíblia! Okay então. Pensemos assim. Porém, quando há um ser humano em jogo, não podemos falar somente de corpos! Porque não somos só corpos! Ao nascermos neste mundo pelo ato sexual de nossos pais (homem e mulher), ganhamos uma alma no instante da concepção – ou da junção do óvulo com o espermatozoide – e esta alma também possui o seu mundo à parte, o qual é, seguramente, mais intrincado e delicado que o mundo físico. Podemos até dizer que sua segurança depende de fatores muito mais complicados (como a interferência de Deus em luta contra os inimigos da alma – os vampiros espirituais ou “macróbios”) e sensíveis, pois estão sempre a depender de decisões da criatura, que nem sempre decide a favor de coisas que lhe façam bem no mundo espiritual. Então o abandono, expresso no texto de Paulo, não é apenas um momento de decisão de Deus, mas uma constante de decisões erradas que afastam Deus da alma, como que dando um NÃO à sua santa interferência e proteção.

Isso deixa a realidade bem clara: um mundo descrente não pode crer que uma alma esteja tão indefesa no mundo espiritual, e por isso o homossexualismo ganha cada vez mais espaço! E pior, o argumento contrário, o da verdade bíblica, acaba sendo menosprezado ou colocado na conta de um fundamentalismo inexistente, o qual serviria apenas para culpar e discriminar homossexuais, sem qualquer piedade e amor ao próximo. Eis aí o retrato da Pós-modernidade!

Agora a bomba estourou: quem quiser defender a verdade terá que fazê-lo na cadeia ou na surdina, temendo agressões dos que se dizem vítimas de homofobia. Nem mesmo o direito de expressão, mola-mestra da democracia, vem mais socorrer aos arautos do Evangelho, que agora sabem que marcham para o fim do mundo, no qual Jesus avisou que haveria perseguição como nunca houve antes, e os cristãos seriam até mortos em nome de sua fé. Resta perguntar: quem será macho e fêmea suficiente para resistir até o fim e ser salvo?…

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

Cristãos estão se calando diante da “Onda Erotizante”?

Evangélicos se calam até em defesa de outros crentes que a mídia detrata; o Papa está sofrendo pressões terríveis de grupos pan-sexuais; as famílias não têm mais forças contra a mídia imoral.

Foi preciso uma psicóloga falar e sentar o malho contra a Xuxa para acordar os cristãos? Não sei não: Talvez a maioria esteja mesmo dormindo, como mostrou John Carpenter no filme “Eles vivem”! (vejam NESTE link).

Não vi nem ouvi nem falo macacosEstamos às vésperas da “sodomização” da Humanidade, ou daquele momento histórico em que não existirá mais qualquer diferenciação entre o chamado sexo sadio e o sexo doentio, pois ninguém mais, nem mesmo médicos e psicólogos, dirão qualquer coisa em contrário, por mais clara que seja a evidência de patologia, e por mais aberrante que seja o caso analisado (claro que por “patologia” aqui nos referimos a doenças da alma – e nem poderia ser diferente, pois quanto ocorre evolução na Medicina, menos doenças atacam o homem pós-moderno). Se dará o caso então, a rigor, de que a pós-modernidade chegará a ficar pior do que Sodoma, porquanto os depravados terão o aplauso e o apoio de todo mundo, inclusive das instituições supostamente inventadas para proteger menores e indefesos de um modo geral (em Sodoma, os depravados eram abominados dos cidadãos sérios de lá, que eram poucos, mas eram praticamente unânimes com os povos estrangeiros).

Será o tempo em que os artifícios “intelectuais” mais sórdidos terão encontrado argumentos psicológicos eficientes para convencer à Humanidade de que não há mal algum em adultos se deitarem com crianças, tal como dizia Michael Jackson quando foi entrevistado sobre as acusações que lhe fizeram, antes que ele comprasse, por muito dinheiro, o silêncio das famílias das vítimas. Afinal, convencer crianças de “brincadeirinhas lascivas” não será tão difícil, se os pais já tiverem, tempos antes, transado na frente dos filhos ou permitido a visão deles de cenas eróticas…

Todavia, ouso dizer que para o inimigo da Humanidade, NÃO SERÁ a depravação das crianças o seu objetivo predileto, pois esta não atingirá diretamente à Noiva de Cristo (a igreja). O que atingirá dramaticamente a igreja será algo dirigido contra o próprio Jesus, e aí poderá cumprir a profecia que diz que “até os eleitos serão enganados”. E o que atingirá diretamente a Jesus? Será a divulgação de uma peça de mídia (um filme de Hollywood, uma novela da Globo ou uma notícia internacional de Arqueologia – dizem que uma infame peça já foi filmada) na qual Jesus apareça como permitindo alegremente todas as “libertinagens” possíveis, ou pior, aparecendo como homossexual e promíscuo, transando com todos os apóstolos sem qualquer culpa. Aí sim. Neste dia, somente os verdadeiros crentes, solidamente convictos de que esta era a última arma de satã, sairão ilesos da onda erotizante (aliás, onda pan-sexualizante).

Ilesos? Talvez não, se levarmos em conta a raridade da pureza entre os atuais crentes, que também apreciam um filme pornô e um namoro “pegado” (suas igrejas, afinal, estão cheias de homossexuais, como estão os seminários católicos, e a atual safra de padres faz vergonha a Baco e a Messalina*). E a opinião geral das igrejas? Pergunte-se: Você conhece alguma igreja de hoje em dia que levante a voz denunciando o homossexualismo como pecado, e que não esteja receosa da perseguição e esvaziamento que sofrerá? Não vê o que têm sofrido pregadores como Malafaia, Feliciano e outros solitários tidos por “heroicos”?… E, ao contrário, não vê que tais arautos levantam muito mais pastores e crentes contrários a eles, os quais vão até à mídia detratá-los, e defender posições de “condescendência” em favor das “minorias” depravadas?… Isto até lembra aquela velha campanha antidroga…

Drogadeamigo[Não se leve em conta aqui as posições doutrinárias de ambos, pois assim como estão certos em sua grita contra a depravação do mundo, podem estar errados em suas opiniões públicas acerca de denominações, julgando umas e outras, falando mal de teologias que não conseguem entender por pura limitação mental ou simplesmente vendendo o seu peixe proselitista! – Nada disso vem ao caso aqui].

Enfim, chegou uma hora de decisão. Não dá mais para ficar em cima do muro! Os que forem mornos, que se manifestem! Os que se mantêm fiéis ao primeiro amor Ágape, que abram logo suas casas (para receber perseguidos) e fechem suas igrejas (para separar aqueles que querem contaminá-las). Deus está conduzindo o mundo àquele tempo em que as diferenças entre crentes apontarão para os verdadeiros eleitos, os quais deverão ser os “arrebatados da primeira hora”. A guerra final se dará também neste plano: aqueles que aderiram à Onda Erotizante e os outros, solitários, celibatários ou bem casados, que darão a Deus o prazer de contar com os últimos remanescentes da decência.

