Porque a filmagem da memória será proibida

Quando a Ciência tiver evoluído o suficiente para filmar, na profundidade da mente, tudo o que a memória viveu e registrou, o Sistema dominante irá proibir o uso público deste benefício.

No primeiro filme “RoboCop”, um diálogo entre o chefão da organização fabricante dos robôs e um agente carrasco do Sistema revela que não é possível arranjar um bom álibi em luta contra o Robocop “porque a memória dele é prova válida para a Justiça”. A expressão na ocasião repreendia o tresloucado bandido (Clarence Boddicker, interpretado por Kurtwood Smith) por uma atitude criminosa realizada bem na frente do Robocop, cujo cérebro refeito grava tudo numa espécie de “HD-mental”, podendo ser acessado pela Justiça e incriminar o jagunço, pelo simples registro visual da cena. Dizem que a Ciência atual já admite a plausibilidade de se “filmar” os dados gravados na memória humana, e que este tempo não está longe de sair da ficção e se tornar realidade.

Grandes cenas então ressurgirão das trevas da amnésia natural da mente, que guarda tudo e não deleta nada, mas é incapaz de recuperar tudo, perdendo tanto coisas maravilhosas e úteis ao próprio indivíduo, como também coisas danosas e desnecessárias, como se houvesse um ralo na psique através do qual tudo escorresse inexoravelmente. Se fosse possível filmar todas as cenas boas que já vivenciamos, captadas por nossa memória visual e auditiva, isto já seria um extraordinário avanço tecnológico, capaz de ocupar todas as horas vagas com inefável prazer.

Viriam à luz aquele primeiro encontro com nossa esposa, o primeiro carro que compramos, a viagem mais maravilhosa ao estrangeiro, a melhor festa de aniversário, o dia de nossa formatura na faculdade de Medicina, enfim, tudo estaria à nossa mão, bastando para isso clicar no computador (que já teria recebido tudo via cabo USB ou wireless) e assistir àquilo que vivemos, com o detalhe de ser mostrado conforme a ótica de nossos sentidos (visão, audição, tato, etc.).

Todavia e infelizmente, viriam à luz também as memórias ruins, e iríamos reviver cenas que jamais desejaríamos repetir, tais como o desmaio após a coronhada de um assaltante, o tiro que levamos no abdômen, a cusparada de um eleitor enganado por nós, o xingamento da torcida após uma partida de futebol quando jogamos mal, o enterro do único filho querido e morto por acidente, os colegas de farra nos levando bêbados para casa, a reprovação no concurso de emprego, a expulsão da escola, etc. Sim. Tudo estava lá, dormindo sossegado no subconsciente, mas aquela maquininha de eletrodos trouxe de volta para nos atazanar a vida. Enfim, como impedir a vergonha das cenas ruins? Será que a máquina poderia SELECIONAR só as boas memórias? Talvez… E então, já que se trata por enquanto de uma especulação, vamos dizer que sim, ou que resgataríamos apenas os bons momentos.

Inobstante, o problema não acaba aí. O Governo Invisível Mundial (que aqui chamo de “O Sistema”) iria proibir a comercialização POPULAR da filmadora-de-memória, não porque o cidadão comum iria correr o risco de rever seus maus momentos, mas por um risco enorme que o Sistema não quer divulgar e nunca o permitiu. Que risco é este? O leitor é capaz de adivinhar?

É o risco de que boa parte da população civil, ao usar a maquininha, acabe conseguindo provas concretas de contatos com UFOs e casos de abduções, pois a filmadora faria tudo o que as sessões de Hipnose Regressiva faz, mas sem as falhas desta; ou seja, sem qualquer manipulação por parte dos hipnotizadores. É claro que a rigor e a princípio, as cenas individuais de abduções recuperadas pelos indivíduos não fariam muita diferença a nível local. Todavia, uma vez que eu, o meu irmão, o meu vizinho, o meu amigo, os colegas de trabalho, o meu bairro, a minha cidade e, enfim, a população inteira, agora teve acesso à prova concreta da recuperação da memória DE MODO CONSCIENTE (sem a ajuda de hipnose), isso sem dúvida gerará uma conscientização progressiva da grande farsa dos Governos acerca da Ufologia, e em breve toda a população mundial terá certeza da presença dos ETs entre nós e da enorme cortina de fumaça que O Sistema criou para deixar as pessoas alienadas e descrentes da invasão da Terra.

Mas ainda não acabou. Segue-se a pergunta: como os ETs dominantes iriam permitir a descoberta e comercialização de uma máquina dessas, quando eles mesmos foram os principais responsáveis por esconder a sua invasão? A única resposta é: deve haver outros ETs, certamente benignos e ligados a Deus, que estão interessados na Revelação de tudo (os mesmos que disseram “nada há encoberto que não venha a ser revelado”) e na exposição pública das falcatruas e crueldades dos ETs malignos, em conluio com os governantes nefastos da Terra.

Portanto é evidente que a filmadora-de-memória será um produto da ação de Deus na Terra, procurando ajudar à Humanidade, enganada desde o princípio da História (ou antes, minto, desde que O Sistema passou a operar a incredulidade como estratégia para dominar as massas). Será uma ação considerada um ato de guerra pelas forças da maldade, e certamente inaugurará um novo tempo na superfície da Terra, onde a Verdade (Deus queira!) estará nos olhos de todos e triunfará, com a ajuda de Deus e seus exércitos.

Finalmente, tudo o que foi dito aqui – AINDA – pode ser considerado mera especulação ficcionista, e o leitor pode dormir tranqüilo que amanhã tudo estará “normal” como sempre esteve. O amigo não verá as cenas ruins de sua vida, e elas continuarão guardadas, a sete chaves, nos porões de seu subconsciente. Afinal, por que eu terminaria este artigo dizendo o contrário? Para que incomodar a paz das pessoas anestesiadas pela própria desmemorização natural da mente?… Assim sendo, o amigo pode – e eu também – dormir tranqüilo, pois a terrível filmadora ainda é um “sonho”… Aliás, um pesadelo para o próprio Sistema que a proíbe de chegar a nós.

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Se você tivesse aquela resposta de Deus

Como não podemos saber o futuro e nem a condição final de nossa alma, CS Lewis fez o papel de Deus e trouxe a resposta que o Senhor daria para nosso questionamento…

No livro “Cartas a uma senhora americana”, CS Lewis discute temas cruciais para a vida espiritual, e assim esse livro perfaz um dos melhores instrumentos de orientação doutrinal para os cristãos. Observe o leitor, entretanto, que a resposta aqui comentada não pode ser alcançada NEM na polissemia da Palavra de Deus, e por isso Lewis ali desnudou a “canonicidade” (por assim dizer) de sua pregação, deixando o seu nascimento (1898) como um verdadeiro nazireado moderno.

O caso se constituiu de uma conversa com uma dama norte-americana, na qual se confabulava acerca da virtual incapacidade humana de se saber como as coisas de fato estão, sobretudo em relação à saúde profunda do corpo, da mente e da alma, pela qual muitas pessoas se angustiam e diminuem sua paz, transformando suas vidas físicas numa sucessão de ansiedades e noites mal dormidas.

A conversa a que me refiro se deu por uma ocasião onde Lewis, a dama ou ambos, estavam se sentindo “acometidos” de determinada fragilidade ou enfermidade, e como que quase se queixavam da obra da Criação, na qual o Homem não podia ter acesso à resposta da pergunta feita a Deus: “Senhor, afinal, eu estou bem ou estou doente?”; ou “eu fiquei curado ou ainda estou me recuperando?”; ou “como está minha saúde física e mental nesta época?”; ou simplesmente “irei morrer agora ou só daqui há muitos anos?”; etc. Como o leitor vê, são perguntas que facilmente chegam à boca de qualquer pessoa, sobretudo quando passando por dificuldades na área da saúde.

Como Lewis tratou a questão? Ele simplesmente foi usado por Deus para oferecer ao mundo a única resposta que NEM deixava o perguntador frustrado, NEM desfazia o plano secreto de Deus de não prejudicar a confiança que cada alma deve depositar nEle. Como Lewis respondeu? Ele tão somente retornou ao perguntador uma outra pergunta: “Se você soubesse que está tudo bem contigo, o que faria ou deixaria de fazer a partir de agora?”

Veja o leitor que a resposta-pergunta de Lewis deixa incólume a Moral cristã, e sobretudo o plano inefável de Deus de conduzir todas as criaturas à perfeição, sem estimular a presunção de ninguém! Com efeito, se a resposta fosse outra (uma positiva, p.ex., uma que dissesse “sua saúde física e mental está 100%”), a alma do indivíduo que a ouvisse poderia se “inchar” de orgulho e julgar-se “merecedora” de tal bênção, até num nível que outras pessoas não mereceram. Se a resposta fosse outra (p.ex., uma negativa: “você está mal e está perto da morte”), isto poderia desencadear uma desintegração mental de tal ordem no íntimo do perguntador que até acelerasse a morte, num sentido que não interessaria nem ao Amor nem à Justiça de Deus.

Todavia, respondendo com a pergunta “se você soubesse que está tudo bem contigo, o que faria ou deixaria de fazer a partir de agora?”, o único caminho deixado para aquela alma é o da humildade total (os humildes têm ótima saúde – não confundir com os “pobres”) e o da exortação à prática da Moral cristã, que de fato quer saber QUE MUDANÇA o indivíduo fará em si para melhorar sua vida e seu relacionamento com Deus e com o próximo. Aí está a pedra de toque da resposta de Lewis, e a prova de sua virtual ‘canonicidade’, pois ela ilumina uma área do plano de salvação que nem as Escrituras iluminaram – pelo contrário, mantiveram-se em segredo em toda a Bíblia Sagrada.

Não é à-toa que sou um apaixonado por CS Lewis, o meu “Jack”, homem que numa vida relativamente curta (ele morreu com 65 anos) dedicou-se de tal modo ao Espírito de Deus que este lhe reservou uma obra só comparável à missão dos escritores canônicos do Novo Testamento. Convido o leitor a ler “Cartas a uma senhora americana” (da Editora Vida: clique no título deste post para ver o livro) e colher, pessoalmente, todos os tesouros preciosos de revelações espirituais da vida de um dos maiores servos de Deus de todos os tempos. E garanto: não será o último livro que o leitor lerá dele (se é que já não leu outros), pelo contrário, será o nascimento de mais um “discípulo lewisiano” a despertar para a sua rica e profunda bibliografia.