Foi por isso que Jesus disse, em alto e bom som: “aquele que resistir até o fim será salvo”. Pergunte-se: Resistir a quê? À Onda? Não, propriamente. Mas resistir com seu velho discurso, o bom e ‘velho’ Evangelho do Reino, negando capitular diante da mídia e mudar de opinião. Serão os heroicos sobreviventes de uma guerra sem mártir, mas que agora os vê retornar com sua pureza, fugindo dos prazeres depravados do mundo. Como diz a canção, “E então foram mortos no centro da praça pública”…

_______________________________________

(*) Nota do texto (acompanhe no link seguinte): Sinal de suplício do Papa?  Aqui pode estar um sinal explícito de suplício do Papa: pressionado pela profusão e pela multidão de padres gays ao seu redor, Francisco começa a arrefecer o discurso e tenta desviar o foco do homossexualismo com outras mensagens evangelizatórias. É duro constatar, mas os antigos estavam certos quando diziam que “se a corrente for forte demais, é melhor largar os remos”…

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

A Ditadura da Quantidade sobre a Qualidade

Multidão na mesquita1

Estamos numa era onde a opinião das massas sempre prevalece sobre qualquer outra, negando-se todo e qualquer ouvido para esta última, mesmo que ela tenha a mais pura lógica a embasá-la.

Estamos assistindo isso o tempo todo. Não há situação ou lugar onde tal fato não esteja pipocando em apoteoses multicoloridas, com fogos de artifício e com toda a mídia a apoiá-lo. Não há ninguém no mundo todo que não tenha se rendido, feito gado indo ao matadouro, à insinuação da propaganda de que, quando alguma coisa tem a adesão das massas, então é a melhor (aliás única) opção a se seguir. E nada nos leva a crer que essa onda hipnotizante irá morrer ou mesmo arrefecer um pouco, quando a Humanidade inteira elegeu o edonismo como razão de viver.

Estou me referindo à imposição autoritária da noção de que nada tem valor exceto se contar com a adesão generalizada das multidões, e o tempo que tal onda já inundou o mundo todo, com sérias dificuldades para ser, depois de tanto tempo, sequer questionada. E pior, a longa duração de qualquer onda sempre traz consigo o seu efeito mais deletério, a saber, a desintegração do terreno onde a reengenharia poderia tentar sanar o prejuízo, forçando a uma desistência perante o poder irresistível do vazio, já que “o Nada tem uma força descomunal” (como dizia CS Lewis).

O longo tempo decorrido (desde o advento da Televisão a nível mundial, mais ou menos entre 1950 e 60) de martelamento da ideia de que o indivíduo precisa capitular ao coletivo, matando em si tudo aquilo que seria a sua mais justa reivindicação de foro íntimo, gosto pessoal, simpatia e liberdade, fez com que este mesmo conceito fosse desvirtuado e invertido, por se insinuar como “liberdade das massas”, que nada mais é que o resultado da “hipnose coletiva” que obriga a um comportamento “x” e uma fixação cega.

Pior, restaram poucos exemplos claros do que a massificação impôs ao coletivo, e esta dita “camuflagem pela multidiversidade” acaba engolindo tudo o mais, pois os poucos gostos comuns não-digeridos se apresentam como uma opção livre das massas, e assim o indivíduo mais uma vez se cala perante a aparente felicidade geral. Isto é ponto pacífico, nos dois sentidos.

Todavia, sem a menor dúvida, restou um modismo que não se enquadra nos gostos coletivos globalmente aceitos, e ele será o objeto de nossos últimos parágrafos neste artigo. Mas será que ainda há tempo para ao menos poder ser abordado? Ainda restou algum ouvido sadio para pelo menos poder ouvir qualquer “chiado” de uma posição diferente? Tenho minhas dúvidas…

E elas são bastante racionais. Porquanto quando alguém, no plano individual, põe ferro e cimento em sua crença pessoal, petrificando sua mente, NADA mais no mundo o fará ouvir o outro lado, e para ele então só existe mesmo o lado dele. Qualquer insinuação em contrário lhe será uma agressão pessoal, uma intromissão sem nexo e uma demonstração de pré-conceito (grafei pré-conceito assim justamente para mostrar o que ocorre na mente petrificada a que me refiro aqui). Ou seja, após a petrificação, o indivíduo não apenas assume firmemente um pré-conceito, mas o cerca de todas as muralhas da intolerância, ao ponto de não poder, realmente, ouvir qualquer outra voz senão aquela, mesmo que seja uma que lhe ofereça socorro. Isto também pode ser chamado de ‘Totalitarismo’, e ele significa “massificar”, uniformizar, robotizar, engessar, etc…

Então nesta altura creio que já podemos perguntar se o leitor consegue identificar alguma coisa que, a despeito das alegações contrárias de quem defende, foi abraçada pelas massas como a ordem de um deus tirano (ou como uma lei da Inquisição), que obrigou a todos a pensar de um certo modo e anular todos os outros modos, num processo totalitário de robotização das consciências (?). Será? O leitor vê algum exemplo disso no mundo? O que está na mente de todos e que ninguém contesta porque todos aderiram? Vou tentar dar alguns exemplos:

(1)      Todos aderiram a cultura da saúde física e mental, e por isso a indústria farmacêutica é uma das que mais cresceu na modernidade; nesta cultura, todos aceitam que a carne vermelha é um perigo, que verduras e legumes promovem a longevidade e os exercícios físicos são indispensáveis para quem quiser viver muito;

(2)      Todos aderiram a ideia de que não existe nenhuma diferença entre o homem e a mulher, e que esta pode assumir todas as tarefas de um homem, sem qualquer impedimento; da mesma forma, a mulher sente o sexo do mesmo modo que o homem, e que os instintos sexuais são idênticos e levam às mesmas dependências num e noutro; mulheres e homens têm os mesmos desejos, em quantidade e intensidade;

(3)      Todos aderiram à ideia de que não há nada no passado da Humanidade que mereça um lugar na modernidade sem qualquer alteração, pois nunca jamais houve nada praticado no mundo que fosse tão perfeito que não precisasse de correção pela Evolução.

Estes três exemplos bastam. Mas há um outro que é o cabeça de todos os pré-conceitos e o maioral de todos os prejuízos. É o seguinte.

Trata-se da noção massificada de que o homossexualismo é uma coisa normal e até igual ao heterossexualismo, e que as “razões” alegadas para sua aceitação mundial são a mais pura lógica aristotélica, como se nada ali houvesse de incongruência e manipulação. Mas antes de continuar, lembre urgentemente o leitor de que se trata de um conceito que já está PETRIFICADO em todas as mentes, e assim já virou pré-conceito, e por isso ai de quem suscitar qualquer argumento em contrário, por mais lógico que seja. E antes ainda de continuar, devemos lembrar o seguinte:

(i) Quais interesses estavam por trás da onda erotizante que acabou propondo, pela tangente, o homossexualismo mundializado, que acabou sendo engolido por aqueles que apenas queriam ver todas as mulheres como promíscuas e o sexo grupal como moda?Multidão nua1(ii) Quem garante que os ninfomaníacos que subiram ao Poder e controlavam a mídia não capitularam ao homossexualismo, não por aderirem pessoalmente a ele, mas porque ele diminui a quantidade de machos e assim sobram mais fêmeas para a promiscuidade geral?

Enfim, há outras vertentes a se analisar na questão, antes que a mente se petrifique. Afinal, um mundo imoral e insano, onde até quem deveria ser exemplo de moralidade cai em pecados mortais como a pedofilia, jamais poderia se levantar contra aqueles que queriam curtir o prazer adoidado em todas as suas formas, mesmo que contrárias à lógica e à natureza. Neste sentido, os homossexuais nada mais fizeram que seguir a onda, pois a imoralidade, a pedofilia e a sodomia já existiam muito antes da mídia divulgar tudo, e assim o grande pecado é maior e mais velho que a pederastia. Esta, afinal, nem chegou a concretizar-se 100% pura, pois a grande maioria dos homens e mulheres homossexuais na verdade gostam mesmo é da curtição do prazer (ou “pansexualismo”, que une pessoas “poliafetivas”), e esta independe de qual sexo está entre as pernas do parceiro de cama. A maioria faria sexo com qualquer um, e usaria o corpo como mero instrumento do prazer, independente de chegar ao orgasmo penial, vaginal ou retal. É por isso que a ideia subjacente à onda erotizante não é tornar a Humanidade homossexual, e sim reintroduzir a sodomização no mundo, com a qual o sexo grupal seja “a inauguração definitiva da felicidade terrena”.O jardim dos prazeres terrenos…………….É por isso que foi preciso implantar primeiro a Ditadura da quantidade sobre a qualidade, para que uma proposta ilógica pudesse vingar em todas as mentes. A Mídia então era a grande arma das trevas, pois só ela poderia fazer a Humanidade inteira engolir uma idiotice e achar esta gostosa. Então a jogada era fazer com que todo mundo visse o mundo inteiro aderir a uma ideia, e este simples fato numérico seria convertido em argumento lógico, e pior, COM AJUDA DA IGREJA! (Todas as igrejas, desde muito cedo, aceitaram de bom grado a noção de que era preciso trazer as multidões para Cristo, pois só um movimento de massa poderia mudar o mundo e garantir a sobrevivência da instituição religiosa! Até porque, é lógico mesmo, qualquer lugar do mundo é pior do que uma igreja, e a igreja é sempre o melhor lugar no mundo para alguém estar). Estava aceso o estopim da bomba atômica midiática, e, a partir dela, tudo o mais seria proposto globalmente.

Gay-boyPara não deixar o presente texto terminar tão pessimisticamente, chamamos mais uma vez o leitor para pensar: vamos ver se há lógica nos argumentos usados pelo homossexualismo, certo?

Os homossexuais e sobretudo os seus chamados “filósofos”, alegam basicamente duas coisas quando o defendem: (1a) Que o homossexualismo não é uma opção consciente, e sim um distúrbio nato e genético de alguns corpos humanos, e por isso não pode ser encarado como um pecado ou uma sem-vergonhice; (2a) Que o homossexualismo é uma opção sexual como qualquer outra, e por isso a democracia e o Livre-arbítrio o permitem sem qualquer restrição. A opção (1a) já está hoje em dia quase fadada a inexistir, e a (2a) ganha cada vez mais força numa era de permissividade e impunidade.

Se já estamos avisados do perigo de se aderir a um pré-conceito sem analisá-lo, então ainda temos o direito de pensar com nossa própria cabeça, e ver aonde fomos enganados, a partir da chegada dos meios de comunicação de massas (1950-60).

Nenhuma das duas respostas anteriores são corretas, embora a primeira contenha um dado que este articulista não pode nem negar nem confirmar, por absoluta distância de minha área de atuação (a Teologia). Porquanto uma terceira opção, aceita no início das pesquisas científicas da homossexualidade, e também hoje, na surdina do medo de se expor, deve ser considerada a verdadeira por se adequar perfeitamente à lógica e às duas outras opções. Refiro-me à resposta que defende que o homossexualismo é uma doença, mas mental, tal como a esquizofrenia e o autismo, e por isso pode ser curado e perdoado. De modo mais elástico, pode-se entender perfeitamente o homossexualismo como doença mental, porque todo pecado é uma doença mental; e sendo cada um de nós um pecador inveterado, então TODOS NÓS somos doentes mentais! – O que nos obriga a rever com urgência qualquer espécie de agressão ou mesmo pré-conceito contra gays, já que todos nós merecemos o mesmo “tratamento” (se é que xingar e agredir pode tratar alguém!). Estava certo o velho Dr. Joacilo, quando um dia declarou: “o mundo é um grande hospital psiquiátrico”; e se não for tudo isso, podemos enxergar hoje em dia que “há mais louco fora do asilo do que dentro”.

HellraizerIsto é um baita problema, sim, mas o nó cego dele é que a sociedade inteira foi preparada não para curá-los (a cura sempre é trabalhosa, cansativa e irritante), mas para digeri-los, custe o que custar, engolindo cobras e sapos crus e achando-os saborosos. Engolir sem mastigar é sempre mais rápido e menos cansativo, sobretudo para uma geração sem esperança (“mataram o Deus da Esperança”) e indolente, cuja única razão de viver é o prazer e o dinheiro. Afinal, fazer o que o bom samaritano fez é incômodo e desagradável, e perturba completamente o andamento das coisas, atrasando compromissos e perdendo oportunidades. Ainda mais quando os supostos ‘tratadores’ (ou médicos psiquiatras) também têm interesse em não curar… ora porque também são homossexuais, ora porque veem enorme vantagem em diminuir a população de machos pelo sonho inconfesso do “paraíso da promiscuidade”…

Eis, enfim, porque a onda massificante entra engolindo tudo o que vê pela frente, ganhando cada vez mais espaço na mídia e nos corações. A chamada “Ditadura da Quantidade sobre a Qualidade” está deitada em berço esplêndido e nada indica que aparecerá alguém para tirá-la de lá, numa ação que agora depende de um milagre. O povo gosta da situação atual, embora reclamem de tudo e prefiram sempre a vida do vizinho rico. Assim, os males advindos da onda erotizante jamais serão questionados, enquanto a violência urbana, fruto da ausência da Moralidade, vier assaltar os seus curtidores e defensores, ou quando o feitiço se voltar contra os feiticeiros. A antiguidade, pelo menos, sabia e desejava a qualidade acima de tudo, e temia seriamente os riscos da ditadura edonista. A pós-modernidade capitulou e sucumbiu, junto com “a morte de Deus”.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

O velho drama da educação doméstica requer uma velha solução

Todos os “entendidos” vêm sugerir alternativas supostamente eficientes para a Educação dos filhos pelos pais, mas ninguém para pra pensar se alguma coisa não estaria certa na Educação antiga.

Teacher animation

A sociedade está careca de ouvir os atuais educadores a dizer que “castigar nem sempre é a fórmula ideal para educar seu filho”, ou que a “criança precisa compreender o motivo do “erro” com explicações objetivas”, ou que “o uso de carinho é suficiente”, ou que, “além do diálogo, somente técnicas que induzem à autorreflexão funcionam”; enfim, há toda uma gama de sugestões vindas de “experts” cheios de diplomas [Leia as últimas deste assunto NESTE link]. A verdade, porém, é que quase nada tem mudado no mundo, i.e., pelo contrário, que a má educação e a violência – dela decorrente – continuam a desafiar a todos os que pretendem solucionar ou pelo menos ‘entender’ o que está acontecendo.

Mas não há muito o que rebuscar aqui para entender o quadro. Difícil de entender é toda a gama de experts seguir uma só linha de raciocínio; ou que não haja ninguém, dentre os educadores e psicólogos, que ao menos por breve tempo, tenha se dado ao trabalho de examinar, com o devido cuidado, o sucesso da Educação Antiga (doravante EA) para com aquela típica “criança-infernal”, que nem a sua própria mãe aguenta! Ou pelo menos para tentar saber porque não havia uma situação tão trágica quanto a que a sociedade assiste hoje em dia.