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“Acordando a Bruxa”

As lendas e as velhas histórias de todos os continentes sempre trouxeram relatos de poderes adormecidos em criaturas medonhas, chamadas bruxas, fadas ou semideuses…

Em razão de terem alcançado a imortalidade (segundo as lendas) ou de terem sido criados eternos (como diz a Bíblia acerca de anjos), muitos seres tiveram que ser silenciados, “congelados” ou aprisionados, no sentido de ficarem banidos do convívio com humanos, não apenas pela sua própria malevolidade, mas pela malignidade destes últimos, que no final, após uma tal “troca”, equivaliam aos seres dos quais tentavam obter o poder.

Interessante notar como o tema é recorrente ao longo da História, e não apenas no passado, mas até nos nossos dias, como veremos mais adiante. A fome de poder que invade ou está presente no coração humano é tão vívida e influente que a Humanidade inteira, provavelmente, não conseguirá esconder a sua presença subliminar, cuja detecção a tecnologia de exames mentais em breve desnudará para espanto dos examinadores e vergonha dos examinados. A influência e até o vício de procurar tais poderes pode estar relacionada à chamada “saudade do paraíso”, marca indelével no coração humano, que jamais pôde se conformar de ter perdido um planeta tão simples e fácil de viver, em comparação com o labirinto infernal em que se transformou este mundo.

Não há de fato quem possa esquecer, na profundidade de seu ser ou em “linhas cruzadas” noturnas (entre sonhos e pesadelos desconexos), as decisivas vantagens de ter em mãos poderes que podem fazer literalmente tudo, e ainda dispensando máquinas e tecnologia (aliás, esta nada significa em confronto com os poderes perdidos). É justamente aqui que reside a GRANDE perda do Paraíso, de modo universal, pois pode ser que as bênçãos da inocência, da honestidade e da Alegria nem cheguem a suscitar saudade em corações já tão cauterizados quanto os da Humanidade pós-moderna. Porém os poderes perdidos, que foram desejados ardentemente por Hitler e tantos tiranos ao longo da História, estes jamais saem da cabeça de ninguém, talvez nem das crianças de hoje, educadas na Lei do Gérson para “levar vantagem em tudo”.

Então Deus fez bem em congelar ou desterrar tais poderes do alcance das mãos humanas, escolhendo o menor mal entre os males e julgando melhor deixar a Humanidade frágil, sem poderes especiais de sobrevivência, mas também sem poderes capazes de executar carnificinas ainda maiores do que as da Segunda Guerra Mundial. O Bem Completo seria uma Humanidade benigna, pura, sem qualquer mácula, e com poderes para operar todos os bens e milagres, sejam eles de curas de todas as doenças, sejam eles de suspensão de um terremoto ou até do desvio de um cometa gigante em rota de colisão com a Terra. Tudo isso foi perdido com a Queda no Paraíso, menos a liberdade de escolha (lei eterna e irrevogável), e a vigência desta permite que os maus manipulem todos os elementos físico-químicos e extrafísicos… E por isso Deus precisou intervir e trancafiar bem longe de nós toda e qualquer chave de ignição de tais poderes. Mas há uma exceção (cruz credo!).

É a chave que dorme silente na consciência “soterrada” das bruxas, e que estaria, em teoria, ao alcance das mãos de qualquer alma mal-intencionada. Restaria então, aos tiranos de nosso século, em primeiro lugar: (1o) Descobrir QUEM são as bruxas*; (2o) Descobrir ONDE elas vivem e moram; (3o) Descobrir como despertar suas consciências, ganhando delas a confiança (SIM, é preciso ganhar a confiança delas; i.e, propor-lhes algo em que elas também tenham “prazer”… – Do contrário, elas poderão usar seus poderes para destruir o tirano que as despertar: Surpreendente ironia das trevas!).

[* = Não falei “bruxos” porque estes, ao longo da história, nunca conseguiram vencer todos os poderes das bruxas – Merlinus é uma exceção –, e não possuem, em sua ontologia, nenhum poder de sedução tão poderoso quanto o que as bruxas têm; a mulher, como Zé Ramalho cantava, é “um ser maravilhoso entre a serpente e a estrela”].

Estamos, com efeito, bem no “olho do furacão” agora neste século XXI, quando os poderes das tecnologias humanas se mostram ineficazes para vencer (1o, a fragilidade dos corpos humanos, 2o, a revolta meteorológica de Gaia, e, 3o, o cerco orbital que impede a saída de humanos da órbita da Lua) praticamente os maiores problemas da Humanidade, e sobretudo, os problemas particulares dos governantes secretos, que não se conformam de morrer com o resto da Humanidade e querem viver sem os riscos de uma vida a mercê da natureza, dominando-a e exterminando “inimigos”.

A caça as bruxas já começou. Deus está atento. Breve virá o dia em que uma grande operação se dará, e uma catástrofe planetária será evitada. Não foi Deus quem a evitou. Se não foi ele, isto significa que os tiranos encontraram a bruxa, e esta aceitou aliar-se a eles. A partir deste dia, a Humanidade se tornará então apenas pasto para gado, carne para tubarões e energia para vampirismo demoníaco. Isto tudo não passa de um resumo de realidades apenas parcialmente vislumbradas por oráculos desautorizados, que as igrejas silenciaram.

Os sinais estão em toda parte. São até belos, para quem souber olhar, e ainda tiver um mínimo de pureza para desejar a presença de Deus e a distância das bruxas. O lugar onde mais aparecem é no ramo das artes, sobretudo o cinema e a música.

Convido o leitor a descobrir alguns deles, nos links abaixo:

1o ) Uma música com o título DESTE artigo é um dos melhores sinais. Está em inglês, por ser uma canção das terras de Arthur. Mas logo abaixo o leitor poderá ver a tradução e ao mesmo tempo curtir a melodia no link fornecido antes da análise da letra, mais adiante.

2o ) Dois filmes pouco valorizados de décadas atrás mostram as cenas de tentativa de acordar “as bruxas”, e em ambos as tentativas são exitosas. São eles:

a)      “Kull – O Conquistador”: com Kevin Sorbo e Tia Carrere (esta, no papel da “Bruxa”);

b)      “A Espada e o Feiticeiro” (The Sword and the Sorcerer): com Lee Horsley, Richard Lynch,  Kathleen Beller e Richard Moll (este, no papel do bruxo ou “bruxa”, Xusia).

Sem dúvida, existem muitos outros, e esta realidade tem sido mostrada (com muito maior freqüência) às crianças, em séries de desenhos animados. Até nas “Crônicas de Nárnia” este aviso do despertar das bruxas é descortinado (com toda a sua periculosidade) perante seus milhões de telespectadores, e tudo com a permissão de Deus, que sabe o quanto esta informação será decisiva para as crianças, quando elas chegarem à fase adulta e o tal Dia eclodir. Não devemos nos preocupar com elas, pois Deus sabe o que faz. – Em razão disso, não precisaremos aqui comentar os filmes, pois eles se explicam por si mesmos, e o leitor pode encontrar comentários técnicos no Google. Se puder, apenas leia o Livro 2 das “Crônicas de Nárnia”, chamado “O Sobrinho do Mago”, ou “Os Anéis Mágicos”, e perceba o que aconteceu em Sepul e como a Feiticeira Branca foi tirada de seu sono…

Observe agora o leitor a precisão da letra da música da Kate Bush, que analisaremos a seguir. A tradução dela é cheia de mistérios que só uma “bruxa” como “Kite” poderia explicar. Apenas lembre o leitor de, no lugar de algumas das expressões da poesia, entender os sentidos dados aqui em adendo aos sentidos literais. Acompanhe a letra NESTE link e siga nossos comentários assim:

1) Onde houver ‘chamamentos’ diversos para a bruxa, entenda: bruxas também eram chamadas de “homem”, “criança”, “amor”, “mamãe”, “Baby”, “garota”, e você pode ver que é assim que ela é chamada nos primeiros versos e ao longo da canção. Até uma alusão à “Bela Adormecida” pode se aplicar a uma bruxa moderna, embora no conto de Walt Disney, A Bela Adormecida não era A Bruxa, e sim a sua vítima.

2) Outro sinal da magia era convencer a bruxa de que ela não estava “congelada”, mas apenas fingindo dormir, para fazê-la despertar mais poderosa.

3) As forças telúricas estão concentradas na água, e é por isso que Jesus profetizou acerca do tempo em que os mares “rugirão”, e os poderes dos céus serão abalados. Além do mais, quem cresse nEle “do seu interior fluirão rios de água viva”: o que é uma água viva senão uma fonte mágica?

4) Rosas vermelhas e cravos de prender na cruz eram dois portais energéticos poderosos.

5) Na hora do despertar para seus poderes, a consciência da bruxa “afunda”, e não “emerge”, e por isso Kate Bush cita o verbo no texto.

6) A expressão “Spiritus sanctus in nomine…” provavelmente se refere a uma fórmula mágica de despertar os encantamentos na alçada da magia antiga, que o Século XXI ainda não descobriu.

7) A bruxa também é chamada nos anais de “ave-negra”, e no link dado o verso foi traduzido por “o melro”, ou “o corvo”. Mas o leitor deve lê-lo sempre como “ave-negra”.

8) Ao contrário das aves físicas de nossa ornitologia, as bruxas precisam molhar suas “asas” antes de “voar”, enquanto os pássaros comuns secam as suas asas.

9) A expressão “Deus et dei domino…” é outra das expressões do despertamento, e quer dizer em tradução mágica “Deus e seu domínio é deus”.

10) A expressão “Abençoe-me, padre, abençoe-me, padre, por eu ter pecado”, pode indicar o arrependimento daquele que despertou a bruxa, ou o fingimento desta perante a Igreja.

11) A expressão “Eu questiono tua inocência!” pode indicar a ousadia das bruxas em desafiar a Igreja (desta elas sempre foram inimigas) ou a noção de que o padre também é pecador e não pode confessar – típica e velha acusação satânica – ou que o padre também conhecia a magia do despertar, e por isso seria unha e carne com aquele que a despertou. A expressão desemboca nesta outra: “eu sou responsável por suas ações”, e com isso quer intimidar o padre. Isso tudo combina com a forma prática com que as bruxas encararam a perseguição da Igreja ao longo da História, nas expressões: “O que vocês dizem, pessoas boas? – Culpada! Culpada! Culpada!”. De fato, era assim que as feiticeiras eram tratadas pela Inquisição, e pior, às vezes aquilo que chamavam de ‘bruxa’ não passava de uma pobre mulher, muitas vezes seviciada por padres.

12) A expressão “tem uma pedra ao redor da minha perna” pode ser uma mera sinonímia medieval para “a Igreja (que é ‘a Pedra de Pedro’) é uma pedra no meu sapato”; ou um estorvo, uma nódoa “que preciso afastar de mim, com urgência”.

Eis aí uma obra de arte monumental, da cantora/compositora que um dia foi chamada de “mulher-música”. A precisão de suas expressões, de sua poesia e melodia é tão extraordinária que chegamos a supor que a própria “Kite” (como é chamada na intimidade) travou conhecimento da magia medieval, e talvez seja, como CS Lewis, uma estudiosa do assunto, pelo que escreveu tantas obras-primas.

Os mestres Louis Pauwels e Jacques Bergier uma vez escreveram um livro intitulado “O Despertar dos Mágicos”, e espantaram o mundo com suas revelações bombásticas, mas até certo ponto óbvias para um olhar mais atento. Os dois já haviam visto, pela lógica dos acontecimentos e a derrocada da civilização tecnológica, que alguma coisa estava em andamento, e a transformação iria mudar para sempre a face da Terra. Eles foram praticamente os precursores no movimento New Age Ocidental e os anos seguintes à publicação de seu livro iriam comprovar esta reconstrução do misticismo ecológico. Não será nada incoerente unificar os pensamentos e admitir a íntima relação entre o argumento de Pauwels/Bergier e as obras aqui comentadas, embora a New Age nunca tenha admitido a bola de neve da maldade humana como sinal de uma decadência inexorável.

Mas a lição final está clara: a Bruxa está acordando. É o missing-link da parusia de Cristo, e os cristãos podem esperar confiantes por este SINAL, pois essa chave terá que ser aberta, de qualquer maneira. Será preciso munir o Comando de Tellus com os poderes perdidos no Éden, e convertê-los em armas de destruição dos interesses de Deus. Assim sendo, fica mais fácil não se confundir com falsos profetas e anticristos, pois estes serão fracotes e ridículos sem a arma da magia macabra, que dará sinal de Juízo aos cristãos. Assim será o Dia em que o Dono da peça vai aparecer no palco deste mundo: um homem “X”, cheio de poder, tentará converter para si o último cristão, e depois passará a perseguir a ele e a todos os que não o seguirem. Mas nesta altura, eles já saberão quem é seu perseguidor, qual arma está usando e como se proteger dela pelas mãos arrebatadoras de Deus.

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Modelo de “gestão” em situação de risco

UMA GRANDE EMERGÊNCIA À VISTA?

Uma estranhíssima e atordoante comunicação de um diretor da NASA para aquilo que chamou de “família-NASA”, põe o mundo todo em suspense, exceto onde houver alienação…

Fala-se muito em “Administração do Caos”, ou em Gerência de Riscos, ou em “atribuições da gestão de risco”, mas tudo quase sempre voltado para eventos acidentais verificáveis dentro de um determinado país; porquanto quase ninguém – e nem defesa civil alguma – se dá conta da enorme diferença desses modelos para uma gestão que se prepara para uma situação de risco global. Este articulista também não sabe como serão utilizados os instrumentos de enfrentamento de um episódio de perigo para a Humanidade, até porque a alienação das massas e a inexperiência desta civilização para com cataclismos globais (agravada pela descrença nos relatos antigos), certamente trarão com eles os infortúnios da má surpresa. Isto é apenas um lado da questão.

Por outro lado, e depositando toda a fé de que eu esteja errado, há quem pense que os homens de Governo das superpotências não apenas já sabem de eventos catastróficos para sua própria geração, mas que já montaram todo o esquema de proteção e fuga das massas, tal como o recente filme “2012” mostrou em cores vivas (ali até gigantescos barcos submergíveis foram construídos para salvar boa parte da Humanidade, levando com eles os heróis americanos e suas eternas patriotadas!).

Não fosse isto, o filme talvez contenha algumas gotas de alarmante verdade, no que diz respeito à possibilidade de ocorrência de tragédias globais neste início de século (o sol está esquisito, o clima está teimoso, o mar está roncando, a crosta está sacolejando feito cachorro que levou um banho de areia, enfim, estamos numa estranha travessia temporal). Porém, afora isso, o filme provavelmente ilude o telespectador – e é duro saber disso – justamente na questão do resgate da humanidade, porque tal coisa só seria crível se os homens do “Comando Suprapartidário e Suprapolítico” fossem nobres e magnânimos, inundados pela bondade interior de Cristo. É uma pena, mas isto é uma ilusão.

No máximo, eles pensarão em salvar as suas famílias e amigos mais íntimos, e talvez, como pareceu mostrar este diretor da NASA, as famílias institucionais das empresas onde trabalharam a vida toda, se é que eram colegas leais. O “resto” (o resto para eles merece mesmo este nome) irá sucumbir no peso das águas, na dor dos incêndios ou na asfixia dos gases, mesmo que sejam seus co-patrícios. Nem será preciso pensar no que está reservado aos povos de outros paises…

Aliás, a comunicação do Diretor da NASA, que é ligado à FEMA (que é como um órgão de defesa civil americano), fez o terror da dúvida acerca dos milhões de caixões da Georgia voltar à tona, uma vez que até agora o Governo ianque jamais explicou PARA QUE foram construídos TANTOS caixões, além de serem caixões enormes e de material sintético, aparentemente inquebráveis, do tipo que pode caber três ou quatro defuntos).

Paremos um pouco. É bom meditar profundamente agora. Analise esta pergunta: “o que levaria um ‘Diretor de Emergências’ da NASA a falar abertamente ao seu pessoal institucional, de modo tão tocante e comovente, e em sua fala repetir reiteradas vezes a expressão ESTEJAM PREPARADOS”? Ou o que levaria qualquer pessoa a pedir que alguém se prepare? É óbvio que algum acontecimento extraordinário está por vir, e o tal informante deve ter – este detalhe é chocante – informações privilegiadas do evento, ou então não estaria tão convicto de pedir uma preparação minuciosa como aquela, a qual envolveu até uma relação de itens de sobrevivência para abrigos prévios, que deveriam ser ocupados e munidos das provisões necessárias!…

O que mais precisamos ouvir? (Perguntaram os acusadores de Jesus). Haveria mais necessidade de alguma prova de que alguma coisa está em andamento nas proximidades desses anos conturbados?

Finalmente, a nossa palavra agora se dirige àqueles que crêem em Cristo como Senhor e Salvador (não com fé-morta, mas viva), e também depositaram sua confiança nas palavras de Aslam, quando antecipava sua denúncia contra o caos profetizado por Jesus e a proximidade dos eventos que marcavam a sua segunda vinda à Terra. Se a instrução é para nós, e se a comunicação de alerta de preparação para uma hecatombe global chegou aos nossos ouvidos, nada mais temos a fazer a não ser intensificar as nossas boas ações, trabalhando pela Verdade e pela caridade, tal como pediu São Lucas numa passagem que devemos reler e guardar bem firme no coração (Lc 12,35-44). Faça isto, e durma em paz. [A Direção].

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“Missão Marte”: Mais que um filme, uma profecia de Brian De Palma

Contando uma história fictícia acerca de uma primeira viagem tripulada a Marte, Brian De Palma brinda o telespectador com uma mensagem que vai muito além da Sétima Arte.

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Desde que um tropeço na “vigilância exopolítica” da NASA permitiu que uma de suas fontes soltasse no mundo duas fotografias de uma estranha face humana na superfície de Marte, ninguém havia tomado a iniciativa de fazer um filme de “ficção” acerca da descoberta, e a mesma teria caído no ostracismo se Brian De Palma, impressionado com as explanações lógicas e científicas de Richard C. Hoagland, não tivesse decidido fazer “Missão Marte” (“Mission to Mars”), o melhor filme sobre o Planeta Vermelho de toda a História do Cinema.

O presente comentário não visa tecer novas considerações sobre o filme, não apenas por estar muito distante dele no tempo (seu ano de lançamento foi em 2000), como por encontrar no mundo centenas de bons comentários sobre a obra, os quais são facilmente acessados via Internet. O que este comentário pretende é tratar daquilo que chamo de “PROFECIA de De Palma”, com início, meio e fim, trazendo ao leitor as duas partes da questão, a saber: o significado real da descoberta das naves Viking (primeiras a fotografar “A Face”), e o significado que Brian quis dar ao intrincado enredo da História humana que a descoberta aparentemente desnudou.

Marte tem sido, desde tempos imemoriais, um planeta cheio de mistérios e especulações, todos sob a sombra de um “deus da guerra” que o batizou, evocando um antigo conflito cósmico entre os até então supostos habitantes de lá e os terráqueos, seus vizinhos animalescos e rudimentares, mal saídos das cavernas. As suspeitas de uma civilização marciana varam o tempo e aparecem mais marcantes a partir do final da Idade Média, quando as técnicas de observação (nascidas com Galileu Galilei), começavam a apontar estranhos “sintomas”, detectados a partir de investigações mais atentas.

Todavia, foi com o astrônomo Giovanni Schiaparelli, e, mais tarde, com o seu admirador Percival Lowell, que as coisas começaram a tomar um rumo inesperado ou, como este artigo vai demonstrar, quando começaram a ir longe demais, pelo menos na visão cética da Ciência que os pretendia detratar. Schiaparelli acreditou ter visto estranhos “sulcos fluvioidais” na superfície de Marte, mas suas inocentes suspeitas praticamente se foram com a sua morte. Lowell “pegou carona” nas suspeitas de Schiaparelli e, como por encanto, foi agraciado com a mesma visão privilegiada de seu colega, intrigando-se e formando, a partir dali, uma consciência cada vez mais aprimorada para montar o quadro geral que não entendia, e cujo fim nem os cientistas civis de 2011 conhecem.

A visão de ambos, sobretudo deste último, não foi de todo ridicularizada pela Ciência, e o próprio Artur C. Clarke contou (em seu livro “Mundo Misterioso”) que muitos astrônomos chegaram a ver o que Lowell via, e os co-autores Simon Welfare e John Fairley confirmaram a manutenção de certo mistério, até agora insolúvel, tanto nos atuais indícios da NASA, quanto nos aparentes disparates de Lowell. Este último, respeitado até por ter sido o pioneiro “intuidor” do planeta Plutão, chegou a “construir” uma intrincada teoria para explicar os estranhos “canais fluviais” de Marte, e ela dava conta de uma civilização prestes a sucumbir por insolação e falta d’água, sendo os canais uma colossal obra de engenharia para conduzir as águas degeladas dos pólos marcianos para as regiões centrais mais baixas, onde florestas ainda sobreviviam, graças à constante irrigação trazida pelos “rios artificiais”. Nem é preciso discutir aqui a lógica intrínseca que a teoria de Lowell comporta.