Para não me alongar demais e para não entrar tanto na seara dos “mestres” das ciências humanas (Pedagogia e Psicologia), fico a me perguntar sobre como foi que a História avançou tão enviesadamente que produziu gente que estudou tanto, e mesmo assim não enxergou o óbvio: “crianças também têm alma”, aliás, são alma vivente, tal qual nós adultos, e por isso todas as ações voltadas para ajudá-las precisam levar em conta o óbvio complicatório de serem almas.

Educação de filho prova educ de pai-3Ora; o drama da Educação doméstica, um dos mais antigos da História da Humanidade, certamente avultou-se quando os pais (em paralelo aos professores que também se perdiam no mesmo terreno) passaram a desacreditar e/ou desmoralizar a antiquíssima crença na alma imortal, levados por uma ciência que se mostrava a cada dia mais cética nos princípios religiosos, sobretudo este que é um dos maiores consensos entre todas as religiões do mundo (a saber, o da existência de uma alma imortal no interior de cada pessoa humana). Nem tanto por descrer de uma alegação religiosa, mas até mesmo descrendo de ramos da própria ciência que detectaram coisas além da matéria, tais como a parapsicologia, a projeciologia e a metafísica.

Isto posto, deve-se perguntar agora: o que tem a ver a EA com a crença na alma imortal? Tem tudo a ver. Tudo mesmo. Porquanto como se pode tratar de “educar”, i.e., ensinar a viver na carne, um ente imaterial que Deus colocou numa experiência material neste Planeta? Não há como educar ou formar nas realidades tridimensionais um espírito recém-chegado de um “mundo invisível”, no qual ele gozava de muito mais liberdade e segurança do que pode lhe dar este mundo, e para o que precisará ajustar toda a sua personalidade para sobreviver.

O problema é muito mais profundo do que pode supor a filosofia de pedagogos e psicólogos, enquanto não derem ouvidos às lições de toda a História terrestre. Porquanto a História registrou um certo dia em que seus primeiros pais rebelaram-se contra Deus e seus engenheiros cósmicos, e pior, retransmitiram seu erro na Educação dada a todos os seus filhos! Estes, por sua vez, também educaram errado e assim sucessivamente, levando a Humanidade a caminhar cada vez mais equivocada num território ocupado por almas que perderam – ou nunca tiveram – qualquer interesse pelo Bem Comum, dado o egoísmo herdado da Educação de seus pais e avós.

Após a Queda, só com a intervenção do próprio Deus a Humanidade travou um novo contato com a Educação Divina, que aqui chamamos de Educação Antiga (EA), por ser anterior à Queda. E Deus comissionou profetas e pregadores para espalhar a EA no mundo, começando por estabelecer Leis Universais do Bem para que a máquina humana funcionasse direito. Aqui nasceram “os 10 Mandamentos”, e então são eles os grandes regentes da EA, e por consequência, deveriam ser os pilares centrais de toda a Educação Moderna.

O dia-a-dia de uma sala de aulaQual a ideia por trás dos 10 Mandamentos? É a ideia de que o planeta Terra comporta uma raça degenerada e perigosa, que pode não apenas chegar ao suicídio como também ao homicídio, incluindo até assassinatos de crianças e outros seres inocentes, todos desprotegidos, às vezes até dentro de seus próprios lares. Por isso a Lei de Deus é “severa” e pontual, não deixando margem a tergiversações com criminosos e outros delinquentes. Só que não trata a ninguém com a crença de que jamais poderá matar; pelo contrário, encara a todos nós como potenciais assassinos, se nos viciarmos (por má educação doméstica ou social) a nutrir raiva, rancor e/ou ódio.

Eis aqui descortinada a realidade: o que são as crianças de hoje? São alminhas vivas influenciadas por adultos mal educados e que aprenderam a má educação desde todo sempre, fazendo rolar uma bola de neve sem fim de conflitos e rebeldias contra Deus! E, a menos que as coisas sejam vistas deste modo, e, em algum ponto, alguém quebre o ciclo, a Humanidade vai continuar produzindo e reproduzindo maus adultos, que por sua vez produzem más crianças que geram maus adultos! (Renato Russo já cantava: “nos perderemos entre monstros de nossa própria criação”). Nada há além disso, e nenhuma das coisas ditas hoje tem serventia, exceto se admitir esta realidade (p.ex., quando lemos desabafos como o do ‘desbocado’, mas excelente articulista Régis Tadeu – veja a bombástica matéria NESTE link).

Eduque seus filhos=Ecologia2Na prática, então, como educar as alminhas rebeldes de hoje? Não é apenas impondo limites, nem “dialogando” (clichê atual dos educadores), nem somente explicando as causas dos limites, etc.. É preciso mais do que isso e até muito mais, pois, por mais que se alargue o campo de abrangência dessas técnicas, um dia chegará uma criança para quem nenhuma delas dará resultado, i.e., uma alma 100% rebelde, que não apenas se recusa a obedecer, mas até em ouvir o mero bom senso! É uma alma de passado problemático, já viciada a desobedecer a Deus, e que, por este vício, julga está no seu direito de desobedecer a tudo e a todos! (A pergunta “que passado é este, já que se trata de uma criança?”, eu não responderei aqui, pois sua resposta só trará mais problemas para os cristãos, meus principais leitores – Apenas informo que sua resposta se encontra completa nos livros “O Grande Divórcio do Egocentrismo” e “Você é um fantasma e não se enxerga” ambos das editoras Agbook e Clube de Autores).

Ao se julgar no direito de desobedecer a tudo e a todos, queda-se a um passo de cometer suicídio ou de matar alguém, e por isso não pode ser tratada com meros afagos. Aproveite-se então enquanto ainda é criança para pô-la nos eixos, e seus pais assim passam a ser as “peças-chave” no longo e tenebroso processo de “educar” (a árdua e dolorosa tarefa de domar a fera que o passado arruinou pela imitação de seus avós Adão e Eva) e precisarão agir neste caso até sem piedade, pois aquele menino certamente não tem piedade de ninguém, nem mesmo deles!

Macaco dando palmadaNeste caso, pergunte-se, deve-se bater à vontade? Não e não e não, pois a dor, conquanto seja um bom remédio, pode desencadear ainda mais ódio, a si e aos outros (quem disse que a cura era fácil?). A dor só ajudaria à pessoa que tivesse, pelo menos, um mínimo de ouvido na alma para dar uma chance à humildade. De qualquer forma, é claro que se deve promover a dor, mas uma dor leve – aquilo que nossos pais chamavam de “espanta-moscas”, i.e., a dor de ‘cipós finos nas costas’, com batidas mais ou menos leves, tal como ensinam a Bíblia e as tradições cristãs históricas – e tudo acompanhado de diálogo racional, ou seja, que aponte A RAZÃO do sofrimento, embora se saiba que a dor que o mundo lhe trará quase sempre chega sem nenhuma explicação!

Quebrado este gelo e ultrapassado este malentendido, o resto ficará surpreendentemente mais simples, pois os mirins e trombadinhas que assaltam nas ruas – se é que ainda irão para as ruas – serão meninos que já conhecem uma autoridade verdadeira (a de seus pais) e uma Educação útil, a saber, a da Escola, que agora conta com o indispensável suporte educacional do lar. Se naquele lar houver, além da EA, uma verdadeira instrução espiritual (quem sabe o velho catecismo infantil), a criança também saberá temer a Deus e assim criar respeito pela vida, sua e dos seus semelhantes. A ida a uma igreja também fará um excelente papel, sobretudo se seus pais derem o bom exemplo.