Não sem indisfarçável espanto, a “teoria” desenvolvida por Brian De Palma no filme MISSÃO MARTE retrata justamente o que Lowell intuiu, dando a ela as pedras faltantes do grande quebra-cabeças que explica como os canais foram construídos, quem os construiu e de onde a Humanidade veio. Neste sentido, a parte mais importante de todo o filme de Brian De Palma é precisamente o seu final, quando o astronauta Jim McConnell (Gary Sinise) decide seguir viagem sozinho com os ETs marcianos, após ouvir, espantado e extasiado, toda a história da Terra. Afinal, seus genes também vieram de Marte, junto com seus dois colegas igualmente pasmos, que agora sabem que a Humanidade foi gerada a partir de uma panspermia marciana, e seu embarque naquela aventura nada mais era que um retorno à casa paterna.

Os poucos minutos que dura o vídeo em 3D mix-holográfico (com cenas de interfusão) da saga dos irmãos do planeta vizinho, em fuga após o choque de um gigantesco cometa sobre a superfície de Marte, valem todo o tempo, esforço e dinheiro investido na obra, tanto para seus produtores quanto para seus telespectadores, que certamente nem se deram conta do colossal “enredo subliminar” ali inserido, ou seja, o completo descortinamento de toda a História terrestre numa única cena, pondo abaixo tudo o que já se filmou e escreveu sobre o assunto.

E melhor, numa “sub-história” que ninguém pode, nem mesmo a Ciência, descartar como falsa, já que até hoje Marte nunca deu aos cientistas uma prova definitiva de que não há vida por lá, e pelo contrário, a cada nova fotografia, viagem e vídeos, surgem mais mistérios, para os quais a NASA tem que correr com as calças na mão para negar todos os intrigantes indícios por eles suscitados. Para se ter uma idéia do quanto a NASA já fez para negar as suspeitas de uma grande campanha de ocultação da verdade, o emérito jornalista brasileiro Luiz Carlos Lisboa, com sua acuidade visual e sua sapiência multidisciplinar, certo dia escreveu um livro no qual a vida em Marte é exposta sem qualquer subterfúgio, deixando explicita toda a inexplicável trama dos cientistas que negam tal informação à Humanidade, irmã legítima da Marcianidade. O livro se chama “Os grandes enigmas da Humanidade”, escrito em parceria com Roberto Pereira de Andrade, e o trecho em questão é o seguinte:

[…] “O astrônomo Sinton conseguiu provar que “apenas nas zonas esverdeadas de Marte notavam-se as faixas luminosas características da absorção clorofiliana”, fenômeno que se registra apenas nos vegetais. Era a prova definitiva, e vinha somar-se às conclusões anteriores. Há vegetais em Marte. Mas como serão eles? Naturalmente adaptados às rigorosas condições do planeta vermelho. Juntando num vegetal imaginário as características de diversas plantas da Terra, McDonnald conseguiu reconstituir a figura das plantas marcianas. Elas devem ser altas – e não liquens, como muitos sustentam –, já que depois de soterradas por tempestades de areia elas reflorescem rapidamente, e sua altura oscilaria assim entre 80 centímetros e 1 metro. Têm incrível resistência técnica pela constituição especial de seus caules e folhas, e resistência à radiação ultravioleta pela pigmentação toda especial que apresentam. Do solo, rico em ferro e outros minerais, retiram o alimento, assim como o oxigênio. Marte é um planeta literalmente enferrujado e deve ser atribuída ao óxido de ferro (e aqui não restam mais dúvidas) a sua coloração especial. Por um processo químico qualquer o vegetal marciano retira o oxigênio do solo, onde é abundante, e não do ar, onde ele existe em baixa percentagem. As folhas, grandes e carnudas, absorvem calor durante o dia (no equador marciano, de dia, a temperatura chega a 23 graus centígrados, mas durante a noite cai para 40 graus negativos) e de noite se enrolam para evitar a perda de energia por radiação”.

Todavia, como eu disse no início e o título explicita, o que o filme Missão Marte tem de mais importante é a PROFECIA entregue à Humanidade por meio de Brian De Palma, a qual põe na luz da ribalta a inquietante verdade da extinção da raça humana, operada pela queda de um gigantesco bólide do espaço e contra o qual NADA pode ser feito! A pergunta é: isto tem um fundo de verdade? Sim. Claro que tem. Porquanto a cada dia que passa surgem mais evidências da aproximação de um enorme corpo celeste ao nosso Sistema Solar, e a NASA já foi alertada pelos próprios astrônomos, que em breve serão forçados a contar a história mais triste para a massa alienada, alienada por culpa da própria NASA e governos fantoches, cujos interesses sempre se voltaram apenas para a própria barriga. Até o Papa já foi alertado para a terrível realidade do planeta “Tyche”, e em breve a própria Igreja (igualmente culpada pela alienação da Humanidade) será obrigada a vir a público e contar o indisfarçável, certamente pedindo a oração generalizada de todos os cristãos para a piedade de Deus.

Então terá sido tarde demais? Certamente para a grande maioria da Humanidade, sim. Pois o Filho de Deus, quando aqui esteve, deixou claro que tal coisa um dia ocorreria, e que poucos seriam salvos por um estranho processo chamado “arrebatamento”, muito bem mostrado no filme “Deixados para trás”. Se esta hora de extrema angústia, batendo às portas de todos nós, não nos fizer refletir agora mesmo sobre os terríveis malefícios que causamos ao Planeta, e sobre as voluntárias fugas de nossas responsabilidades como almas de Deus, nada mais haveremos de esperar para esta massa humana de bilhões de cadáveres (aqui lembramos os incontáveis caixões da FEMA), cujos espíritos deles separados talvez jamais se encontrem, sem nenhuma metáfora salvadora.

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Quando os ficcionistas não fazem ficção

Diz-se comumente que CS Lewis foi o autor das Crônicas de Nárnia, das Cartas do Inferno, dos diálogos do Grande Divórcio, mas talvez isso não seja totalmente verdadeiro.

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Um homem com a “estatura de Cristo”, para bom entendedor, não se ofenderá absolutamente (muito pelo contrário) se ouvir alguém dizer que as suas obras, livros e discursos, não foram criações dele, e sim foram “interpretações” ou mesmo “cópias” de material alheio, sobretudo se este material for o sumo perfeito da Palavra de Deus, pela qual ele teria sido diretamente inspirado. Para este articulista, foi exatamente isto o que aconteceu com CS Lewis, auto-apelidado “Jack”, a quem dedicamos este artigo. Nele explicarei porque nem sempre os ficcionistas “inventam suas histórias”, ou antes, pelo contrário, como é comum contarem uma verdade que apenas parece ficção.

Como Lewis escreveu muito (uns 40 livros), serei obrigado a reduzir os pontos de meu argumento a uns poucos exemplos, procurando coincidir o máximo possível as suas “criações” com aquilo que a Bíblia Sagrada traz, seja nas suas linhas ou entrelinhas. Ater-me-ei, até por relação lógica, aos livros ditos “ficcionais”, nos quais poderiam estar coisas retiradas da própria mente de Jack, como se ele as tivesse pensado primeiro. Farei as citações e, junto com elas, direi a quais livros pertencem.

Lewis chamou o mundo dos mortos de Terra das Sombras, ou “Shadowlands”, por se referir às almas como “fumaças”, seres tênues ou fluídicos, os quais não tinham consistência densa para pegar e levantar objetos (livro “The Great Divorce”, “O Grande Abismo”). Pois bem. Isto está nas Escrituras Sagradas, nos livros de Jó 10,21 e 12,22; Sl 37,20; Is 26,19 e Ap 9,2 e 14,11.

Jack disse que existem animais estranhos na Terra (Criptozoologia), ou que pelo menos outrora existiram, um dos quais chamado de Unicórnio pela Mitologia, mas jamais menosprezado como mito por CS Lewis. Ele escreveu abertamente sobre unicórnios em suas Crônicas de Nárnia, sobretudo no último livro (“A Última Batalha”), chamando seu herói eqüino de “Precioso”, por sua coragem e heroísmo, sem deixar nenhuma dúvida de sua existência – embora a maioria dos “crentes” acredite que os animais mitológicos em Lewis eram apenas alusões metafóricas a seres celestiais, e não terrestres. Todavia, a tradução da Bíblia por João Ferreira de Almeida, publicada pela Sociedade Trinitariana, traz os unicórnios em diversas passagens, tais como: Nm 24,8; Sl 22,21; 29,6; 92,10; Jó 39,10 e Is 34:7, o que põe fogo na fogueira pela impossibilidade de se negar veracidade às Escrituras.

Disse que as estrelas são anjos, anjos que podem vir à Terra em missão especial, na qual se transformem em seres humanos, como ele mostrou nas personagens de Ramandu e sua bela filha, muito bem protagonizada no 3o filme das Crônicas, “Viagem do Peregrino da Alvorada”. A Bíblia também diz a mesma coisa, e o leitor pode conferir isso lendo passagens como os salmos 147,4 e 148,2-4, afora outros salmos e estranhas referências de Paulo e do próprio Cristo, como em Hb 13,2 e Mc 9,1. A própria Estrela de Belém, que guiou os magos, pode e deve ser um anjo de anunciação, iluminando o Caminho que mais tarde João Batista aplainará.

Lewis escreveu histórias de faunos e seres ditos “mitológicos”, e estes seres têm um papel relevante na história de Nárnia. Alguns deles são citados na Bíblia Sagrada, ao lado de outros, como o leitor pode ler em Isaías 13,21 e 34,14.

Há uma sutil e rápida passagem no livro “Perelandra” (cap. 1, pág. 5), onde Lewis revela a existência de objetos materiais que servem de veículo para anjos e outros seres divinos, o que está endossado pela palavra do profeta Ezequiel (Ez caps. 1 a 3 e 10,13), quando ele contou a sua experiência ufológica às margens do Rio Quebar. Ali o profeta não apenas fala de veículos para seres angélicos, como os descreve como sendo de “metal polido” e em forma redonda ou discóide, chamando-os de girantes ou “rodas volantes”. Na tradução mais recente da CNBB, o versículo Ez 10,13 diz o seguinte: “Ouvi que as rodas eram chamadas veículos”.

Em algumas mui tocantes passagens bíblicas, Jesus é apresentado como o Leão de Judá, e este Leão saiu das páginas das Escrituras para as Crônicas de Nárnia, onde Lewis nos apresentou o Grande Aslam, Filho do Imperador de Além-mar, e encantou o coração de crianças e adultos, encharcando os olhos de muitos. As passagens bíblicas que falam de Jesus como Leão são: Gn 49,9; Os 5,14 e 11,10; e Ap 5,5.

Jack também apresentou uma arrojada visão do mundo inteiro, descrevendo-o como um mero e ínfimo orifício no chão da imensa ante-sala do paraíso, na qual Lewis se encontrou após “subir de ônibus” até a Escola Celestial onde George MacDonald lhe ensinou tudo. Esta visão do ínfimo microcosmos onde vivem os humanos também é bíblica, e ela pode ser comprovada pelas “insinuações incidentais” que os livros de Jó (38,16), Sl (8,4) e Mt (11,11 e 13,32) dão acerca da morada dos homens.

Neste mesmo espírito revelador, Lewis conta que a Região dos Mortos, chamada pelo Salmo 23 de “Vale da Sombra da Morte”, pode ser entendida como um abismo (não o abismo de Lc 16:26, mas o de Is 59,2), no qual estagnam ou involuem as almas rebeldes ali chegadas com a morte, e cuja salvação depende de mais uma vez abrirem seu coração à pregação de Cristo no Hades, como explicitada por Pedro em I Pe 3,19 e 4,5-6. As almas não-rebeldes, ou das pessoas que morreram sem negar a Cristo, facilmente subirão ao Céu na figura do “Ônibus de Lewis”, a qual pode ser entendida como o “veículo dos anjos” entrevisto nos trechos de Lc 16,22 e Sl 91,11. Interessante destacar a nova tradução bíblica da CNBB, a qual assim traz Is 59,2: “Ao contrário, vossas injustiças é que viraram um abismo a distanciar-vos do vosso Deus, foram vossos pecados que esconderam a divina Face, impedindo-o de escutar”.

Finalmente, o livro “Cartas do Inferno” também apresenta o demônio como um “vampiro”, chamado “Morcegão” (murecaecu ou “murcaecus”, que daria “murciegus”), entidade devoradora de almas que atenta constantemente as personagens do livro, sobretudo um certo cidadão cristão que um demônio jovem, apelidado por Lewis de “cupim” (“kopi’i”, o corrosivo), tenta fazer cair na eterna guerra entre o bem o mal no coração do Homem. Interessante notar um estranho mas perfeito paralelo entre este livro e as duas primeiras Crônicas de Nárnia: existe um diabo responsável por destruir as últimas provas do guarda-roupa mágico, e ele se chama cupim! Isto é um verdadeiro “missing link lewisiano”! Todavia o diabo devorador, ou antes, a fome anímica de satã, é apresentada na Bíblia com outras figuras, inclusive como um leão maligno (o oposto de Aslam), o qual está sempre ao redor de nós tentando nos consumir ou exaurir nossas energias, como pode ser visto em I Pe 5,8.

Isto tudo nos leva ao título de nosso artigo, o qual indiretamente diz que Lewis não inventou nada, e agora o leitor já pode comprovar tal assertiva. Como alguém poderia inventar algo que outro já descreveu? Ou como tratar como seu aquilo que outrem já havia publicado? Portanto, Lewis precisaria ser um cínico ou um falso cristão para plagiar trechos e figuras “inventadas” ou reveladas por outros, sobretudo quando tais matérias se encontram na Palavra de Deus, livro que Lewis respeitava em primeiro lugar em sua vida. Isto basta. Se o leitor ainda tiver alguma dúvida, poderá ver o próprio Lewis pedindo “desculpas” por usar as figuras de outros, como no caso da “chuva cortante” que caía sobre as costas dos fantasmas, em seu livro “O Grande Abismo”. Por último, se o leitor gosta do assunto e quiser mais conteúdo, procure um livro chamado “O Grande Divórcio do Egocentrismo” e um outro chamado “Você é um fantasma e não se enxerga”, sem qualquer ofensa…

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A questão do merecimento dos milagres

Se Jesus pedia freqüentemente para que nada fosse dito acerca de seus milagres ou de sua autoria, e era sempre desobedecido, quem de nós merece um milagre verdadeiro?

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São inúmeras as passagens no Novo Testamento onde Jesus opera milagres espantosos, os quais iam desde uma “simples cura” de uma cegueira, até a ressurreição de mortos e milagres meteorológicos colossais. Mas um fator vital e insistente sobressai da maioria dos relatos acerca dos milagres do Senhor: Ele pedia para que os beneficiados por milagres não contassem nada a ninguém, ou, quando muito, se apresentassem ao sacerdote para cumprimento da Lei Judaica (Lc 5,14; 9,21; Mt 16,20 e textos paralelos). Por que Jesus não queria divulgação? Vamos analisar isto aqui.

No livro “Radiografia de Maria”, uma frase-bomba foi deixada de propósito para ressoar na consciência dos leitores: “A humildade é a virtude divina mais inacreditável”. A estranheza de toda a Humanidade perante esta virtude de Deus se deve ao fato extremo oposto do pegajoso e diabólico orgulho existente no coração humano, pelo qual tudo o mais é decidido e realizado, não deixando espaço sequer para um pensamento humilde. Há mesmo quem diga que a humildade é depreciativa e até pejorativa, e ganharemos a inimizade de todos se a deixarmos a mostra.

Assim, pois, o mundo funciona e até respira (segundo Costa Matos) em função de seu orgulho pessoal e coletivo, e há, dentre os psicólogos, quem pense que sem orgulho, a depressão é o resultado inexorável da humildade, que leva ao abismo da falta de auto-estima. Não é nossa discussão aqui, e o mencionamos apenas para pensarmos sobre a humildade de Deus.

Ainda mais que no tempo de Jesus, havia pelo menos uma boa razão para que o Mestre não desejasse notoriedade para seus feitos, para não desintegrar o plano salvífico de Deus, cuja eficiência dependeria da confiança-cega, único termômetro eficaz para medir o amor-verdadeiro. Assim sendo, se Deus queria que as almas cressem nEle (i.e, confiassem cegamente no seu amor e poder), não seria possível obter tal confiança com ações que a esta facilitassem, uma vez que a confiança é justamente a virtude que se configura por não usar de provas concretas, apenas a crença de que o objeto da confiança tem cacife para merecê-la cabalmente.

Afora esta específica e precípua razão, não havia a rigor nenhuma outra que pudesse ser aqui elencada, e o próprio Jesus deixou isso claro quando operou milagres portentosos e coletivos, como a multiplicação dos pães e a cura de Lázaro. Mas nem pense o leitor que o próprio Nazareno não se sentiu frustrado e até irritado com a comprovação do desmerecimento dos milagres, e naquele caso da multiplicação dos pães Ele chegou a expressar isso verbalmente, em alta voz, quando disse: “me procurais apenas pela comida que perece, quando deveríeis vir por aquela que sacia a fome para toda a Eternidade” (em tradução livre de João 6,26-27).

Assim, o Senhor sabia do desastre que era operar milagres em público, sem dúvida, mas estava literalmente acorrentado ao fato de sua presença humana não espelhar nenhuma confiança a priori, tal como o corpo deste autor e de todo mundo não revela de si nada mais que um ser humano, em cuja testa não está escrito “tenho poderes divinos e mereço toda a tua confiança”. Isto é tão lógico e vital que o próprio Jesus precisou um dia mudar seu rosto em luz e nuvens incandescentes, naquilo que ficou conhecido como o episódio do “Monte da Transfiguração”, ocasião em que estavam com Ele apenas uns poucos apóstolos, dos mais íntimos e espiritualizados! (Mt 17,1-3).

Agora podemos perguntar: por que ninguém merece um milagre? É uma pergunta muito difícil de responder, não tanto pela complicação de seu enredo, mas pelo tamanho. Seria preciso uma releitura geral de toda a Teologia dos milagres, e então o leitor teria que ir atrás de muitas fontes em livros e tratados, sem dispensar o auxílio da Internet. Não que não se possa esboçar uma respostinha curta para leigo… não. É que a resposta seria tão insuficiente que pareceria enrolação.

O problema é que após a Queda da Humanidade, todo mundo passou a desconfiar de todo mundo, a começar da desconfiança em Deus, a partir do momento em que o primeiro casal não confiou na palavra de seu próprio Pai e Criador (não foi à toa que logo logo um irmão matou o outro). Depois de longos anos de avultamento e enovelamento da desconfiança generalizada, não era de se admirar que a suposta “evolução” resultasse numa sociedade violenta, incapaz de acreditar na bondade alheia, até porque a bondade foi uma das primeiras coisas que os “bonzinhos” erradicaram. Observe como a desconfiança cresceu a tal ponto que nada mais subsiste sem uma prova concreta ou documental, o que explica porque os mestres só podem ensinar a outros mestres se tiverem um diploma de doutorado, um filho só pode ser um bom aluno se tiver notas boas num tal boletim, uma moça só pode ser virgem se a ginecologista fizer um exame tátil, e um homem só pode ser macho de verdade com muita dificuldade, pois às vezes nem mesmo a palavra da mulher dele serve de prova e a masculinidade passou a ser apenas um segredo dele. O leitor captou o absurdo?

Ora. Espantar-se, pois, que Deus retenha seus milagres perante uma raça tão desdenhosa como a nossa não deveria ser nada ilógico, da mesma forma como um filho ingrato não deveria estranhar o longo tempo e a distância que seus pais mantêm dele, e a solidão absoluta deveria ser mesmo o fim de todos os ingratos! Por tudo isso é que se deveria, com urgência, tentar resgatar o merecimento PESSOAL dos milagres, pois somente no plano individual é que Deus poderia operar a contento, ao mesmo tempo sem ser visto pelos que não O merecem (Mt 6,1-6), e ao mesmo tempo “consertando” aqueles que, a duras penas, estão tentando vencer o vício da desconfiança pré-histórica que o tempo lhe inoculou.

E aqui pode, de fato, ocorrer surpresas espantosas. Porquanto Deus é tão pródigo e generoso em sua bondade milagreira que, sem que o indivíduo sequer tenha “acordado” para a intimidade do mundo espiritual, o Senhor pode enviar para ele um milagre tão portentoso que seu resultado fique literalmente oculto ou congelado, até que a evolução verdadeira da fé e da confiança acorde a alma e esta veja, espantada, que recebeu uma dádiva (então imerecida, como sua evolução lhe dirá). E não duvido que estes milagres individuais ocorram até em coisas que afrontem as leis físicas newtonianas, pois o que Deus queria era a confiança do pedinte, e não a facilidade da operação.

Nada obstante, e para ironia de quem escreve um artigo desses, não há como arranjar casos para exemplificar este argumento. Se o articulista disser que nunca recebeu um milagre, o leitor imediatamente pensará que este autor não merece um milagre. Se, ao contrário, confessar que já recebeu um milagre pessoal tão grande que estremeceu Newton em seu caixão, o leitor pensará que menti ou que fui, finalmente, vencido por meu orgulho pessoal. E assim morrem os milagres…

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O porquê das curas imperfeitas

Analisando razões para as respostas incompletas das orações que pedem curas, inocentando Deus pelos resultados insatisfatórios das preces pela saúde individual.