Afora isso tudo, e como último recurso, se aquela alma continuar sua desgraçada sina de crueldades e desrespeitos, só resta rezar para que o Sistema Judiciário e Carcerário do país possam dar conta de tal delinquente, porque nestes casos a própria Bíblia recomenda o encarceramento e a pena máxima, caso ela seja legal no país. Se as Escrituras não vissem utilidade alguma na perda da liberdade de ir e vir, Jesus teria condenado o Sistema Carcerário de Roma, que a tantos condenava e prendia, em nome da ordem social. Os próprios condenados à morte, que com Ele subiram à cruz, não ouviram nenhuma crítica de Jesus à perda de seus direitos fundamentais. Para eles, só havia mesmo um destino: a graça ou a desgraça eterna. Um deles se salvou.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

O cheiro de Jesus é um perfume de mulher

Espalhado dentro da manjedoura logo após nascer e no mundo todo emanado pela igreja, o perfume de Cristo se comunica de modo sutil mas inconfundível para os melhores olfatos cristãos.

Moça cheira flor-2

É uma reflexão que só pode ter sido feita por alguém em plena intimidade com Deus, como Santa Tereza e São João da Cruz, ou em plena entrega da inteligência ao seu Criador, como C.S. Lewis. É também uma honra inefável ser veículo dela, como supõe este humílimo servo, que não faz a mínima ideia da razão de tão incompreensível honra, vez que sem merecimento. Por último, vai exigir tremendo exercício mental e bíblico para colher, em alguns leitores, uma leve brisa do que subsiste sob a sombra da árvore mais frondosa do Paraíso. Que nós todos possamos captar tudo para a alegria do Senhor.

Nestes últimos anos, tenho entrado e saído muitas vezes de minha igreja e de outras que visito, tanto aqui no Ceará quanto no Maranhão, terra de minha mulher. A última década deve ter inaugurado um período no qual alguma coisa superior aconteceu, sem dúvida, e eu falo isso me lembrando de uma série de ocorrências estranhas, algumas bem sinalizadas, que meus olhos puderam ver e meus ouvidos ouvir. Até poderia dizer que, se tudo se encerrasse nisso, talvez nada demais merecesse comentário, e meu discurso morreria aqui. Todavia não é possível negar que, em dois horizontes de eventos, meu olfato melhorou bastante, ao mesmo tempo em que meu Salvador parece ter-me cercado de modo muito mais “paternal” (em seu irrevogável direito de ir e vir), como que antevendo a melhor idade da surdez e da desintegração da carne. Logo, está na lógica normal dos acontecimentos supor que a década passada foi uma chamada multidimensional de Deus, ou dentro dela Deus introduziu formas inauditas de chamamento, como se cada sinal encaminhasse uma bênção correspondente, nem sempre “captada” pelo chamado.

Então, devido a esta multiplicidade de sinais, decidi escrever sobre um em particular, o qual só de leve perpassa as discussões e pregações cristãs.

Todos se lembram que dentro dos Cânones e da Tradição cristã, quando os três reis magos (talvez houvesse um quarto, nos dois sentidos) chegaram à aconchegante manjedoura, fizeram doação de três presentes ao bebê Menino-Jesus e um deles foi um frasco rijo de perfume finíssimo do Oriente, chamado “mirra”, que ainda hoje é respeitadíssimo e caro no comércio mundial. Quase numa daquelas “coincidências inexistentes”, o cheiro das fezes do gado que dormia no local não poderia receber e muito menos agradar ao nobre Rebento de Israel, e por isso aquele perfume foi o escolhido previamente por Deus, atenuando ou aliviando os narizes do mau cheiro de um curral. Ao mesmo tempo, pode-se lembrar que o Menino-Jesus carregava o cheiro divino de Maria e também possuía pele 100% límpida, com aquele cheirinho maravilhoso de bebê que todo mundo gosta de cheirar. Mas uma coisa às vezes escapa de nossas lembranças: Maria era quem cuidava do Bebê, e os cheiros dela também eram dele, e quando ela não os tinha (pelo suor de seus muitos afazeres de mãe sofrida), ela não O deixava jamais malcheiroso, mesmo após o Seu bebê defecar. Era como dizer que quando faltava perfume nela, o pouco que restava ela colocava no Filho: o que dá na mesma, bem entendido, pois os perfumes eram dela (os perfumes do quarto de um bebê são da mãe do bebê).

Jesus cresceu. Maria o levou a uma adolescência sadia e bem educada, e fê-lO um Homem com inicial maiúscula. Entretanto, desde cedo, os sinais divinos da missão dEle se faziam presentes, e Maria talvez fosse a única a vê-los todos, devido o olhar profundo e intuitivo de mãe. Sua natureza feminina também jamais se esquivava de todo, e vez por outra deixava seus sinais de boa vontade, bondade e benquerença, aflorarem, e muitas vezes só o Filho primogênito os via. Este foi sempre bom aprendiz dela e de seu pai, e com ele aprendeu bem o lado masculino da vida, a exceção da imoralidade, dada a santidade e fidelidade de José. Aprendeu a trabalhar, e a trabalhar pesado para se manter, nos ofícios de carpinteiro de seu pai adotivo, mas nem por isso menos amado. Nos ofícios do pai derramava o seu precioso suor sem descanso, muitas vezes em trabalhos duros que lhe levaram a enrijecer os músculos e fortalecer coração e pulmões. Dado este labor medonho, não podia ser um homem muito cheiroso ao fim do dia, e só voltava a cheirar bem após o banho tomado na casa de sua mãe, dona dos melhores perfumes (os de alabastro e os da pele dela mesma). Ela própria ficava mais cheirosa à noite.

A vida inteira do Nazareno foi, sem sombra de dúvida, uma vida regada por Nossa Senhora, nos dois sentidos, e ao final do processo terrestre (após 33 anos de convivência), os perfumes dela acabaram impregnando-se nEle, e Ele nunca mais cheirou diferente. Ele ainda hoje sabe e diz aos quatro ventos que “experimentou o verdadeiro perfume de mãe, e nunca jamais cheirou coisa melhor em toda a sua Criação”.

Maria linda com Jesus2O mais impressionante é que o raciocínio em torno de Maria pode aprofundar-se, e chegar a algumas conclusões bombásticas. Senão vejamos:

  1. A pele de Maria deve ter sido forjada com uma genética bem favorável aos bons cheiros, e ela deveria ser aquele tipo de mulher que atualmente se diz “naturalmente cheirosa”, onde quase não era preciso esforço algum para agradar aos olfatos de onde quer que ela entrasse (afinal, por ser uma mulher pobre, não podia comprar perfumes caros; e por viver numa terra quentíssima, e sem as atuais condições de abastecimento d’água do moderno Israel, certamente não tomava tanto banho como nós e talvez suasse muito com seus afazeres domésticos);

  2. Seu cheiro natural devia ser do tipo “impregnante”, como muitas mulheres demonstram ter hoje, e a ciência já explicou que alguns tipos de pele humana são mais favoráveis a “guardar” em si – ou pelos poros – as fragrâncias que põe sobre o corpo, e é por isso que algumas mulheres perfumam mais fortemente os ambientes que frequentam.

  3. Tendo esta doce condição de espraiar seu perfume natural, Maria pode muito bem ter esta virtude amplificada após o seu desencarne e chegada ao Paraíso (“se o ladrão da cruz chegou no mesmo dia, por que os crentes tremem ao falar da assunção de Maria aos céus?), passando a somar e somatizar seu cheiro com o de Jesus, ou mesmo dando a este o indelével perfume de mãe que Ele tanto amava.