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O presente artigo é dirigido às almas que foram agraciadas com o dom da fé, e com prazer o digo, dispensando os demais leitores desta pura perda de tempo, que é ler uma matéria cujo fundamento é intangível, ou onde “não há fundamentos”, como os descrentes dizem. Acertados os nossos ponteiros entre os leitores de fé, podemos agora falar tranqüilamente, como manda a boa educação dos tempos da nobreza.

Quem tem fé sabe o quanto precisamos de preces ou meditações com o Altíssimo, o quanto delas usamos e o quanto as negligenciamos. Mas todos irão concordar que já fizeram ou fazem uso da oração como um ingrediente fundamental da vida, o qual se torna até indispensável em certas ocasiões. Da mesma forma teremos grande percentual de cristãos que poderão contar os benefícios advindos das suas orações, seja em momentos de súplica ou agradecimento.

Então, uma questão se imiscui nas práticas supracitadas e delas deriva, formando também boa parte das estatísticas mundiais de orantes, sobretudo no meio cristão. A saber: as orações sem resposta ou com respostas incompletas. E sobre elas muito já se escreveu e muito já se respondeu, mas jamais atendendo a uma questão delas decorrente. É o seguinte.

Os teólogos e religiosos sabem bem (e explicam) que quando Deus não responde uma oração, sem dúvida Ele viu motivos muito justos e especiais para fazê-lo, tais como: o resultado final negativo não previsto pelo orante; o erro de pessoa embutido na oração (pede-se uma coisa boa para uma pessoa e ela só seria boa para outra); o “simples” desmerecimento de quem faz o pedido; a hora errada para o pedido, etc. Esta é uma lista “simples” e sintética do que acontece de fato, na avaliação que Deus faz da ocasião, da oração e do orante. Porém há mais uma resposta. Uma, com muitas ramificações.

Para entendê-la, precisamos assumir as seguintes premissas: que o pedido é moral e legal; que é racionalmente válido; que é útil e necessário para a própria pessoa que ora; e é oportuno para a ocasião. Enfim, que satisfaz tudo o que deveria satisfazer na perfeita harmonia do cosmos. Observe o leitor como a idéia de SATISFAZER TUDO já é uma meta complicada, o que obriga a Teologia a assumir que Deus responde as orações independente do quanto cada uma delas cumpre a longa lista de condições para sua realização. Ok? Até aqui tudo claro? Pois bem.

Entretanto há algo que escapa a essa longa lista de condições, digamos, voluntariais do ato de orar, e recai numa área de elemento “fortuito”, por assim dizer, ou em cuja ocorrência as vontades envolvidas nada interferem e nada podem fazer. I.e, onde nem a vontade do homem nem a de Deus podem ajudar muito, em razão da realidade nua e crua da circunstância do orante, independente do livre-arbítrio deste e do poder de Deus. Vamos entender agora.

Dois fatos colossais entrecruzam a história das orações: a Queda do homem e a Salvação de Cristo. Esta é una, perfeita e suficiente, como diz a Teologia, mas mantém-se dependente da vontade do Homem, e por isso está sempre sob o risco de acorrentar-se nas rejeições humanas. Não precisarei aqui dizer que existem decisões pessoais que afastam Deus ou O deixam de fora; e quando Deus fica de fora, o poder dEle vai junto (fica fora também). Isto todo religioso sabe. Todavia, a Queda do Homem, geralmente esquecida pelas psicologias e teologias pós-modernas, não atingiu apenas as áreas comuns, normalmente elencadas pelo ABC do catecismo, tais como a falta de amizade com Deus, a escalada decrescente de pecados, a fixação em vícios mortais, a ausência de moral e outras conseqüências danosas para o praticante. A Queda também desligou e danificou os elos de ligação do Homem com Deus, e este processo também foi dinâmico, ou seja, encadeado e decrescente, de tal maneira que a passagem do tempo tornava os elos cada vez menores e mais defeituosos, ao ponto de significar uma queda real, isto é, uma perdição completa e uma tragédia absoluta.

Isto significa que o desastre foi tão colossal que, mesmo na hipótese de o homem se tornar bom, arrependendo-se de seus pecados, crendo e fazendo a caridade, ainda assim os danos que o seu pecado lhe causou deixaram uma falha intrínseca, só corrigível no Paraíso, já que o pecado foi uma doença adquirida no paraíso, sem qualquer culpa da parte de Deus.

Admitindo que o Homem chegou a cumprir todos aqueles requisitos de bondade elencados na Palavra de Deus (supracitados), incluindo o arrependimento e a caridade, nada disso tem o poder de restaurar a saúde perfeita do Paraíso, já que nenhum cristão recebe o chamado “corpo ressurreto” ANTES da morte deste corpo físico e debilitado. E só o corpo ressurreto é perfeito. Eis aqui explicada a dificuldade do próprio Deus onipotente em atender todas as orações por inteiro, já que a totalidade do pedido implicaria em dar algo completo a uma alma incompleta, ou melhor, sem o corpo capaz de receber tal bênção.

“É claro que nem todas as orações pedem algo tão sublime que implique numa resposta escatológica dessa magnitude”, diriam alguns. Sim, é verdade. Mas a maioria das respostas às orações chegam incompletas porque o orante nem sabe que HAVIA MAIS COISAS A RECEBER por meio daquela oração. Ou seja: por causa do corpo físico deficiente, pedimos mal ou pedimos pouco (“Não sabemos orar como convém” – Rm 8,26 e Tg 4,3) por julgarmos que o todo visualizado no pedido contempla o todo que Deus vê para cumpri-lo, e assim vamos sendo atendidos precariamente, embora o precário nos agrade por não enxergarmos nada mais além dele. Todavia os pedidos atendidos só nos agradam –mesmo com respostas parciais – quando são endereçados a áreas não-letais, ou seja, coisas cotidianas que nos dão prazer ou satisfazem às nossas necessidades básicas, como comida, vestuário, viagens, etc.

Contudo, e infelizmente, quando nossos pedidos são feitos para áreas letais, como a saúde, por exemplo, então a fragmentação das respostas pode ser percebida, e geralmente é sentida com uma dor ainda maior que a da doença que nos acomete na ocasião. E só aqui começamos a criar dúvidas ainda mais perigosas para nosso espírito, que é quando começamos a pensar que Deus não tem tempo para nós, ou que nem chegou a nos ouvir, ou que é egoísta, ou que faz acepção de pessoas, curando uns e não curando outros, etc.

Nada disso. Aqui aparece uma parte grave de nosso defeito da Queda: pensamos errado. Não bastassem os defeitos físicos e emocionais que herdamos de Adão e Eva, ainda herdamos o pensar errado, que coloca Deus na latrina das piores reações humanas, como se Ele mentisse ou se negasse a perdoar a quem passou a vida toda Lhe ofendendo. Deus não é homem! Deus nunca erra. O que temos que pensar é: “se Ele nunca erra, por que a resposta de minha oração de cura veio incompleta?” (Melhor ainda seria perguntar “para quê”, ao invés de por quê). [Se você for cristão, poderia também perguntar: há alguma prova bíblica, com Jesus presente, onde houve cura incompleta? Sim. Há. Veja em Mc 8:22-25, e tudo indica que o resultado só ficou legal porque Jesus estava fisicamente ali].

A razão pela qual Deus não cura tudo com perfeição é que há uma parte do caminho da oração – ou dos canais intermediários – que é dificultada pelo pecado individual (coração sujo, ouvido sujo, boca suja, etc.), e por isso o poder de Deus não alcança todos os “lugares da alma” onde a doença se instala. Não é apenas que o orante é um pecador!… Quem nos dera fosse apenas isso! O problema é muito mais sério do que podemos supor. Veja.

A Queda do Homem provocou defeitos tanto na mente (emoções e sentimentos), quanto no corpo (instintos e atitudes), porém muitos deles curáveis pelo arrependimento, pela fé, caridade, etc.. Porém alguns defeitos aderiram à própria capacidade de comunicação do homem com Deus, e pior, até aos canais e conexões do espírito humano com o Espírito de Deus; como se tivesse ocorrido um incêndio numa casa (Mt 12,43-45). Digamos então que houve um incêndio na nossa casa, mas que no entanto ela foi salva pelos bombeiros. Só que o incêndio a deixou sem condições de religar, a contento, os fios da rede telefônica, da Internet, etc., embora sem ter queimado quase nada da rede elétrica. Assim, a casa ficou precisando “de uma outra casa” para restaurar a capacidade de comunicação anterior. Os fios, as canaletas, os canos e cabos, as luvas de conexão, as calhas da fiação e todos os modens ficaram danificados, inclusive as paredes por onde tais conexões passavam. É claro que alguém ainda podia fazer ligações telefônicas da casa velha para o mundo, mas elas sempre saíam chiadas e zumbidas, dificultando a audição para quem falava e para quem ouvia. Só na casa nova as ligações são limpinhas e perfeitas, facilitando as chamadas e os atendimentos.

Assim sendo, seria preciso uma casa nova (um corpo novo, chamado ressurreto) para que as ligações entre o orante e Deus funcionassem com perfeição, e as respostas chegassem completas. Sei que alguém perguntará: “E a onipotência de Deus, associada à fé para quem tudo é possível, não são capazes de restaurar tudo neste corpo velho?”

Se assim fosse, TODAS AS ORAÇÕES DOS SANTOS seriam atendidas completamente, e não são. A própria Bíblia dá exemplos de santos cujas orações não foram atendidas, ou cuja resposta não foi completa. Até São Paulo passou por esta experiência, e olhe que ele tinha “cacife” diante de Deus para lhe pedir uma cura completa, e Deus lhe deu apenas uma parte da resposta: “A minha graça te basta” (II Co 12,8-9).

Finalmente, amigo leitor, não escrevi este artigo para deixá-lo desanimado. Nós nos tornamos tão pequeninos após a Queda (na verdade, nos tornamos vermes) que nem conseguimos fazer tanto mal quanto pretendíamos segundos antes da Queda, e nem precisamos de uma cura tão perfeita para alcançar a única saúde que importa agora restaurar, a saúde do espírito. Pois é somente por ela que um dia ganharemos uma casa nova, um corpo novo, igual ao de Jesus pós-Ressurreição. E a fórmula para restaurar aquela saúde do espírito pode começar com um gesto bem “simples” (como o ouvir com atenção) e terminar surpreendentemente simples, com a “mera” confiança em Deus, único capaz de nos dar um corpo novo que valha a pena ser perenizado. Pois o resto, i.e, se formos refeitos por obra de nossa maldade, de que adiantará ganharmos uma casa nova e nela só habitarem maus elementos? (Lc 11,26). Qual o proprietário de um imóvel que não se desfaz dele quando os criminosos descobrem seu endereço e passam a extorqui-lo?

Cuidemos, pois, do pouco que resta de nossa casa original (Mt 7,24-27), antes que nem mesmo a fiação elétrica funcione e ela se apague na escuridão, feito castelo de drácula. Com essas boas compreensões, podemos ter certeza de que, pelo menos da parte de Deus, nossas orações estarão sendo ouvidas. Quanto às respostas, ah, deixa o Dono da casa ver qual delas nos ajudará.

……………………………………………….Prof. João Valente de Miranda

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PARA EMAGRECER E TER SAÚDE

UMA PROVA DE QUE A FÉ SUMIU DO MUNDO

Você não precisaria de remédios, terapias, clínicas, cirurgias, consultas e mesmo exercícios físicos, se tão somente tivesse introjetado e realizado a fórmula simples de Jesus.

Certo dia o apóstolo Paulo, no auge de suas arriscadas missões, ousou recomendar aos  discípulos que, quando chegassem em qualquer lugar para evangelizar e ganhar almas, comessem de tudo o que era vendido nos açougues, e também de tudo o que lhes fosse oferecido nas casas, sem nenhuma restrição (I Co 10,25-27). Da mesma forma, o apóstolo Lucas também pediu aos seus discípulos que não recusassem nenhuma comida e experimentassem “DE TUDO o que seus anfitriões tivessem em casa”, independente de pensarem na procedência de quaisquer alimentos (Lc 10,7). São recomendações ousadas e arriscadas, sem dúvida, se levarmos em conta os cuidados alardeados na pós-modernidade, para quem os anos tranqüilos das gerações ignorantes (assim a nossa época chama os anos sem Televisão) eram ilusórios, a julgar pelas taxas de mortalidade e expectativa de vida dos povos “incultos” que a antecederam.

Vou entrar neste raciocínio ou nesta neura para possibilitar uma informação muito mais valiosa para as milhões de pessoas que hoje em dia sofrem com obesidade, depressões e fraquezas em geral, com ou sem enfermidade. Assim, vou fazer de conta que todos os registros históricos que temos acerca daquelas duas taxas – mortalidade e expectativa de vida – são 100% verdadeiros, e que os registros de nossa situação atual merecem 100% de confiança, acreditando cegamente nas nossas modernas tecnologias de pesquisa (vou, com isso, deixar de lado os registros bíblicos – para mim, verdadeiros – acerca da idade de morte dos povos antigos, os quais deixariam as taxas modernas virtualmente mudas e envergonhadas). Pois bem.

Por que Paulo, que era um homem sábio e instruído nas ciências mais profundas (além de ter sido “instruído” pelo próprio Jesus), e Lucas, que era inclusive médico, iriam fazer uma recomendação tão absurda para os padrões pós-modernos? Ou como admitir que homens tão inteligentes quanto aqueles que Jesus comissionou, pudessem dizer para seus seguidores que não recusassem nada e comessem DE TUDO o que lhes fosse oferecido?… E o perigo do colesterol ruim? E o risco das altas calorias, altas glicoses e outros venenos?… Logo, por acaso teriam Paulo e Lucas algum conhecimento de medicina ou de metabolismo que nem a Pós-modernidade alcançou?

Não. Nada disso. O engano é só nosso. Mas antes de voltarmos às recomendações dos apóstolos, vejamos alguns exemplos do Professor deles, o qual nunca fez uma faculdade, muito menos de Medicina, e era um mero Carpinteiro da Galiléia. Assim, devemos perguntar: “Jesus se privava de comer alguma coisa? Jesus temia alguma comida? Jesus evitava alguma refeição que tivesse muita gordura saturada? Jesus era vegetariano? Afinal, o que Jesus ensinava sobre isso?”…

Na realidade nunca se viu Jesus evitar qualquer comida. Isto significa que, ou Ele tinha um organismo de aço, ou comia escondido. Devia ser isso mesmo, dirão os místicos: “Ele sabia que jamais adoeceria, e por isso abria o bocão, feito caminhão de lixo, comendo de tudo!”. E dirão os psicólogos das etiquetas sociais: “Ele sabia o escândalo que uma refeição rejeitada representava na casa de um judeu, e por isso comia de tudo na ocasião; mas era vegetariano às escondidas”. Nada disso. Jesus de fato comia tudo, e nunca comia escondido; e quando se retirava para os lugares ermos, era para orar e jejuar! Assim dizem os evangelhos. Mas vamos utilizar apenas 3 passagens bíblicas. Vejamos.

1a) Jesus disse: “Nada que entra pela boca contamina o homem” (Mc 7,15 e Mt 15,11). Há alguma palavra mais clara do que esta? É preciso explicar?… Prossigamos…

2a) Jesus certa vez reconheceu que tinha hábitos alimentares tão “extravagantes”, por assim dizer, que o povo chegou a chamá-LO de “glutão” (Lc 7,33-34).

3a) Paulo disse: “Todas as coisas me são lícitas”, do que se pode deduzir “Todos os alimentos são bons” (I Co 10,23).

Contudo e com efeito, não foram essas passagens que baixaram o sarrafo e serviram de inspiração para este articulista escrever este texto. Na verdade, foi a consciência de Paulo que nos deixou o grande trunfo que agora desfilamos aqui. Preste atenção nos seguintes trechos da Carta aos Romanos:

1o) “Porque um crê que de tudo pode comer, e outro, que é fraco, come legumes” (Rm 14,2); [este trecho parece uma chacota, com o seguinte sentido: “Quem é forte, come carnes vermelhas e pele de frango; quem é fracote, é vegetariano!” – Tss-tss!]…

2o) “Eu sei, e estou bem certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é imunda em si mesma, a não ser para aquele que a considera imunda” (Rm 14,14);

3o) “É verdade que tudo é limpo, mas pega mal para o homem que come com escândalo; assim, bom é não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que teu irmão se escandalize de ti ou se enfraqueça” (Rm 14,20-21); [Se fosse na área sexual, o exemplo seria: “Você pode ser o cara mais decente com sua esposa e filhos, mas se for visto numa daquelas festinhas de Berlusconi, porá tudo a perder! Tss-tss!]…

4o) “Feliz aquele que não se condena naquilo que aprova; mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14,23). [Peço aos leitores libertinos que não use a fé como desculpa para a libertinagem! Lembre que de Deus não se zomba!]. Para o leitor decente, digo: aproveite e leia todo o capítulo 14 da Carta aos Romanos.

Ora; para mim, os trechos ainda continuam claríssimos, e pouca coisa poderemos acrescentar para “aliviar” àqueles que sofrem com as dúvidas lançadas pela profusão de mensagens conflitantes na mídia, que ora diz “isso faz mal”, ora diz “isso não faz mal”. Uma corrente diz, por exemplo, que chocolate faz mal; que cafezinho faz mal; que manteiga faz mal; que miolo de pão faz mal; etc. Porém tempos depois outras correntes vão à mídia e dizem que cafezinho faz bem; que chocolate faz bem (porque tem flavonóide); que a manteiga não faz mal, e sim a margarina, que é quase plástico; que é o miolo de pão que ajuda no equilíbrio fibroso dos intestinos, etc.; e assim ficamos todos nós, leigos e médicos, tontos, a ver navios, sem saber qual rumo tomar. O que fazer?

A resposta já foi dada. E foi dada por Deus, através da Sua Palavra, pela instrumentalidade dos autores canônicos que nos legaram as Escrituras Sagradas. Então, assim sendo, qual é a postura correta de um cristão diante de todos os alimentos?

É adquirir uma consciência tão elevada e tranqüila que consiga encarar todos os alimentos como uma dádiva de Deus para a nossa sobrevivência, pondo toda confiança na proteção e nos milagres de higienização de Deus para a nossa saúde e longevidade. É ter uma fé de tal dimensão e valor que receba todos os alimentos como estando a serviço de Deus no nosso organismo, e não a serviço de germes e bactérias que, antes de infectar o estômago dos afoitos, infecta a cabeça apavorada dos médicos e nutricionistas, que simplesmente não têm fé em milagres (ou pelo menos não têm fé suficiente para viver tranqüilos num mundo caótico quanto este nosso!… No que se esquecem de que a época atual é a mais limpa de toda a História humana, uma vez que conta com todos os recursos da moderna “tecnologia de higienização”, com recursos que nunca existiram em todo o passado da Humanidade, bastando para isso consultar a quantidade de doenças infecto-contagiosas que grassavam nas eras passadas).

Isto deixa a coragem dos apóstolos num nível muito mais miraculoso do que poderíamos supor, porque, vivendo numa época imunda e sem os recursos de esterilização/higienização de hoje, eles ainda assim acreditavam piamente na proteção divina de seus organismos, e por isso viviam tranquilos, desestressados, sem as ansiedades e depressões de hoje, nas quais o pavor de doença é apenas um item nas patologias físicas e mentais. É isso.

Uma última frase bíblica cai sobre nós como uma ducha de água fria. Foi quando Jesus disse: “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”. Há alguma dúvida aqui? Claro que não… Apenas pode-se acrescentar: “Deus, que está dentro de vós, é muito mais poderoso para resguardar o vosso organismo do que todo o exército de vírus e bactérias que infestam o mundo!”. Nas palavras de Paulo: “Eu sei em quem tenho crido e estou bem certo de que é poderoso para guardar o meu tesouro até o dia final”. Grande Paulo!

Basta que creiamos nisso. Este é o esquema de sobrevivência de Mateus, Marcos, João, Pedro, Paulo e Lucas, o médico. E são eles que nos o indicaram o sinal da saúde perfeita, ou da vida eterna, quando contaram que Jesus, em todas as curas que fez, sempre repetia: “A tua fé te salvou! A tua fé te salvou”. E melhor de tudo: a fé não se compra em farmácia e é 100% gratuita.

Prof. João Valente de Miranda (<eatjvs@gmail.com>)

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ESTAMOS BATENDO NA PORTA DE DEUS

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir e abrir, eu entrarei e cearei com ele”: a Ciência pode estar agora vislumbrando exatamente o contrário: estaria faltando apenas Deus abrir a porta.

Lembrando o refrão de uma lindíssima canção americana, cuja versão Zé Ramalho interpretou, como sempre, maravilhosamente bem, assistimos surpresos a um filme absolutamente inquietante, que mexeu para sempre com o nosso coração e consciência. E ainda mais, descobrimos que o mesmo já está disponibilizado na Internet (veja as cinco partes começando daqui), de tal maneira a tornar possível escrever este artigo de mãos dadas com o leitor e telespectador do vídeo aqui indicado.