  4. Emitindo seu aroma celestial dentro do Paraíso e até perfumando seu próprio Filho, está na ordem normal dos acontecimentos que o cheiro de Maria chegasse à sua filha amada, a Noiva de Jesus (a noiva mais cheirosa de todas), a Igreja, e sem dúvida os espíritos mais sensíveis e com maior comunhão com Deus poderiam sentir isso, e não é à-toa que os ambientes bucólicos e calmos dos templos católicos infundem tanta paz e graça aos que lhe visitam.

Aqui chegamos ao “x” da questão. Quando se trata da Igreja terrestre, o cheiro é ainda mais sutil. Uma igreja é a casa de Deus, como foi um dia a manjedoura. Na casa-de-Deus-manjedoura reinam os perfumes que os cristãos doam ao Menino-Jesus, em forma de espiritualidade, boas obras e amor ao próximo. Mas também devem reinar os perfumes de Jesus e Maria, e os perfumes dEle têm em si o carinho e os cuidados de mãe, zelosa para com “as boas aparências” do Filho. É assim, pois, indispensável conhecer mais a fundo acerca de Maria, perfume de Cristo.

Conclui-se pois que, conquanto a Noiva do Senhor seja santa e pecadora, ou que viva num ambiente de pecado como o mundo, os perfumes divinos da santidade do Filho de Deus, cuidados pelo carinho eterno de sua Mãe, terminam por transparecer ao olfato mais acurado dos místicos e cristãos santificados, como alegaram os grandes santos da História cristã. Uma igreja, então, que cuide tratar bem da missão do Salvador, sentindo-se porta-voz da mensagem salvífica, não deveria prescindir do auxílio missionário de Maria, mãe da Igreja e primeira crente, já que a difícil tarefa de levar a mensagem de Deus (i.e., a dureza do arrependimento e da conversão) chega muito mais agradável quando o ouvinte sente o perfume celestial, mesmo quando os missionários pregam após um longo dia de caminhada “no sol quente”.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

A Idolatria da Bíblia

A crença de que Deus é o autor da Bíblia tem confundido quase toda a Cristandade e impedido o crescimento espiritual das almas, que acabam crendo de forma mística naquilo que combatem. É contra esta realidade que o Magistério Eclesiástico se levanta e publica atualizações.

Idolatria da Bíblia

Não há quem não conheça ou quem nunca tenha experimentado a noção de idolatria defendida pelo protestantismo, num fenômeno até certo ponto mundial, independente do grau de instrução dos cristãos ou daqueles a quem eles dirigem a Palavra. A ideia é radical e impede até mesmo a inocência da veneração, sentimento nobre da alma que ama o seu próximo como a si mesma, sem perder a pureza dos afetos pueris louvados por Cristo. Sem falar das vezes em que a acusação de idolatrar alguma coisa é arremessada sem dó nem piedade, até com hostilidades, contra imagens e outras relíquias de valor inestimável para quem as venera.

Todavia a questão não para na simples ignorância ou intolerância de quem julga o coração do próximo, acusando-o de colocar a criatura no lugar do Criador. Infelizmente, porém, o fenômeno aqui reportado também cai na incoerência comum da humanidade descrente, ou seja, na velha ironia do sujo falando do mal lavado e vice-versa. Ao examinar a questão pelo que Jesus disse em Mateus 7:1-7, seria possível aceitar as acusações dos julgadores se eles estivessem certos (ou inculpáveis) e não possuíssem o pecado que dizem ver nos outros. Mas não é o caso aqui. A acusação de idolatria espalhada aos 4 ventos deveria ser feita a eles mesmos, pois também estão idolatrando algo em suas vidas, incorrendo na mesma sentença bíblica de condenação.

Isto posto, e dada a quantidade de idolatrias na vida dos crentes (dinheiro, sexo, trabalho, etc.), vou me ater aqui tão somente ao caso bíblico, ou seja, àquela idolatria que está oculta numa das tentações mais sutis e insidiosas, de tantas quantas o diabo distribui para desviar o coração humano do único Senhor. Refiro-me à idolatria da própria Bíblia, ou seja, o modo pegajoso de tratar um mero livro humano como se ele fosse obra direta das mãos de Deus, quando não é obra nem mesmo das mãos de Jesus.

Porquanto partir da premissa de que a Bíblia foi escrita por mãos (e cabeças) humanas deveria servir, de imediato, para conscientizar e lembrar que, neste sentido, ela é um livro como outro qualquer, exceto quando uma investigação mais acurada aponta um número muito menor de falhas e incoerências, deixando em evidência a crença sadia de que Deus de fato inspirou a maioria das Revelações ali expostas. Afora isso, suas linhas e textos dão uma ideia muito segura do modus operandi da mente humana, cuja estrutura foi criada para servir à aprendizagem e ao ensino de outras mentes, na chamada “escola da vida”.

Entretanto, não é assim que os crentes reformados enxergam as Escrituras, sobretudo quando não se preparam suficientemente, ou quando se deixam levar apenas pela emoção da pertença a uma determinada denominação eclesial, não importando o que os estudiosos e teólogos porventura tenham descoberto e informado aos seus leitores (pior, os pastores dessas denominações, seja por preguiça, proselitismo ou má vontade, i.e., propositalmente, usufruem desta situação sem dar qualquer aviso que impeça as ovelhas de descobrirem tal realidade, e assim o rebanho deles fica muito mais dócil à dominação).

Isto tudo fica bem esclarecido quando ocorre qualquer discussão onde uma parte da lógica da Revelação não aparece visivelmente nas linhas da Bíblia, estando oculta nas entrelinhas pela pura vontade de Deus de que o rebanho desse ouvidos aos teólogos ou, como Paulo explicou, aos doutores e mestres (Ef 4,11-12 e I Co 12,29) auxiliares do processo de conscientização humana do Plano de Deus (é bom reler Atos 8,27-31 agora, e ver o que explicamos NESTE livro).

Por exemplo, isto acontece com revelações posteriores da verdade salvífica que não ficaram expostas NA LETRA das Escrituras, e às vezes nem nas entrelinhas. É como se Deus não pudesse se expor o suficiente para caber na mente humana, e por isso algumas mentes reconheceriam partes da revelação a posteriori, ou seja, após o tempo em que a evolução humana (pessoal e coletiva) se firmasse em determinados pontos, e assim alguns atalhos fossem ficando claros apenas após seus caminhos terem sido percorridos a pé, quiçá em sofrimento.

Na prática, pode-se dizer que o Cristianismo experimentou transformações ao longo da História que foram idealizadas por Deus e gestadas ao longo das gerações, com algumas mudanças cruciais na teoria e na prática da fé, como por exemplo:

  1. No início do Cristianismo, as comunidades não batizavam crianças. Depois, com o passar do tempo, a consciência cristã foi evoluindo e percebeu que, dados os exemplos de “crianças endiabradas”, literalmente (e hoje em dia, crianças que até matam pais), o mais seguro era dar-lhes o Selo do Espírito para posterior acerto com Deus, visando garantir a nutrição espiritual que também salva adultos (os sacramentos).