O presente artigo poderia ter sido escrito com outros títulos (1, “Nárnia se baseia na última descoberta científica”; 2, “Um conto infantil aponta para a última fronteira da Ciência”; 3, “O último estágio da Ciência é Nárnia”; etc.) e não ficaria menos adequado à realidade tateada pelos mais recentes avanços da Cosmologia, que eu tive a glória de travar contato na semana passada. Em razão disso, forçoso é explicar ao leitor que a leitura deste texto se tornará vazia ou inútil, sem que antes se assista ao vídeo acima sugerido(*).

Desde o princípio dos tempos a Humanidade vem procurando, com menor ou maior rigor, uma resposta de Deus para o Grande Mistério de si mesma, consubstanciado na pergunta “de onde nós viemos?”, e até aqui o discurso é perfeitamente aceito como o centro do maior interesse científico de todos os tempos e de todos os estudiosos da Astronomia, da Cosmologia, da Biologia, etc., embora não se possa, quando se tem um mínimo de consciência espiritual, fugir da resposta imediata da religião: “É o homem que se afastou da Verdade, e não o contrário, desde a aurora do tempo”. Assim, todos os esforços humanos para caminhar com uma bússola confiável comportam a culpa intrínseca de uma revolta da alma humana contra a necessidade de usar bem o seu Livre-arbítrio, ou seja, de deixar a sua liberdade sob orientação de uma vontade alheia, a saber, a vontade de seu Criador. Com efeito, é aqui que reside de fato o grande nó cego da questão, e isto está longe de significar uma fuga de Deus ou uma vingança ocultadora do Criador, irritado com as suas criaturas presunçosas.

Deus, portanto, jamais moveu uma palha para se manter distante ou oculto de suas criaturas rebeldes, e toda a parafernália de mistérios que O soterraram não passa de uma intrincada cegueira viciosa que a culpa original injetou na mente humana, dando a impressão de ter havido o contrário, a saber: “o gigantesco objeto visível que não é visto recebe a culpa de não ser visto pelo objeto minúsculo”. Isto é um fato muito comum nos laboratórios, quando a biologia, por exemplo, estuda microorganismos, que na maioria das vezes reagem ao toque sem jamais perceber a imensidão de quem os tocou. Diz a ciência que até algumas formigas, quando sobem em nosso pé e nos ferram, não fazem a menor idéia do tamanho de um homem, e apenas nos mordem no desespero de dizer: “Ei, estou aqui! Vê se não pisa de novo em minha casinha!”.

Assim, pois, podemos afirmar com certeza que o microorganismo chamado Humanidade tem estado, há muitos milhões de anos, mordendo os pés ensangüentados de Deus e achando que não O encontrou, ou que ele correu de nossa presença, como se o Santíssimo tivesse alguma culpa. Porém agora as coisas mudaram: o microorganismo já sabe que está batendo na porta de Deus; e isto significa que a Humanidade, finalmente, chegou aos pés ensangüentados, embora tardia e obscuramente, ainda precisando de uma etapa (certamente muito mais difícil) de olhar para si e ver que tem toda a culpa, e que se não conseguir a autocura, nadou, nadou, nadou, para morrer na praia.

O vídeo da BBC “Universos Paralelos” é tudo isso, sem apontar para a culpa do homem, que se mantém orgulhoso ao extremo, até de suas pesquisas em busca de Deus. Porquanto aquele passo seguinte, que salvaria o homem da cegueira primitiva, terá que enfrentar toda a bagagem de ignorâncias mundialmente disseminada acerca da religião, cujas afirmações ficam soterradas sob o peso de todos os preconceitos pós-modernos. E então os mesmos cientistas que hoje estão apontando para a última fronteira da Criação (aquela que teria iniciado o infinito ciclo de universos gerados a partir da ordem de criação direta de Deus) teriam que, além de perder todo o “ciúme gnosiológico” da competição entre saberes, adquirir a humildade de reconhecer a veracidade da afirmação religiosa que diz que a culpa é do Homem, e sem um arrependimento profundo a última porta não se abrirá.

Entretanto, para a Ciência chegar a tal milagre de humildade, duas coisas teriam que ocorrer simultaneamente: a Ciência convencer a Humanidade para a aceitação de uma verdade religiosa – que talvez só uma religião tenha – e a Humanidade fazer nascer novos homens de ciência, já acostumados à dura verdade de sua culpa para enxergar Deus atrás da última porta. Difícil, sem dúvida. Mas existem sinais de que este grande momento já é visível no horizonte da Ciência.

Chegamos à “Teoria M”, que o filme repete várias vezes, e num certo trecho, repete didaticamente para a nossa memorização consciente. “Teoria M”, “Teoria M”, “Teoria M”, manda o diretor, por estar convencido de que ali está o segredo. E diz que este “M” poderia ser “Magia”, “Mistério”, “Milagre”, “Madness” (loucura), etc., finalizando com a noção de que o “M” se aplica melhor à “Teoria do Multiverso”, e assim pode ser perenizada nos anais da Astronomia.

Para chegar a ela, o caminho foi longo, longuíssimo. Numa película de pouco menos de uma hora, o diretor faz o telespectador caminhar ao longo do desenvolvimento histórico da pesquisa das origens do universo, priorizando sobre as descobertas alcançadas após a inquieta busca de Einstein pela verdade, que culminou com a sua tentativa de alcançar uma teoria geral que explicasse todo o Mistério Cósmico, ou seja, uma “Teoria do Tudo”, que esgotaria definitivamente toda a necessidade de pesquisa da Humanidade. Mostra até mesmo as idas e vindas, as alegrias do início de cada descoberta e as frustrações de cada continuidade, porque o dinamismo da verdade esteve sempre se batendo com o vício de presumir alcançá-la, como ficou claro na seqüência em que se vê a “Teoria do Tudo” equivaler a uma “Teoria do Nada”, que afinal reflete a mesma frustração do silêncio de Deus.

Contudo, a verdade vai avançando, e quem lhe der as mãos, sobretudo mãos humildes, deverá chegar ao ponto de poder ver o todo por dentro dela, e daí “traduzir” a História completa que resultou na criação daqueles que agora a estudam. Então se descobriu que o que se chama de universo infinito é também infinito no próprio conceito, pois cada descoberta aponta para um infinito mais profundo, seja em direção ao macro ou ao microcosmos. Então se pôde ver que a quantidade de dimensões da Criação (tida, a quantidade, como infinita), não passa de 11 dimensões vivas, sendo cada uma, entretanto, infinita e diferenciada, ao ponto de se constatar o exotismo da 11a Dimensão, que se desdobra em infinitas membranas balouçantes a produzir novos universos, que podem surgir até dentro de nossa gaveta de pijamas, e crescer infinitamente, sem se chocar com o nosso quarto e muito menos conosco, que o criamos em casa!

Vê-se assim, que o infinito se alonga em sua própria complexidade, de tal modo que uma única dimensão, a 11a, se comporta infinitamente diferente das outras infinitas, sendo ela, inexplicavelmente, aquela que produz os novos universos, e não a primeira, que jamais iniciou nenhuma. Ora, mas como uma coisa infinita pode se alongar, exceto ao criar novos infinitos? E como um infinito pode ser criado por outro infinito que não seja ele mesmo?

A Criação, aqui, ficou clara na eclosão dos infinitos “Big-bangs” iniciais, que vão criando – sem destruir nada – novas realidades nas quais os outros infinitos vão nascendo. As franjas ou membranas que serpenteiam e aparentemente colidem em explosões nada mais fazem que criar tudo, e o tudo fica cada vez maior, o que é outra impossibilidade lógica (para a pífia lógica humana), já que o tudo se auto-define como o inacrescentável. Pelo menos uma lição ficou do tudo que não é tudo: que é necessário acrescentar teoria após teoria, noção após noção, visão após visão, para ir tateando até chegar ao piso da varanda de Deus e bater à Sua porta.

Da Teoria da Relatividade, passando pela curvatura do espaço (Zé Ramalho) e pela manipulação do tempo pela velocidade, alcançando a diferenciação/unicidade entre a luz e os sólidos, entre a matéria e a energia, entre as partículas e as ondas que depois viram cordas de uma celestial sinfonia, foram sendo destronadas cada uma das versões apresentadas pela ciência sem caírem do trono, mas formando degraus firmes para a última varanda, cujo tapete real foi feito dos tecidos invisíveis das membranas cósmicas, que o grande Arquiteto teceu.

Chegando à varanda, talvez cansados pela longa estrada na escuridão e no silêncio da surdez voluntária, a Humanidade pode agora estar numa posição única e sui generis, ou naquela de onde pela primeira vez possa ter eliminado todos os ruídos entre si e o Criador, para ouvir dEle (se é que alguém ouvirá) onde está a chave da porta. E não deverá ser nada espantoso ouvir dEle que a chave está dentro de nós, e todo o esforço de busca foi inútil, se nos mantivermos os mesmos na varanda. Triste ironia das ironias, quando Jesus já tinha ensinado, há milênios, que a chave do Reino está dentro de nós.

(*) E em relação às obras de CS Lewis, há outras relações impressionantes; senão vejamos: (1) No livro “The Great divorce” – ‘O Grande Abismo’ –, após a subida vertiginosa do ônibus que conduz as almas à varanda do Paraíso, CS Lewis vê o seu informante lhe apontar o dedo para um minúsculo orifício no chão, menor que um buraco de formiga, e diz que foi dali que o ônibus veio, e era ali que residia todo o universo onde existem a Terra e o Hades; vê-se, no filme aqui comentado, que o orifício é muito menor, pois toda a grandeza da Via Láctea não passa de um átomo no meio de infinitos universos; (2) No primeiro livro da sua Trilogia Espacial, Lewis conta para seus leitores a história trazida por sua personagem principal, na qual os “eldila” explicaram que tudo aquilo que nós chamamos de “espaço” é ‘sólido’ para eles, e tudo o que é sólido para nós, é espaço para eles; todos os planetas e corpos celestes nada mais seriam que orifícios por onde os ‘eldila’ atravessam os universos, que são verdadeiras mansões sólidas de incontáveis luzes, chamadas estrelas, que são seus corpos etéreos; vê-se, no filme que ilustra o presente comentário, que as partes “sólidas” do multiverso, dependendo do observador, podem ser membranas ondulantes que criam a matéria-oca para os ‘eldila’, e o vazio infinito é o todo-sólido permeado de espaços onde nós ‘sólidos’ habitamos; e por aí vai…

……………………………………………………………………………………..Prof. JV.

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