  2. No início do Cristianismo, a cristandade entendia que a Terra era o centro do Universo e o Homem a obra mais perfeita da Criação. Hoje em dia o Cristianismo Oficial admite a Terra como um mero ponto perdido no cosmos (não sendo centro nem mesmo de seu Sistema Planetário) e o Homem uma obra inacabada, em constante evolução para um padrão superior de corpo e alma.

  3. No início do Cristianismo, a cristandade entendia que a única fonte confiável da Revelação era a letra propriamente dita das Escrituras Sagradas, com os eventos decorrentes de autoritarismos nascidos por reis e governantes que usavam as “letras” para a opressão das massas. O tempo passou e a Igreja entendeu que a revisão teológica era fundamental, e o Magistério passou a orientar os fiéis na forma de ler e entender a Revelação, além do que estava escrito na simples letra morta. (Isto é apenas um breve resumo do que tem providenciado o Sacro Colégio).

Claro que, infelizmente, em paralelo a isso, também houve a “evolução trágica” (involução), que é quando uma compreensão anterior deu lugar a uma ideia posterior incorreta, como nos seguintes casos:

  1. No início do Cristianismo, as comunidades pós-Pentecostes entendiam o milagre da glossolalia como uma obra divina para ajudar na divulgação do Evangelho, que precisava de espalhar-se pelo mundo todo e salvar gentios e pagãos estrangeiros. Passou o tempo e a “evolução trágica” fez a cristandade inculta pensar que falar em línguas era balbuciar sons e sílabas repetitivas para falar como os anjos, como se isso fosse a língua “solar antiga”, como diria CS Lewis.

  2. No início do Cristianismo, a Cristandade entendia todo o valor de Maria no plano de Deus e a levavam na devida conta de auxiliar no processo, já que qualquer santo poderia orar por outro, e interceder pela recuperação, já que ninguém está morto aos olhos de Deus (Lc 20,38). Todavia, no final da Era Medieval, a Igreja entendeu que Maria subiu aos céus, como Jesus, e nem levou em conta que Maria já estava no Céu, inteiramente, como mostrou Lewis em “The Great Divorce” (explico mais sobre isso no livro “O Grande Divórcio do Egocentrismo”). Logo, o dogma da assunção de Maria é um erro, ou no mínimo, um grave esquecimento.

  3. Nos primeiros séculos do Cristianismo, a Cristandade pensou corretamente que o próprio Deus estava presente, em corpo e sangue, nos elementos materiais do pão e do vinho, e a Eucaristia tinha todo o peso da mecânica salvífica de Deus, ampliando o leque de opções de caminhos para as almas perdidas. Quando a Reforma chegou, os cristãos reformados passaram a pensar que na Santa Ceia estavam presentes apenas pão e vinho, e nada mais, dilapidando uma das mais ricas fontes de salvação oferecidas por Jesus, a sua própria carne (Jo 6,54-56). E assim por diante…

Entretanto, foi justamente aqui que entrou o maior problema: a evolução trágica fez a cristandade reformada entender que a Bíblia não é um livro humano, e que por isso não pode estar sujeita à evolução da compreensão da mente, sendo forçada a informar apenas aquilo que condizer com a interpretação mais antiga, aliás, com a interpretação já consagrada pela cultura reinante numa determinada denominação, particularizando e bitolando a sua abrangência.

Quem lê um só livroTodavia isto levanta um terrível problema: é que assumir que um livro humano seja tomado por uma obra divina comporta todo o teor do misticismo formador de uma idolatria, e assim o texto canônico passa a ser perigoso, tal como a energia nuclear, que é benéfica mas perigosa em mãos erradas. Um livro de leis (como é a Bíblia), caído nas mãos erradas dos maus intérpretes, se transforma num verdadeiro manual de execução de um regime autoritário, onde pode ocorrer, no mínimo, uma dilapidação da verdade ou um cerceamento da liberdade de pensamento. Chegando-se a este ponto, nada mais tem validade e a única regra admitida é a imposta de cima para baixo, i.e., passa-se a viver então uma ditadura tirânica, com todas as letras maiúsculas.

Sente-se tal coisa em meras conversas sobre temas da espiritualidade. Quando vemos crentes a discutir qual ponto-de-vista é o correto, p.ex., acerca do divórcio, imediatamente se ouve algum deles a irromper (triunfal) dizendo: “vamos ver o que diz a Bíblia! Se for isso o que ela diz, é assim que deve ser”. E lá vão todos eles, cabisbaixos, conformar-se a uma letra morta, ou que pode ter morrido pela “inanição teológica” ou pela quebra da razão social da regra; ou seja, de uma regra que servia direitinho a um tempo de respeito às leis e a Deus, mas que se tornou uma obra de satanás se imposta noutro tempo (onde uma separação trará muito mais paz de espírito do que a manutenção forçada de uma relação, quando nenhum dos cônjuges quer mais viver em comum). E lá vem de novo outro crente citar outra regra morta, dizendo que se houver separação, mesmo consensual, que nenhum dos dois se case novamente, e assim a roda viva da infelicidade só aumenta, na bola de neve do sofrimento humano.

Pior, isso se dá também com regras e conceitos puramente espirituais, relativos à salvação das almas, e não apenas a casamentos e vida social. Senão vejamos…

Quando se discute a salvação das almas, a maioria das denominações tende a colocar um ponto final na questão da exclusiva participação de Cristo, como único caminho da Graça de Deus. Assim, segundo este ponto de vista, basta alguém crer em Cristo que já possui ingresso imediato ao Reino de Deus, como se a longa caminhada não contivesse responsabilidades mil, inclusive morais, de amparo ao necessitado e outras caridades. Pior, nem as linhas e nem as entrelinhas acatam tal simplismo, e a profusão de textos onde Jesus expõe a polissemia da salvação acabam calando qualquer sofisma teológico. Como exemplos, basta citar a parábola do bom samaritano, a parábola do Juízo Final, o encontro de Jesus com o jovem rico e a epístola de São Tiago, irmão de Jesus. Se um cristão lê tudo isso e deduz que é apenas a fé que salva, não precisa de Cristo, e sim de um oculista.

Eis exposta a idolatria da Bíblia. Querer forçar a barra crendo que naquele monte de páginas está a voz audível de Deus sem qualquer interferência humana, é o mesmo que acreditar que numa gravidez não há participação de nenhum espermatozoide. O Homem está por trás da Revelação de Deus, tal como Deus está por trás da saúde mental humana. Se Deus deu ao Homem poder (leia-se cérebro) para entender a sua santa Revelação, deu também a inteligência para descobrir cada vez mais dentro dela, ao longo do desenvolvimento científico e intelectual da Humanidade. Se o cérebro parar no tempo e enxergar apenas aquilo que os antigos entenderam, acabará engolindo a crença perigosa de que a Bíblia é a própria voz de Deus (sem qualquer necessidade de discernimento) e um dia irá idolatrá-la. Já vem tarde a evolução deste raciocínio.

Publicado em Arte de Desaprender | Deixar um comentário

O abismo absurdo da resposta protestante

Numa explicação completamente equivocada, o Protestantismo afunda na sua própria inconsistência, criando “um obstáculo para a Onipotência” e dividindo ao meio toda a Cristandade.

O abismo absurdo1Quando o assunto é escatologia e nosso interlocutor é um cristão “egresso da Reforma”, invariavelmente está proibida uma conversa sobre salvação após a morte, e assim qualquer trecho bíblico chamado para ajudar será interpretado como má interpretação de nossa parte, e sempre com o velho argumento de que estamos extraindo o texto do contexto e vice-versa. A estupidez é tanta que ele nem se lembra de que as asseverações de sua denominação, conquanto forjadas na boa intenção de salvar almas, também são produto de interpretações particulares, igualmente temerárias.

Porém o que há de incongruente ou biblicamente incoerente na afirmação de que Jesus também salva os mortos? Uma simples observação mais cuidadosa facilmente constatará que Jesus é salvação em qualquer lugar, e que as mesmas regras dadas para salvar homens de carne e osso, servem direitinho para alcançar almas desencarnadas (até porque a salvação anunciada aos vivos se dirige às almas, e não aos corpos!).

Aliás, a inesgotável descoberta de referências bíblicas acerca do tema da salvação post mortem apontam justamente para o fato de que, se há um assunto que as Escrituras mais apontaram e mais abundantemente expuseram, foi justamente a universalidade do plano de resgate ou a amplitude do raio de ação do amor salvífico de Deus. Na verdade, qualquer tentativa de bitolar ou limitar o alcance da Graça Salvífica deve ser encarada como uma obra de satanás, a quem interessa ocultar a verdade que lhe combate diretamente e desmorona seus planos.

Por tudo isso, a expressão direta de São Pedro (“pois para isso foi o evangelho pregado também aos mortos”) é a mais perfeita síntese de toda a soteriologia bíblica, e as demais indicações nem precisariam “descer” a termos mais populares, já que o povo judeu nunca teve qualquer dificuldade de identificar vivos e mortos, e, pelo contrário, sabiam perfeitamente o que são os vivos e os fantasmas, ao ponto de confundirem Jesus com um deles em várias ocasiões (e nestas, não recebendo de Cristo nenhuma reprimenda que os desestimulasse a crença em almas desencarnadas, como explicou CS Lewis), como na caminhada sobre as águas.

As Escrituras falaram em “Cristo ir pregar aos espíritos em prisão” (I Pe 3,18-19) – e não adianta pensar que o trecho se refere apenas à Humanidade pré-diluviana, porque o tempo que vigora após a morte é o Kairos, ou tempo de Deus, e ali existe apenas um presente eterno, como explicou Lewis quando falou sobre Apocalipse 13,8). Depois as Escrituras falaram também sobre a forma como Deus vê os seres (humanos), “porque para Ele todos vivem” (Lc 20,38); contaram também uma estranha história acerca de “um povo que andava em trevas e viu grande luz, e ao povo que andava no Vale da Sombra da Morte resplandeceu-lhes a luz” (Is 9,2); um grande servo de Deus, falando de algo como uma experiência pessoal antecipada, chegou a dizer acerca daquele lugar tenebroso que “ainda que ele andasse pelo Vale da Sombra da Morte, não temeria mal nenhum, porque Deus estaria com ele” (Sl 23,4); o próprio Cristo um dia disse que “aquele que crê em mim, ainda que esteja morto viverá” (Jo 11,25); Paulo contou com convicção que nem mesmo o abismo pode nos separar do amor de Cristo (Rm 8,38-39), pois é Jesus que guarda as chaves da morte o do inferno (Ap 1,18) e Ele poderá abri-la a qualquer momento; aliás, o Velho Testamento diz até que “as portas do abismo estão escancaradas diante de Deus”; e Pedro explicou “porque para este fim foi o Evangelho pregado também aos mortos” (I Pe 4,5-6); etc., etc., num corolário de citações auspiciosas e sintomáticas sobre a verdade de Deus do outro lado, matéria própria da Escatologia cristã.

Entretanto o texto mais explicativo e direto acerca do assunto é aquele que serviu de inspiração para o título deste artigo, a parábola do rico e do pobre (Lc 16,19-31). Ali naquela pérola de ensinamento o Senhor expõe uma experiência que só Ele poderia descrever por experiência própria, e confeitá-la com figuras que alcançassem, de modo mais prático, o pífio entendimento do povo iletrado da época. Então Jesus contou que dois homens morreram e foram cada um para o seu próprio caminho, antecipadamente escolhido na terra. Um deles escolheu um caminho que noutra ocasião o Nazareno chamou de loucura (Lc 12,20) e desceu ao mais fundo de sua perdição; e o outro escolheu o caminho ascendente de Deus, que levava ao paraíso prometido. Num plausível diálogo entre os dois (como CS Lewis teve com George MacDonald), houve uma conversa terrivelmente frustrante para o homem rico, que ao final ouviu a bofetada de Lázaro sobre a descrença de seus familiares tão descrentes quanto São Tomé: “ainda que um morto ressuscitasse, eles jamais iriam crer”.

Maroto na dúvidaE aí chegamos à nossa questão teológica. No versículo 26, Jesus introduz a figura física e tridimensional de um abismo como forma de alarmar a perigosa situação de quem voluntariamente se separou de Deus, por preferir a vida “independente e moralmente livre” do que a dependência do Pai, parafraseando o diabo que um dia disse “prefiro ser rei no inferno que escravo no céu”. Todavia o ABISMO que aparece na parábola do Rico e de Lázaro (e também na desculpa dos protestantes para escamotear a Revelação de uma salvação post mortem), é completamente ilógico para com a coerência interna do Evangelho. Um abismo (abissal) é sempre o lugar mais baixo ou mais profundo na geografia e na estrutura de um planeta. Da mesma forma, o inferno é também, por definição, o lugar mais profundo na topografia do pensamento e na engenharia da criação, e por isso colocar um abismo entre o inferno e o Céu é uma tosca incongruência lógica, pois nada poderia estar abaixo do inferno, e assim o abismo só pode ser o próprio inferno. Se o abismo é o inferno, então aventar a hipótese de que não se pode passar do inferno para o Céu PORQUE HÁ UM ABISMO ENTRE ELES, é o mesmo que dizer que não se pode sair do inferno para o Céu porque há um inferno entre eles! Ora, assim sendo, então este segundo inferno só pode ser subjetivo, interior ou psicológico, e é exatamente isto que Isaías diz quando explica o PORQUÊ do aparente “abandono” de Deus aos pecadores. Como nós já vimos aqui, Isaías diz que o abismo é interior, quando explica que “os vossos pecados fazem SEPARAÇÃO (divórcio, abismo) entre vós e o vosso Deus e escondem o seu rosto de vós”.

Finalmente, está claro a impossibilidade de qualquer obstáculo impedir a entrada de Deus em qualquer lugar, e por isso o Amor Infinito vai buscar a centésima ovelha no mais longínquo abismo, sem qualquer impedimento lógico e muito menos físico. Pensar que um simples abismo topográfico separaria Deus de uma alma é uma tremenda idiotice, sobretudo se a alma perdida se arrepender e clamar ao Senhor dos altos céus. Porém, cuidado, pois será impossível a Deus salvar uma alma que voluntariamente quis perder-se no Hades… Ocasião em que terá criado, entre ela e Deus, o único abismo intransponível, ou seja, o Grande Divórcio.

_______________________________________________________________

NOTAS FINAIS:

– Toda a matéria aqui tratada é discutida amplamente no livro O Grande Divórcio do Egocentrismo, que o professor desta Escola, o teólogo João Valente de Miranda L. Neto, escreveu com o apoio desta instituição de ensino e das editoras Agbook e Clube de Autores. Para chegar ao livro, basta digitar seu título no Google.

– O StudioJVS publicou um pequeno vídeo sobre o assunto. Veja NESTE link.

Publicado em Arte de Desaprender | 2 comentários